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Wednesday, March 20, 2013

Os "ombros" interesseiros

"Calma, vai ficar tudo bem. Vais ver que ainda reatam. (Se eu não puder impedir, claro)".
                               
Se há coisa feia, canalha e de esperteza saloia, é o "ombro interesseiro". Ou seja, uma táctica muito usada por engatatões das dúzias e mulheres da luta e que consiste, muito simplesmente, em dar apoio a um amigo  que está a sofrer com o fim de uma relação - um apoio carregadinho de  segundas intenções. 
 Cenário: um casal tem um arrufo, ou termina o namoro. Ainda a poeira nem assentou e é ver a interesseira (ou o interesseiro) feito hiena, abutre ou chacal, à cata do seu quinhão. É likes no Facebook a cada suspiro que o alvo dá, principalmente se o suspiro for para dizer mal do (a) ex ou para colocar canções de final, como "The End", dos The Doors. É mensagenzinhas fofas, vulgo "então amigo (a)? Estás menos tristinho (a)? Estou aqui para o que precisares..." ; é convites para os copos, "a ver se te animas" pejados de frases do estilo "vais ver que vocês reatam..." mas a torcer pelo contrário, e pelo meio a introduzir apartes do género "se fez isto assim assim, não te merecia..." no firme propósito de causar confusão. No caso da mulher da luta que dá o ombro, quanto mais feia é, maior o atrevimento - porque a necessidade aguça o engenho, e encontrar um diabo que a carregue não é fácil, logo vale tudo. Se a namorada-que-ainda-nem -ex-é se sentir afrontada pela marcação cerrada, tanto melhor - mais achas para a fogueira! Nem tem receio de dar nas vistas, ou de fazer tristes figuras. Os oportunistas masculinos que dão o ombro são mais manhosos, e o seu "apoio" passa  por tirar partido da fragilidade feminina para passar uns momentos agradáveis. Em ambos os casos, pessoas assim pautam pelo oportunismo barato, por um aproveitamento deplorável e sórdido da amizade e da vulnerabilidade alheia, pelo atrevimento e capacidade de intromissão no território que não lhes diz respeito. Não são amigos nem amigas de ninguém, não querem o bem do outro e não têm a dignidade de procurar alguém que realmente goste delas. Tudo lhes serve, qualquer resto é bom para elas. Como as hienas, os abutres, os chacais e os cucos. Afinal, a vida em sociedade imita a natureza.

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