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Friday, December 19, 2014

10 perguntas que as mulheres precisam de parar de fazer.


A vulnerabilidade feminina faz parte do nosso encanto - e pode mesmo ser direccionada a favor de cada uma. De qualquer forma não devemos (nem podemos!) evitá-la completamente.
 Até as mulheres mais belas, elegantes, poderosas e perfeitas não estão livres de os seus planos irem por água abaixo, de um desgosto, de verem falhar um projecto em que se empenharam de corpo e alma ou de um valente coração partido. Sentir as coisas  inteiramente - boas ou más - faz parte de uma vida intensa. Não é possível nem saudável ser um exterminador de saias. O que é mau é admitir certas dúvidas perante os outros, alimentar macaquinhos no sótão ou fazer as perguntas erradas. É que por vezes, a forma como se raciocina (e se fala) faz a diferença entre levar as situações com dignidade ou fazer de tapete; entre sentir-se confiante ou parecer um ratinho; entre levar uma ideia adiante ou deixá-la ficar na gaveta; ou mesmo entre falhar e ser bem sucedida.

É surpreendente como com tanta evolução se retrocedeu em alguns pontos importantes; pontos que as nossas avós, com muito menos liberdades, saberiam resolver com mais estilo e outros em que não cairiam sequer. Tendo as mulheres de hoje mais opções, têm também mais hipóteses de errar. C´est la vie...mas por vezes uma perspectiva diferente ajuda.


1 - "Este vestido faz-me...(gorda/escanzelada/sem graça/etc)"?

Péssima pergunta para dizer em voz alta - principalmente à cara metade. Que um homem não sonhe as suas inseguranças (pelo menos a maior parte delas, vá). Eles são, com todo o respeito, macaquinhos de imitação e se ouvem uma mulher dizer que tem ancas assim ou uma barriga assado, podem começar a reparar em coisas que nunca lhes tinham passado pela cabeça. E se lhe tiver calhado um cavalheiro com feitio arreliador, está bem arranjada: ele pode começar a puxar do assunto para brincar consigo e você não vai achar graça nenhuma. Passe a comparação, já viu alguma marca anunciar os defeitos dos seus próprios produtos? Pois, todos nós somos marcas.
 Em última análise, porque é que há mulheres que fazem isto? Muitas é pelo vício maçador de pescar elogios. Diminuem-se a ver se lhes dizem no contrário, o que até na adolescência é deprimente. Alguém pode ser sincero (ou parvo) e confirma "sim, faz" e depois como é que se  fica? Pois. 

Solução: se uma roupa deixa lugar a dúvidas, uma mulher cala-se bem caladinha e vai vestir outra. No máximo, guardam-se essas perguntas para sua mãe, uma amiga verdadeira ou um personal stylist capaz. 

2 -"Mas porque é que eu aturo isto?"



Pergunta correcta: "Até quando é que eu aturo isto?". E depois começar a pensar num plano B. Ou C.


3- "Terei coragem?"


Pergunta correcta: "Quando é que eu começo, a ver se despacho o assunto de vez?"
Se começou uma empreitada e se preparou para ela é porque lá no fundo sabe que é capaz de a levar até ao fim. Além disso, quanto mais depressa fizermos as coisas que tememos, melhor. Ou como dizia o meu primo que é um grande filósofo "quanto mais depressa comermos a sopa, mais depressa nos livramos dela".


4 - "Será que fiz bem?"

A hesitação - principalmente depois do mal feito, que é uma coisa totalmente inútil - é um grande defeito feminino.  Se agiu conforme o instinto lhe ditou e as circunstâncias permitiram é óbvio que fez bem, que remédio. Assim como assim já não pode voltar atrás, portanto não vale a pena matar neurónios a pensar se a minha avó não morresse ainda hoje era viva. Next!


5 - "Foi alguma coisa que eu disse? Será que ele ficou a achar assim e assado?"

A sério? Quer mesmo gastar o seu tempo (e dar com as suas amigas em doidas) a analisar uma pessoa tão complicada, que a deixa com tantas dúvidas? Quando um homem está mesmo interessado nada o detém - é biológico. Além disso, homens a sério não fazem jogos. O que é que importa o que um doidivanas pensa ou deixa de pensar? Provavelmente ele não é capaz de decidir o que quer para o almoço, quanto mais coisas de adultos... e uma mulher a consumir a sua linda cabecinha. Enquanto isso,  ele está em casa descansadinho a ver futebol ou a jogar playstation. Não.


6 - "Parece um bom partido...será que te pede em casamento?" (quando a sua amiga mal conhece o novo pretendente)


Perguntas certas: será que ele é uma pessoa íntegra? Será um rapaz realmente decente? Qual é o background dele? Partilham os mesmos valores? Valerá a pena conhece-lo melhor?
 Nada contra o romantismo mas...hold your horses. Idealizar tolda o julgamento (tanto quanto sabem, pode ser um doidinho fugido do manicómio), cria expectativas que nem se sabe se o cavalheiro merece e onde há expectativas há ansiedade e onde há ansiedade há o potencial para uma mulher tentar agradar e fazer só disparates.


7 - "Onde vou fazer o casório? E como vai ser o bolo? E o tema da boda"?


Perguntas certas: Para começar um casório não tem tema, porque o tema é o casamento e convém ser um assunto sério, não a festa árabe (a não ser que os noivos o sejam) ou a festa de branco ou da espuma. Uma dúvida a menos! É mais sensato questionar quero passar o resto da minha vida com ele? Será que casaria com ele mesmo sem a boda, o anel e o vestido? Casaria com ele em caso de Guerra Mundial? Estou disposta a aturá-lo quando for velho e rabugento?

8 - "Porque é que ele prefere a companhia de A, B ou C à minha?"


Pergunta certa: Porque diabos dou troco a alguém que tem demasiadas amigas? Newsflash, raparigas muito modernas e compreensivas: se um homem tem amigas a mais, ou é gay ou não é gente séria. 

9 - "Será que ele gosta de mim?"
Ehhh desespero...blhec.

Pergunta certa: "Será que EU gosto dele?"  - porque se calhar ainda é cedo para formar uma opinião sólida acerca do rapaz, quanto mais para começar a sentir coisas. Os homens são cautelosos: avaliam o terreno antes de envolver sentimentos no assunto. As mulheres tendem a sonhar acordadas assim que lhes parece que o todo lhes agrada à superfície, construindo o resto com ideias lá da sua cabeça. Até prova do contrário, ele é um estranho e não se sabe se lhe convém afeiçoar-se. Permita-se qualquer envolvimento (físico ou emocional) só depois de saber quem tem realmente diante de si. Não custa nada, é só uma questão de desligar o instinto biológico que é facilmente enganado por sinais exteriores (que podem muito bem ser postiços).
 Porém, esta questão também pode surgir numa relação já estabelecida e se assim é, não é bom sinal. Se tem dúvidas é porque algo está a faltar.


10 - "Porque é que ele não telefona/se decide/se compromete"?

Das duas, três. Porque não sabe o que quer (e nesse caso tem de descobrir sozinho porque você não é terapeuta e se for, não é ético namoriscar pacientes) ou não gosta assim tanto de si (e então é patético tentar conquistá-lo; ou se ama ou não se ama, isso não é coisa que se fabrique) ou pior, tem os benefícios maiores ou menores de um namorado, noivo ou marido... sem os deveres; então para quê maçar-se? Se quer mesmo descobrir, interrompa o padrão: pare de investir tanto e de fazer o que quer que tenha andado a fazer. A resposta aparecerá por si mesma e se não for bonita, o que tem remédio remediado está. Uma rapariga crescida aguenta bem um desapontamento para passar a algo muito melhor e há sempre alguém melhor - ou menos infantil, pelo menos. Mal seria.


Thursday, December 18, 2014

Na dúvida, fiquemo-nos pelo intemporal.

Clémence Poésy para a Vogue UK, 2010

Uma das frases mais citadas de Coco Chanel é a moda passa, o estilo permanece

E Karl Lagerfeld avisa que a diferença entre o trendy e o aspecto barato é muito ténue.
 Por muito divertido que seja aderir às tendências de cada estação, ter preocupações de estilo implica considerar o Passado (isto já se usou? Porquê? Como ficava?), o Presente
 ( porque é que esta tendência está de volta? Qual é a sua utilidade? E o seu valor estético?) e o Futuro (continuarei a usar isto mais tarde? Como parecerá daqui a uns anos?).

 Para distinguir um clássico de uma moda passageira, basta observar imagens antigas: as que nos fazem pensar "que bem que as pessoas se apresentavam nesta altura" ou "podia perfeitamente usar isto agora" são intemporais; as que parecem datadas à primeira vista são testemunhos dos exageros da moda.

 Ter esta preocupação em mente é especialmente importante nas ocasiões especiais: bailes formais, casamentos e todas aquelas que não queremos recordar com constrangimento um dia. É possível manter um visual actualizado, de acordo com os tempos, e usufruir das tendências sem cair em exageros - se o equilíbrio, a subtileza e a qualidade do que usamos for sempre a maior prioridade.

Nada como ver alguns exemplos de décadas passadas para ficar com uma ideia:

Anos 1960

Se os retratos dos anos 50 são instantaneamente reconhecíveis mas raramente feios (podemos gostar ou não do estilo, mas quase todas as roupas  passariam despercebidas hoje com o toque certo) nos swinging 60s e mais para o fim da década as coisas começaram a descarrilar um bocadinho, com um certo exagero no volume dos penteados (e nas barbas, para eles) e a introdução de materiais sintéticos, maquilhagem espampanante ou looks futuristas - que embora ficassem bem nas revistas, na vida real não resultavam assim tão bonitos.


Porém, foi uma década glamourosa com a nota certa de equilíbrio: os visuais de Jackie Kennedy, Brigitte Bardot ou Jean Shrimpton podem perfeitamente ser usados agora. Quanto à Burberry, nunca fez roupa feia e esperemos que assim continue.


Anos 1970

Disco music, poliéster, cabelo grande em transição, o nascimento do punk para o bem e para o mal...de tudo isto se compuseram os anos 70, o que levado ao exagero deixou imagens embaraçosas para a posteridade:


Mas os resquícios do look hippie, impondo uma beleza natural e romântica, e o preppy da época salvaram a década. Nota bene os vestidos longos que temos usado nos últimos Verões e o estilo muito Ralph Lauren de Ali MacGraw:


Anos 1980

Não há década que tenha visuais tão datados ou se destaque tão depressa no meio das outras. Dos anos 80 com o seu power dressing, new romantics e glam rock  vieram a maior parte das tendências excessivas que toda a gente jurou enterrar para sempre - embora nos últimos anos algumas tenham regressado - leggings, polainas, ugly sweaters, ou mesmo o cabelo no último anúncio do Opium de Yves Saint Laurent. Diz-vos alguma coisa? Busted!


Mas- pasmem - entre cabeças coroadas, rock stars como Bryan Ferry. modelos e filmes clássicos da época, há muitas coisas que ficariam lindamente hoje. Ralph Lauren não erra, e o understated é tudo:




Anos 1990

Os anos 90 tiveram o minimalismo e o grunge, mas também as boysband, o lip liner castanho, as sombras de olhos brilhantes, o sportswear horroroso, os ganchinhos com borboletas, as gargantilhas de elástico, os penteados de ouriço cacheiro...



Claro que houve sempre quem passasse incólume: basta olhar para Jennifer Aniston em Friends (Ralph Lauren, de novo) para Alicia Silverstone em Clueless (Blair Waldorf não inventou nada) ou para a maravilhosa Carolyn Bessette Kennedy.



Moral da história: moderação, discrição e bom senso salvam a época mais louca...e os álbuns de família!












Wednesday, December 17, 2014

Duas coisas que as raparigas da minha geração bem podiam parar de fazer.


Isto de ir às compras com uma amiga é um verdadeiro estudo antropológico. Não há vez nenhuma que eu entre num centro comercial sem reparar numa curiosidade qualquer. E observando meninas e senhoras jovens mas com idade para ter juízo, constato que era simpático se perdessem dois hábitos que me arreliam:

1 - Atirar a palavra "bué" a torto e a direito - quando não é mais do que uma vez na mesma frase. Percebo que seja uma "bengala" prática de usar e que até já faça parte do vernáculo, mas mesmo às adolescentes já não cai muito bem, quanto mais a mulheres feitas dos seus late twenties - early thirties.

 Temos um idioma tão rico e há tantos sinónimos ou alternativas que, dependendo da intenção, se podem empregar: muito, demais, imenso, super, mega, muitíssimo, extra, bastante, intenso, exorbitante, demasiado, estupendo, esplêndido, soberbo, abundante, tremendo, colossal, desmedido, monumental, incomensurável, enorme, gigantesco, farto, exageradamente, grandemente, espantosamente, só para nomear alguns. Têm mesmo de passar um atestado de faltinha de sofisticação ao nível de uso da própria língua? Que vício!  É que se é para poupar sílabas, basta cortar um palavrão ou outro aos milhentos que dizem a acompanhar os bués e problema resolvido.

2 - Mulheres que não sabem caminhar - e nem me refiro só ao mau uso de saltos altos. Umas trotam, outras bamboleiam-se como se estivessem num cabaret de mau gosto (fenómeno que já analisei em mais detalhe aqui) outras ainda marcham ou gingam como marmanjos, e a maioria corcova - o que me dá vontade de andar por aí com uma agulha de bordar a picar certos derrièrres, como as professoras das escolas de boas maneiras, de ballet e de modelos à moda antiga, a ver se se endireitam!
 Está certo que com carteiras pesadas (vício a evitar) falta de hábito ou sapatos errados é fácil cair na tentação de fazer algumas destas coisas. Mesmo para quem aprendeu de pequenina as regras todas e foi obrigada a equilibrar um livro na cabeça, ao fim de um dia cansativo sentada à secretária pode ser complicado seguir as directrizes (costas direitas, glúteos e barriga para dentro, cabeça perpendicular aos ombros, pescoço direitinho e colocar o calcanhar no chão antes do resto) mas é tudo uma questão de disciplina.
 Desportos como o yoga e o pilates também ajudam a fortalecer os músculos das costas para evitar esse aspecto tão feio. 
 Mas basta estar atenta para notar que por preguiça ou por ignorância, a maioria não se sabe mover...e sem movimentos graciosos não há vaidade que valha!

As coisas que eu ouço: piropos, ou uma beldade sem sentido de humor não é nada


Uma Senhora muito minha amiga, distintintíssima como já não se fazem, foi uma beldade de parar o trânsito na sua juventude - estilo Penelope Cruz, mas para mais linda. Hoje, já com os seus setentas, continua encantadora porque como costumo dizer, quem foi bela sempre o será desde que se cuide.
 E como além de bonita sempre foi uma mulher de espírito, recentemente decidiu pregar uma partida ao médico que a acompanha. Foi à consulta e queixou-se: "Sr. Doutor, acho que estou a ficar surda! Cada vez ouço pior!".
 E como se o bom doutor lhe fizesse todos os testes e instasse que a sua audição estava em perfeitas condições, a Tia M. retorquiu:

"Não está a compreender, Doutor. São os piropos!  O problema é que já não ouço os piropos!"


Moral da história: quem se queixa furiosamente de que todos os piropos, bons e maus, deviam ser proibidos por lei, não viveu nos anos 60 quando as mulheres ainda sabiam ser mulheres, ou nunca recebeu muitos elogios...

Tuesday, December 16, 2014

6 Coisas que animam uma mulher instantaneamente


Com o Inverno quase à porta - mas aparentemente já instalado - é fácil ficar melancólica ou irritadiça. Never fear, porém: há sempre pequenas alegrias à mão de semear que levantam em segundos a moral das tropas.

1- Uma camisola de caxemira básica (preta, cru ou branca)

Não há nada simultaneamente mais quentinho, macio e reconfortante do que caxemira (a não ser talvez um gatinho persa). Ao contrário de outras malhas, que podem provocar comichão, irritação ou fazer transpirar este pequeno luxo não incomoda ninguém, dá uma sensação de bem estar imediata e tem um efeito "boa cara" mesmo se estivermos pálidas ou indispostas,  especialmente se for em cores neutras. 100% caxemira é o ideal, mas peças com mistura de outros materiais orgânicos, como algodão ou seda, também são muito agradáveis. 


2 - Uma mensagem carinhosa pela manhã

Não é preciso dizer mais nada - por muito que o dia franza o sobrolho, receber boas notícias de quem se espera dá outra cor à rotina.


3 - Um bom par de saltos altos

Calçar um par de sapatos estável que eleve a figura (e permita caminhar com confiança, escusado será dizer) faz-nos sentir mais elegantes, poderosas e ajuda a enfrentar qualquer desafio que o dia reserve. Quanto mais desanimadas estivermos, mais fabuloso deve ser o calçado - dentro do razoável, claro, porque sapatos espampanantes em plena luz do dia parecem estranhos e podem dar mau ar mesmo que sejam caros - ou denunciar insegurança, o que ainda é pior.

4 - Caldinhos e chocolate quente

Quem cresceu numa família à moda antiga falará pelos benefícios que estas duas beberagens têm para o corpo e a alma. Curam tudo, até corações partidos. As senhoras de outro tempo é que se sabiam mimar...e o que é doce nunca amargou.


5 - Maquilhagem bem feita

Nem em excesso, nem inexistente - apenas o bastante para mostrar ao mundo a sua melhor cara e ficar com um aspecto cuidado. Não esquecer as mãos- se tem de tratar dos assuntos com elas porque ninguém mais o fará ou mostrar as garras ao universo, convém que estejam apresentáveis.


6 - O bâton perfeito

Separei-o da maquilhagem porque funciona praticamente sozinho. Nude, encarnado ou rosa, se descobrir o tom certo para si não precisará de muito mais para iluminar o rosto. É a  forma mais prática e barata de resistência aos maus dias. Se serviu de manifesto patriótico durante a II Guerra Mundial, imagine o que não fará por si, que tem aborrecimentos bem menores...







Dúvida existencial do dia: o Baile da Dona Ester



Não sei lá porquê ontem dei por mim a cantarolar a velha cantiga 7 e pico, que me lembro de ouvir por aí em pequena. Sempre achei muita graça à letra, que me intriga como tantas outras músicas do antigamente...


No Baile da Dona Ester

Feito a semana passada,
Foram dar com o Chauffer,
A dançar com a criada.

Depois fiquei cá a pensar que - embora já se saiba que mesmo as festas dadas por gente  do mais respeitável às vezes descambam e se tornam mucho locas, basta ter visto uma ou duas - o Baile da D. Ester só pode ter sido um dos mais épicos, ou dos mais descontrolados, que a boa sociedade cá do burgo já viu.

 É que não basta o pessoal doméstico não estar a ser muito profissional (cá para mim a criada só podia ser a Celestine de Octave Mirbeau, a Juliana d´O Primo Basílio ou a Criada Malcriada e o chauffer era o famoso Ambrósio, numa de vingança por andar sempre à cata de Ferrero Rochers) como falta a luz, os distintos convidados  não têm maneiras e atiram-se à mesa que nem uns alarves, há alguém que escorrega no soalho e vai para o hospital e (aqui é que é pior) uma senhora  bebe além da conta, dá um mau jeito e parte a coluna vertebral. 



É muito escândalo para uma festa só e o mais estranho, tudo num serão antes das dez ...a não ser que (dúvida número 1) o eram p ´raí 7 e picos, 8 e coisa, 9 e tal se refira às horas da manhã. Nesse caso foi regabofe toda a santa noite e aí está explicado.

 Ainda assim, isso não esclarece como é que convidados que a julgar pela descrição já não iam para novos fazem tantos estragos. E aí entra a minha dúvida número 2: alguém minou o beberete com cogumelos mágicos, só pode. Mas quem? O Ambrósio? O filho rebelde da Sra. D. Ester que, obrigado a assistir a um Baile maçador quando queria era estar no Bairro Alto fez isso para se entreter? Ou o mordomo que não entra na canção mas que nestas estórias é sempre o culpado? Podemos ainda lançar a dúvida número 3: alguém queria assassinar um ou mais dos convivas...

 Foi uma pena Hercule Poirot não participar no Baile e deixar-me entregue às minhas teorias...

Moral da história: não dar uma festa desse género sem a presença de um famoso detective.

Monday, December 15, 2014

Para insultar alguém sem motivos nem criatividade?



Plim,  é só chamar-lhe snob. Ou peneirento ou fútil, que vai dar mais ou menos ao mesmo. Até porque a definição de snob é tão abrangente que cabe em qualquer parte; é uma espécie de geleia real dos insultos, dá para pôr em todo o lado.

 Snob, quando usado a esmo, serve para acalmar um ressentimento, um ressabiamento, uma raivinha. Se alguém embirra com outrem gratuitamente ou está zangado com pessoa das suas relações sem grande razão de queixa, zás: chama-lhe peneirento, snob, fútil e cheio de mania; e como isso tudo é um bocado difícil de medir ao certo, desabafa sem contar uma mentira descarada aos olhos de quem está.

Snob pode aplicar-se com justiça à pretensão bacoca no sentido mais literal que se convencionou dar à palavra ("sem nobreza" ou seja, alguém que se dá ares), mas também aos bons snobismos - a uma pessoa com algum mundo e sofisticação, com sentido artístico e de gosto, que é impassível, selectivo,não concede mostrar emoções em público  e sabe apreciar as coisas boas na vida sem, no entanto, se apegar a elas.


Seria a simpática Senhora do Ferrero Rocher uma snob?

 Há os snobs ridículos -até porque snobismo existe em todas as camadas da sociedade, até nas aldeias mais remotas onde a senhora Felismina, que tem alguns bens, não deixa casar o filho senão com a filha do Presidente da Junta. Ou nos bairros complicados onde o gangsta mor pode viver numa espelunca, mas tem de andar de Mercedes. O jornalista Pierre Daninos, no seu livro Snobíssimo! cita "não há ninguém mais snob do que o pessoal doméstico". Os novos ricos, os pretendentes a esse estatuto, os alpinistas sociais, certos hipsters ou pseudo intelectuais e toda uma vaga de burguesinhos muito urbanos, super materialistas, trendy e postiços que aderem a todas as modas e se comprazem na ostentação caem lindamente nessa categoria.

  Depois há os snobs aceitáveis porque têm panache, espírito e talento para fazer o que bem lhes dá na gana sem se importar com o que o mundo pensa deles: podem ser um pouco rebeldes, imperturbáveis e mostrar tédio à vontade...é o caso de Oscar Wilde, Baudelaire, Karl Lagerfeld e tantos outros que, como o Duque de Norfolk, estão tão certos do seu lugar no mundo que não precisam de se maçar com aparências.

 Por isso, se alguém vos chamar snobs ou fúteis sem que vocês tenham sido efectivamente mauzinhos para eles, não se amofinem: ou a pessoa não viu muita coisa na vida, ou está de certo modo a fazer-vos um elogio.

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