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Friday, September 19, 2014

Ai o que me foi lembrar (máxima da noite).

A propósito de nada, recordaram-me esta canção que a avó cantava quando nos apanhava a fazer alguma maroteira. Tinha-me era esquecido totalmente a última estrofe:
A mim não me enganas tu
A mim não me enganas tu
A mim não me enganas tu
A panela ao lume
O arroz está cru

Está cru deixá-lo cozer
Está cru deixá-lo cozer
Está cru deixá-lo cozer
Dizem mal de mim deixá-lo dizer.

Conhecem? Olhando bem, a cantiga não deixa de encerrar uma certa filosofia. Primeiro, há pessoas que já conhecemos tão bem, mas tão bem, que as suas malandrices se anunciam a quilómetros e já sabemos o próximo capítulo. Dizem que puseram o arroz ao lume, mas...nunca mais cozinham nada que se veja ou então queimam invariavelmente o arroz. Como cada um tem defeitos e é melhor o diabo que se conhece que o diabo que não se conhece, vai-se levando à paciência.
Depois, se o arroz não está pronto - seja qual for o arroz, por arroz entenda-se qualquer objectivo que não anda nem desanda - é deixá-lo cozer, que remédio, e quanto ao mal que digam...nenhuma pessoa de bem se deve apoquentar com isso. É deixá-lo dizer, porque certas pessoas, pobrezitas, não têm outro entretém...



6 Clássicos de Outono/Inverno obrigatórios.

Se já os tem no armário, vai provavelmente precisar de comprar mais alguns...ou de os renovar. Se ainda não tem, é aconselhável pensar nisso para diminuir a quantidade de momentos "ai-que-vida-a-minha-não-sei-o-que-vestir"...que nos dias frios e escuros são ainda mais stressantes (e deprimentes). Venham as tendências que vierem, estes queridinhos nunca ficam datados e são sempre elegantes. 

1- Tops de manga comprida

O Inverno é sinónimo de malhas, mas escolher bem camisolas é uma ciência e há que considerar que não se aplicam a todos os dias nem combinam tão facilmente com todas as coisas. Logo, um bom sortido de t-shirts justas de manga comprida (ou 3/4, para os dias mais amenos) é essencial. 

Se forem 100% algodão adaptam-se a vários dress codes e a todas as temperaturas: venha sol, vento, humidade, ar condicionado,  nunca ficará gelada nem enjoada, com calor ou irritação na pele (que algumas malhas, principalmente as sintéticas, provocam).
 Depois, se escolher tecidos com bom ar e cor sólida, dão praticamente com tudo: sob um fato, com uma saia bonita, calças ou jeans. Nos dias mais frios pode vestir um colete por cima, usar um blazer ou sobretudo. Como não fazem volume, permitem trabalhar a toilette por camadas.

 Top preto + calças skinny da mesma cor com uns sapatos e uma carteira de qualidade é uma toilette estilo model off duty que nunca desaponta e pode vestir-se literalmente às escuras. 

 As versões melhores são as neutras, de preferência sem botões, pretas, brancas, cinzentas ou azuis escuras, com um ligeiro decote. Os bodies também são uma versão interessante, porque não saem do sítio nem desfraldam na cintura.


2- As duas camisolas básicas
Não sou fã de grandes fantasias quando se trata de malhas, já o tenho dito por aqui. Por isso, há dois modelos que nunca surpreendem pela negativa: a camisola justa de gola alta (de preferencia, caxemira) preta ou branca e o camisolão tipo escocês ou pastor da Serra da Estrela, em cru. Marilyn Monroe e Jane Birkin popularizaram os dois modelos, respectivamente. As primeiras usam-se sobre calças clássicas, cinturas subidas, jeans ou saias lápis (e não só) as segundas com skinnies ou outras calças justas, de botins ou botas. Em todo o caso, nunca passam de moda.

3- Os três casacos imbatíveis



Todos os Invernos, as marcas de fast fashion fazem por nos impingir pea jackets ou seja, casacos curtos de fazenda...ou blusões de todos os tipos.  Embora estes tenham o seu lugar e dêem um aspecto jovem e à moda, não combinam com tudo nem ficam bem a toda a gente. Devem portanto ser uma variante e não a regra no guarda roupa.
   À prova de erro são sempre os duffle coats (canadianas), que também servem para a chuva; trench coats, vulgo gabardinas (com  forro amovível para usar dos dias mais frescos) de desenho clássico, e os sobretudos de corte intemporal, de preferência cintados (que podem ter uma gola de pêlo para um efeito sempre chic). Os mais versáteis, e que favorecem todas as silhuetas, terminam imediatamente abaixo do joelho - para usar com saias ou vestidos de noite.

4- O Pequeno vestido preto...com mangas!

Embora muitas marcas insistam em vender vestidos de mangas curtas ou cavas na estação fria, por razões que só elas entendem, um vestido com mangas, de tecido espesso mas macio, que se possa levar para o trabalho ou acessorizar para uma festa é um must have de Inverno e esta continua a ser a época mais lógica para o procurar. Nenhuma mulher fica mal num modelo clássico, bem forrado, que acompanhe as formas do corpo sem colar.

5- Botas impermeáveis

Ferragamo

Embora encontrar o par certo seja um desafio, umas boas botas de couro preto ou castanho de cano alto com um salto confortável são o melhor dos investimentos, pois resistem à chuva e combinam com quase tudo. O modelo mais democrático é pelo joelho e de preferência, sem fechos que incomodem. Fica bem a toda a gente, enquanto os canos mais curtos ou as cuissardes exigem mais cautela.

6 - E não menos importante...

As calças escuras, de tecido, clássicas, de cintura subida q.b e afuniladas (cigarrete ou de modelo semelhante às jodphurs de montar) nunca desiludem;  usam-se com quase todos os calçados e fazem uma silhueta elegante; jeggings, breeches ou skinny jeans macias são preferíveis às leggings; uma saia lápis preta de tecido ou pele presta-se à maior parte das ocasiões; e um bom cachecol ou pashmina, grande o suficiente para se embrulhar nele, é um pequeno luxo que compõe qualquer toilette. Todas estas peças se conjugam com o conteúdo de qualquer armário por isso é aconselhável prestar-lhes atenção e não hesitar se aparecer um exemplar que lhe assente como uma luva!







 

Nunca me enganaste, John Lennon


Há dias avisava eu cuidado com os homens feministas, sem sonhar que o  homem feminista mor, o na-cama-pela-paz John Lennon fazia mesmo justiça à frase. 

Cruzei-me com a informação esta semana por acaso, tão pouco se fala nisso.

Já aqui disse que nunca embarquei na letra radical-fofinha da canção- porta-estandarte-da-paz-com-imagens-sinistras-pelo-meio, Imagine.

Tanta paz e amor era demasiada querideza para ser verdade. A ideia utópica e ultra socialista de ninguém possuir coisa nenhuma já era terrível, mas vinda de alguém que vivia em grande estilo em Nova Iorque nem sequer era honesta. O mesmo, exactamente, se pode dizer da sua postura feminista e subserviente a Yoko Ono. A abstenção radical soa sempre a mecanismo de defesa e compensação, no caso, sei muito bem que tenho tendência a zurzir mulheres, por isso vou tornar-me super passivo e arranjar uma generala que mande em mim.

Desculpo-lhe porque em contrapartida escreveu coisas geniais -entre elas Jealous Guy, uma das minhas canções preferidas (embora prefira a versão de Brian Ferry). 

E é precisamente essa que dá uma pista para o passado de John Lennon. "I,´m sorry that I made you cry..." é capaz de ser mais literal do que parece: o próprio Lennon admitiu que quando era mais jovem, dava tareia em mulheres. O hippie, o pacifista, o feminista, cometia violência doméstica.  Se não teve tempo de se redimir como deve ser (porque a morte se atravessou no caminho) teve tempo de reconhecer em entrevista que tinha sido muito mau rapaz. 

Claro que com a morte veio a imortalidade e aí já não convinha a ninguém desfazer na imagem fofinha do músico. É do conhecimento público, mas um facto pouco falado.

Agora já percebi. Era naturalíssimo que tentasse super compensar com uma imagem de paz e amor exagerada. Nunca me cheirou bem. Se há coisa que detecto à distância é pantominice e aldrabice. 
 Isto não retira nada à boa intenção de não voltar a agredir quem é mais pequeno do que ele. 

É pena que não tenha encontrado um meio termo, porque um homem não tem de se transformar num paspalho para fazer a sua obrigação de ser decente com as mulheres. Há umas coisinhas que se chamam auto domínio e cavalheirismo, que permitem que um homem se afirme e imponha respeito sem chegar a isso. Para espancar a cara metade é preciso ser um cobarde de primeira, e se calhar a primeira solução que ocorre a alguém assim é o outro extremo da cobardia: transformar-se em tapete. E daí, que uns safanões moderados à maluca da Yoko para ver se ela se acalmava...até eu lhos dava de boa vontade, mas tudo se quer com peso e medida.

 Seja como for lá se entenderam e a Yoko Ono também deixou uma canção de que gosto bastante, Kiss me. Antes beijos que estaladas, vá.








Thursday, September 18, 2014

Porque é que o Titanic nunca me convenceu?


Ocorreu-me esta ideia quando há dias li qualquer coisa a propósito num artigo de nostalgia dos anos 90. Nunca comprei a maluqueira do filme de James Cameron. Mentiria se dissesse que não fiquei entusiasmada ao saber de uma produção sobre a tragédia (já que o acontecimento e a época sempre me fascinaram) ou que não gostei dele em si, apesar de se tornar tão popularucho. Por mim, as cenas das senhoras de sociedade na 1ª classe e as peripécias dos irlandeses na 3ª podiam ter continuado por ali fora, que eu não me ralava.

 O que nunca engoli nem com molho de tomate foi o belo romancezinho entre a Rose e o Jack, por quem era suposto o público torcer. Are you serious?! Já lá vamos.

 Primeiro, a Rose. Nunca compreendi a Rose. Sempre a achei estouvada e egoísta. 

Também sou suspeita, para vos ser sincera: se eu vivesse naquela época, se tivesse a idade da Rose nesse tempo, ia ser o mais parecido que havia com uma reaccionária (se é que posso aplicar aqui a palavra, mas acho que posso) ou se preferirem, um Velho do Restelo jovem e de saias. Ainda me lembro da cara espantada da minha professora de História do 8º ano, quando eu lhe disse que não achava piada às suffragettes. Era suposto todas as meninas gostarem dessa parte:  as suffragettes eram umas gandas malucas que desobedeciam à ordem estabelecida e faziam manifs, eram valentes e iam presas e tudo.



Admito que por cá, a forma como a cirurgiã Carolina Beatriz Ângelo deu a volta aos homens para votar como chefe de família foi uma jogada brilhante (imagino a cara deles) mas melhor faria se não tivesse discursado e debatido tanto- morreu do coração aos 33 anos quando tinha coisas bem mais importantes a oferecer à Humanidade do que debater política. Lá dizia Bernard Shaw que não percebia para que é que mulheres bonitas e inteligentes se esgatafunhavam por coisas dessas...



 Logo eu não havia de simpatizar muito com raparigas como a Rose, sempre revoltadas para que o mundo mudasse numa direcção que não sabiam se lhes convinha. 



Voltemos então à doidivanas da Rose. A Rose é uma menina mimada que sabe muito pouco da vida e acha que a relva é mais verde do outro lado. Tem um noivo bonito e Alfa que a adora, que não lhe nega nada desde que ela o trate bem, que quer casar com ela e oferecer-lhe uma vida de mimos e segurança apesar de ele ser rico e ela estar completamente falida. Caledon, o noivo, não gosta de Picasso, mas oferece-lhe quadros dele porque ela gosta. E pode não dizer frasezinhas romanescas nem tolerar disparates, mas manifesta-se como sabe: no caso, oferece-lhe diamantes porque pode e na sua ingenuidade acha que ela merece o mais belo e raro diamante do mundo. O valor da peça é irrelevante, o gesto é que diz tudo.

 Como é que ela agradece a devoção dele? Contrariando o coitado em tudo o que se lembra. É que não lhe faz uma vontadinha sequer, trata de o contradizer à frente de quem está, faz cara feia a tudo, enfim, é desfeita atrás de desfeita. Depois aparece o Jack- cara -de- bebé, que não a conhece de lado nenhum, bom rapaz mas um tremendo irresponsável.


O Jack é novidade, é idealista, boémio, sonhador, faz de sensível, diz-lhe o que ela quer ouvir - que ela pode fazer o que quiser da vida dela e voar e mimimi - e claro, a menina que está para contrariar toda a gente decide que o rapaz rebelde que nunca viu mais gordo é o amor da vida dela, que quer viver como os amigos dele que passam o tempo a cantar e a dançar porque tem uma ideia romântica do que é a vida dura dessas pessoas, que vai fugir com ele assim que o navio atracar e mai´nada.

 Não lhe ocorre ter respeito pelo homem a quem deu a sua palavra nem remorsos de o enganar em público, não pensa na pobre mãe que ficará na miséria se ela romper o noivado, não repara sequer que o Jack, o bom do Jack, vive de biscates, vive para o presente e amanhã Deus dará, logo não se sabe se amanhã manterá as juras de amor. 


Ela nem sequer acha estranho quando ele lhe diz que costuma privar com prostitutas e as acha mulheres exemplares. Sinal de alarme, anyone?
 Desculpem estragar o romantismo da adolescência de muita gente, mas se o navio não tivesse afundado, o romance não duraria duas semanas. Até podiam chegar a Paris, mas o mais certo era ele trocá-la por uma corista qualquer e a Rose juntar-se ao circo (que é mais ou menos o que acaba por acontecer, vá).
No entanto afundou e é o pobre do Cal que a vai procurar a todo o custo mesmo 
sabendo-se traído e escarnecido. 


 Aí comecei a pôr em causa se o Caledon a adora perdidamente ou se é um tanto pateta, porque tenciona meter uma bala no homem que lhe roubou a noiva (e a desenhou sem roupa) mas continua a querer casar com uma destemperada daquelas. De qualquer modo, nesta altura é suposto a audiência simpatizar com a Rose, a traidora e com Jack, o desmiolado, e dizer "que ciumento malvado que é o noivo! Que possessivo!" - também, faltava que não fosse perante vexames daqueles...

Depois  a película finda como sabemos: ela acaba por ter sozinha todas as aventuras que a família não queria que tivesse (ser actriz, andar a cavalo sem sela de senhora, etc) mas acho que a história passa uma mensagem totalmente errada. Ter uma vida estável ao lado de uma pessoa com ideias firmes não é necessariamente estar "encurralada", assim como fazer o que nos apetece não é garantia de não ter contrariedades na vida. Todos estamos sempre sujeitos a alguma coisa, ninguém é totalmente livre. As restrições que a Rose ia enfrentar junto do Caledon não eram piores do que aquelas que teria de lidar juntando-se com o Jack ou outro "cidadão do mundo" qualquer. Havia muitas coisas que também podia fazer junto do marido, afinal, "ele não lhe negava nada".


 Claro que podem dizer "ah, mas ela amava era o Jack" - sinceramente acho que não amava nenhum. Não sabia o que queria da vida. Uma paixoneta, um entusiasmo, não é amor.
 Por fim, assumindo que isso fosse verdade, ela não deu uma chance ao noivo, embirrou  com ele desde o início; mas também nisto sou suspeita porque sempre achei o Billy Zane mais interessante e custa-me a crer que alguém prefira o imberbe Leonardo Di Caprio, mas tudo é possível...





Wednesday, September 17, 2014

Coisas práticas que se encontram nos contos de fadas #1: a "it bag" da Pele-de-Burro


Em algumas versões mais obscuras da história A Princesa Pele de Burro de Perrault (que é, por sua vez, uma versão condensada de contos mais antigos, como é costume nestas coisas) aparecia um bruxedo espectacular. Claro que as Fadas Madrinhas, génios e companhia são sempre cheios de truques que nos davam muito jeito a todos, mas quando li este em pequena fiquei mesmo encantada: para quem está esquecido dos seus contos de fadas (o que é um erro, porque não se deve deixar morrer a imaginação e as histórias de encantar são cheias de lições valiosas) eu refresco a memória.

 A Princesa Pele de Burro é, de todas as princesas com pouca sorte, a mais infeliz, com problemas familiares daqueles que nos chocam quando aparecem nas manchetes do Correio da Manhã. Aflita para fugir à desgraça do "amor violento [que] pouco liga à prata e ao ouro desde que possa satisfazer-se" a desventurada infanta pede ajuda à Fada Madrinha.



 Graças ao engenho desta, a nossa heroína consegue três vestidos magníficos e impossíveis (um da cor do Tempo, outro da cor da Lua e um terceiro mais brilhante que o Sol) mais uma pele de burro. Vendo-se obrigada a fugir e a usar a pele do animal como disfarce, não se julgue que vai sem bagagem. A boa e esperta Fada arranja-lhe a it bag mais fabulosa de todos os tempos: um baú que segue a dona por baixo do chão enquanto ela viaja, e aparece quando é preciso com um toque de varinha mágica!


"«Eis», prosseguiu ela», uma arca onde vamos meter todos os vossos vestidos, o vosso espelho e produtos de beleza, assim como os vossos diamantes e rubis.  Dou-vos ainda a minha varinha; se a levardes na mão, a arca seguirá o vosso caminho escondida sob a terra.
 E se a quiserdes abrir, mal a varinha tenha tocado a terra, a arca abrir-se-á perante os vossos olhos".


 Já imaginaram viajar de mãozinhas a abanar, só com uma varinha, e ter uma mala mágica que transportasse o nécessaire com o secador e toda a tralha, os sapatos, os porta fatos, o computador e tudo o que quiséssemos meter lá dentro? Sem canseiras nem risco de roubo nem nada? Para não falar que sendo mágica devia adaptar-se a toda a tralha que nos lembrássemos. Isto resolvia-me uma data de problemas. Não sei onde anda essa Fada, mas a Louis Vuitton ou outra casa especializada precisa de a contratar urgentemente. Podia ser Samsonite para quem prefere uma versão prática, não interessa: quero essa arca!








A Vogue foi comprada por uma data de rappers, só pode.





Não há outra explicação para, depois de uma Kardashian na capa e outras tropelias (começo sinceramente a perder a conta a tanto disparate) publicar agora um artigo a anunciar "a madrugada do traseiro".

Bom, o problema nem é o artigo em si: se um fenómeno existe, é natural que os media o assinalem.

Também não é a questão racial que o público apontou em massa no twitter, dizendo que só agora  é que a revista se dignou a reparar numa coisa que já por aí anda desde o início do Milénio, e antes. 

 Nisso estou de acordo com a Vogue, vá: se por aí andava era um conceito underground, circunscrito a certas cenas musicais e determinados ambientes menos, bom...bem vistos. Se só agora se tornou mainstream e supostamente aceitável, é natural que só agora determinadas publicações concedam dar-lhe tempo de antena.

Acrescente-se que as mulheres africanas não podem queixar-se de não estar bem representadas na Vogue - a lindíssima Lupita é o exemplo mais recente de uma mulher de classe para todas as audiências - mas ficam, elas e todas as outras, mal representadas quando se fala no fenómeno do traseiro à escala global.



 O que me chamou a atenção no artigo foi a total ausência de espírito crítico, de julgamento estético ou moral - aliás o quase louvor -  perante algo que vai completamente contra o que a Vogue sempre defendeu. Porque uma coisa é o regresso (cíclico) desta ou daquela figura feminina. Era previsível e desejável que as curvas voltassem a estar em voga, não como padrão único mas numa perspectiva mais realista de a beleza e a harmonia existirem em vários tipos. 

 Há beleza em todos os géneros de silhueta, desde que devidamente vestida e com classe - das Caras e Kates às Belluccis, Vergaras e Uptons passando pelas Queens Latifahs e até, porque não, Iggy Azaleas deste mundo. A questão não é a circunferência dos glúteos per se. Nada contra o big booty, tudo contra este exagero medonho e boçal.

O problema é o contexto grosseiro e aberrante com que isso é apresentado e o mau exemplo que transmite que -  mais do que tudo -  contraria a exigência, elegância e rigor que a Vogue devia representar.

 A Vogue era a revista que ditava tendências, não a revista que se dobrava humildemente a elas, aos ecos da rua. Nunca foi uma revista from the people, for the people. A sua missão era determinar os padrões (elevados, elitistas mesmo) a que era suposto aspirar, não era ser cúmplice aquilo que supostamente devia desprezar ou contrariar.

 Se a própria Vogue baixa os padrões e coloca a fasquia a este nível, não sei como pode inspirar alguém. Ou pode - mas não na direcção daquilo que era a Vogue. Passo.


Tuesday, September 16, 2014

Quanto mais simples, mais complicado é.



Uma pessoa procura, procura a coisa mais simplória à face da terra, e nas lojas comuns é sempre um sarilho. De um dia para o outro lembrei-me - mais uma vez- que me dava jeito um body para usar por dentro de saias e calças sem andar desfraldada, e já não tinha tempo de mandar vir pela internet. Logicamente, para uma peça de algodão não é necessário investir em marcas exclusivas, acho.

 Bem digo que há sempre básicos que faltam nas lojas, e este é MAIS UM. Logo eu que tanto gosto de centros comerciais, meter-me numa aventura dessas...tive de correr SEIS lojas. SEIS.  Sem contar com as de desporto - onde às vezes se arranjam peças impecáveis como calças de montar e maillots - que, surprise surprise, só tinham para criança. Pois, as adultas devem andar todas nas danças latinas e africanas, precisam lá disso. Um bruxedo que nem vos conto.

Finalmente lá achei o malfadado body com manga 3/4, e preto, e de algodão e tudo, aqui. Recomendo-vos que aproveitem se andam à procura de um desses, porque o cenário é bodies à favela com rendinhas sintéticas e transparências, quando há. Mas era preciso gastar os sapatos por causa de uma peça normalíssima sem jeito nenhum e que agora até está na berra? 
Tenho de dar-me ao trabalho de criar uma marca que venda sempre o que as mulheres realmente precisam, está visto.

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