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Sunday, March 26, 2017

O melhor conselho profissional que já ouvi.



Não é que fosse novidade. Já o tinha lido num livro americano de que falei aqui sobre conselhos para as mulheres no mundo corporativo. No entanto, é daquelas coisas a que não se presta grande atenção porque enfim, não é uma questão de currículo mas de imagem e até eu, tão bota de elástico, achei que era uma ideia um bocadinho ultrapassada em pleno século XXI.

"Prenda o cabelo". Só isso.




Lidar com a imagem das pessoas - incluindo a imagem profissional - é o meu trabalho. Mas eis a prova de que estamos sempre a aprender. E que, tal como nas questões amorosas, noutros contextos os arquétipos mais básicos, primordiais e instintivos continuam a valer imenso: a formar opiniões muito fortes e decisivas.

 Cabelo comprido, solto, brilhante, bem tratado e polido faz parte de uma boa imagem e pode valer pontos numa entrevista. Mas atenção...cabelo solto é muito feminino. Quase demasiado.  É botticelliano. É íntimo. É à vontade. 

Em certas épocas, as mulheres só desmanchavam tranças e chignons antes de se deitarem com os maridos. As bruxas soltavam o cabelo quando lançavam os seus feitiços. Por cá, as mulheres do campo usavam quase sempre o cabelo preso depois de casadas.  As judias ortodoxas cobrem o cabelo não para ficarem menos bonitas (algumas até usam perucas sobre o cabelo natural, go figure...) mas porque acreditam que o cabelo encerra um poder arrasador. Das muçulmanas todos sabemos e agora o hijab está na berra, mais por moda que outra coisa: enquanto tantas nos países mais opressores morrem por se livrarem dos lenços, nos países livres, jovens muçulmanas e conversas ou wannabes usam-no por gosto ou vaidade (e acompanham-nos de tanta maquilhagem que lá se vai a ideia de passarem despercebidas).

 Já as Católicas sempre tiveram mais sorte e foram moderadas, cobrindo o cabelo com lindos véus... mas só durante a Missa e outras  cerimónias religiosas - uma bela tradição que cumpro com o maior prazer. A ideia é imitar Nossa Senhora, apagar-se para deixar todo o protagonismo ao sacrifício no altar,  mas mais do que isso, cumprir o que dizia S. Paulo: cobrir o cabelo "por causa dos Anjos". É que não queremos anjos desconcentrados no céu a pasmar para as mulheres. Isso aconteceu uma vez no início dos tempos e não deu bom resultado, diz a Bíblia. A única Santa que costuma ser representada com o cabelo completa e orgulhosamente solto (e ruivo ticiano) é Santa Maria Madalena. E toda a gente entende porquê...

Depois já se sabe, os autores clássicos enalteciam o poder de sedução do cabelo longo e bonito.

 Cabelo solto é livre, selvagem (por muito styling que tenha levado para ficar assim....). Cabelo solto e longo é juvenil, descontraído. Um belo cabelo é sexy, pronto. E numa primeira impressão, numa primeira entrevista, o sexy, mesmo que discreto, não é o mais conveniente. Ainda que venha acompanhado de um modesto vestido por baixo do joelho. Isto pode parecer antiquado, sexista  e esquisito numa época em que mulheres super elegantes e bem sucedidas como Amal Clooney dão cartas na carreira com as suas melenas esvoaçantes. Mas enfim, Amal já se pode dar ao luxo de fazer o que lhe der na real gana.




 Aprendi isto da pior e da melhor maneira, em dois contextos diferentes. A primeira vez foi na penúltima entrevista para um cargo na área de marketing de moda em que estava mesmo interessada. Usei uns sapatos slingback Bruno Magli de salto baixo com um dos meus sheath dresses do costume, que já me tinha acompanhado noutras situações semelhantes- cinza, sob o joelho, com um pequeno decote redondo (a terminar logo abaixo da clavícula) e bastante justo, mas - prometo - super apropriado.
 Na dúvida costumo usá-lo com o blazer do mesmo conjunto, sempre com grande sucesso. É um dos meus vestidos da sorte. E como tinha feito um brushing bem conseguido pela manhã, deixei o cabelo solto sobre os ombros.

 Ora, a entrevista marcada para as dez não começou antes das onze (ou não estivéssemos nós em Portugal). E estava um calor das arábias. Impossível manter o blazer vestido sem ficar toda afogueada. Quando finalmente a responsável dos recursos humanos se dignou a vir falar comigo e com os outros candidatos (dois rapazes e quatro raparigas, para dois cargos diferentes) viu-me sem casaco e olhou para mim com uma cara que não enganava ninguém.


Pois bem, eu tenho lido por aí que é sensato não incluir retratos no currículo, pois a maioria das responsáveis de RH é mulher e costuma atirar directamente para o caixote do lixo todo o CV feminino cuja dona não seja completamente medonha ou totalmente totó. Mas sempre achei que era mito. As mulheres sempre foram fantásticas comigo e nunca tive que dizer...

Porém, esta embirrou com a minha cara. Só posso adivinhar que eu lhe lembrasse muitíssimo a sua arqui inimiga do liceu, alguma rival amorosa ou qualquer outra persona non grata, para estar tão ressabiada comigo.

 É que nem me deu hipótese: foi ultra simpática com todas as outras, e a mim só faltou
 dar-me uma dentada. Desde não me perguntar nada de relevante a não me deixar responder às questões, passando por atropelar-me sempre que podia e tentar 
encurralar-me o mais possível, valeu-me a minha lata, o meu sangue frio do costume e pensar cá comigo "espera lá que no fim conversamos". E assim foi. No final, em modo perdida por um perdida por mil mas fazer de mim parva é que tu não fazes, minha estúpida,  disse-lhe respeitosamente o que pensava. Saí dali sem vontade de voltar...e não voltei, claro- ela deve ter atirado a minha candidatura para a fogueira com o dobro da fúria, mas não foi sem troco e dei-me por satisfeita. No entanto, não perdi a lição.



Fiquei cá a pensar comigo que, sem blazer ou com blazer, talvez a reacção tivesse sido diferente se o meu cabelo tivesse um ar mais ...bom, austero. Não é à toa que as mulheres militares, as hospedeiras, as bailarinas e (noutros tempos) governantas ou preceptoras sempre prenderam o cabelo. Não se trata só de tirar as madeixas da cara - e dos olhos -  ou de parecer mais apresentável o dia todo (pois o que está bem preso não corre o risco de se despentear). 

É que quem tem o cabelo preso mostra que está em modo meaning business. Dá um aspecto de maior sobriedade e formalidade. Roupa séria com cabelo solto? Executiva sexy, às tantas. Roupa séria com cabelo sério? Se calhar esta é uma maçadora, mas como a imagem dela é tão neutra vamos focar-nos apenas naquilo que ela tem para dizer. Um homem não passa o tempo preocupado com o cabelo. E a uma mulher, no contexto profissional, pode ser útil essa atitude directa, quase varonil.




É que nunca sabemos quem está do outro lado, ou que associações de ideias (injustas) pode fazer: o chefe embirrento que não quer uma mulher frívola e vaidosa para o lugar,  o director atiradiço que fica com a ideia errada, ou a responsável de departamento ciumenta e insegura, que não quer dividir protagonismos.

Mas é claro que em Portugal não se fala tão abertamente nestes aspectos. Nisso os ingleses são bastante mais concretos e não se acanham de exigir um dress code ou um uniforme. Os portugueses insinuam, os ingleses põem tudo por escrito. Até coisas que deveriam parecer óbvias, como "no autocarro, por favor não coma alimentos com cheiros fortes nem fale alto ao telefone". Mais do que serem bem educados, eles têm pavor de se esquecerem de o ser! Portanto, é tudo mais às claras...




De modo que, quando cheguei a Londres a ver em que paravam as modas, com algumas reuniões já marcadas, fui aceite muito rápido em alguns projectos onde conheci gente incrível e uns quantos mentores. Ora, uma simpática manager russa com quem trabalhei numa iniciativa para uma conhecida marca de luxo, sabendo que eu estava a gostar da cidade e não se me daria de permanecer cá uns tempos deu-me algumas dicas, terminando com esta: "tem um óptimo currículo, uma óptima imagem e capacidades de liderança...lembre-se é de manter o cabelo preso nas primeiras entrevistas!".  Eu assim fiz...e não me dei nada mal com a abordagem. Não uso sempre o cabelo totalmente apanhado, salvo quando o dress code o exige (geralmente opto por um meio-apanhado, para garantir que fica o dia todo no lugar) mas tornei-me uma grande fã do "cabelo de serviço". E isto não se trata de machismo, sexismo ou ideias do tempo da outra senhora: são factos, são associações de ideias inerentes à natureza humana que por superficiais que pareçam, influenciam resultados.

Se ainda não fizeram a comparação, tentem usar um rabo de cavalo na vossa próxima reunião ou entrevista importante, e vejam se há diferença. Eu apostaria que sim.






Wednesday, March 22, 2017

As galdérias segundo o Tarot....e o senso comum.



Imagem via Lena das Cartas


Há dias, uma popular taróloga da TV causou enorme polémica porque recomendou a uma mulher atraiçoada que se pusesse bonita para que o marido deixasse de procurar "galdérias" na rua.

 O conselho (que até não é mau, assinale-se, desde que aplicado como preventivo e não como remédio) caiu mal: a uns, porque a vidente estaria a incentivar uma mulher a suportar caladinha as infidelidades do marido.

 A outros, porque é "machismo" as mulheres taxarem-se umas às outras de "galdérias". Um machismo perpetuado pelas próprias mulheres umas contra as outras, e mimimi.

Aos primeiros, dou-lhes razão: se um homem já fez das suas, é demasiado tarde para "remédios". Há que pôr-lhe as malinhas à porta e nem me passa pela ideia como é que alguém tem estômago para voltar a olhar na cara do infeliz, quanto mais tentar "reconquistá-lo".




Como dizem certos memes pindéricos (mas acertados) por aí...rainhas não competem com rameiras. Ou como dizia a avó, uma senhora nunca desce das suas tamancas.

 Sei que a questão pode ser mais complicada do que isso, mesmo nos dias que correm (e olhem que sou firmemente contra divórcio). 

Porém, a ideia da mais leve intromissão dá-me de tal modo volta ao estômago que não imagino outro cenário senão mandar o femeeiro das dúzias à galdéria  em causa (sim, eu digo galdéria) de forma assaz queirosiana: com um laçarote no alto da pinha e um bilhetinho colado na testa a dizer "guarde-o". Ou antes, "guarde-o sua galdéria, desesperada de uma figa, meretriz, mulher da luta: só se estraga uma casa!".




E depois tratar do assunto perante a Lei ou, no caso de casamento pela Igreja, apelar para uma eventual resolução à luz do "eu julgava que ele era um homem decente!!!!". Conheço casos de mulheres que conseguiram que o matrimónio fosse declarado nulo face a situações destas, Dura Lex, sed Lex.




Tem também andado muito pela internet a discussão à volta de esposas que, encontrando o marido com a boca na botija, resolvem o assunto, como dizem os nossos irmãos brasileiros, rodando a baiana para cima da amante, enquanto o adúltero escapa à sova de criar bicho como se tivesse sido seduzido, pobre anjinho. E dizem as mulheres (umas revestidas de um certo feminismo hipócrita, outras porque terão culpas no cartório): o marido é que deve apanhar a tareia! Ele é que deve fidelidade! Coitada da amante! Devagar com o andor.

Sou absolutamente contra cenas e circos de qualquer género, mas das duas uma: ou bem que se aborda tão triste caso com classe e sangue frio e não se espanca ninguém, ou bem que sobra para todo o mundo: o adúltero, que desrespeitou os votos, e a desavergonhada que sabendo (e não me tragam tretas, a maioria sabe e não se rala nada) anda contente e feliz achando-se irresistível, a destruir o relacionamento alheio. Ou há moralidade, ou...bem, sabem o resto.




 Uma mulher que não consegue encontrar um namorado/marido só para si e como tal, resolve o seu desespero sendo amiga do alheio, não merece solidariedade feminina, porque não demonstrou ter alguma em primeiro lugar. Não merece respeito, porque não se dá ao respeito.

 Se merece uns safanões? Sem dúvida. Não que deva levar os sopapos sozinha. São precisos dois para dançar o tango, é justo que partilhem as consequências.

A participação da galdéria não diminui a pulhice do traidor - no entanto, esta é a ideia que se defende muito agora, com desculpas do tipo "as pessoas não controlam por quem se apaixonam" (poupem-me ou, mais apropriadamente, bitch please) ou nada é errado se te faz feliz (já aqui discutimos isso). Como se já não soubessem distinguir o bem do mal!


 Não que eu esteja a apelar ao sopapo ou a defender a feia instituição do barraco.
 Só estou a julgar o merecimento e atribuição do mesmo, bem entendido! 

Haja igualdade nos direitos, nos deveres e no resto. Mas voltemos a isso de ser feio as mulheres classificarem outras de galdéria para baixo.

Judgy Bitch, um blog politicamente  incorrecto que diz umas verdades duras e que podia ter sido escrito por mim mais coisa menos coisa, partilhou há tempos uma série de textos geniais sobre esta temática. 

 Em particular,dois  artigos que explicam detalhadamente um facto que ficou na moda ter medo de admitir: ninguém gosta de serigaitas. Ou de galdérias. 





 Bom, há homens que gostam (sejamos honestos: a maioria gosta nas fases da vida em que faz disparates ou gostaria de fazer) mas apenas para diversão, em modo descartável; e admito que algumas dão excelentes personagens de ficção.
 Para não falar naquelas da vida real cujos esquemas e manobras aflitivas fazem rir, quando nos chegam via bisbilhotice. É um passatempo feio, mas adiante.



Ah, e Jesus, claro. Esquecia-me Dele. Jesus gosta de toda a gente, ama toda a gente, galdérias incluídas. Mas antes de entrarem em modo "só Deus me julgará", lembrem-se: o Divino Redentor impediu que lapidassem a mulher adúltera. Dirigiu-se à multidão que ia linchar a pobre coitada e basicamente, disse-lhes que acabassem com aquela barbaridade porque se cada um dos presentes levasse uma pedrada por pecado cometido, era uma mortandade e não sobrava pedra sobre pedra. Mas por acaso Jesus disse à doidivanas "vai, minha querida, e continua a fazer trinta por uma linha: a trair o teu marido, a desencaminhar os maridos das outras e a causar desacatos- more power to you, Ego te absolvo, etc"?. Ná. Cristo avisou-a, basicamente "por esta passa, que o susto te sirva de lição; vai e não voltes a pecar, ganha juízo e sê uma pessoa honesta de hoje em diante, etc".





Dito isto, a popularidade das destravadas morre aí. Na vida real, nos assuntos sérios, ninguém quer nada com "perdidas". (outro insulto giro e vintage) .


Diz o texto e lindamente que, por muito engraçado que seja divertir-se à custa de serigaitas e galdérias (em vários sentidos) e por muito direito que assista a cada uma de ser galdéria e serigaita, isso não deixa de ser errado, não deixa de ser contraproducente, imoral ou indesejável. 




Nenhum pai gostaria de ver a sua filha crescer para se tornar uma galdéria que anda nas bocas do mundo, e pior. Ninguém gosta de ter como amiga uma maluca que dá má fama ao grupo inteiro e que não respeita os relacionamentos alheios. Mulher alguma gosta de descobrir tais personagens na vida do marido - passada, presente ou futura.
 Nem na rede social /telefone/ grupo de amigos do namorado. Nas proximidades, enfim. Ninguém quer contratar uma funcionária ou ama que perturbe a paz doméstica (ou a da empresa) com os seus esquemas e dramas.

 Ninguém gosta de estar acompanhada num evento e ter de lidar com uma atrevida que, já com os copos, decide dirigir-se a um cavalheiro que estava quieto no seu canto, como se a legítima fosse transparente. Nenhuma mãe sonha com o dia em que o seu filho, criado com tanto esmero, lhe apresenta em casa uma criatura vulgar, vestida como uma stripper, conhecida nos piores circuitos, pedindo a sua bênção para casar.

 Quem disser o contrário, mente.



 Em última análise, as mulheres de vida airada que se oferecem gratuitamente em TODOS os sentidos do termo complicam a vida a todas as outras, porque a grande parte dos homens já nem distingue o trigo do joio e trata tudo por igual. (Meninas, apostem nos que não suportam galdérias ou pelo menos, nos que até podem divertir-se às suas custas mas preferiam morrer a apresentar tal espécime aos pais. Lá diz o ditado italiano: um cavalheiro até pode fazer o piorio, mas nunca leva uma mulher de mau porte para casa da família. Dos males, o menor.). 




Ser uma "mulher fácil" não exige qualquer mérito. Não requer ao menos lábia, esforço e uma imagem de sucesso, como aos homens. Não exige sequer beleza (a estatística comprova-o) já que para mulher descartável, qualquer coisa serve desde que não seja hedionda de meter medo. Basta aparecer e ter zero auto estima. E nem falemos no facto de a mulher estar biologicamente despreparada para ligações meramente casuais- daí parecer patética e desesperada na manhã seguinte (vejam este artigo sobre o tema que muita menina devia colar no espelho para ler todos os dias pela manhã).



 Daí a aversão social que geram. Um mulherengo é desprezível; mas ainda que seja bem parecido e bem sucedido, tem de se esforçar para acumular conquistas, ser persistente, convincente e ainda assim, sujeitar-se ao que aparece, em modo tudo o que vem à rede é peixe, e até nunca mais, sai para lá que não te conheço. Por outro lado a uma rapariga desengraçada mas fácil, não custa nada acumular, entre as suas "conquistas" de uma noite, alguns galãs de capa de revista. 

Quando se trata de assentar, de relacionamento sério, é que o jogo vira. Aí os homens já são exigentes. Lá volto ao povo, que é tão sábio: um homem diverte-se quando pode e casa quando quer; uma mulher diverte-se quando quer e casa quando pode.




É um double standard esquisito, mas não deixa de haver uma certa justiça poética na coisa. Ou um equilíbrio cósmico-antropológico.



Mas voltemos à hipocrisia feminina.




 A rapariga modernaça que prega "galdéria não se diz" e "abaixo o  slut shaming",  ficaria doida de raiva se alguma se aproximasse do seu território- por mais tranquila, por mais fiel que a cara metade seja.  E isto não tem nada a ver com insegurança, falsos pudores ou grau de atracção da esposa/namorada em causa. A mulher mais segura não gosta dessas proximidades, porque ninguém aprecia atrevimentos, invasão de espaço ou falta de respeito...

Aliás, acrescenta o artigo e bem:as pobres galdérias são tão mal amadas que nem elas se suportam entre si. Ninguém gosta de galdérias, nem mesmo as próprias galdérias!



Não só por competirem entre si, mas porque são espelhos das suas próprias atitudes e fraquezas.

Outro post de Judgy Bitch espanca também isso do  slut shaming: o modismo que reza que é horrível envergonhar-se uma mulher pela sua conduta "amorosa" (salvo seja). E responde lindamente à questão. Como se combateu o tabagismo de há uns tempos para cá? Envergonhando quem fuma, desmerecendo o hábito, mostrando as desagradáveis consequências e os perigos do mesmo, apontando os fumadores a dedo. Caça às bruxas? Exagero? 




Talvez, mas tem sido eficaz, limitado o problema e pelo menos, alertado consciências. O "shame on you", o apontar de dedos, é cruel mas funciona. Não há nada de necessariamente mau em levantar a lebre, em dizer "esperem lá - este comportamento não é correcto. Isto é inaceitável! Estas pessoas precisam de ajuda, mas primeiro é necessário reconhecer o problema".

 O resto fica com a liberdade de cada um. Liberdade para fazer o que dá na telha, mas responsabilidade para não andar depois a chorar pelos cantos, a lamuriar " todos me julgam! Nenhum homem me quer para relacionamento sério e as mulheres não querem ser minhas amigas! Os homens são uns cobardes aproveitadores e as mulheres uma cambada de invejosas!" . Ok, continuem a convencer-se disso em vez de arranjarem um niquinho de dignidade. Está a funcionar lindamente.



A "independência" e a liberdade cada vez mais se confundem com libertinagem. Igualmente esquecida anda a noção de que a liberdade para fazer doidices termina onde começa a liberdade alheia- que inclui a de julgar comportamentos ou de classificar as pessoas pelos nomes. Não é preciso ler as cartas do Tarot para perceber isso.

Desculpar gente ruim em nome do "inglês ver"? Não obrigada.










































Saturday, March 11, 2017

As coisas que eu ouço: ele não está interessado, sua pateta.




Aqui há tempos travei breve conhecimento com uma simpática e esperta rapariga parisiense, responsável de boutique numa célebre marca de luxo. 
Tal como eu, ela tinha- se mudado recentemente para Londres. 
 Engraçámos uma com a outra e como me cruzava com ela nos intervalos, às vezes conversávamos um pouco. Certa vez notei-a triste e atrevi-me  a perguntar o que a incomodava. "Bom..." respondeu um pouco atrapalhada, sem deixar de olhar para o telemóvel. "É este rapaz de quem eu gosto. Convidei-o para jantar um quiche em minha casa mas ele está a desculpar-se que hoje não pode...". 




E lá continuou a tentar convencer o convidado relutante, perguntando se ele não dava um jeito de aparecer nem que fosse mais tarde, pois já tinha o quiche meio feito.
 Vocês que já me conhecem podem imaginar o que me passou pela cabeça, e como me foi difícil morder a língua. Mas dominei-me como pude e tentei perceber a estória, só para constatar o óbvio: o mancebo não estava lá muito interessado, e a minha nova amiga
andava  a virar-se do avesso para tentar conquistar o coração de Sua Excelência nem que fosse pelo estômago. Pobre pequena! 



Fiquei-me a olhar para ela. Ora ali estava uma jovem com formação superior, bem sucedida e pelos vistos prendada na cozinha. Uma rapariga que não tinha pensado duas vezes em mudar-se para o outro lado do Canal da Mancha sozinha pela sua carreira. Não era uma estampa de mulher, mas tinha uma aparência agradável que, com outro visual e uma dose de autoconfiança, podia ganhar uns quantos admiradores. Em suma, eis uma jovem com qualidades para fazer a felicidade de um homem, mas que estava a agir de uma maneira totalmente desesperada. A dar tudo de bandeja - passe o trocadilho. E com isto, lá se foi a minha fé na famosa coquetterie das mulheres francesas. 



Não precisava de conhecer o rapaz em causa para perceber que se tinha assustado perante tanta facilidade e tanta solicitude. Se calhar, ela tinha tido sorte: outro que ele fosse, teria tirado partido do convite, comido o quiche, aproveitado tudo o resto, e desaparecido no nevoeiro. 

Não aguentei e fiz por lhe mostrar a luz: oh menina...mal empregadinha ceia!

 Não me leve a mal mas os homens não funcionam bem assim...ele é que a devia ter convidado para jantar, só é suposto nós retribuirmos muito mais tarde. Não há quiches para quem ainda não provou ser digno do nosso esforço e bla bla bla. Convide as suas amigas para dar conta da tarte e não pense mais no caso, que se ele estiver interessado trata de a compensar.

Isto posto de uma forma mais delicada, claro: lá lhe tentei, em duas ou três frases, resumir o que digo tanta vez. Que eles apreciam o mistério, a conquista, caçar, cortejar, provar do que são capazes. Que o  que é fácil só lhes interessa em modo pastilha elástica, e às vezes nem isso;  que a mulher que se
atira a  um homem acaba sempre aos pés dele; e que eles gostam das raparigas conscientes do seu valor, daquelas  que não se deixam tratar como segunda escolha e estabelecem, desde o início, padrões elevados no relacionamento. Vulgo, se quer falar, desembucha primeiro; se quer sair, convida com tempo e horas e organiza um encontro como deve ser; e mais importante,  não há envolvimentos sem compromisso. Quem quer brincadeiras, que vá bater a outra porta,que portas escancaradas não faltam nestes tempos ruins. 

Isto porque quando um homem quer uma mulher, perde o apetite, o sono, cancela o que for preciso, pinta-se de ouro, faz piruetas...
em suma, nem o diabo o impede.
Mas quando não quer, tanto faz correr como saltar. 

Simples. Não há áreas cinzentas. Não é exactamente física quântica.



Pois sim: não sei se olhou para mim como se lhe tivesse dado a novidade mais estranha deste mundo ou como se a sua avozinha tivesse ressuscitado para lhe puxar as orelhas (aposto na segunda hipótese). Ficou obviamente desconfortável e acabrunhada; acho que só não se ofendeu porque era realmente uma moça amorosa, incapaz de retaliar com um "está a acusar-me de ser oferecida?". Mas estava, embora não de uma maneira maldosa. 

Há dias li finalmente o clássico "He´s just not that into you" que nos anos 90 (junto com o famoso "As Regras") foi dos poucos livros a dar que pensar às mulheres sobre estas coisas.




 E de facto é uma pérola, muito mais bem apanhado do que eu julgava e recheado dos melhores conselhos sobre a matéria, ou não fosse quase todo escrito por um homem, que sabe como eles pensam.




 Deu filme mas o livro é de ler, sublinhar e passar às amigas, a ver se um bocado de juízo entra naquelas cabeças tontas e armadas em modernas. Só um resumo do primeiro capítulo, colado no frigorífico de certas meninas e mulheres, poupava muita lágrima, muito suspiro, muita noite em branco e acima de tudo, muita mancha no currículo deles e delas.

Vide:




Falou como um livro aberto. Apre que não há paciência para tanto masoquismo. Bless their hearts.

Saturday, February 25, 2017

Gravidez não é desculpa.

Mosquiteiro na cabeça e lingerie escolhida às escuras...
hormona da pinderiquice em amok.


Quando há dias me chegaram ao feed de noticias aqueles retratos medonhos da Beyonce embarazada de gémeos em preparos pseudo renascentistas, pensei, acto continuo: zás, temo-la bonita. 
Agora é que vai ser um fartar vilanagem de imitações baratas.

Isto porque, como imaginam, se a Beyonce pode, o serigaitedo vai todo atrás. Se for preciso até larga a manutenção das unhas de gel, deixa a aula de afro latinas a meio e esquece "o comer" a torrar na Bimby (ignoro se a Bimby queima a comida, desculpem...) para chegar ao fotógrafo de esquina mais próximo antes das outras grávidas suas "migas".





 Em boa verdade, não será muito justo chamar imitações baratas aos humildes books-sensuais-para-gestantes que tentem, de futuro, imitar a "Queen Bey": o original, fora um ou outro dos retratos aquáticos, já grita que chegue "Foto Pires, casamentos, baptizados e books fotográficos".

O que interessa para o caso é que este tipo de "produção", que tem proliferado por ai a despir certo femeaço em estado de graça (estado esse amiúde fruto de relações casuais e/ou disfuncionais, assinale-se...) já era mau que chegasse sem a ajuda de uma celebridade toldada das hormonas. Que isto, Beyonce numas alturas até tem bom gosto, noutras nem por isso, mas tenho para mim que em muita mulher de esperanças a hormona da pinderiquice se desarranja em modo turbo.



Oh mulher, deixe o estendal da roupa em paz, olhe que vira dai abaixo.


Claro que para isso,  é necessário que tal hormona já lá esteja, ainda que em menor grau. Não creio que  a gestação, só por si, transforme pessoas de bom senso e de gosto em pindéricas, desleixadas ou alminhas sem noção do ridículo.

Mas quando às emoções exacerbadas por um organismo em mutação se junta a normalização do mau exemplo (através dos media e das redes sociais) mais alguma ociosidade, péssimas companhias, um pai da criança ausente ou banana/trouxa, falta de sensatez de familiares e vontade de dar nas vistas, o resultado pode ser explosivo em quem tenha a menor condescendência ou tendência para pôr o pé no chinelo.

Em quem já é naturalmente parolinha, é uma tragédia. Em quem até não é muito, mas tolera, pode ser um pequeno apocalipse. 




 Sabem aquela vossa conhecida que enfim, não era nenhum prodígio de sofisticação mas pronto, até passava por uma uma rapariga normal e discreta...e que assim que soube que ia ser mãe, ficou mucho loca e passou a dizer, fazer e postar tais barbaridades, tais foleiradas, que vocês lhe deixaram de falar assim à francesa e foi mesmo só para não dizer na cara o que ela merecia ouvir, porque cai mal ser má para quem esta de barrigão? Provavelmente sofreu dessa combinação de factores.



Longe vão os tempos em que Grace Kelly cobria pudicamente a barriga com a carteira Hermes que por causa disso, ficaria conhecida como Kelly Bag. Bons tempos idos em que esse era o único comportamento considerado aceitável!


No entanto, volto a dizer -e isto porque entre as amigas seguidoras cá do salão quem ainda não teve pequenos, está  para ter ou conhece quem esteja- gravidez não é desculpa, tal como não é doença. E convém que as pessoas sensatas e de gosto não sejam permissivas (nem consigo mesmas, Credo, nem com quem as rodeia) em relação a tais comportamentos.

Ponto 1»»»» Gravidez não é desculpa para se despir em publico -dito. Se não o fazem em estado normal, a prenhez *vamos cá usar o termo técnico* não é pretexto para inocentar a maluqueira, nem tem poderes mágicos para tornar elegante o que é de mau gosto.




 Se por outro lado já o costumam fazer e se, enfim, acham giro
exibirem-se de bikini ou menos nos instagrams da vida, se calhar o estado de graça até é assim um avisozito para ganharem um bocadinho de sensatez.

 Com certa ressalva feita a modelos profissionais ou atletas (algumas das quais se dedicam a promover a boa forma na gravidez)  não há desculpa para isso e na maioria dos casos, o resultado é tão ridículo que mais vale abrandar mesmo.


Mas deixemos a sensualidade e os books, de que já se tratou amplamente noutro texto, e foquemo-nos simplesmente nas selfies e outros retratos de barriga tirados na privacidade do lar para logo a seguir serem expostos na falta de privacidade dos social media... e nas citações e memes disparatados alusivos à gestação partilhados de minuto a minuto, enquanto amigos, parentes e conhecidos imploram por misericórdia




Isto porque...Ponto 2»»»»»»»» gravidez também não e desculpa para deixar de ter vida própria, nem para se tornar maçadora e ridícula!

Vou usar um exemplo super transversal e popular, que agrada mais ou menos a gregos e troianos: a Duquesa de Cambridge que é muito admirada, paradoxalmente, pelo mulherio de comportamento menos principesco. (Talvez por ter *blhec para o termo e a ideia* "subido na vida" ?). 



Anyway, ela porta-se lindamente. Mirem se nela: quantos retratos de esperanças divulgou a Duquesa? Se calhar um para anunciar a boa nova ou nem isso, já não me recordo. Tudo o resto foi captado em situações casuais, em público e vestida, claro. Provavelmente tirou imensas selfies à medida que o ventre ia crescendo, mais uns retratos com o marido na intimidade do lar, como qualquer mortal,  mas guardou isso tudo numas coisas amorosas que se vendem nas papelarias e na Amazon, chamadas Diários de bebé. 




Esses livrinhos fofos servem para isso mesmo, para registar cada medida, cada enjoo, cada apetite, cada mudança de humor, cada retrato tirado nas cinco, seis, sete semanas e meia de gestação, enfim, para escrever e colar cada insignificância que ao bebezinho diga respeito. Sabem, aqueles detalhes  que encantam os pais e quando muito, avós e tios, mas que não interessam minimamente ao resto do planeta, por muito feliz que toda a gente fique por vir mais um ser ao mundo.

 No limite, existem umas coisas simpáticas chamadas definições de privacidade no facebook, que permitem criar um álbum privado. E outra coisa que se chama Pinterest, onde se podem reunir todos os memes e imagens que derem na gana da mãe e que só serão vistos, se públicos, por quem procura conteúdo semelhante, ou seja, outras grávidas com muito tempo livre.



 Mas não...parece que muita gente não só desiste, assim que o teste de gravidez mostra duas linhas cor de rosa, de ter vida própria, como sente uma necessidade imperiosa de mostrar ao mundo que deixou de ter hobbies, carreira, amizades e mesmo quando é o caso, casamento. 





 De repente, aquela pessoa passa a ser unicamente uma mulher grávida e sem noção de que publicações sobre enjoos, desejos, barrigas peludas *blhec, estar gravida não exclui o uso de cera, acho* idas à retrete e engorda *já lá vamos*, fora outras intimidades, podem não ser agradáveis de ver. 
  Algumas parecem até fazer questão de ser um bocadinho repugnantes nas suas descrições: descrevem orgulhosamente azias, inchaços e maleitas piores como se fossem medalhas de bravura. Isto quando não substituem o retrato de perfil nas redes sociais por uma barriga gigante, a ver se quem ainda não reparou, como se fosse possível, fica bem informado. Ou seja, gritam ao mundo que são meras hospedeiras de um pobre inocente, e o mundo reza pelo futuro do infeliz que vai ser tão mal criado.



Contra tais histerias falou e lindamente, há poucos anos, a defunta prima e grande amiga da Rainha Isabel II, Margaret Rhodes. Quando questionada por uma jornalista americana cheia de chiliques se estava entusiasmada com o nascimento do pequeno Príncipe George, a velha fidalga respondeu, com carradas de bom senso, "nem por isso". "Sabe, toda a gente tem bebés. É adorável, mas não fico eufórica com o assunto". Fleuma inglesa? Humor de salão? Descaso elegante? Ou simplesmente a atitude serena de quem já viveu muito e se dá ao luxo não só de relativizar, mas de o dizer sem papas na língua? Em todo o caso, estava coberta de razão.

Depois,  nem falemos das mães solteiras com as suas máximas sobre "mães guerreiras". Se criar um filho sozinha não e o estigma social de outros tempos, também não e motivo de comemoração, e por aí me fico que isso e assunto para um post bem extenso noutro dia.
 Discrição cabe em toda a parte, sempre, nos bons e maus momentos.

 FINALMENTE, VAMOS AO...




Ponto 3»»»»»» gravidez  não é desculpa para engordar à vontadinha. Muito menos para uma mulher se lamuriar de engordar constantemente aos amigos, a ver se pesca elogios, quando a culpa é muitas vezes só sua.




 Ou para atacar as mulheres que se preocupam e que, com mais ou menos sorte genética, mantêm ou recuperam rapidamente uma bonita silhueta, em modo "se engordei, tem tudo de engordar". Tão pouco para deitar as culpas ao pobre ser que ainda nem veio ao mundo, principalmente se toda a vida se foi preguiçosa. Nem para acabrunhar o mundo com ideias deprimentes do tipo "ficar feia por um filho é um testemunho de amor". Façamos um estribilho, a ver se o mantra fica na ideia: isso não é valente, não é comovente, é simplesmente deprimente. Deprimente. Deprimente.




Até há um movimento internacional de "fit moms", chamado precisamente No Excuse. Quem aumentou de peso, o que tem a fazer é tentar recuperar a forma sem lamentos ou, se até não se importa, viver alegre e feliz e deixar as outras.


Grace Kelly


Long story short, a gestação, como qualquer outra fase ou situação da vida, deve ser levada a cabo com elegância. Elegância na imagem, nos modos, nas atitudes, nas palavras, nas redes sociais, em coisas tão simples como ter a delicadeza de evitar maçar os outros 
contando que eles não retaliem porque não se pode dizer duas verdades a uma grávida. A fecundação de um óvulo não destrói a racionalidade e bom senso feminino. O resto resume-se a desculpas esfarrapadas.


 E lá porque o mundo se tornou complacente com muito disparate, não quer dizer que todas tenham de correr atrás, desculpando comportamentos desagradáveis só porque estão associados a vinda de um bebé. Mais do que nunca, aplica-se a máxima "elegância vem de berço". Ou ainda antes de o berço estar ocupado...




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