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Sunday, April 19, 2015

Mulheres imprudentes: o flagelo da própria casa



Bem reza o provérbio, "a mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata derruba-a com as próprias mãos". 

Actualmente a maioria de nós possui instrução, liberdade, independência...mas  uma mulher prudente, discreta, sensata e sábia continua a ser motivo de elogio. A Prudência é outra daquelas palavras que quanto mais necessária é, mais fora de moda se torna.

Talvez isso tenha a ver com o facto de inteligência e sabedoria serem tidas como dados adquiridos só porque se estudou um bocadinho. "Fulana é psicóloga, não pode ser parva nenhuma". "Ela é advogada...deve ser inteligente!"..."sicrana gosta de falar sobre arte...então deve ser culta". Isto nem sempre é verdade, tanto pelo facilitismo que grassa por aí como por a ambição ajudar muito. 

 Porém, a falta de prudência é uma coisa muito democrática: atinge as desmioladas, as chicas -espertas e as mulheres realmente dotadas, as cultas e menos cultas, as que vivem dos rendimentos e as que trabalham, as mais independentes ou menos, mais velhas e mais novas. É uma epidemia.

 Curiosamente, nos dias que correm a imprudência tende a surgir com mais gravidade (ou será apenas maior o contraste?) nas mulheres muito ocupadas e ambiciosas, talvez porque lhes sobra pouco tempo para se voltarem para dentro

Conheço imensas - algumas bastante espertas, com feitos académicos e/ou carreiras razoavelmente bem sucedidas -  que durante o dia se dedicam ao seu negócio, às suas investigações, ao seu emprego, à política, à cultura. Isso está muito bem. O pior é que algumas dessas mulheres também chamam a si a responsabilidade de uma família, esquecendo que ela não é uma planta que se rega uma vez por dia e já está. Compraram o mito "podemos ter tudo" esquecendo que ter tudo exige disciplina e sensatez.

 E mal saem do seu escritório/loja/empresa, ei-las sentadas nas redes sociais a debitar política, economia, injustiças sociais, ou a aderir a seitas espirituais duvidosas partilhando mensagens de paz e amor, sem reparar no que se passa dentro da própria casa. Não conheço uma única dentro deste género que não "deseduque" os filhos  assim, não se importando minimamente com as figuras que os seus rebentos fazem, quando não são totalmente negligentes. 


Estão mais preocupadas com o alinhamento dos chakras ou as gaffes do Primeiro Ministro do que em agir onde realmente podem fazer a diferença: junto dos seres humanos sob sua responsabilidade. O que não abona sequer a favor da imagem pública que pretendem criar...

 Obviamente a  educação nunca é exclusivamente responsabilidade feminina, mas haverá maior influência, particularmente junto das filhas, do que a  própria mãe? Aí entra a "contribuição" masculina: não conheço nenhuma mulher deste estilo que não seja casada com um homem fraco, que deixa a casa desgovernar-se a bel talante e a quem a mulher manda calar em público, se preciso for, desautorizando-o perante quem está.


  À falta de uma mulher sensata, ao menos que haja um homem razoável, capaz de serenar os ânimos, segurar as pontas e pôr ordem na prole. Mas é muito raro que um homem varonil se entusiasme por uma mulher assim, ou que uma mulher insensata procure quem a possa guiar pelo bom caminho. Qual! Isso seria privá-la dos gurus, da política e do resto e obrigá-las a moderar-se, coisa que para elas é kryptonite...



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Saturday, April 18, 2015

4 tipos de pessoas que testam a paciência a um Santo


A máxima "esforça-te por suportar com paciência os defeitos e fraquezas alheias; também os outros terão muito que suportar de ti" é muito sensata. Qualquer pessoa que deseje aperfeiçoar-se deve tentar exercitá-la diariamente.
   Porém, há almas tão complicadas que se tornam um verdadeiro desafio, quanto mais não seja por serem muito numerosas e aparecerem com frequência. Haverá outras bem piores, mas se conseguirmos lidar diplomaticamente com estes quatro tipos, quer-me parecer que já se alcançou algum mérito. Há que ter paciência, porque nunca se sabe se elas surgem com o único propósito de nos purificar dos pecados (ou se preferirem, de nos fazer pagar karmas). 

1- As que não entendem que NÃO é NÃO, 
obrigando-nos a ser desagradáveis. A persistência pode levar a muita coisa na vida, mas não é pressionando os outros (principalmente quando não se conhecem de parte nenhuma) que se dá uma boa imagem de si próprio. Se as pessoas já recusaram de vários modos a proposta fabulosa de mudança de tarifário/convite para aderir a uma causa/pedido de amizade nas redes sociais/galanteio/ whatever, é altura de partir para outra. Há uma linha que separa o persistente do sinistro.



2- As que NUNCA atendem o telefone quando lhes ligamos...apenas para nos telefonarem dali a pouco, quando temos outra chamada em linha ou as mãos ocupadas. E isto sempre -parece que fizeram um voto ou coisa assim. Nessa altura insistem até à exaustão, obrigando-nos a desligar a outra chamada que por acaso é prioritária/largar tudo o que estamos a fazer. Pior ainda, às vezes quando finalmente podemos pegar no telefone a chamada já se desligou e o processo repete-se.



3- Os conselheiros de serviço: geralmente são interesseiros de qualquer ordem que chegam a um grupo de amigos, projecto, banda de música ou o que seja e, sem que se lhes tenha dado aval ou confiança para isso, começam a tomar intimidades e ares de autoridade. Eles é que sabem o que é melhor para fulano, para o grupo, para a causa. Daí a "dividirem para reinar" é um pulo: cheios de peçonha e mel, começam a semear a discórdia, a separar casais, a arranjar intrigas, a sabotar tarefas, a ser desagradáveis para as pessoas que já lá estavam antes e que a) estão no seu caminho para o topo b)não se deixam enganar pelas suas falsas simpatias. Creepy.


4- "Amigos" invejosos: quem nunca tropeçou num destes, pode dar-se por feliz. Por qualquer razão, todos costumam ter um trauma em comum: o sentimento de entitlement. Acham que tudo lhes é devido e odeiam o mundo por não terem nascido com um pai rico, dezenas de pretendentes aos pés e tudo dado de bandeja, por isso qualquer coisinha que os outros tenham já lhes faz confusão - como se a vida alheia fosse perfeita. Eles são sempre as grandes vítimas mas pouco fazem para sair do sítio, porque lá no fundo ADORAM queixar-se e divertem-se com o drama, que é a única coisa emocionante na sua existência. A início podem aproveitar as vantagens desta ou daquela amizade: ou porque fulana tem contactos, ou beltrano tem recursos, ou sicrano tem acesso a bilhetes gratuitos, descontos e convites, etc. Mas com o tempo, assistir àquilo que acham ser a "boa fortuna" dos amigos torna-se demasiado para suportar, o ressabiamento dá de si e desatam a ser maus, rancorosos e agressivos. Resumindo: ou uma pessoa perde a paciência com eles, ou os invejosos tratam de arranjar um pretexto para se zangarem. Nunca acaba bem.


 Resumindo: Haja tolerância, que é um dever de humanidade, mas firmeza também...

Friday, April 17, 2015

5 personalidades que teriam blogs a não perder #1


O fenómeno da blogosfera permitiu que escritores talentosos saíssem do anonimato, que as celebridades ficassem mais perto dos seus fãs e que numerosas it girls e gurus de estilo ganhassem protagonismo. Sabendo que muitas figuras da política, sociedade e literatura deixaram trabalho escrito (e decerto, algum por publicar) podemos imaginar que, vivessem hoje, não deixariam de ter uma forte presença virtual. Afinal, quem escreve sabe que o que às vezes fica numa gaveta como rascunho para um livro ou conto, pode dar excelentes posts na linguagem mais breve (e possível de editar ou actualizar a qualquer momento) de um blog.

Sem dúvida estas personalidades teriam muitos seguidores, eu incluída. Haverá muitos mais, em várias categorias (a blogger escandalosa, o blogger rock star, o blogger de política...) mas comecemos pelos primeiros 5 que me ocorreram: 

1 - Beau Brummel, o guru de estilo masculino

Considerado o cúmulo da elegância no período da Regência em Inglaterra, Beau Brummel, o dandi dos dandis, foi tão influente que algumas das suas ideias quanto ao vestuário masculino ainda perduram. Os homens devem-lhe muito do traço do fato actual, revolucionado (e simplificado) por este ícone de moda no movimento que passou à história como "A Grande Renúncia Masculina". Hoje, continuaria a dar cartas e ia decerto incendiar o Lookbook. Brummel também tinha mau feitio, e sem dúvida as suas picardias com outros famosos alimentariam muito sururu nas redes sociais: embora tivesse origens modestas e andasse constantemente aflito de dinheiro graças ao seu estilo de vida luxuoso, era tão arrogante que teve o topete de insultar o Príncipe Regente, chamando-lhe "gordo" na cara. Que seria na era do Twitter!


2 - Lina Cavalieri, a it girl e beauty blogger

Considerada a "mulher mais deslumbrante do mundo" (com justiça, eu acho) a vendedeira de flores que foi actriz, cantora lírica, it girl e princesa dedicou-se, no fim da sua carreira, a uma coluna de beleza nos jornais. Até escreveu um livro sobre o assunto, que ainda hoje é um sucesso de vendas. Entre  dicas de maquilhagem e partilhas no Instagram das suas toilettes,  presença em festas e maridos célebres e os milhões de visualizações dos seus tutoriais no Youtube, podemos facilmente imaginar o triunfo...


3 - Lord Byron, o blogger de viagens

Figura incontornável do Romantismo, o belo Lord Byron teve uma vida tumultuosa, assombrada pelas maldições e esquisitices da sua família. Amantes, excessos, corações partidos, drogas e escândalos contribuíram para o mito de poeta genial, mas atormentado. Para lidar com os seus demónios interiores Byron viajava incansavelmente, escrevendo aos seus amigos com descrições ora encantadoras, ora sarcásticas daquilo que via pelo caminho. De Lisboa e Sintra, que adorou, disse "estou muito feliz aqui, pois adoro laranjas" e relatou como aprendia os palavrões dos fidalgos do tempo. Blogs de viagens não me dizem muito, mas o de Lord Byron seria soberbo, decerto.


4 - Sãozinha da Abrigada, a blogger Católica

O relato da vida desta virtuosa menina de boa sociedade que morreu de tifo aos 17 anos e deixou o legado de várias obras solidárias deu um curioso livro escrito pela sua mãe, testemunho do estilo de vida no Portugal dos anos 30 que não só relata as impressões íntimas da família como as festas, modas e hábitos do tempo. Sempre achei muita graça, por exemplo, ao facto de a considerarem "santinha" e "antiquada" por, ao contrário das raparigas da sua idade, ter vergonha de usar "fato de malha" (fato de banho) na praia, o que lhe valeu fazerem-lhe o estribilho: lá vai a São/embrulhada no roupão. Actualmente em processo de beatificação, no seu tempo de vida Sãozinha mostrava uma sensibilidade fora do comum e uma maneira singular de pensar e escrever. Como mantinha livrinhos de notas, não seria estranho que escrevesse um blog de virtudes femininas onde registasse as suas impressões, do estilo "os meus paizinhos, julgando dar-me grande presente levaram-me ao Casino do Estoril. Se lá fui com pouca vontade, com muito menos fiquei de lá voltar...".

5 - Eça de Queiroz, o blogger de sociedade

É quase escusado explicar esta: não só o genial romancista deixou para trás trabalho inacabado e rascunhos que casavam lindamente com o formato de um blog, como as suas crónicas de costumes e a forma acutilante como retratava um Conselheiro Acácio, um Dâmaso, uma Luizinha deixam entrever viciantes posts a alfinetar tudo e todos, sempre no propósito de edificar e polir os portugueses, nem que fosse "à bordoada". Provavelmente escreveria sob o pseudónimo João da Ega e o blog chamar-se-ia As Memórias de um Átomo ou a Corneta do Diabo. Também consigo imaginar que muitas mulheres não apreciariam o modo como ele as ia criticar: da forma de caminhar ao carácter, passando pelas toilettes "aburguesadas, pouco frescas e honestas" haveria decerto quem o tratasse de machista para baixo, ao que ele responderia, só para as arreliar, "que o dever de uma mulher era cozinhar bem, amar bem, ser bela e ser estúpida". Só as Marias Eduardas da vida iam escapar. Memórias de um Átomo ia gerar um buzz incrível...e ser chic a valer, de certeza.

Sexismo ou senso comum?


Michael Bublé (cuja carreira não acompanho mas reconheço, canta deliciosamente bem) tem sido duramente criticado nas redes sociais (e pelos média melindrosos da praxe). Em causa está ter publicado no Instagram, com um comentário jocoso, um retrato que a esposa lhe tirou num restaurante de fast-food qualquer e no qual aparece ao fundo, estilo adereço, a mulher semi vestida que estava à sua frente na fila.

Apesar de a jovem (?) em causa estar de costas e não se identificar, as pessoas ficaram muito zangadas. 

Talvez porque não se espera tal coisa de Michael Bublé (que tem cultivado, parece-me, uma imagem de cavalheiro) ou porque as pessoas andam cada vez mais tolerantes com todas as subversões mas pouco tolerantes quando se trata de lhes  apontarem as figuras que fazem, os internautas arvoraram de imediato as bandeiras do costume: sexismo, objectificação, slut shaming. Aqui d´El Rei, que a rapariga não deu o seu consentimento para aparecer nesses preparos no Instagram de uma celebridade! Nenhuma mulher merece isso, nem que ande despida em público! É uma forma de agressão, etc.

 Eu não digo que seja ético - ou de bom gosto, de resto - fotografar os outros à socapa só porque estão vestidos de forma pouco apropriada (e sim, gostem ou não ela está vestida de forma pouco apropriada para qualquer sítio que não seja a própria casa, a praia, o palco, a piscina ou no limite, o ginásio). Quando tenho a pouca sorte de ver coisas menos correctas a minha vontade não é 
eternizá-las ou partilhá-las. Em muitos casos sinto o meu sentido estético agredido e tenho pena que as mulheres usem a liberdade de que dispõem para se apresentarem ao mundo de uma forma que não as dignifica, chamando a atenção grosseira de estranhos.

  No mínimo, quem vai assim para a rua não pretende ser notada por outra coisa que não as suas formas, nem passar incógnita. Poderá não o fazer "por mal" ou apenas porque "gosta da roupa" mas SABE que vai dar nas vistas. A partir do momento em que algo é exposto em público, sujeita-se ao bom e ao mau julgamento (embora eu não veja o que possa haver de "bom "em receber piropos desagradáveis, mas cada uma sabe de si). E, como qualquer assunto/pessoa/coisa que esteja em evidência, arrisca-se a ser alvo de ditos, raciocínios, piadas e brincadeiras, não necessariamente de teor justo ou correcto.

Não se pode controlar as reacções dos outros; apenas temos poder sobre as nossas escolhas, que por sua vez vão orientar a maior parte das reacções alheias (ressalve-se que há sempre loucos e gente maldosa e quanto a esses, ninguém está seguro).

Se nos mascararmos no Carnaval e ninguém notar que estamos fantasiados, falhámos o objectivo; mas se nos vestirmos de palhaço num dia normal, temos o direito de nos ofender porque dizem na rua "olhe mãe, um palhaço?" Ou porque nos fotografam pelas costas para publicar no Facebook com a legenda "cada palhacito que me aparece?". Quem aponta pode não estar a ser muito bem educado, mas fala verdade...

O problema é que para algumas mulheres, a vida é um Carnaval. Se passar um dia que ninguém dê por elas ou em que sejam elogiadas "só" por terem uma cara engraçada, ou por serem competentes no seu trabalho/boas pessoas/etc, a sua auto estima vai pelo cano abaixo.

 Por isso, parece-me que no máximo o cantor poderá ser acusado de uma brincadeira tola, mas sexismo? Se um homem for ao McDonald´s sem calças, será notado de certeza. 

Sexismo será se uma mulher veste discretamente, está quieta no seu canto, não corresponde a qualquer tipo de flirt e mesmo assim é incomodada. Tudo o resto, como qualquer liberdade, exige senso comum.

  



Thursday, April 16, 2015

Não há "amor indolor"



"Quem quer amar verdadeiramente não pode fazer o juramento de não sofrer. Se pararmos para pensar, as pessoas que realmente nos amam são aquelas que sofreram por nós".


A frase acima poderia servir de update ao velhinho dito do povo "quem se aventura a amar, aventura-se a sofrer".

Actualmente vendem-nos muito a ideia bem intencionada e new age de que o verdadeiro amor, o amor "saudável" (seja o amor "da alma gémea" ou outros afectos) é isento de sofrimento; que é fácil, simples, flui naturalmente e tudo é um mar de rosas.

E até certo ponto, isso não deixa de ser verdade: quem ama, quer o bem do outro. Não manipula, não entra em "jogos" desnecessários, não faz a pessoa de quem gosta infeliz deliberada e prolongadamente, sabe perdoar, reconsidera, cede. 

 Mas somos humanos, sujeitos a mil erros. E muitas vezes, mesmo amando de todo o coração, os humanos têm o feio hábito de desgostar as pessoas que são importantes para eles. Até o amor entre pais e filhos, que deve ser incondicional, está sujeito à falha humana - por isso se diz que as mães são as maiores sofredoras. Que não serão então os outros amores!

O amor, pela sua própria natureza, é fonte de ansiedades. Se não há ansiedade, não há amor.

 A partir do primeiro instante em que se deixam cair as defesas e começa a sina de "importar-se com", nascem os pequenos sofrimentos, o tal contentamento descontente, a dorzinha que desatina sem doer ou, como dizia Octave Mirbeau, o sofrimento que também é voluptuosidade: a insegurança, o receio, o ciúme, etc.


 Se a pessoa em causa não desperta a mínima comoção...os amores mornos, de papelão, não fazem sofrer, mas também não provocam sensação alguma.

 A partir do instante em que gostamos de alguém ou de alguma coisa, há o receio da perda. É a fragilidade da nossa condição e a vulnerabilidade do próprio amor que o torna relevante.

 Para amar bem, é preciso sofrer bem...ou pelo menos, estar preparado (a) para tal. Quem diz "eu nunca te farei sofrer", quem promete uma vida sem sobressaltos, conta uma mentira piedosa. Mais vale dizer "eu espero nunca te fazer sofrer".

Depois, há outro aspecto incontornável: o amor é uma canseira em si mesmo, uma missão, que para além de ser obrigado a resistir aos impactos da personalidade de cada um ainda enfrenta obstáculos externos pelo caminho. Interferências humanas, de saúde, económicas...

Não se sabe se aquela pessoa tão bonita que parece irreal vai ser sempre bonita. Nem se as circunstâncias vão ser sempre confortáveis ou, em última análise, quanto tempo há para estar com ela neste mundo.

A maior parte dos grandes amores não nasceu perfeita. Deu muito trabalho, e grandes voltas. É essa resistência - e um caminho que não é sempre fácil, new age, natural e espontâneo - que os distingue. 

  Quem não vai preparado para padecer um bocadinho, quem diz "eu quero estar contigo, mas recuso-me a sofrer" então ama muito pouco, ama mal... ou tem demasiado amor a si mesmo, o que impossibilita querer realmente a outrem.

  O amor, porque magoa e assusta, pede coragem e espírito de sacrifício. E vem com a cláusula  de consentimento "sei bem ao que me sujeito, mas quero mesmo assim".


 




Contorno dos olhos - resguardar a todo o custo!


Juntamente com as mãos e o pescoço, o frágil contorno dos olhos é uma das áreas mais desprezadas em termos de cuidados de beleza - e, contradição estranha, uma das que as mulheres mais se esforçam para remediar depois do mal feito. Já sabemos que não se pode evitar tudo, mas poucas coisas são tão inestéticas como a pálpebras manchadas, com papos ou pior - com pés de galinha, que custam imenso a tratar e disfarçar.

 Se aparecerem antes do tempo, maior a lástima...e infelizmente, vejo muitas meninas na casa dos 20 com rugas prematuras nessa zona, algumas com vincos de expressão até às têmporas, que ficam tão feios quando se sorri...

É claro que a tendência para ganhar rugas nesta ou naquela área depende também da estrutura do rosto, da genética e das características da pele, mas uma coisa é certa: o desleixo sai caro.

Dizia eu ontem que quando toca às rotinas de beleza, é bom não criar necessidades escusadas: quanto mais rápido se mimar a delicada pele à volta dos olhos, menos necessidade haverá de tratamentos invasivos, dispendiosos e que em muitos casos dão um ar pouco natural.

Vejamos então algumas dicas que não custam nada a integrar na rotina diária e que previnem/poupam/tratam muitos dissabores:


1-Limpeza, sempre: já discutimos aqui como uma limpeza profunda todos os dias faz a diferença. Muitos males da pele, incluindo o envelhecimento prematuro, vêem do facto de a cara parecer limpa quando na realidade não está.

2- Desmaquilhantes com/em óleo: a maquilhagem é mais resistente do que parece...e as novas texturas de certos produtos, como o eyeliner gel,
 facilitam-nos a vida mas custam muito a remover. Se usar lentes de contacto, poderá notar também que a solução salina destas "solidifica" a máscara de pestanas, complicando ainda mais a situação. Uma textura untuosa ajuda sempre, mas alguns desmaquilhantes em creme só servem para o rosto, porque são demasiado espessos. Resultado: há a tentação de "esfregar" essa zona na tentativa de se desmaquilhar mais depressa, arrancando cílios e maltratando a pele delicada em torno dos olhos. O mesmo acontece com certas toalhitas desmaquilhantes. A melhor solução são os removedores de maquilhagem bifásicos (o da Essence é super eficaz e baratíssimo) ou os óleos de beleza (de amêndoas doces, camélia, rosa mosqueta...). Há mesmo quem defenda que os óleos eliminam pés de galinha. Não jurarei, mas que previnem é certo.

Pode finalizar-se com água micelar, água de rosas e água termal. Dissolvem a maquilhagem em segundos e ainda hidratam. Em caso de pressa há toalhitas com óleo de amêndoas, como as da MyLabel.



3- Toda a hidratação é pouca: Aqui há tempos achei cómico quando ouvi dizer na rádio que "é um mito" precisar de creme de olhos. Por muito bom que seja o creme de rosto, um produto específico para esta área mais frágil é necessário sim senhora: não só para hidratar, mas para activar a circulação e evitar olheiras. Não tenho um favorito, mas como cá em casa estamos sempre fornecidas de vários exemplares não vá o diabo tecê-las, há dias encontrei  este da Avon (creme + bálsamo nocturno) e fiquei viciada nele. Tem uma textura de primer que lembra mel, e é tão agradável que apetece andar sempre a aplicá-lo.
 Outra dica que pode ser controversa para alguns é o uso de vaselina para finalizar/selar a hidratação, e antes de aplicar a maquilhagem. Haverá quem seja contra, mas muitos mitos de Hollywood atestavam a sua eficácia e eu subscrevo. Desde que não se atinjam áreas com poros abertos e haja o cuidado de absorver o excesso com um lencinho, é uma maravilha e assegura que correctores, primers e bases para sombra não vão ressecar e agredir.



4 - Protecção solar: sempre, todos os dias, em todas as estações do ano. Com tantos cosméticos que incluem SPF na composição, não há mesmo desculpa.


5- Óculos de sol, até debaixo de água: bom, tanto também não...mas quase. A sensibilidade ao sol pode obrigar-nos a franzir o sobrolho ou a "apertar os olhos" para ver melhor, de forma quase inconsciente, até quando o tempo parece enevoado. Contra isso, nada como um par de óculos de boa qualidade, estilo Amália Rodrigues, que proteja toda essa área. Não precisam de ser muito escuros, mas convém que sejam abrangentes. Dão um ar de estrela de cinema, salvam as manhãs em que saiu à rua com má cara, livram-na de encarar aquela persona non grata sem parecer malcriada e ainda asseguram uma pele bonita por longos e bons anos.

Até tu, Kate Moss?
6 - Evitar caretas: é que as nossas avós tinham mesmo razão. Não é tão fácil como parece; às vezes nem notamos que as fazemos, mas...haja cuidado, porque vincam. Logo, cultive-se a  serenidade. Podemos ser expressivas sem esses exageros. 



7 - Contra as olheiras, um remédio de passerelle: as modelos juram pela pomada anti pisaduras (e.g: Trombocid e afins) aplicada antes ou após o creme de olhos, para acabar com círculos escuros e olhos inchados. Funciona mesmo para eliminar essas "nódoas negras". Mas dormir o melhor possível e de vez em quando, tirar os olhos do computador ou do smartphone também são passos importantes.



8 -Começar pelo interior: quaisquer marcas têm mais dificuldade em  instalar-se se houver uma boa alimentação e/ou suplementação (com indicação médica, of course).  Elementos como o cálcio, sílica, colagénio...e muita água são essenciais para pele e cabelos bonitos.





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Wednesday, April 15, 2015

Na beleza, como em tudo, "não cries necessidades"


Esta semana reparei numa frase de alguém muito sábio: "não cries necessidades". Ou seja, de quanto menos precisarmos, melhor. Menos complicada será a nossa vida, maior a nossa paz e mais leve a rotina. 

 Isto aplica-se a tudo- tanto às questões materiais como emocionais.

No amor, seremos mais felizes quanto menos necessitarmos do outro: necessitar no sentido de desespero, entenda-se. Precisamos de ser autonomamente felizes e capazes de viver sozinhos, se queremos realmente doar-nos a outrem. Por muito sedutora que seja a vulnerabilidade e muito românticas as expansões de "não posso viver sem ti!" amor não é carência, nem pressão, nem manipulação. Nada disso é apelativo, nem gera respeito.

 Nas questões sociais, mundanas, são as pessoas menos "necessitadas", mais seguras de si (o que nada tem a ver com não ser caloroso) que atraem amizades -no entanto, não dependem delas, nem fazem depender disso a sua noção de valor. Quem é desapegado é desinteressado, genuíno, verdadeiro consigo mesmo e com os outros. Não precisa de adular, nem perde o sono pela aprovação alheia.

 Nos aspectos materiais, já se sabe - o marketing não cria necessidades, mas é exímio em descobri-las e realçá-las. Somos constantemente despertados para "precisões" que nem sonhávamos que tínhamos! Como a moda costuma ser uma das primeiras "vítimas" disso, o resultado de ceder cegamente às novidades é ter recursos desperdiçados e guarda roupas demasiado cheios que só atrapalham.

 Mas a beleza feminina é talvez o aspecto que mais sofre com este "inventar de necessidades". Na ânsia ora de ser "perfeita" - coisa que não existe, e não convém a todas porque às vezes a beleza também ganha com as pequenas irregularidades - ou de ceder a modas duvidosas, muitas mulheres procuram afastar-se demasiado da sua beleza natural. Isto prejudica a serenidade, a auto estima, o bolso e a elegância. 

 Já por aqui se disse que quanto mais próximo do seu tipo uma mulher estiver, polindo só as arestas, mais elegante será e mais "dispendioso" vai parecer o seu visual.

Chega a ser irónico: o look que parece mais "caro" é o que custa menos a manter...

 Mas muitas não pensam nisso: as que têm cabelo escuro querem por força ser louras, ou alisar  os caracóis dos seus antepassados, o que para sair bem exige recursos...e se não os houver, já se sabe o resultado "mal acabado".



  Outras procuram alterar o seu tipo de uma forma mais definitiva, recorrendo à cirurgia estética: nada tenho contra pequenas mudanças, principalmente se forem feitas de forma não invasiva. Se um pormenor mínimo do rosto deixa a pessoa pouco à vontade, atrofiando a sua confiança...podendo alterá-lo e não pensar mais nisso, porque não? Se aquele bocadinho de celulite que não desaparece apesar da ginástica incomoda, há remédios menos drásticos, como a lipo-aspiração a laser. Mas que seja feito uma vez e pronto; o resto dependerá da disciplina. 

O constante mudar disto, acrescentar aquilo, fazer não sei quantas massagens e injecções por mês, etc...é um permanente criar de necessidades. Como ficariam se, por qualquer razão, se vissem privadas desses "cuidados indispensáveis"?

 Podemos ainda falar das que não saem de casa sem aplicar todas as regras do contouring: uma maquilhagem leve já não lhes basta, e Deus nos livre que a cara metade as surpreendesse "de cara lavada"...

Os cuidados são imprescindíveis, certo; é sabido que nenhuma beldade famosa acorda maquilhada, photoshopada, com um brushing perfeito- os artigos invejositos à volta do #iwokeuplikethis encarregam-se, constantemente, de nos lembrar disso.

  Mas essas rotinas devem ser leves de manter: fáceis de cumprir todas as manhãs. Quanto menos necessidades de beleza uma mulher tem, mais bela é.



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