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Friday, May 27, 2016

Homens musculados são maus, diz a ciência?




Apareceu-me isto nos feeds e passo a citar com uns retoques devidos ao português:

"De acordo com um estudo realizado na University of Westminster, homens mais fortes tornam-se namorados horríveis. O estudo baseou-se em 327 homens heterossexuais, dos quais mais de um terço eram solteiros e descobriu que quanto mais musculado era o participante, mais provável era ter crenças sexistas e mais hostilidade contra as mulheres.

A correlação entre homens musculados e crenças sexistas está enraizada em papéis tradicionais de género. “Achamos que homens que mantém crenças opressivas sobre mulheres e igualdade de géneros são também mais passíveis de carregar estereótipos tradicionais de masculinidade, o que inclui o físico musculado. Frequentemente, homens que já são sexistas esforçam-se para ser musculados, porque isso carrega a sua ideia de como um “homem a sério” deve ser. Os investigadores afirmaram que em sociedades onde as estruturas patriarcais estão a ser desafiadas, os homens podem tentar provar a sua masculinidade melhorando os seus corpos. Basicamente, homens que estão rodeados de mulheres no poder tendem a sentir-se ameaçados e ultrapassam isso ganhando músculos".


A autora do texto aponta depois, com  razão, que de facto os "Carlões" de Jersey Shores e afins não são exemplo para ninguém. Já lá vamos. Mas a única ideia isenta e razoável presente em tal estudo (um estudo que traz o papão do patriarcado e o termo "crenças opressivas" à baila só pode ser tendencioso) é mesmo que o crescimento da febre da musculação pode ser uma resposta aos exageros do feminismo. Os pobres homens sentem tanta pressão para se efeminarem, o apelo à mulher dominadora por parte dos média e da sociedade (com as suas desagradáveis consequências) é de tal ordem, que alguns acabam por rebelar-se dessa maneira.

Ora, eu mais do que ninguém prego contra Carlões, Ricardões e bimbos de ginásio. É óbvio que não se espera grande coisa ou respeito pelas mulheres de um bruto que se diverte a ver a Casa dos Segredos, a dançar em antros e a relacionar-se casualmente com mulheres sem dignidade que alinham pela mesma bitola e parecem, por sua vez, saídas da Casa dos Segredos. E convenhamos que em muitos ginásios o ambiente não é dos melhores, não. Quem vive para trabalhar só o corpo e não cuida da mente...já se sabe o resultado.

Não obstante, um homem pode ter músculos e ser culto, saber estar, saber vestir, ser um cavalheiro. Tal como uma bela mulher, com um corpo imaculado, pode ter cérebro e ser uma Senhora.



Por outro lado, nem tenho necessariamente nada contra o tipo de homem magro e sonhador, intelectual, poeta ou artista - veja-se o Reid das Mentes Criminosas, que é um encanto. Ser varonil não requer necessariamente um físico impressionante, já que a hombridade é uma característica que vem de dentro.



Mas daí a relacionar músculos com mau carácter ou confundir misoginia ou chauvinismo com uma postura e figura masculina, viril, protectora, vai uma distância. Há um apelo ancestral na força, na imponência, num físico masculino forte e saudável - não necessariamente trabalhado músculo a músculo, mas que dê o ar de quem pode saltar em defesa da sua dama e da família em caso de necessidade. Para não falar no factor estético- ombros largos são mais atraentes do que uma postura corcovada a denotar preguiça, um tronco elegante veste melhor um fato, braços fortes oferecem outra segurança e por aí fora. O exemplo que vimos há dias, do Thor a fazer bolos para a filha, mostra bem que um grande tórax pode esconder um coração de manteiga. E não há nada mais querido do que um homem forte que possui auto domínio, que sabe fazer uso da força e é cuidadoso com os mais frágeis. O povo até avisa contra certos "lingrinhas" que compensam com maldade a falta de tamanho: homem pequenino é velhaco ou dançarino.

Dizerem que os homens atléticos são os maus da fita é uma desculpa tão boa para a preguiça ou a invejita como gritarem aos quatro ventos que as mulheres desleixadas são "belezas reais". Essa é que é essa.

Pasmem: atrevi-me a *tentar* ver "Comer, Orar, Amar".




Shame on me. Se há coisa que me aborrece é filmes de mulheres tipo Bridget Jones, que invariavelmente envolvem uma solteirona desesperada a fazer asneiras enquanto procura um diabo que a carregue, ou uma divorciada a tentar encontrar-se a si própria justificando com essa desculpa a sua fiada de asneiras. Que- estava eu farta de saber - é o caso de Comer, Orar, Amar, livro/filme autobiográfico que pôs muita alma tonta em modo rebanho a viajar para Itália, Índia e Indonésia (acho- não cheguei a essa parte) para aborrecer os nativos com os seus chiliques. 

Sobre o romance light, uma cronista do New York Post deu a melhor definição possível: "uma tolice narcisista e new age"



Adequado, portanto, ao mulherio oferecido que adora Chagas Freitas, tem montes de one night stands com homens que estão fora do seu alcance para uma relação séria, acha-se mais bonita e capaz do que na realidade é, porta-se mal mas reclama que nenhum homem presta, finalmente se tiver sorte lá casa com alguém mais a condizer consigo para não ficar para tia, corre mal e vai descarregando no Papa, nas boas energias, nos gurus e nas citações ressabiadas/sórdidas de Facebook. Típico. Não admira que fosse um best-seller à escala global. As coisas andam assim, pretas.

Mas primeiro, porque estava a passar na TV e eu não tinha sono, logo dava-me jeito assistir a algo que me maçasse de morte; segundo, porque queria ver a parte que se passa em Itália (pintada com os estereótipos da praxe e como se em Roma não houvesse águas correntes quentes e frias); terceiro porque enfim, não acho necessário conhecer a fundo as coisas  com que embirro mas sempre convém embirrar com algum conhecimento de causa; e quarto, porque não havia nada melhor, lá arrisquei.



Bom, o filme tem imagens bonitas, tem uma boa fotografia. Há umas nonnas e mammas italianas a levar as mãos à cabeça com as modernices da protagonista, que lhe dão uma pitada de bom senso obviamente descartada pela narradora.

Salva-se por aí. Mas o argumento, justos céus! Se já viram, como quase todo o mundo viu, não me quero alongar: mas a heroína (bem casada, com um bom emprego e uma vida estável) acorda um belo dia e diz ao marido "não quero estar casada". Assim, porque não lhe apetece. Como quem diz "não quero ir ao ginásio hoje". O pobre coitado, que parece um tipo decente, indigna-se todo e lembra que fizeram um juramento, que para ele foi a sério, que queria criancinhas e envelhecer juntos e todas essas puras alegrias. 



Mas não. A egoísta da menina (vejam aqui um texto excelente sobre o filme que se foca mesmo nisso) está super desinfeliz.

Desinfelicíssima. A morrer por dentro apesar de ter saúde, família e amigos, um marido que a ama,  bom aspecto, uma carreira de sucesso, meios para passar um ano sem trabalhar se lhe apetecer e uma casa confortável. Que tragédia.

  Como se qualquer casamento fosse só felicidade todos os dias, sem esforço nem sacrifícios - e divorcia-se mesmo. Depois a maluca leva palmadinhas nas costas dos amigos que deviam era dizer-lhe "cresça", aborrece toda a gente com as suas lamurias, envolve-se numa relação muito pior que a anterior só para não estar sozinha com uma espécie de Gustavo Santos mais novo e todo metido a espiritualmente superior, desses que são vegetarianos porque é bonito armar em social justice warrior, começa a adoptar os hábitos dele como se não tivesse nada na cabeça, corre mal, separa-se desse também e lá vai toda contente ver se se encontra a si própria. 



Ou a ver se encontra Deus a meditar num ashram cheio de mosquitos ou lá o que é (adormeci nessa parte- os mantras deviam ser mesmo bons).

E em Itália lá aprende o valor do hedonismo e do dolce far niente, mas como lhe falta a noção de bella figura das italianas, que comem e bebem sem engordar, enfarda como uma esfomeada, trata de arranjar um pneu e dizer que isso é liiindo. Claro que a autora não capiscou nadinha, nada, niente, da filosofia de vida italiana, que passa muito mais por isto. Prazer de viver, descontracção, mas força, espírito de sacrifício, amor à família, Fé, brio na imagem, feminilidade. Isso são conceitos que passam totalmente ao lado destas cabeças de alho chocho.




E foi isto. Não vi mais nem preciso. São estas ideias doidas, egocêntricas, superficiais e patetas que andam nos média a ser pregadas às mulheres como positivas, poderosas e CORAJOSAS. Porque ir laurear a pevide pelo mundo fora só porque nos dá na gana exige muiiita bravura.

Não que seja má ideia uma mulher, ou qualquer ser humano, tirar um ano sabático para pensar na vida e "encontrar-se", se quer e pode. Não que seja necessariamente errado uma pessoa ter uma epifania e agir como lhe der na telha, pensar em si própria, perceber o que realmente quer. Mas deixem-se de floreados e de colocar filosofias da treta nos caprichos, por favor. É muita lata.

Thursday, May 26, 2016

Por uma vez sem exemplo, estou de acordo com a Esquerda.


Mas a medida podia muito bem ter vindo da Direita. Só não virá por teimosia e peca por tardia, desculpem lá a rima.

Eu sou do tempo em que havia bons colégios e boas escolas públicas. Passei por ambos e tive muitos colegas que, tendo estudado sempre no privado, depois optavam por terminar o secundário num dos dois excelentes e super exigentes liceus que cá temos. Também havia o vice-versa para quem precisava de notas altas para entrar em Medicina ou coisa assim (dizia-se à boca pequena).

Bem entendido, nada contra certos colégios serem subsidiados de modo a suprirem  necessidades que a escola pública não cubra: em zonas remotas ou junto de alunos com necessidades especiais, por exemplo. Ou contra certas instituições ditas de "elite" terem uma quota de bolsas para alunos merecedores que não podem pagar as propinas. Isso é razoável e justo.

 Mas não tem sido o que se verifica, antes pelo contrário. Vemos colégios a recusar alunos com deficiência e, por sua vez, escolas públicas a lidar, sem recursos humanos nem logística adequada, com as necessidades dessas crianças. Vemos escolas públicas que pagamos do nosso bolso sem as devidas instalações ou material, outras que igualmente pagámos do nosso bolso com instalações criadas para esse bruxedo do Parque Escolar...ambas às moscas e com professores por colocar,  enquanto no quarteirão seguinte colégios supostamente privados são frequentados supostamente de graça por tutti quanti. Ou seja, andamos a pagar duas vezes. Ou três, caso matriculemos os pequenos num colégio que, a bem da qualidade e da sua reputação, recuse beneficiar de tais medidas. 

E isso é o que me confunde- chamem-me elitista à vontadinha que eu posso bem com isso, mas um colégio não perde a sua razão de ser ao tornar-se absolutamente gratuito para toda a gente, sem qualquer critério a não ser a proximidade geográfica, quando até há escolas ao lado? Não abre mão dos seus valores ao não estabelecer normas de admissão baseadas no mérito ou na excepção?

Colocar os filhos num colégio é uma decisão, a meu ver, tomada por motivos específicos: o rigor, a oferta educativa, ou algum diferencial, como a instrução ministrada por religiosos, militares, etc. Se alguém decide investir o seu dinheiro em algo que poderia obter gratuitamente na rede pública, é porque, como pagante, quer estar em posição de exigir mais; porque deseja alguma coisa que o ensino público não ofereça: condições superiores e eventualmente, alguma selecção e exigência na frequência, companhias e rigor que se encontram no dito colégio. 



E bom, falo por mim mas não matricularia familiares meus em alguns que conheço, que não só acolhem qualquer valdevinos como não procuram - talvez porque os valdevinos se tornaram a maioria lá dentro - moldar os malandros à filosofia inicial da casa; em vez disso, relaxam as normas para se adaptarem à tipologia dos alunos. Nada contra quem, ao chegar ao secundário, escolhe antes ir construir casas ou frequentar uma escola de estética (é trabalho honesto como qualquer outro) mas que esse perfil se tenha tornado dominante (ou quase) em alguns colégios diz algo do seu status quo e da disciplina lá dentro. Por exemplo, toda a favor dos colégios religiosos,desde que se mantenham religiosos e tenham a obrigatoriedade da Missa, do uniforme e das normas de conduta. Senão, onde está o sentido?

Como isto não deita por terra a reputação e brio daquilo que é suposto ser um colégio, beats me.

Por fim, vamos ao non sense da "igualdade de oportunidades" (se há escola pública acessível a toda a gente, não sei onde anda a desigualdade) e do "direito a escolher a escola dos nossos filhos". Toda a gente tem o direito a escolher, em tudo. Agora o "direito a escolher" bens ou serviços de luxo *e* de graça já é outra história. Eu tenho o direito a escolher só andar de Mercedes, Jaguar, Ferrari, BMW, eu sei lá, e a só vestir Chanel, Dior, Prada e assim por diante. Se tiver meios para isso, se me esforçar nesse sentido. Sem exigir que o Estado me ofereça essas coisas.  O capitalismo assim o dita, graças aos Céus. É esquisito que tenha sido a Esquerda a lembrar isto, mas adiante.

Este "direito a escolher" é tão estranho como seria quem beneficia de habitação social entender que devia mudar-se para um condomínio de luxo na zona mais inflaccionada da cidade, à borla, no questions asked, porque o sol quando nasce é para todos, apesar de estar bem servido de habitação no sítio onde mora. 

O básico está assegurado: o extraordinário é escolhido e pago directamente por cada um; não arrancado aos contribuintes como se as escolhas individuais dissessem respeito a toda a gente. O que seria um bocadinho comunista e só vem tornar a questão mais confusa. Palmatória, volta que estás perdoada.




Toda a mulher de bom gosto precisa de um homem paciente.



Mas prometo, cavalheiros,que estar ao lado de uma dessas tem as suas vantagens. Vamos começar por assentar duas ideias: primeiro, uma mulher que gosta de Modas & Elegâncias tem quase de certeza outros interesses também. Não é necessariamente uma cabecinha de vento. Cabeças de vento há em toda a parte.

 Depois, uma mulher assim ou se relaciona exclusivamente com dandies exactamente como ela (que têm, muito provavelmente, alfaiate e um armário apreciável) o que deixa todos os outros homens a salvo ou (caso haja um que não perceba nada disso mas tenha potencial e seja extra corajoso, um macho Alfa que não se intimida e parte para a luta) trata de descobrir o dandy que há (em maior ou menor grau) no seu amado. 

Entra em modo profissional e trata de subtilmente mas à velocidade da luz e com recurso a uns passes de mágica, converter o moço ao maravilhoso mundo do bem trajar. E das duas uma- ou ele foge e caso arrumado, ou, se tiver a devida sensibilidade, como qualquer ser humano depressa se habitua a coisas melhores e fica convertido. Dali a nada vai interrogar-se como viveu até ali sem ter casacos e calças ajustados à medida ou como podia andar confortável com tecidos menos requintados. Vai passar a  prestar atenção a aspectos e detalhes que antes não lhe passariam pela cabeça, se calhar distinguir Gucci de Armani...e receber bastantes elogios, o que é sempre agradável.

A todos os que ainda equacionam a hipótese de convidar para sair aquela stylist, blogger, jornalista de moda, modelo ou designer gira, pode parecer  que namorar e/ou casar com uma aficionada ou profissional de moda é um pesadelo, do tipo "estereótipo de mulher elevado ao cubo". Não é bem assim, garanto. Poderão ter de lidar com a necessidade de um closet bem grande - e que exige trabalhosas actualizações regulares -  quando ponderarem comprar casa, ou com uma bagagem mais recheada e meticulosa que o normal se viajarem. Se souberem de bricolage para assentar prateleiras e montar aquelas soluções de arrumação miraculosas do IKEA, serão amados para sempre.

Mas dramas como passar horas esquecidas a sofrer em lojas ou centros comerciais, que acontecem aos maridos e namorados das mulheres "normais"? Dificilmente. Uma conhecedora sabe exactamente o que procura, o que vai comprar, onde e provavelmente, é um ás do e-commerce que encontra os melhores preços e fornecedores de olhos fechados. Muito poucas espatifarão o cartão de crédito. Isso só acontece às amadoras. 



 Também podem esquecer telenovelas femininas do género "estou amuada porque não gosto de me ver com esta roupa". Uma especialista tem os seus dias como todo o mundo, mas raramente erra a esse ponto. Sabe exactamente o que lhe fica bem e nunca lhe passará pela ideia chamar a atenção para uma área do corpo que naquele dia não está no seu melhor. E ainda que isso pudesse remotamente acontecer, havia de dar a volta à situação sem vos arreliar com as suas inseguranças- evitando ser fotografada ou indo mais cedo para casa, por exemplo.

Outro aborrecimento que nunca irá suceder é a menina envergonhar-vos por errar o dress code num evento da empresa, no baptizado do vosso primo ou em qualquer outra situação delicada. Ou por não saber caminhar de saltos altos. Tão pouco vai obrigar-vos a correr Seca e Meca porque surgiu um casório ou festa e ela não tem o que vestir. Por amor de Deus - o mais certo é já ter no guarda-roupa algumas hipóteses ainda com as etiquetas, compradas naqueles saldos do ano passado ou naquela loja vintage que descobriu numa viagem qualquer.



E também é provável que, por ossos do ofício, domine a arte do do-it-yourself, perdendo consideravelmente menos tempo com cabeleireiros e afins. Não esqueçamos ainda a parte dos presentes: toda a fashionista que se preze é perita em saber o que quer e em ler as pessoas - logo, em dar e receber lembranças. Nunca é complicado descobrir o que lhe oferecer...e podem contar que, quando vos comprar algo, será uma coisa que precisavam mesmo ou que vos agradará dali para a frente. E claro, acabam-se os dilemas de não saber o que dar à mãe, irmã, tia, pai ou melhor amigo: datas festivas descomplicam-se magicamente. O mais certo é ela adiantar-se e perceber antecipadamente que a vossa querida mãezinha vai adorar acessórios boho-chic (não se preocupem, 
ela depois explica-vos) ou que o vosso amigo do peito ia mesmo delirar com uns ténis DSquared2.

Não tardarão ainda a perceber para que raio querem as mulheres tanta roupa e tanto espaço. O vosso próprio closet em breve estará composto de roupas e calçado para lazer, trabalho, casual chic, business casual e todos os graus do traje formal, devidamente separados. A diferença é que ela não dirá como as mulheres que conheceu antes "não tenho nada para vestir" e que quem estiver ao lado dela é capaz de pôr alguma antecipação no "que vou usar hoje?".

Por fim, habituada a estar pronta a tempo e horas e a cumprir prazos doidos, o mais certo é estar pronta rapidamente quando necessário. Mas aqui já não juro nada: nas horas vagas ela pode distrair-se uma vez por outra porque afinal, é dia santo, ela é uma mulher e pode sentir a tentação de experimentar algo novo e mudar de ideias,  ou coisa que o valha. Mas vale a espera, é certo. Decerto não levará duas horas para aparecer com algum mini vestido medonho ou coisa semelhante, como outras raparigas supostamente "práticas" fazem quando se tentam embonecar.

Quem arrisca, pode contar com tudo isto: uma companheira sempre adequada às situações que só pede alguma paciência, imaginação, abertura, um pouco de "se não os podes vencer, junta-te a eles" e eventualmente, alguma habilidade de McGyver.








Wednesday, May 25, 2016

Batman vs Superman resumido...dá isto


Eu tinha-vos contado que os cavalheiros cá de casa me queriam obrigar (salvo seja, eu cá não faço fretes) a ver o tal filme em que o Batman e o Super-Homem se desentendem- e que estava curiosa por lhes fazer a vontade, sobretudo para ver as toilettes Gucci do Ben Affleck. De resto, andava tudo espantadíssimo com os mega músculos que os actores tiveram de arranjar para o papel, uma canseira, tudo à custa de muito levantamento de pesos, muita dieta e muita toma de papas e pirulitos.  Sempre queria saber se a transformação era assim tão grande e extraordinária como isso.

Bem, lá vi... e o filme não é que seja mau. É só um bocado confuso. Parece-me que os argumentistas precisavam de arranjar uma desculpa esfarrapada, qualquer que fosse, para pôr os dois galifões à pancada. Coisas de macho Alfa, nada contra...só acho que podiam ter desencantado pretextos melhores e mais simples, estilo "não vou com a tua cara, ó passarão" ou "olha por onde andas, morcegão" para não fazerem a bulha durar duas horas e meia. Ia dar ao mesmo: tiros e bombas e socos nas trombas, que é o que se pretende de um filme de super-heróis...

Depois, um trabalhão de Henry Cavill e Ben Affleck para ganhar corpanzil e nem dá para ver nada. Não que me interessassem cenas de eye candy gratuitas e vulgares, mas sei lá, podiam aparecer de t-shirt ou assim. Ná. O Clark Kent anda quase sempre com as roupas de totó do costume e o Bruce Wayne com os seus fatos italianos. Depois lá usam as fatiotas cheias de enchimentos e já está- de novo, para isso podiam comer à vontade e aterrar no sofá todo o dia...



Mas o que me arreliou mesmo foi a Mulher Maravilha: Gal Gadot, ex-Miss Israel, está longe de ser feia - embora haja em Israel beldades bem mais marcantes, convenhamos. É uma beleza serena com um perfil e lábios bonitos. Tem boa figura. Mas a Wonder Woman requer uma beleza com outro impacto. Gal Gadot não é uma Linda Carter e Mulher Maravilha que se preze tem de fazer justiça à minha heroína de infância. 


Ou pelo menos, estar caracterizada para isso. Linda Carter tinha pele de alabastro, cabelos lustrosos de azeviche que não eram preto-graxa com um brushing perfeito, olhos azul-safira, postura de bailarina clássica, pescoço de cisne, uma cinturinha impossível e um busto que desafiava a gravidade sem parecer exagerado. 



Linda Carter conseguia usar um maillot azul pindérico com botas encarnadas sem parecer remotamente ordinária. Linda Carter era a Wonder Woman.



Ainda se falou em Megan Fox, que embora seja vulgar todos os dias e um bocado franzina, tinha o  tipo de beleza dramática que o papel pedia. Mas lá optaram por Gal Gadot que não faz o género e não contentes com isso, pintaram-na de modo a parecer uma qualquer barmaid morenita e brutinha de qualquer bar da província onde se dança a Piradinha e o Beijinho no Ombro. E se calhar achando que a fatiota azul e encarnada era de gosto duvidoso ou antiquada, deram-lhe uma versão tão acastanhada como a maquilhagem da actriz - que diga-se, na vida real é bem mais engraçada



Esta gente de Hollywood anda apostada em me escangalhar a infância. Aos cinco anos quis porque quis mascarar-me de Mulher-Maravilha no Carnaval. Fui de azul e encarnado, com uma tiara e um chicote como manda o figurino. Fiquei triste por ter uma camisola em vez de um corpete, mas foi pegar ou largar - o frio e o decoro assim o exigiam. Porém... sinceramente, quando argumentistas profissionais tomam estas liberdades, posso desculpar a mãe e a avó por terem tomado as suas licenças poéticas com a máquina de costura. De todo o modo, fosse esta a Mulher Maravilha desse tempo, decerto não havia de querer mascarar-me dela. Oh coisinha mais sem graça.

Sabem como soa uma alma penada?





Eu sempre tive curiosidade em descobrir ao certo. 

Na terra dos meus avós dizia-se a torto e a direito que uma voz ou cantiga estridente parecia "uma alma penada" mas poucas vezes ouvi algo que de facto me soasse a fantasma desgraçado a arrastar correntes pelos cantos. 

Isto com honrosas excepções feitas ao camião da Family Frost (uma amiga minha dizia que aquele som só lhe lembrava um psicopata vestido de palhaço com famílias congeladas lá dentro; tinha uma grande imaginação) e à mulher que vinha vender galinhas numa camioneta velha . Privilégios de quem passa boa parte da meninice no campo.

A Mulher das Galinhas, criatura encolhida, com um chapéu ou lenço na cabeça, mal se vislumbrava fora da caranguejola (também poucas vezes me aproximei para a ver bem; dava-me arrepios-  foi o mais próximo que conheci da "Mulher do Saco" ou da Cuca) e anunciava o seu pregão desconsolado e ensurdecedor com um altifalante fanhoso e cheio de ruídos. Levei muito tempo a decifrar (ou antes, para que alguém traduzisse a lenga-lenga) que apregoava "três galinhas mil escudoooooos" .



Mesmo assim a táctica de marketing devia resultar, porque andou anos e anos nisto, a vender os pobres bichos para pôr ovos ou destino pior e a traumatizar a infância da pequenada das redondezas. Creepy. Entretanto a Mulher das Galinhas lá se reformou ou bateu as botas já eu era adolescente e, fora os berros das raposas em acasalamento que às vezes andam por aqui a matar de susto os incautos, nunca mais ouvi nada capaz de rivalizar com o jingle  "três galinhas mil escudoooooos" .



Até agora. Nessas rádios que só passam os muitas vezes duvidosos sucessos do momento, andam a insistir dolorosamente nesta cantiguinha que parece cantada por um peru velho ou uma ave agoirenta qualquer:



A melopeia guinchada, gemida, zurrada por uma mocinha que nem tem má voz mas bem podia cantar de outra maneira, fala de comprar Ferraris e enxovais inteiros de Yves Saint Laurent (disso também gosto, mas o resto...) enquanto se vive nas tintas para os outros, recitando o mantra preferido de qualquer galdéria ressabiada no Facebook: me, myself and I.

Mulher das Galinhas, a senhora acaba de ser destronada por uma alma-penada mais assustadora ainda. Nenhum reinado dura para sempre.

Tuesday, May 24, 2016

Crendice do dia: ser amada com firmeza


Já vos contei que não sou supersticiosa EXCEPTO com as crendices que chegaram até mim através da minha avozinha materna. Essas batem sempre certo. Seeeempre. E acabam por me causar algumas complicações menores porque de tanto as ouvir, de de a mãe as ter ouvido, e a avó antes dela e a bisavó antes disso, e...por aí fora árvore genealógica acima, cá ficaram entranhadas.

Fico sempre a pensar que pelo sim, pelo não, é melhor morder a língua três vezes se picar o dedo indicador (sinal de desgosto) não tirar uma linha solta da roupa, porque é mau (deve esconder-se no avesso e esperar que caia por si; isto na minha profissão dá um jeito que vocês não imaginam) não cantar antes do pequeno almoço, para não chorar antes do sol posto, ou jamais fazer qualquer operação de manicura ao Domingo (que atrai brigas).

Nunca subestimemos o poder da sugestão, especialmente se ela vier enredada no ADN. Atenção, ignoro se estas crendices não serão válidas só para as pessoas do meu sangue, como naqueles filmes de magia em que a linhagem determina tudo. Ou se simplesmente batem certo por nos baterem nestas teclas há gerações. Se calhar, em vós nada disso causará qualquer problema. Ou sorte, conforme: há alguns presságios que são bons.


E há dias achei muita graça porque, à pressa depois do almoço, toda assarapantada, atirei, com um piparote, o talher para o guarda louça em vez de o pousar. E ficaram-se todos a olhar para aquilo, dizendo que eu era amada com firmeza. Porquê? Porque a faca caiu direitinha como um fuso dentro de um copo, numa posição bem intrincada. Cesto! Se o tentasse fazer de propósito não seria capaz. Ora, as minhas antepassadas juravam que quando uma agulha ou lâmina cai a direito, por mero acaso, a mulher que a largou é amada com firmeza, com constância, por um coração que anda atravessadinho de um lado ao outro por sua causa. Lucky me.

Já facas em cruz é mau sinal, mas fazer uma rima sem querer é sinal de ser amada sem saber. É impossível uma pessoa entediar-se com uma família destas...

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