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Monday, October 20, 2014

Alfa, mas com termos.


Já vos contei que sou um bocadinho viciada na série Mentes Criminosas. Será o meu lado de profiler-por-carolice-ou-necessidade a falar mais alto, mas ao fim de nove temporadas não me canso: os guiões são excelentes, os enredos muito bem construídos, quanto mais assustador é um episódio mais contente eu fico e é impossível não adorar as personagens...e não desejar trabalhar com uma equipa tão perfeita! 
 É que aquilo,fora os horários doidos, é o ambiente de trabalho ideal: todos são amigos, todos são mentes geniais e todos têm um lado humano extraordinário.

 Depois, há um aspecto interessante: cada elemento da equipa, apesar de ter falhas e fragilidades, é um excelente role model. E isso não é muito comum actualmente: as personagens com alguma dimensão costumam ser angustiadas ou no mínimo, anti heróis.


A hacker Penelope Garcia porque é um amor, sempre a ver o lado bom de todo o mundo e a não perder a fé na Humanidade mesmo testemunhando as piores atrocidades; adorava ter aquela mente fabulosa ou vá, que houvesse uma Penelope cá em casa porque o meu jeitinho para engenhocas é igual à minha faltinha de paciência para investigações detalhadas.




A JJ porque é uma excelente esposa e mãe, apesar de ter uma carreira super exigente, e porque mantém sempre uma certa serenidade e compaixão, além de estar sempre gira. Óptimo exemplo para as mulheres!

O Morgan porque apesar de ser o valentão da equipa e de ter aquele ar de modelo da Calvin Klein é um querido, protege toda a gente, passa a vida a levantar a auto estima de meio mundo, é queridinho com as colegas, os meninos desprotegidos e as velhinhas sem abrigo. Há pessoas assim na vida real, não andam é por aí aos pontapés.



O Reid porque, bom...quem não gostaria de ter um namorado como o Reid? Coisa mais cuti-cuti e sem maldade nenhuma. O actor tem um rosto fabuloso e fez um óptimo trabalho ao interpretar uma personagem genial, mas muito inocente. Eu sou suspeita porque génios socialmente inadequados não me assustam nem tenho medo de enciclopédias ambulantes. Identifico-me facilmente com ratos de biblioteca e seria agradável conversar com alguém que lê ainda mais depressa do que eu e isola completamente enquanto o faz (bichos raros, juntem-se).

 Depois há o Hotchner- se o Reid é o rapaz que todas as raparigas deviam namorar, o Hotch é o protótipo de marido perfeito: bonito, sofisticado, responsável, corajoso, metido consigo, com pouca tolerância a disparates e acima de tudo, imperturbável. Não há nada mais apelativo num cavalheiro do que nervos de aço. Os colegas consideram-no "o epíteto do macho Alfa" e apontam-lhe a frieza, mas mind you, os Alfa que valem a pena são os misteriosos que fazem pouco alarde de si próprios. 

Não são só as mulheres que ficam mais atraentes quando tagarelam menos...um homem que ouça duas vezes e fale só uma, que seja discreto e ponderado, vale o seu peso em ouro. O resto é basófia.




Dame Angelina Jolie: valores em tempo de crise dos ditos.


Nas últimas semanas tem-se falado bastante em Angelina Jolie, que recebeu de Sua Majestade a Rainha Isabel II a honra de Dama honorária.

 A beleza e graciosidade da actriz ao aceitar a Grande Cruz da Ordem de S.Miguel e S. Jorge (usou um tailleur Ralph &Russo e sapatos Ferragamo) lembraram-me outras duas grandes estrelas/senhoras incontornáveis pelo seu estilo e trabalho humanitário: Audrey Hepburn e Grace Kelly.

   Sinto sempre algumas dúvidas quando vejo uma celebridade ter uma voz demasiado interventiva em questões sociais ou políticas, mas acho Ms Jolie (ou Mrs. Pitt? Já não sei) inspiradora por três motivos.

Primeiro, o facto de viver realmente aquilo que prega (três crianças adoptivas é testemunho que chegue). Segundo, a serenidade e a forma impecável como se apresenta sempre, que lhe conferem credibilidade: não a vemos a ter discursos inflamados nem a sofrer de síndroma Brigitte Bardot (ou seja, tornar-se hippie só porque está envolvida em causas sérias). Possui um raro sentido de adequação às situações, vestindo com simplicidade para os cenários difíceis que visita, mas sempre imaculada: ela sabe que é a sua imagem que vai chamar a atenção para os problemas que quer mostrar ao mundo e que qualquer desleixo podia ser confundido com "remorsos de celebridade". E terceiro, o notável equilíbrio com que gere uma carreira, uma família, um casamento e o seu trabalho junto das Nações Unidas: é que por muita ajuda e meios que tenha, não pode ser fácil.



Numa entrevista publicada esta semana por uma revista portuguesa, a actriz/realizadora falou da sua amizade com o herói da II Guerra e atleta olímpico Louis Zamperini, cuja vida inspirou o seu último filme, Unbroken. O veterano (que começou por ser um arruaceiro antes de se tornar atleta e de se alistar) ficou muito próximo de Angelina, que conseguiu mostrar-lhe a película antes da sua morte aos 97 anos (visionar um filme com a história da sua vida num leito de hospital dá uma nova e arrepiante dimensão ao termo "ver a vida a andar para trás", mas é bonito mesmo assim).
 Unbroken só vai estrear no dia de Natal, mas concordo quando a realizadora diz que este é "um bom filme  para ser visto por rapazes de 14 e 15 anos". E pelos rapazes mais velhos também, aposto. A maioria dos jovens deste tempo não tem a mínima ideia do que significava ser jovem naquele tempo. Valores como o sacrifício, o respeito pelos idosos, a fé e o heroísmo deixaram de estar na moda e é bom que alguém fale nisso.

 Na era dos Justin Biebers, dos Kardashians e das Casas dos Segredos, alguém que use a malfadada fama para transmitir exemplos de bondade, solidariedade e elegância merece quantas medalhas há.



Sunday, October 19, 2014

Identifique um mau pretendente em 6 passos.


Conhecer pessoas novas é sempre um risco. Mesmo as que parecem ter as melhores referências e/ou um aspecto de confiança podem mascarar um carácter duvidoso, porque na fase da conquista cada um tenta dar a imagem mais favorável de si próprio. Mas há pequeninos quês que descobrem as carecas, por isso basta um pouco de atenção: um profiling básico pode  evitar convívios indesejáveis mesmo antes de detectar sinais mais sérios de um maluquinho em potência


 1- Mencione a sua avó, diga-lhe que foi levá-la ao médico e às compras e pergunte pela dele como quem não quer a coisa. Caso ele diga algo do género "que grande seca!" ou lhe conte que está de relações cortadas com os avós por um motivo mesquinho qualquer, fique alerta: nenhum bom rapaz é desrespeitoso com os mais velhos (mesmo que os avós tenham mau feitio ou tenham sido injustos nas partilhas são sempre dignos de respeito, mas pessoas mal formadas não percebem isso). Os avós são assim uma coisa sagrada que só pessoas com valores sólidos acham intocáveis - e nenhuma rapariga de juízo quer estar perto de um desnaturado, muito menos fazer planos com tais pessoas.


2-Pergunte-lhe o que ele pensa das leggings - daquelas de lycra. Ou de outra coisa foleira de bradar aos céus.  Se ele não souber o que é isso, óptimo; se detestar, guarde-o, é um homem de valores; se ele disser que gosta de ver nas pessoas que têm corpo para isso...bom, é um rapaz sensato e merece uma oportunidade. Mas se ele responder que adora, e com ar malandro... não pense que é só um caso de mau gosto, com a desculpa "os homens não percebem nada de moda": Tem perante si um desses "homens feministas" que não interessam a uma mulher decente. Provavelmente vai desculpar tudo quanto é mau comportamento, ter gostos muito duvidosos, achar normais os piores descalabros, defender o carácter irrepreensível das strippers, votar nas concorrentes da Casa dos Segredos  e ser amigo de meninas com mau ar e hábitos piores...need to say more? Indivíduos assim dizem-se muito liberais com as mulheres só para ter mais chances de acrescentar conquistas fáceis à sua lista. E o pior é que quando tentam assentar com uma mulher honesta e elegante continuam a comportar-se com a mesma falta de respeito que lhe mereciam as outras, por uma questão de costume. As leggings são apenas um exemplo e um pretexto para descobrir se ele é pessoa de fraca moral, capice?

3 - Fale no seu animal de estimação e veja como ele reage. Uma pessoa que não pode com animais tem pouco espírito de responsabilidade e sacrifício, além de muito provavelmente também não gostar de crianças, ou gostar delas para inglês ver (que ainda é pior e mais desonesto) nem de velhinhos, nem de plantas, nem sequer de aturar a namorada se ela tiver uma gripe,quanto mais.

4- Por falar em inglês ver, caso ele seja uma daquelas pessoas fofinhas que passam a vida a partilhar coisas amorosas de meninos doentes nas redes sociais, ou a ser muito solidário com cada caso mediático que aparece, arrebite as orelhas; depois, convide-o para uma iniciativa de solidariedade  (mas atenção, tem de ser uma que dê muito trabalho e/ou custe dinheiro e que não renda protagonismo). Se ele se esquivar...não é boa pessoa, só é politicamente correcto. E um palerma que quer dar nas vistas.

5 - A propósito de dar nas vistas, aproveite a regra das nossas avós que rezava "nos primeiros encontros, ouça mais e fale menos; deixe-o falar dele". Arme-se em jornalista, faça perguntas abertas do estilo "o que é que pensa de...? e veja o quanto ele fala efectivamente de si próprio, ou se tem a delicadeza de perguntar alguma coisa sobre si. Se a conversa é eu, eu, eu, eu tenho, eu faço, eu vou fazer, eu fiz, enfim, muita gabarolice a propósito de tudo e de nada - isto acompanhado de um clipping constante dos seus feitos (académicos, profissionais, sociais ou outros) nos social media...fuja a bom fugir, se não morreu de sono com tanto monólogo. As pessoas de maior valor são modestas; estão habituadas aos privilégios, ao êxito e às atenções, logo não procuram constante aprovação e aplauso. Lá diz o ditado "o homem que se elogia a si próprio sabe que ninguém mais o fará" - e se encontrou um desses, está perante um deslumbrado, um arrivista, um fura bolos, ou complexado inseguro, ou uma mistura disso tudo. RUN!

6- Tente perceber o seu conceito de lealdade, perguntando-lhe o que faria se um conhecido ofendesse a sua namorada ou melhor amigo. Arranje um exemplo que pareça casual. Se ele fica neutro como a Suiça, é um papalvo que não está para se maçar, um cobarde, imaturo ou pior: alguém que gosta de ter cada pé em campos opostos, de manter casos paralelos, de alimentar tricas...enfim, uma pessoa a riscar da lista. Quem é amigo de todos não pode ser amigo de ninguém - quanto mais pretendente ou coisa mais séria, Cruzes.
Não sei, este rapazinho tem assim um ar de sociopata e onde há fumo há fogo.

Se ele chumbou em algumas destas perguntas (uma só já é sinal de alarme que chegue, mas há mulheres com vocação para santas)...olho vivo e pé ligeiro.



Saias maxi: 8 dicas para usar sem medo.


As saias compridas estão presentes nas colecções e nas ruas de há uns três anos a esta parte sem que se tenham tornado uma tendência muito evidente. Porém, é natural que venham a ver-se bastante num futuro próximo: a uma moda extrema (saias e calções curtíssimos, neste caso) costuma seguir-se exactamente o contrário. Tem demorado um pouco, mas se a saia lápis já se instalou nos armários de quase toda a gente, podemos esperar que no regresso a uma certa modéstia (e aos anos 90) que temos visto, a maxi se popularize também, e não só para usar nos meses quentes...

 Até aos pés ou tea lenght, amplas ou justas, plissadas, em tartan, florais, assertoadas ao estilo Belle Époque, há variantes para todos os gostos e silhuetas.

É preciso ver, porém, que esta é uma peça divertida e romântica, mas não muito prática e que - apesar de cobrir tudo - precisa de alguns cuidados para alongar a figura e ter um ar composto.


 Dicas:

1- A não ser que seja um fã empedernida do género (gótica ou hippie, por exemplo) opte por uma saia de tecido versátil ou seja, fresco mas espesso q.b, com uma boa quantidade de algodão. Assim poderá usá-la no Verão e no Inverno, sem a desagradável sensação de ter o vento a levantar o tecido ou a chuva a colá-lo às pernas.




2- Se tem ancas arredondadas, os modelos bem forrados, de cintura subida e mais amplos na bainha são a melhor escolha para criar uma bonita figura em "S" sem alargar o que não devem. O preto é uma escolha clássica... e a mais adequada se não pretende comprar uma colecção de saias destas!




3- A cintura subida e justa q.b. é, aliás, a melhor amiga da saia maxi, porque não só dá a ilusão de uma linha esguia como evita o aspecto desleixado: a ideia é parecer romântica e elegante e não tanto saída do Woodstock. Com a cintura no lugar poupa-se ao "efeito desfraldado" (que nunca é bom mas com tanto tecido pior fica) e poderá usar mais confortavelmente  tops curtos (uma das combinações chave para a saia maxi).



4- Se não é alta, atenção à bainha: não convém que arraste pelo chão (o que além de dar cabo da saia a vai fazer parecer mais baixa do que é na realidade) mas também não deve ficar demasiado curta. O ideal é que mostre a ponta dos pés, ou optar por um modelo assimétrico, mais comprido atrás (como no exemplo acima). As versões pelo tornozelo funcionam automaticamente em raparigas altas e magras; em todas as outras poderão resultar bem mas exigem olho vivo e alguma prática para acertar na combinação.



5- O calçado é sempre a parte mais difícil: no Verão não custa nada porque a saia maxi casa lindamente com sandálias rasas estilo romano e já está, mas no Inverno é preciso pensar um bocadinho melhor para não "abafar" a figura nem parecer mascarada para o Halloween.
 Saltos médios, biqueiras nem exageradamente redondas nem demasiado pontiagudas, botins e (reservado às adolescentes ou mulheres petite de aspecto muito jovem) botas com um toque militar são boas pistas. O espelho é o melhor conselheiro, pois pretende-se um efeito longuilíneo, sempre.




6 - O perfecto de pele é uma das combinações mais interessantes de ver com saia maxi: dá um aspecto edgy e actual e mantém as proporções equilibradas.


7- Uma abertura pode dar graça à saia e torná-la menos pesada, mas se vai por aí escolha um modelo de uma marca de confiança, com um bom corte e tecido fiável. Escusado será dizer que convém manter as aberturas dentro do bom senso para não ser pior a emenda que o soneto...para saias abertas ao lado e mais soltas, podem ressuscitar-se os alfinetes adequados do tempo da outra senhora.


8- Pode parecer incrível mas uma saia até aos pés não está imune à vulgaridade ou ao aspecto barato: cores deslavadas ou néon, tecidos duvidosos e coleantes e versões "sexy" da saia  maxi andam muito por aí e são desastrosas. Se lhe lembra a Kim Kardashian, evite:






S.Tomás de Aquino dixit: vilões de bancada.



"Não se opor ao erro é aprová-lo; não defender a verdade é negá-la."

Vivemos num tempo que parece fácil, mas é muito complicado: o tempo do não te rales, o tempo do não estou para me aborrecer a não ser que isso me renda aprovação pública por parecer interventivo e fofinho, o tempo do é proibido proibir,o tempo do "vai mesmo assim", o tempo do "não se julga ninguém nem que essa pessoa faça as piores asneiras", o tempo do "se tens, exibe, nem que fique feio", o tempo da moral de elástico...uma época sem sal em que quem se atreva a ser o sal da terra (ou seja, menos fofinho e de valores vincados) é uma espécie de extra terrestre.

Afinal ir com as modas e as conveniências e deitar cá para fora aquilo que já se sabe que vai sair, à guisa de Dantas, é muito mais confortável.

 Muitos autores, entre os quais Oscar Wilde, defenderam que só os medíocres são populares. É triste mas é um facto: as massas nunca primaram pela esperteza e para ter êxito fácil e ter muitos amigos é preciso dar-lhes o que elas querem ouvir, em vez de as ensinar. E lá dizia o outro, quando o populacho se põe a pensar, está tudo perdido. Por populacho, leia-se carneirada. Para evitar essa desgraça, é preciso que nem toda a gente seja "populacho", que se atreva a raciocinar conforme sente, de acordo com os valores ancestrais que lhe incutiram, e que não vá por ali só porque o pastor mais recente brande o cajado com ar de grandes certezas.

 Recentemente um sacerdote muito sábio, que também é um grande filósofo, disse que devemos ser condescendentes com o pecador, mas intransigentes com o pecado. Pois bem, isto não é só para quem é religioso; aplica-se a qualquer pessoa bem intencionada.   Temos a obrigação de ser compreensivos com quem erra porque ninguém é perfeito, mas de ainda assim não pactuar com o erro.



  Se amigos nossos aderem a modismos reprováveis, tomam atitudes que os comprometem e nós abanamos a cabeça, achamos piada e não os avisamos, seremos melhores do que eles? Se sabemos que uma dada pessoa tem comportamentos viciosos ou corruptos mas continuamos a dar-nos com ela porque nos dá jeito, a tratá-la publicamente com consideração, a associar-nos a ela ainda que de longe, não é isso uma aprovação tácita? E se uma pessoa próxima for vítima de um ataque injusto e não a defendermos, ficando neutros como a Suiça para não melindrar ninguém...onde está a nossa fibra moral?

Não sei se é pior ser declaradamente mau ou ser um mau de bancada, que só por cobardia não faz outro tanto.

 Bem reza o povo, tão ladrão é o que vai à horta como aquele que fica à porta. A diferença é só que o ladrão que está de guarda vive na ilusão de que é honesto, por medo de se comprometer ou de se maçar. Diz-me com quem andas....




Friday, October 17, 2014

Pequena facadinha...grandes patins.



"Aquele que é fiel nas pequenas coisas
 também será fiel nas grandes"

Lucas 16:10


Uma amiga chamou-me a atenção para este interessante texto - "10 maneiras de ser infiel ao parceiro sem saber como" - da autoria de um casal que se dedica a workshops e terapia das relações.

 Na opinião dos autores, o velho adágio a ocasião faz o ladrão é o pai de todos os "pular de cerca"

  Não sei se estou totalmente de acordo com essa ideia (quem é fiel não quebra os seus votos por muito grande que a tentação seja e por muita ocasião que haja) mas subscrevo inteiramente alguns tópicos e a ideia de que "a infidelidade entra de mansinho pela porta dos fundos, geralmente mascarada de comportamentos inofensivos". 

 Se tivéssemos um euro por cada relação fantástica que é destruída por coisinhas "inocentes" e "inofensivas" não faltariam por aí milionários.

 É certo que nenhuma relação sobrevive sem confiança e que nos dias de hoje em que as pessoas têm carreiras e precisam, por exemplo, de ir a almoços de trabalho e coisas assim, mal estaríamos se a receita para a fidelidade fosse não arredar pé de junto do (a) conjugue.  
Um relacionamento não precisa de ser sufocante; se para garantir a lealdade for necessário instalar um chip de modo a saber constantemente onde o outro está e com quem, algo não bate certo.

 Mas a minha avozinha sempre me avisou para desconfiar de cavalheiros com muitas amizades femininas, estilo Manuel dos Plásticos, e creio que os mesmo vale para as mulheres...
 Comportamentos como flirtar "inocentemente", aceitar certas brincadeiras, passar muito tempo com outra pessoa (pessoal ou virtualmente) ou o pior dos piores, fazer confidências a um ombro potencialmente interesseiro, dizem muito da  faltinha de integridade de quem cai neles: "quando revela a alguém do sexo oposto os seus problemas, está a colocar-se numa posição de fragilidade. Pode parecer inofensivo. Afinal, você só precisa de um ombro para chorar. Se tem um problema, discuta-o com o seu parceiro, um parente de confiança, sacerdote ou terapeuta. Não com alguém que possa considerar isso um convite para a intimidade", avisa o artigo. E com carradas de razão.

É que se calha a pessoas assim terem a seu lado um marido/esposa/namorado (a) com pouca sorte para ter escolhido tão mal, mas que tenha dois dedos de testa e um bocadinho de dignidade, a brincadeira corre pessimamente. E depois choram com razão no ombro de quem quiserem, pois aplica-se-lhes a receita que vinha nos Maias: manda-se o traidor ou a traidora para o ombro onde andou, com um bilhetinho a dizer "guarde-o" (a). O que é muitíssimo bem feito.

  

Thursday, October 16, 2014

Nunca compreenderei as party girls.


Uma conhecida minha, prestes a casar e ter filhos, confidenciou noutro dia sentir falta das emoções, da liberdade, de sair à noite, das alegres incertezas... em suma, dos tempos de liceu e faculdade.
 Fiquei cá a pensar nisso, por um lado com certa pena dela por não a ver mais entusiasmada com esta nova aventura, por outro a considerar que - embora "assentar" não signifique deixar de ter vida social -  há um tempo para tudo na vida e que quem não se adapta está a correr atrás não sabe de que ilusão. 

  Há pessoas assim, que embora estejam bem continuam a olhar para o lado na ânsia de não sei quê que às tantas é melhor.
  Uma coisa é não deixar de sonhar, outra é a maturidade que as circunstâncias exigem e que se não se ganha, é uma constante fonte de frustração.

Eu que nunca fui uma party girl - cumpria as minhas obrigações profissionais e sociais, que começaram cedo e me faziam estar em alguns eventos, o que por sua vez fez com que nunca sentisse a ânsia de "mundo" e "liberdade" normal nessas idades - nunca percebi as raparigas que o eram. Acompanhava as minhas amigas a alguns sítios da moda e como toda a gente tenho um punhado de boas memórias, mas...as boas memórias são das raras noites que foram realmente divertidas. 

Sejamos muito honestos - isso de sair à noite é, 50% das vezes, fazer um esforço tremendo para se divertir e outras tantas, uma pessoa fingir que se diverte. Basta fazer um resumo daquilo que é "ir para a night", pelo menos aqui para as minhas bandas:

- Faz-se tempo num café ou bar qualquer até às duas da manhã, que é quando as pistas abrem, à moda de Ibiza (que tem tudo a ver com o friozinho que às vezes faz por cá e com o facto de não se estar exactamente de férias). Bebem-se cafés para ter andamento e não cabecear de sono. Quando chega a hora de ir para a dita bailação, os pés já estão massacrados de andar de um lado para o outro na calçada portuguesa com os saltos de sair.

- Chega-se ao clube ou discoteca e corre-se para o primeiro sofá disponível. Poupam-se os pés para as músicas preferidas, porque as outras não valem o sacrifício.

- Ainda bem que se conversou tudo o que se tinha a conversar nas duas horas extenuantes no bar anterior, porque a música está tão alta que ninguém percebe patavina.

- Não sei ao certo como as coisas estão agora - entretanto abriram imensos sítios com música dos anos 80 e coisas dessas, cantigas com princípio, meio e fim, que permitem dizer "não quero dançar esta, danço na próxima" - mas há uns anitos a música house era de rigueur em praticamente toda a partequem não apreciava ou fingia apreciar era parolo. O pior é que por cada hit engraçado, eram três músicas chatas de doer- por isso era ver todo o mundo, 80% do tempo,a abanar-se sem vontade nenhuma. E isto horas. Loucura!

- Vai-se beber qualquer coisa  porque ninguém aguenta tanta maçada completamente sóbrio. Esperam-se tempos esquecidos no bar. Ai os pés!

- As raparigas desafiam-se umas às outras para ir à casinha retocar a maquilhagem e descansar os ouvidos. Depois é a bela coreografia de evitar as poças de água no chão, do "empresta-me um dodot", e do "segura-me a carteira, segura-me a porta"(nunca percebi como é que as melhores discotecas se esqueciam tantas vezes de chamar o canalizador, o serralheiro para manter os trincos e os cabides e a senhora da limpeza para colocar o papel no seu lugar).

- Ao fim de umas longas horas disto tudo volta-se para casa em modo moído, com o sol a raiar (não é difícil, se as pistas nunca abrem a horas de gente) com o orvalho a empastar tudo misturado com um pivete a fumo na roupa e "ena, viva a liberdade".


 Sinceramente, não sei se é coisa para deixar assim tantas saudades...talvez isso de ser party girl seja genético. Ou a explicação para a minha indiferença é que algumas pessoas façam coisas realmente transcendentais que me escapam quando saem à noite, para sentirem tanto a falta.





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