Pessoas fofas e respeitáveis:

Wednesday, June 19, 2013

Não sei se usaria, mas acho um encanto.

                                        

Anja Rubik, em Saint Laurent. Adoro as camisas de laçada e já por aqui dissertei  acerca do trabalho de Slimane. E também sou perdida por dourados. Tudo junto, com o penteado, é um abuso de glam ... mas inegavelmente cool. Talvez me atrevesse com o cabelo liso, ou preso.

                                     

Julia Restoin Roitfeld, Azzedine Alaia. Eu, eterna apaixonada por pantalonas pretas (que bem usadas são das coisas que conferem um chic instantâneo) e que acho que os abdominais ainda são das coisas que se podem moderadamente expor sem vulgaridade, gosto muitíssimo deste look. 

(Imagens roubadas de um blog giríssimo com o nome mais engraçado de todos os tempos. Pelo menos eu acho.)

Uma qualidade que é preciso de usar mais vezes. Muitas vezes. Sempre.

                               
Tenho de ir ao armário das qualidades e ligar esta à tomada rapidamente, ver se está afinada, etc. Desconfio que vai por lá uma poeirada que não queiram saber: a paciência para negociar tem sido canalizada para os assuntos urgentes. E a teimosia também. Talvez precise de ir comprar umas recargas à farmácia, não vá o stock estar fora de prazo ou esgotar-se no momento em que é mais necessário. E o vosso grau de poder para esta semana, como está?

Tuesday, June 18, 2013

Momento "ganda maluca"

                                          
Apesar da premissa old fashioned deste blog, eu sou um espírito livre em muita coisa. O que pode confundir à primeira vista é que as minhas rebeldias surgem quase sempre em aspectos que não lembram a ninguém. Para isso também contribui um pouco o mundo estar de tal forma virado do avesso que uma atitude mais conservadora ou menos politicamente correcta parece excêntrica, mas hoje não tenho tempo/pachorra para minúcias sociológicas.
 A verdade é que no meio disso tudo também sou o tipo de rapariga que chega ao cúmulo de ter o seguinte pesadelo:

Desafiaram-me para uma viagem surpresa. E eu, como se trata de um pesadelo, aceitei sem saber como, sem saber mesmo muito bem para onde vou. Estou no aeroporto. Tenho pouquíssima roupa. Não sei do cartão de crédito. *Pânico*

Ou seja, sou aquela menina que não gosta de sair à rua sem levar casaco, não vá soprar uma aragem desagradável. E sou ainda, ou como dizia o outro e aiiiinda, uma rapariga que embirra com autocarros. Mas - lo and behold! - hoje precisei de almoçar mais tarde. E já ia com pressa. Deixei o casaco na secretária e não me apeteceu voltar para cima, apesar de estar vento. E depois a minha companhia também se atrasou. Que fazer, que fazer, apeada e sem táxis nem bicicleta ou trotineta à vista, para lá chegar depressa? Valente Sissi, passou um autocarro e apesar da minha longa contenda com os ditos cujos, atirei-me para dentro dele e aí vai disto. (Não é que me caiam os parentes na lama por andar de transportes públicos ou qualquer argumento parvo desse género; eu juro que tentei, mas a questão é mais profunda e prometo que vai dar um "eu embirro com" um dia destes).  Há quem diga que para atrair a sorte, é preciso não fazer as coisas da mesma maneira todos os dias.  E não é que foi libertador? Estou mesmo a ir pelo mau caminho, a cometer "ousadias" destas.


Digam o que disserem, eu adoro esta mulher.

                                     
Quando vejo Helena Bonham Carter citada a esmo por alguns blogs da nossa praça em tom jocoso (ai que horror, ai que está sempre entre as mais mal vestidas, ai que é isto) não contenho um sorriso de ironia, tão superficial é esse "julgamento de moda"- e falamos de superficial em termos de estilo ou seja, é o superficial da superficialidade, ou uma falta de profundidade no próprio acto de ser superficial - traduzido, é um caso sério. Porque até para as futilidades da vida é preciso saber alguma coisa, ter algum background e perceber o todo. Há que ter referências um bocadinho mais elaboradas do que acompanhar os lookbooks da Zara (nada contra, mas não chega). Para avaliar o estilo alheio, não podemos basear-nos só no nosso gosto, vulgo adoro amarelo, detesto o azul. Há pessoas a quem reconheço um estilo impecável e no entanto, eu nunca usaria tal coisa. Não se trata de preferência pessoal e sim de o visual estar correcto (em termos de proporções e inspiração) ou não, de ter algo de especial ou não. Helena é excêntrica, sem dúvida...porque pode (já lá vamos) e isso não é para qualquer mortal. Sou a primeira a concordar que a actriz precisava de uma polidela, que por vezes o seu look alternativo ficava a ganhar com um ar menos desleixado, mas é a Helena Bonham  Carter, tenham paciência. 

Gosto dela pela escolha de papéis (raramente faz um filme que eu deteste) pela imaginação, pelo aspecto entre bruxinha e heroína de romance. Para já, tem uma voz de morrer e uma beleza de english rose (embora seja parte francesa, entre outras coisas) daquelas que dependem exclusivamente da regularidade dos traços e não se desvanecem com os anos. E essa beleza clássica não é bem compreendida na época de rostos plastificados e sensualidade gratuita que atravessamos. Aliás, o bom ar que Deus lhe deu, e que a condenava a papéis de aristocrata trágica em produções de época, foi uma das razões que motivaram a sua excentricidade: vendo que apesar de fazer Shakespeare não a levavam a sério como actriz versátil, trocou-lhes as voltas: nos Oscares de 1997 foi ao armário da avó  (Baronesa de Asquith of Yarnbury, amiga do peito de Churchill, nem  mais) e escolheu um vestido vintage que faria empalidecer de inveja muitas bloggers de moda cá do burgo, só por uma questão de schock value E convenhamos, quando se é tão bem nascida e com acesso a roupas do outro mundo (e exemplos melhores ainda) como ela, pode 
fazer-se à vontade o número da eterna debutante que se está nas tintas (a modelo Stella Tennant é outro exemplo: antes de se tornar a cara da Chanel, era do mais punk que podia haver, uma verdadeira ovelha negra). Depois tem talento à patada, e isso é coisa que não nasce por aí nas árvores. Logo, se a ela lhe apetecer usar não tão bem um Vivienne Westwood lindíssimo, paciência. Tenho muitas vezes vontade de lhe roubar alguns vestidos e inventar um look mais decente com eles, mas vivo lindamente com isso. O mais giro era que ela podia ser impecável, se quisesse. Bastava-lhe ligar para casa, mandar vir uma data de caixotes do sótão e não sei quantos personal stylists que a família podia perfeitamente pagar. Ou pedir uns conselhos à parentela, o que também vale. Não o faz porque se está borrifando, o que é uma qualidade admirável. E porque é distinta por mais estapafúrdio que o seu look seja, enquanto muitas meninas por aí não se tornam distintas por mais respeitável que a roupa pareça. Bem prega Frei Tomás...

Monday, June 17, 2013

Destino? Virtù? Fortuna?

                          
Eu não acredito cegamente no Destino, no Fado, nas Moiras, nas Parcas ou no que lhe queiram chamar. Sempre me quis parecer que os Deuses traçam o nosso caminho até certo ponto, no estilo teste de múltipla escolha, como aqueles livrinhos de terror giríssimos em que a sorte do herói dependia de optarmos pela alínea a, b ou c. Acho que há etapas que temos forçosamente de passar, locais que estão marcados no nosso percurso, pessoas que temos de amar ou enfrentar, mas o resultado depende inteiramente de variáveis que estão na nossa mão, como a nossa vontade ou performance. E mais uma vez volto a Mestre Maquiavel: há que saber jogar com a Virtù, que depende de nós, e com a Fortuna, que é caprichosa. Ousar ou calcular perante as circunstâncias que só ao acaso, ou à vontade divina, se devem. Muitas boas decisões (e algumas péssimas) advêm de duas atitudes: a de certa displicência tranquila, de quem não sabendo que era impossível, foi lá e fez e uma veneta que se traduz sensivelmente por "eu vou lá e parto aquela porcaria toda, quem manda aqui sou eu". Esta última "onda que sobe por nós acima e desce por nós abaixo" é um super-poder que havia de ser vendido nas farmácias. Ia ser um sucesso comercial, estou certa. 
 Gosto de pessoas que levam sempre a sua avante. E que quando não levam é porque mudaram de estratégia (agora não me apetece, mais tarde trato disso, e verão!) porque se desinteressaram do objectivo ou porque arranjaram melhores coisas para fazer. Se o assunto é sério, é necessário ser-se caprichoso . Não arredar dali. Não desistir.
 Depois, pessoas vencedoras não desperdiçam desejos por aí. Há que saber claramente o que se procura, mas não procurar demasiadas coisas e ir contando as bênçãos em vez de maldizer a sorte. Alinhar a vontade (Virtù) com a Fortuna. 

   Procurar aquilo que não é nosso, manter desejos velhos e bolorentos só porque sim quando o Universo nos diz constantemente o contrário é uma péssima ideia. Gosto muito de Maquiavel, mas acredito mais na sabedoria da avó, porque as avós não mentem (e concordam com Maquiavel muitas vezes, por estranho que pareça).

 E a avó dizia "o que tem de ser nosso à mão nos vem parar, ninguém nos tira, nem que caia céu e terra ". Então, para quê a preocupação?  O destino pode não estar escrito, mas há partes dele que são feitas, traçadas, talhadas e ligadas no Céu. Podemos dar as voltas que quisermos, mas nunca deixarão de ser nossas por mais granadas que caiam, por mais abismos que se cavem. É uma questão de serenidade. De ir dançando conforme a música, de preferência com o sorriso malvado da praxe, de quem já sabe como o filme vai terminar por muitas voltas que se dêem ao enredo. Com a tal displicência de quem se está marimbando para as dificuldades invisíveis e com a atitude de quem manda ali e vai partir aquilo tudo. O que nos pertence, como dizem no país irmão, ninguém tasca nem tira. Então descontraiam-se, arranjem uma cadeirinha e relaxem. Tried and true.




Crónica Activa da semana, #28




Ou quando o snobismo/antipatia/nariz empinado poupa graves chatices: para ler aqui.

Nunca tal vi, em toda a minha vida.

              
Botas.
Chuva e chuviscos.
Um tempo tristonho.
Aragem fria.
Meias, que são uma seca. Por esta altura já contava dispensar os collants, salvo em situações muito formais.
Gabardina.
Dormir com lençóis quentes...e pijama fresco, porque ninguém entende este tempo.
O incómodo de escolher um casaco todos os dias, de tal maneira que uma boa fatia dos agasalhos ainda nem foi posta de parte. O mesmo para o calçado. Repito que já usei botas e sandálias na mesma semana. Estou a ficar com sérias questões de identidade visual.
E isto tudo a dias do Solstício de Verão.
Sinto-me sinceramente farta disto de não haver estações. Recordo-me que o Verão de 2008 também foi chocho, mas quer-me parecer que este vai ser invernoso que se farta. Then again, este está  a ser um ano tão esquisito que já nada me espanta. Estou à espera de fenómenos do Entroncamento a cada virar de esquina e a cada dia que passa. O que me vale, aprendi a tirar partido dos limões que a vida me dá, mesmo que sejam limões-aberrações. Não consigo encontrar grande vantagem nisto, mas se quiser ser mesmo positiva...diria que sempre posso usar as fatiotas que não houve tempo de vestir na fase fria do ano. E pronto...digo fase fria porque já não há estações. Está certo que a moda se tornou global e que a contar com as diferenças de clima de país para país, ou com a necessidade de viajar dos clientes, as marcas fazem roupa de Inverno e de Verão todo o ano, em todas as colecções, mas...dava jeito haver uma lei que nos governasse. Por coerência e para uma pessoa se situar minimamente.  Isto está bonito, está.

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