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Thursday, February 23, 2017

A (s) escova (s) da minha vida...e se calhar, da vossa.



Recentemente, prometi via Facebook que ia partilhar convosco uma dica fantástica para um brushing impecável e super rápido. 

Daquelas que vos costumo dar em modo "façam vocês mesmas, que só para isso nem vale a pena queimar tempo no cabeleireiro".




 É que além de eu ter pouquíssima pachorra para estar lá sentada a sofrer puxões (o que me tornou uma grande fã de tudo o que facilite o processo em casa, nomeadamente escovas quentes, rolos e modeladores) actualmente tenho horários assaz estranhos e num cargo que exige cabelo sempre impecável. Certo,  na minha profissão ter boa apresentação é essencial, mas onde estou um bom penteado faz parte dos requerimentos oficiais e ainda bem que assim é (depois falaremos mais sobre isso). De modo que não basta ter uma escova de confiança; é preciso ter uma que trabalhe DEPRESSA e BEM.




Felizmente para mim, vivo no país que inventou o afamado Chelsea blowout. As inglesas têm pelo cabelo bonito do-it-yourself o mesmo apreço que *muitas* portuguesas têm (para o bem e para o mal) pelo cabeleireiro e o gel nas unhas. Depois voltaremos ao assunto em mais detalhe, mas a verdade é que há muito maior variedade de opções no mercado quando se trata quer de champôs e produtos de styling bons e acessíveis, quer de secadores e derivados. 




Quando as londrinas de bom gosto não trazem o cabelo preso, gostam de o usar brilhante, polido, mas cheio de volume e muitas vezes, com alguns caracóis. E para conseguir isso sem esforço e num ápice, nada como uma boa escova de ar quente. 

Acerca dessas já se falou aqui no blog muitas vezes, mas desta feita apresento-vos as escovas XXL, criadas para dar corpo e/ou secar num instantinho os cabelos compridos. 



Minhas ricas amigas, digo-vos que elas são uma revelação tão maravilhosa que tenho quatro neste momento, de marcas diferentes. Fui comprando porque apareceram a bons preços e nunca gosto de ter só uma, pois (sou-vos franca) pela minha experiência de muitos anos com escovas destas, não costumam ser um produto durável. Ou o motor queima ou os dentes vão à vida e não há nada a fazer. Até ver ainda não estraguei nenhuma destas, mas nunca fiando. 




Dependendo do movimento que se faz com elas e dos produtos de styling utilizados, estas escovas enormes servem só para secar/esticar o cabelo rapidamente ou para dar volume desde as raízes e fazer o efeito "cabelão".

 Algumas (como uma que tenho da Rowenta) trazem acessórios mais pequenos para alternar, ou para finalizar com caracóis. Outras (como a da Baby Liss, que ainda usei pouco) RODAM SOZINHAS. Em dois sentidos. Para poupar o braço e fazer flips ou bobs. E ainda há as versões sem ar quente, estilo ferro de modelar, como a da Remington, para retoques ou para quando se secou o cabelo sem escovar, de cabeça para baixo só com o secador, mas se quer torná-lo apresentável depois de seco. Muito útil também.




A fórmula mais rápida de a usar é champô + produto alisante e/ou sérum, secar ligeiramente com o secador ou ao ar+ usar a escova sobre cabelo húmido. Não é o modo de conseguir aquele volume, mas a cabeleira fica esticadinha, lisinha, com textura acabada de sair do salão e suuuuuper solta, sem um cabelinho a esvoaçar, num tempo recorde. Juro.


De modo que a bem do vosso sossego todos os dias, vos recomendo que adquiram uma quando visitarem terras de Sua Majestade ou peçam por favorinho a algum amigo que cá more (para isso precisarão de comprar também um adaptador de tomada de modo a usarem a engenhoca em solo luso). 



Em alternativa, podem encomendar uma da Amazon, mas certifiquem-se de que vem com a ficha certa. Ou perguntar nas lojas de cabeleireiros estilo RR Center. Ainda não espreitei as lojas em Portugal (vou tentar dar uma olhadela nos próximos dias) mas conhecendo o mercado nacional como conheço, quer-me parecer que deve ser produto raro. Em todo o caso, #ficaadica. É um life saver.

Sunday, February 19, 2017

Um agradecimento...e uma máxima para bom casamento.




Aos solavancos e intermitente o salão vai-se mantendo aberto sobretudo graças a vós, queridos amigos da casa. Estamos mais perto de reestabelecer uma rotina aqui no Imperatriz, mas quando se dá uma volta tão grande a existência, coisas insignificantes como lembrar-me de mandar vir o meu fiel teclado para escrever como se deve *manias cada uma tem as suas* passam inexplicavelmente para segundo plano.

Por isso muito me tem comovido a vossa presença, a vossa amizade e palavras de incentivo. Hoje que estou aqui sentada a escrevinhar, ainda com os acentos todos trocados, sinto me muito mais completa. Sinto a vossa falta e saltam-me os dedinhos cada vez que apetece opinar sobre alguma coisa ou desenterrar algum pormenor histórico engraçado,,, mas a seu tempo, vai!

Emocionaram-me também muitíssimo as palavras de carinho e felicitações aquando da minha mudança de estado civil. Sobre isso, e depois de tanto se dissertar sobre o amor aqui no blog, é justo que eu venha a falar um pouco dentro do estilo habitual, até porque inevitavelmente a minha perspectiva sobre o tema se vai aprofundar um bocadinho. Apenas posso adiantar que estou felicíssima e que para ser fiel ao meu registo, esta foi uma história de amor das antigas, em todos os sentidos. Sempre achei muito romântica a ideia de "rapto consentido" e a nossa cerimónia foi praticamente assim, numa aldeia inglesa que serviu de refúgio a muitos aristocratas
 franceses durante  o Terror, onde mais tarde a Rainha Victoria tinha um retiro, e num edifício que pertencia ao território de   Henrique VIII, que ali gostava de caçar.

Como podem ver, nada tive de bridezilla, estava mais interessada na história do lindíssimo lugarejo e menos no modo "este é o meu dia, apagem-me" *verbo que o senhor meu pai usa muito e que vem, precisamente, de pagem, acho`*.

A isso voltaremos mais tarde, mas dias depois de ter casado encontrei este texto que achei muito instrutivo. Trata se do conselho de um casal unido há mais de 70 anos, que se apaixonou ainda na primária e que nem durante a II Guerra se separou. Diz o amoroso casalinho que o segredo para um casamento bem sucedido é , alem do bom e velho nunca ir para a cama zangados, a admiração, o respeito e as boas maneiras. Ter a mais elevada opinião acerca um do outro, ver-se com os melhores olhos, e acima de tudo, cultivar a educação em casa.

 Eu acredito profundamente nisso. Creio no velho adágio familiaridade excessiva gera desprezo. Intimidade não implica que se esqueçam os bons modos, o cuidado com a aparência mesmo entre quatro paredes, o por favor, o obrigada, a delicadeza de maneiras à mesa, o moderar de certos reflexos involuntários e do mau génio...
 Na saúde e na doenca tudo muito lindo, mas haja propósitos) o morder a língua durante uma discussão, o evitar chamar nomes ou usar um linguajar mais grosseiro, etc, o uso do meu amor, do querido, do beijo de boa noite, de bom dia, e por aí fora. Sem isso, de nada valem grandes manifestações de amor. O amor não convive bem com a grosseria.


"Throughout our lives together, we have only shown each other respect and good manners, and I think of lot of youngsters could learn a lot from that," he said. "I've always respected Irene—she’s been my lifeline. I may have been wrong on certain issues, and so has she, but we always make up by the end of the day."

Irene echoed the same sentiments: "Being polite and having good manners has been an important part of our lives. We've thought the world of each other."

Tuesday, August 30, 2016

Popeye dixit: boas mulheres...e as "outras"



O  devorador de espinafres Popeye tinha, além do Brutus, uma inimiga ferrenha: a Bruxa do Mar.
O desafecto entre os dois nascera da mais velha causa do mundo: em tempos, o marinheiro tinha rejeitado os avanços da megera, apesar de ela se disfarçar da bela "Rosa do Mar"... e lá dizia o poeta, "não há fúria no inferno que se compare à de uma mulher rejeitada" ( ou antes, ressabiada).


De modo que a Bruxa passava o tempo a fazer a vida negra ao Popeye, quando não se vingava directamente na "rival" Olívia Palito.
Sempre cavalheiro e sem medo de ser acusado de sexista, pois quando foi desenhado ainda não se falava nisso, Popeye arranjava maneira de vencer a bruxa sem lhe pôr as mãos:  bruxa ou não, numa senhora não se toca nem com uma flor.
Já a Olívia nem sempre levava o caso à paciência, dando -lhe uns valentes safanões quando calhava...

Em suma, a Bruxa do Mar tantas partidas pregava ao pobre Popeye que ele suspirava "irra, é má como as cobras...mas também...  Se nao houvesse más mulheres neste mundo, não saberíamos apreciar as boas!".

E é verdade! No percurso de um homem pode haver bastantes episódios-  nem todos recomendáveis ou abonatórios já que o sexo forte, quando se trata de estroinice, é propenso ao disparate e à falta de critério- mas se essas "diversões" e "rapaziadas" que acabam em "amargos de boca" servem para alguma coisa, é para os ensinar a valorizar as boas mulheres - seja pela sua beleza física, pela seriedade, a bondade, a inteligência, a classe ou tudo isso junto.
Bruxas do Mar ou da Terra não faltam - já Olívias não há muitas, sejam mais magrinhas ou mais curvilíneas.
Talvez o segredo de tanta sensatez esteja nos espinafres, ou no facto de o Popeye ter viajado tanto e visto tanta coisa que já não se deixe enganar...

Monday, August 22, 2016

As "Cherie Blair" da vida.




Há dias, a propósito deste livro engraçadíssimo que tive a sorte de encontrar, lembrei-me da desgraça ambulante que era a ex "Primeira Dama" do Reino Unido, mulher de Tony Blair. Apesar de ser uma advogada de gabarito, com uma carreira de sucesso, bem casada, mãe de vários filhos e tida como uma mulher inteligente, uma intelectual...Cherie não demonstrou grande sabedoria nem senso comum.

Não prestou nenhum favor ao pobre do marido enquanto ele ocupou o cargo de Primeiro-Ministro (cargo com algumas situações bastante espinhosas a enfrentar, começando pela gestão da crise mediática que se seguiu à morte de Diana de Gales) e fez de si própria constante alvo de chacota.




Sem querer agora dar uma biografia detalhada da senhora nem entrar em detalhes sobre a sua "panelinha" com Hillary Clinton que tem andado nas bocas do povo (é caso para dizer: olha que duas se juntaram!), recorde-se: no seu dia a seguir às eleições (1997), Mrs. Blair cometeu a imprudência de vir à porta pela manhã, recolher um ramo de flores (convenientemente encomendado por um paparazzo) em chinelas, com uma camisa de dormir nada sedutora e toda descabelada. Foi um pratinho para os tablóides, que se deliciaram com a sua ausência de noção, realçada por  respostas do tipo "sabia lá eu!"...como se não se conhecesse o que é a imprensa inglesa! Mas até isto poderia ter sido usado a seu favor - o público adora uma ingénua - se a fiada de disparates, ora deliberados ora por pura falta de jeito, não se seguisse em catadupa.



Socialista e republicana ferrenha, recusou-se a usar saias e a fazer a "curtsey" (graciosa reverência tradicional) a Sua Majestade, como seria esperado dela. Era como se essa pequena cedência, esse elementar profissionalismo, o pedacinho de humildade e de conhecer o seu papel que é apanágio dos grandes, a matasse.

Isabel II , Rainha dos pés a cabeça como sempre, troçava dela com infinita condescendência: "os joelhos parecem endurecer-se-lhe assim que me vê", comentava jocosamente.


 Depois Mrs. Blair parecia fazer questão de usar exactamente o que a desfavorecia: a não ser que o dress code não deixasse qualquer lugar à imaginação, era uma tragédia pegada. De vestidos linha A ou de malha que só chamavam a atenção para as ancas largas e para os braços gorduchos a trajes casuais e preparos tão relaxados que roçavam o desmazelo, passando pelas cores menos lisonjeiras para si, Cherie nao acertava uma e  dir-se-ia que se comprazia com a sua "rebeldia" rematada por constantes trejeitos, gestos desabridos e caretas, o que levou a que a imprensa fizesse cruelmente troça da sua "bocarra de caixa de correio". E com isso algum trabalho meritório que realizava, nomeadamente de caridade, acabava por passar despercebido...



Mas o que há mais é "Cherie Blairs" por ai:  mulheres que acham que não precisam de se reger pelo mais elementar bom senso; que julgam dar uma imagem de muito "resolvidas" por desafiarem gratuitamente as mais inócuas directrizes de boa sociedade ou de bom gosto.  O mundo é que se deve ajustar a suas excelências, dar-lhes palmadinhas nas costas, acomodar-lhes as manias com um muito obrigada por cima - e não elas moverem-se de acordo com o mundo.

 As Cheries Blairs da vida (mais gordas ou mais magras, mais velhas ou mais novas, intelectuais ou rapariguinhas de shopping) sofrem do tal mal do bovarismo: acham-se demasiado cultas, espertinhas,  indomáveis ou rebeldes para ceder a quem quer que seja ou cumprir as regras de bom viver, mesmo no seu próprio interesse.

 Tudo lhes é devido, pensam as coitaditas - e por isso adoram mostrar um ar de desafio gratuito e ter um discurso provocador e irrealista, armadas em chicas espertas, desinibidas ou moderninhas (conforme o perfil, e há vários).

 Da desleixada que quer enfardar à vontade e vestir como bem entende mas fica toda melindrada por não encaixar nos "padrões de beleza", à Samatha Jones de trazer por casa que depois de uma divertida carreira de oferecida e doidivanas se queixa que ninguém a quer para relacionamento sério porque os homens são "uns cobardes, uns aproveitadores e uns bananas" passando pelas  *pseudo* intelectuais de serviço que adoram discutir política aos guinchos e berrar "não me subestime!", nunca lhes ocorre que o problema possa, afinal, estar nelas.



Em suma, as Cherie Blairs da vida não sabem o que é bom para si. Não aprenderam na adolescência que o mundo não se compadece de "rebeldias" fúteis, nem tem pachorra para ressabiamentos;  tão pouco perceberam que não há almoços grátis. E assim continuam a levar "calduços da vida" pela vida fora, passe o pleonasmo...





Sunday, August 21, 2016

Oh haja pachorra olímpica!!!

Tenho andado mortinha por comentar algumas peripécias dos Jogos Olímpicos que - como não podia deixar de ser, na era dos social media e dos memes - se tornaram virais e tem andado  por aí, na boca do povo. Hoje lá me arranjei para vir aqui tratar disso antes que a tocha se apague.

Ora, como sucede sempre nestes eventos houve momentos marcantes e inspiradores. Fiquei especialmente encantada com a forma como a ginasta Laurie Hernandez, de dezasseis aninhos,  enfrentou o júri e se lançou numa coreografia perfeita, ajudando a arrebatar a medalha de Ouro para os Estados Unidos e tornando-se numa superstar queridinha à escala global - alem de dar origem ao GIF mais popular do certame, vide:


A menina, que tem uns olhos enormes e bonitos, disse para os seus botões (salvo seja) "I got this" pôs-se em pose, piscou o olho aos jurados e vai de ginasticar como se o mundo fosse a sua ostra. O mantra (ou estado de espírito, se preferirem) " I got this" ou "está no papo", ou ainda "saiam da frente que isto é tudo meu, vou partir esta traquitana toda" é assim uma moldura mental difícil de invocar sempre que se quer, mas nunca falha. Por vezes é preciso até fingir que se está no modo "I got this", mas devia ser um exercício diário para todos nós. Linda!

Mas depois houve disparate com fartura, ou não vivêssemos a época terrível do politicamente correcto. Que os democratas esquerdóides de carteirinha quisessem dar a honra de transportar a bandeira americana a uma atleta estreante em tais andanças em vez de a confiar ao super-hiper-mega-destronador-de -recordes-da Grécia-Antiga Michael Phelps (só porque a rapariga, que até disse mal da América, é muçulmana e usa hijab) foi um deles.



Porém deixemos lá isso, que tudo acabou em modo "não querias mais nada?" e  Michael Phelps soube bem mostrar do que é feito um campeão; vejamos antes este caso de dois pesos e duas medidas: quando uma atleta gay foi pedida em casamento pela namorada, a imprensa achou lindo, progressivo, comovente e romântico. Mas quando o mesmo aconteceu a uma atleta chinesa, a quem o namorado fez a proposta em pleno pódio...aqui del Rei que o rapaz estava a constranger a menina, a roubar-lhe o seu momento de glória, a tirar o protagonismo à medalha de prata, a dizer ao mundo, de forma sexista e opressora, que apesar de alcançar glória olímpica, o triunfo mais importante da saltadora He Zi é tornar-se sua mulher. Ora, eu sou mais adepta de guardar estes momentos para a intimidade, seja lá o casal quem for, mas juntar no mesmo dia uma medalha de prata e um anel de noivado parece-me um feito impressionante. De mais a mais, ela não pareceu nada aborrecida, antes pelo contrário, e a interessada não é ninguém senão a noiva: e por fim, uma medalha fica no currículo, tudo muito lindo mas não é ela que vai fazer companhia à atleta na velhice.

Tenho para mim que as feminazis solteironas, maldispostas, mal amadas e azedas ainda toleram a instituição do casamento se for entre meninas - que uma mulher case com outra vá que não vá, enfim. Mas que aconteça a alguém, algo que dificilmente lhes acontecerá a "elas" - um homem dar-se à canseira de lhes comprar um anel e propor casório com os sininhos todos- isso já e intolerável. Afinal, a maioria é demasiado desagradável (de propósito, em muitos casos) e|ou chata e|ou promíscua e|ou malcriada para que algum diabo as carregue. Essa é que é a realidade, sorry girls.


E por fim o disparate mor, o pai deles todos, a medalha de Ouro da tonteria: a comediante Ellen Degeneres (que além de ser um amor e uma pessoa super positiva, tem tudo para que a ala anti-reaccionária e pró-justiça social que se ofende com tudo, jamais embirre com ela: lésbica, casada com outra mulher há muitos anos e toda modernaça)- ofendeu os ofendidos de serviço  ao publicar este meme muito engraçado, em que se pôs às cavalitas de Usain Bolt:

O próprio visado, que (além de ser o homem mais rápido à face da terra e de fazer de papa léguas com um sorriso de "não me apanhas" que até dá gosto ver) é uma alma bem formada, bem disposta, temente a Deus e com coisas mais importantes em que pensar (vulgo, medalhas e contratos milionários) achou imensa piada e partilhou a imagem nas suas contas de social média. 

End of story? Nããããão, porque o povo melindroso entendeu que Ellen, uma senhora "branca e rica" estava a ser racista por se atrever a brincar com tal coisa, por sugerir que se ia por às costas de um homem negro (ou preto, ou de cor, ou africano, ou sabe-se lá qual é a  forma menos ofensiva de uma pessoa se referir a outro ser humano hoje em dia).  Ora, eu acho que racista seria uma pessoa não se pôr às cavalitas de outra, seja por brincadeira ou necessidade, só por ela ser desta cor ou daquela.
As coisas estão a ficar descontroladas... daqui a nada nem as crianças podem saltar ao eixo nos recreios sem antes perguntar ao coleguinha se ele se melindra com isso. Ou, para garantir mesmo que não ocorre opressão de parte a parte, não há cá misturadas e zás, temos um apartheid horroroso com a única diferença das "boas intenções".


NOT HAPPY!

Então vejamos: aqui onde me encontro trabalha-se e convive-se diariamente com gente de todas cores do Arco Iris, de todas as nuances do Pantone, de todas as regiões do mapa e de quantos credos há. Desde que não me aborreçam, não me atrapalhem e criem bom ambiente, o mais certo é eu nem reparar se são brancos, cor de café, mogno, marfim, pérola, encarnados, amarelos ou cor de rosa às pintinhas.

 Pois bem, se -longe vá o agouro - eu torcer um tornozelo e o meu colega da Costa do Marfim que mais parece um gladiador, muito cavalheirescamente me carregar para um táxi, estou a fazer dele escravo? Mas se for o outro, que é italiano, já não há problema?
Ou quando a pausa para almoço ainda vem longe e  partilho bolachas ou chocolates com os membros da equipa que se esqueceram de trazer algo para trincar, se  tenho a lembrança de dar uma guloseima a um manager que é dos Camarões, ou a um cabeleireiro que calha ser da Zâmbia, estou a ser "paternalista"? E se uma rapariga de quem gosto bastante, nascida e criada no Quénia, me compuser o cabelo ou avisar a rapariga ao lado, uma "rosa inglesa" loura e de olhos azuis, está a fazer de mucama? E se for ao contrário - já que nestas andanças o cuidado com a imagem é de rigueur apesar da correria - estaremos a ser condescendente com o seu cabelo afro? Ora poupem-me. In ilo tempore as pessoas, fossem mais conscientes ou menos da cor de cada um, tivessem mais ou menos tacto, brincavam à vontade umas com as outras, andavam saudavelmente às turras se fosse preciso e acabava tudo bem.
Era o tempo dos vídeos fofos do Michael Jackson em que se resolvia tudo a dançar. Lembro-me bem desses dias felizes.  Hoje, nem o ouro olímpico serve para calar estas almas maldosas. Que fastio!





Saturday, August 13, 2016

As coisas que eu ouço: sede como as criancinhas



Esta foi mais vista do que ouvida: ontem ia eu toda atarefada a caminho dos meus afazeres quando, ao chegar à estação que tomo diariamente, noto os guinchinhos de alegria de duas ou  três crianças muito pequenas que se divertiam a girar sobre si próprias de braços abertos (quem nunca o fez em petiz, que se acuse...). Estava um lindo dia de sol e o quadro chamou-me a atenção pela sua inocência; bem se via que  não tinham nenhuma preocupação na Terra!

E do nada, reparo que um homem novo de fato e gravata se lhes juntou: abriu os braços e girou também, sem alterar a expressão do rosto, como se aquela brincadeira fosse a coisa mais séria deste mundo. Sorri enternecida para aquilo, julgando ser um jovem pai a brincar com os filhos.



Foi tudo tão rápido que mal deu tempo para perceber que não era o caso: ele rodou um par de vezes como um derviche com aquele ar grave de quem diz "virou que se faz tarde" (ou mais literalmente, como diria a Kylie Minogue, I'm spinning around, move out of my way) e, sem interromper o movimento nem mudar de cara, saiu da dança para apanhar o metro como se nada fosse.

 Isto diz muito da capacidade desta gente de viver a seu modo e de se estar nas tintas para o que o povo pensa, como já vimos, mas acima de tudo lembrou-me de como não se tomar demasiado a sério é condição sine qua non para a felicidade ou mesmo para o sucesso.

Se a uma pessoa crescida lhe apetece brincar ou  dançar o vira (ou outra coisa qualquer) out of the blue uma vez por outra, não está escrito em lado nenhum que seja proibido ou que precisa de ter horários e lugares específicos para tal - tão pouco se ganha automaticamente um carimbo de "figura de urso"  por causa disso, mas se ganhar, azar. E  até vos digo que só não me juntei a eles porque fiquei demasiado surpreendida e  não me queria atrasar, senão era limpinho. You can dance if you want to - and you can spin if you want to, era o que mais faltava.

Tuesday, August 9, 2016

Sissi esmiuça o estilo das londrinas (porque Londres andava muito sossegada).





O impacto das minhas primeiras voltas em Londres há uns aninhos valentes atrás, nunca se desvaneceu: viam-se aqui coisas que eu sonhava eventualmente usar (ou, se não faziam o meu estilo, pelo menos admirar de perto) mas que em Portugal eram raras ou mesmo impensáveis. Afinal, por muito que os portugueses quisessem armar em modernos, ainda se vivia uma certa sensaboria ou acanhamento em termos de estilo. Nunca me considerei uma trend setter nem a maior das early adopters, mas já na altura observava que qualquer tendência demorava bastante a instalar-se em solo luso.
 Muito ouvi "vais atravessar a cheia?" quando me atrevi a sair de corsários, apenas para os ver em cada esquina (e em versões baratas) dali a seis meses. Já em Londres, havia de tudo: lembro-me de tentar  não pasmar para uma rapariga japonesa de zori nos pés em pleno Inverno e com toda a parafernália de uma menina de Harajuku. 



A explosão da blogosfera e das redes sociais veio sem duvida atenuar muitíssimo essas diferenças. Hoje, Lisboa até tem uma comunidade de "lolitas" que se vestem "a la japonaise", e nem falemos das ridicularias que vemos em qualquer evento de moda...

De forma que quando se toma o pulso a uma das principais cidades na scene fashionista hoje em dia, as diferenças são mais subtis: afinal, existem sensivelmente os mesmos estilos dominantes seja em Londres, Nova Iorque, Paris ou Roma. Mas como em tudo... cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso.


Já sei que contam que fale no mau, e no muito mau em que algumas inglesas sao useiras e vezeiras, conforme nos mostram certos reality shows: não me vou alongar nisto pois  por sorte, tenho tropeçado em poucas "chavs" com os seus cabelos arrepiados e colados à cabeça com gel, grandes argolas e tatuagens medonhas. 


Quem se veste mal fá-lo como as serigaitas portuguesas, sendo que não faltam lojas especializadas nesse look, nomeadamente em bairros populares: gigantes armazéns de poliéster capazes de dar arrepios a uma pessoa!




 No entanto, já descobri aqui umas marcas francesas que a par com os mini vestidos, tem peças amorosas e fora do vulgar em algodão, nomeadamente calças coloridas, muito anos 70. 
Voltando ao look "bairro social" que é praga a escala planetária, a diferença de Londres está na nail art que, apesar de ser muitíssimo popular e comum - há um salao de nails a cada metro, benzam-se - é bastante mais discreta. Muita unhaca, muita garra medonha, mas quase sempre de uma cor apenas, nada de bonecadas...
Talvez por muitos "manicuros" serem homens! Homens chineses, frequentemente, e casados com a manicura sua sócia. Os "nails corners" sao amiúde negócios de família, e - digo eu, que mesmo assim me recuso a entrar num - talvez o paterfamilias não tolere grandes maluqueiras à clientela. 




 Mas será na maquilhagem que se vê o maior contraste comparando com as portuguesas, apesar de a "pintura para Instagram" se ter banalizado por este mundo de Deus. Aqui o caso e sério - tanto nos visuais menos decorosos e de gosto, como entre as fashionistas de serviço e profissionais de moda.
 Para já, as londrinas levam a makeup tão a peito que mandaram pela janela a velha regra da educação à inglesa, segundo a qual uma senhora JAMAIS se retocava em público (por oposição à tradição francesa, que permitia retocar ( apenas) o baton e o pó de arroz).



 Qual! Elas fazem TODA  a maquilhagem no metro, para quem quiser ver. Muitas fazem-no, vá. E estamos a falar de sombras elaboradas, contouring, eyeliner, you name it. Com uma destreza e uma chutzpah (leia-se lata ou descaramento) que me faz sorrir...embora mande a boa educação que se faca vista grossa a estas "operacões de beleza em público".

Depois, talvez pela influência de tanta muçulmana e árabe que cá mora (muitas, aliás, trabalham como brow stylists) o threading é um must (e baratissimo) e a palavra de ordem são as sobrancelhas de Instagram...pintadíssimas, enceradíssimas, algumas a beirar, quando não ultrapassam de largo, o exagero.
 O strobing também é uma febre - e só é pena que muitas meninas, que até trabalham na área da beleza, o usem em plena luz do dia,  ficando com a cara a brilhar com mais ar de facepainting espacial do que de maquilhagem bem feita...

No entanto, mandam as boas Casas de modas que as suas funcionárias, na maioria, se cinjam a uma discreta elegância: cabelos e unhas em tons naturais e maquilhagem ao estilo Chanel: baton nude ou encarnado, sombras neutras e rosto uniforme, cabelos soltos e brilhantes ou apanhados num rabo de cavalo ou chignon. Muito old school, bonito e bon chic bon genre.


 
Mas para apreciar o verdadeiro estilo inglês em todo o seu esplendor, para não ver roupa feia nem demasiado ousada por mais que se procure,  há que ir para o campo (hoje partilhei com uma rapariga que mora no countryside  um ode de amor às galochas, que como sabem aqui se tratam carinhosamente por Wellies) ou para a Chelsea, Fulham e por aí. E o preppy mais puro, o melhor look old money sem esforço que se pode.





 Elas com os seus Chelsea blow dry - o brushing solto tão admirado na Duquesa de Cambridge:




E eles muito janotas com a melhor alfaiataria inglesa predominando por ora os tons de Verao, como o azul escuro (ma non troppo). Toda a gente - casais, famílias com os seus adoráveis bebés louros ou ruivos, grupinhos de raparigas -  parece muito correcta, muito composta, uma perfeição. Há dias vi um clone de Kate Middleton sair de trás de um arbusto num parque - com os copos, a dizer palavrões, mas bem vestida e penteada que eu sei lá....

De mais a mais, a feminilidade esta em voga: abundam os skinny jeans subidos, sim, a par com os culottes - mas fazem grande sucesso os vestidos rodados e as saias plissadas sob o joelho em nude, preto ou burgundy, que se usam numa infinita variedade de combinacoes... 



Porém, se se quiser vir a Londres tirar alguma lição de estilo, que seja para aprender a dominar a arte de usar sapatos rasos com elegância. Apesar de aqui toda a gente, ou quase, ir de ténis ou calcado prático para o emprego (o que me faz sentir menos extraterrestre com a minha mania de trazer um dustbag com uma muda de sapatos) TODO o mundo em Londres tem o mesmo hábito (e já agora - descalçam-se à frente de quem estiver, sem problema algum: dizem os nativos que por estas bandas ninguém tem tempo para reparar na vida dos outros...) isso não quer dizer que se circule com qualquer coisa até mudar para uns Burberry, L.K. Bennett ou Jimmy Choo.
 Nada disso. As londrinas "bem", sejam baixinhas ou altas,  são exímias na arte das proporções e possuem uma invejável colecção de flats cuidadosamente escolhidos, o que lhes garante um porte tão distinto e uma  figura tão esbelta como se estivessem de saltos.

 E pronto, assim de rajada isto é o que me chama mais a atenção. Mas como vejo tanta coisa, decerto me hei-de inspirar para partilhar convosco mais algumas ideias...





 




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