Pessoas fofas e respeitáveis:

Wednesday, April 23, 2014

Shakira é um bifidus activo, ou coisa que o valha.


Ainda gostava que me explicassem a relação entre celebridades e a publicidade a iogurtes que fazem bem (dizem eles) à barriga.

Porque das duas, uma: ou essas marcas de lacticínios pagam somas principescas, astronómicas, assombrosas (o que explicaria que caras conhecidas que não têm ar de precisar de dinheiro se sujeitem a fazer anúncios parvos que declaram ao mundo a regularidade, ou falta dela, de um "trânsito" que mais engarrafado ou menos só diz respeito a cada um) ou têm muitos, muitos problemas digestivos - o jet lag, o stress, a vida de sex, drugs & rock & roll são capazes de complicar o organismo -  e por isso sentem para com os tais iogurtes uma dívida de gratidão. Só pode.


 E Shakira, bem conhecida pelas acrobacias abdominais, é a última famosa a render-se à propaganda dos ventres felizes. Juro que ainda fui procurar a versão espanhola, a ver se falavam em "la tripa" - isso seria giro - mas parece que não.


 Ora bem, no dito spot ficamos a saber que os bifidus activos (bichos activos seria um nome mais apropriado) que aqui receberam o título ainda mais pomposo de DanRegularis (nada mau para um probiótico, fermento ou lá que vem a ser o microorganismo saltitante em causa) são estrelinhas que chegam à barriga de quem consome a saudável iguaria, e que a barriga de uma pessoa é um vale encantado. Uma vez lá dentro, aprende-se que os microorganismos que fazem bem à tripita, já que fiquei com a ideia do espanhol continuemos, são mini Shakiras aos pulos e a fazer a dança do ventre com grande entusiasmo. Quem diria que uma levedura seria tão...glam?


 Até aí tudo bem, não é por isso que me convencem a comer uma coisa que a comunidade científica parece que diz que é como o Melhoral, nem faz bem nem faz mal mas pronto, cantem para aí la la la à vontade. 


 Mas depois vem a cereja em cima do bolo, aliás, da taça de iogurte: comam isto porque tem DanRegularis que chegam vivos à vossa flora intestinal!


Assim, como quem diz "que festa!".


Esperem lá- chegam VIVOS? Ok, uma pessoa já sabe, mas dito assim é um bocado gráfico. Eu lá quero bichos vivos às voltas cá por dentro, a fazer sabe-se lá o quê. E a cantar músicas da Shakira, ainda por cima. A Suerte e a Tortura ainda aguento, mas há limites.


Não sei o que aconteceu ao bom e velho pequeno almoço com sumo de laranja e café para assegurar um curso do dia normal. Ao menos não há cá pulos nem cantorias. Agora até as barrigas têm de mostrar o seu talento. Só faltava esta.


Pessoas demasiado amorosas para ser verdade...

Liz Taylor e Richard Burton, "The taming of the Shrew"


...que simultaneamente são as que mais arreliam e tiram um Cristão do sério. Isto é que é uma situação!

 Não há coisa mais borderline. É do estilo"o que você merecia era um par de bananos, mas quem é que consegue bater nessa cara fofa?" e o sentimento é mútuo. Perante o espanto da assistência, que abana a cabeça e diz "acabem lá com isso, que já se sabe que não passam um sem o outro". 

Bem que na vida podia ser tudo preto ou branco; era mais simples se as criaturas mais adoráveis, mais perfeitas, não fossem tão chatas por vezes. 

Rir da desgraça alheia?mmmm...se calhar não.


Vieram dizer-me, muito divertidos, que uma criatura cá das minhas antipatias (e com boas, ou péssimas, razões...) feia de caricatura, daquela fealdade que é irremediável por ser acompanhada de olhos de tubarão sem expressão nenhuma, de uma maldade e de uma grandessíssima falta de noção que advêm claramente de parafusos totalmente soltos... se pôs numas figuras de morrer a rir.

É que pobre coitada julga-se bonita, apesar de se parecer com uma gárgula do Corcunda de Notre Dame, o que gera não poucos constrangimentos quando se lembra de legendar certos retratos, em que parece que se pôs feia de propósito, como "linda!". Como ninguém a elogia ela trata do assunto, pois então.


Presunção e agua benta...


É curioso, e já o tenho dito por aqui, que muito raramente alguém bate de frente comigo (apesar da minha maneira algo mordaz de opinar sobre as coisas, respeito toda a gente e sou dada à paz...) mas das vezes que isso aconteceu, foi sempre por pessoas feiinhas de meter dó, estilo carantonha do Entrudo. Vá-se lá saber porquê! A minha teoria é que as pessoas normais andam muito ocupadas lá na sua vida, e as pessoas bonitas (ou porque são mesmo bonitas, ou porque são bonitas por dentro e isso fá-las bonitas por fora) andam entretidas a ser amadas e felizes, ou a embelezar-se, que isso de manter o que Deus dá exige algum trabalho, e não têm tempo para aborrecer ninguém.


 Enfim, contaram-me isso julgando dar-me uma alegriazinha perversa, já que gosto bastante de rir e não perco a oportunidade de brincar com as almas sem sentido do ridículo. Lá dizia o poeta, a única vantagem do mau gosto é o prazer de troçarmos dele!


 Pois bem, olhem que não quis saber, nem ver, nem dar tempo ao assunto. "Concentrem-se nas coisas belas!" - respondi-lhes. É que são tantas, e já se perdeu tanto tempo com coisas desagradáveis.

 Há seres demasiado tristes para que uma pessoa se vingue ou gaste tempo a fazer pouco, por mais que tenha bons motivos...ser-se tão desgraçado já é castigo que chegue.

  Não é bom demorar-se mais do que o estritamente necessário a pensar naquilo que incomoda. Desvie-se antes a mente para algo de maravilhoso, que obrigue inevitavelmente a sorrir, como na Música no Coração:



I simply remember my favourite things and then I don't feel so bad!

Viaje-se interiormente, a todo o custo, para um lugar feliz, nem que seja pensando numa coisa superficial ou insignificante. Sei lá, sapatos e roupas de griffe; o gato lá de casa, tão fofinho; os olhos meigos, a cara linda e aquele sorriso da pessoa amada; um momento alegre da última festa; certa cena da infância que nos faz sempre rir...


 É que a fealdade pega-se, mas as coisas boas atraem mais coisas boas...eu cá acredito nisso.



Isto não é para senhoras. Faz corar, literalmente.





Quem tem a cortesia de passar por aqui a ler os meus devaneios e me vai conhecendo, já sabe que eu acompanho as Modas &Elegâncias, vou dando conta das novidades que me interessam e que me parecem que podem interessar-vos também, mas que no que toca a moda e beleza sou de gostos clássicos, prefiro as coisas com provas dadas,  tried and true, pouca modernice se faz favor

Ou novidades só nas doses certas, para alegrar um bocadinho e refrescar o visual. Sigo as tendências de uma maneira muito geral, de modo a tirar partido das coisas que tenho com novas formas de styling e a fazer compras conscientes, mas raramente me foco num produto específico - a não ser que haja um que vá completamente ao encontro dos meus gostos e das peças que colecciono por já saber que me ficam bem. 

 Mas dificilmente me verão aos pulinhos e guinchinhos por causa de nada, que não sou dada a fanicos, quanto mais à conta da última it bag (haja paciência para acompanhar o ritmo desses "it" que são esquecidos à mesma velocidade) do mais recente statement qualquer coisa, do acessório do momento. E quanto ao último-produto-de-beleza-milagroso...a não ser que supra uma necessidade (caso do bâton laranja, embora não adoptasse nenhum específico)  só reparo nessas descobertas de que toda a gente fala por mero acaso.

 De modo que fiquei admiradíssima ao descobrir, neste artigo sobre as novas peças de culto, que agora não só os blushes foram elevados ao estatuto de "it blush"(say what?) como este abaixo, por acaso muito engraçado mas já lá vamos, é o produto do momento, com um nome super malcriado.  Se ainda não sabem, vão lá ver. E já existe a versão super, super malcriada.  O que as marcas não fazem para gerar buzz e vender um produto de beleza que nem pãezinhos quentes!

 Tudo bem, não é nada do outro mundo, estamos no século XXI, etc, etc, mas imaginem-se numa festa respeitável e a tia do vosso namorado, uma senhora toda conservadora, virar-se para vocês e perguntar "que lindo blush que a menina tem! qual é?" e vocês a dizerem que têm isso na cara? É de fazer, literalmente, corar a mais afoita. 

Já vos contei que com a minha pele pálida, tenho sempre cautelas dobradas com o rouge (lá se dizia antigamente, "uma senhora não usa rouge") e este por acaso até é um dos tons que aprecio, assim nacarado e luminoso. Mas nunca me apanham com uma brejeirice dessas nas maçãs do rosto. Há que ter um bocadinho de vergonha no dito, eu acho...





Tuesday, April 22, 2014

De fazer chorar as pedras.


Há uns quantos aspectos em que não correspondo ao estereótipo feminino: uma delas é a minha impaciência para prolongar as compras ad aeternum, outra é a dificuldade em me comover até às lágrimas com as notícias, ou com filmes, canções e livros. 
Pôr-me a chorar não é tarefa fácil- e ainda bem, porque raramente choro mas quando choro estou como o outro do Amor de Perdição, sou um chafariz. 

 Depois há certas coisas-que-me-lembram-cá-de-coisas, ou que fazem vibrar uma cordinha interior por nenhum motivo especial, e que não consigo ler, ouvir ou ver porque choramingo mesmo, não consigo evitar.

 O meu irmão, que anda muito em contacto com a parcela de sangue espanhol que nos corre nas veias, lembrou-se de começar a ouvir esta cantora extrordinária;  e como gosta de pôr a música alto, eu que andava no andar de cima nos meus afazeres não pude impedir que as notas e as palavras me chegassem. Não se faz isto à minha pessoa. Já tenho dito que não sou exactamente uma romântica no sentido convencional do termo - velinhas e ursinhos e coraçõezinhos - mas enfim, a genética manda e pode e quanto às ideias de romantismo e ultra romantismo de outros tempos, bem.... 

Depois, fui educada na filosofia "uma mulher nunca se desmancha nem perde o seu tempo com quem não presta", logo não me posso identificar com a protagonista da canção, que diz mais ou menos "volta a qualquer preço, meu querido";  só que enfim, uma coisa é o que uma mulher faz, outra é o que vai lá por dentro.

 E pronto, não aguento cantigas de amor desesperado entoadas com tanta expressão, com tanta intensidade. Tive de pedir que se baixasse a música, porque não gosto de esborratar a pintura...oh sorte!

Horas que pasan con la agonía de una muerte lenta / vuelve el silencio a vestirme de oro mi santo / vuelve el recuerdo de mis abuelas a hacerme fuerte en la espera  / Ay si tu volvieras...
Si tu volvieras te vestiría de oro mi santo / callaría las cosas para que tu puedas oír mi canto desesperado...

                                           



Monday, April 21, 2014

Amor secreto?


   "Já, porém, no tempo de Aristóteles, 
se afirmava que 
amor e fumo não se escondem..."

                                            Eça de Queiroz, in José Matias ("Contos")


Que é assim como quem diz, yeah, right

Alguém acuda ao Príncipe George!



Acho que uma bruxa má transformou o pobre principezinho num koala e nem os pais deram por nada. Continua giro (e bochechudo) mas é capaz de ser um pouco complicado levá-lo para casa nestes preparos. Assim de repente isto lembra-me um conto das 1001 Noites que já não leio há muito tempo. É bom que a Fada Madrinha esteja incluída na entourage, para eventualidades destas... "desencantos portáteis em caso de emergência".


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