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Friday, March 28, 2014

Danke schön , Herr Lagerfeld‏

                           
                         "Life is not a beauty contest, some [ugly people] are great. 
                                                What I hate is nasty, ugly people". 

Nem sempre o que o Kaiser diz bate certo com o que já afirmou antes (que diabo, um homem tem o direito a contradizer-se e só os obtusos nunca mudam de ideias) por vezes exagera, diz coisas que não cabem na cabeça de ninguém e fala sem necessidade, mas temos pena: ele tem génio, obra feita, provas dadas e espírito que chegue. Ele pode. E age de acordo, porque tem essa rara e preciosa característica de não precisar de aprovação.

"Be politically correct, but please don’t bother other people with conversation about being politically correct, because that’s the end of everything. You want to create boredom? Be politically correct in your conversation".

 Não precisa de ir com a carneirada,  pode muito bem borrifar-se para a cortesia aburguesada. Uma vez que Eça, Wilde, Byron, Baudelaire  e outros capazes de dizer umas verdades já não caminham entre nós, ao menos que se vão estimando os últimos moicanos. Há que guardar as suas citações e espalhar a palavra, porque em breve todos os opinion makers vão ser certinhos, fofinhos, politicamente correctos, saudáveis, "iguais ao comum dos mortais", supostamente acessíveis,  burguesinhos, postiços e chatos, dolorosamente chatos. Duvidam? É que já começou: Jennifer Lawrence, romances light, sumos detox logo pela manhã, Lena Dunham, publicidade da beleza real, filmes "românticos" baseados em obras do Nicholas Sparks: mediocridade, chatice, "ugly is the new pretty", inclusão a martelo, tudo muito democrático, tudo muito child-friendly, tudo muito tupperware.

Eu cá vou aproveitar enquanto dura, armazenar enquanto há, para preservar o testemunho de quando a humanidade era normal - cometia pequenos excessos com classe, não se ralava de dizer o que pensava, de ser desconcertante (mas sem esforço; não há nada pior do que o attention whoring). Vou preservar o conhecimento precioso da nossa civilização, leia-se, como ele era antes do 11 de Setembro que deixou toda a gente paranóica, antes da crise, antes da UE, do exagero das leis anti fumo, anti sal, anti açúcar, anti glucose,  anti sabor, do acordo ortográfico, da mania da saúde, das crianças serem obrigadas a  andar de cadeirinha no carro até à puberdade, da ASAE, de se descobrirem os supostos podres  no mundo da moda e começarem campanhas contra a beleza artificial e o photoshop, antes dos romances  que até para a Harlequin são maus passarem a ser confundidos com leitura respeitável, antes do Facebook.
 Por vezes não tenho paciência para os excêntricos - mas por favor, tolero mil vezes melhor um excêntrico que sabe rir de si mesmo do que uma pessoa convencional, terrivelmente consensual, maçadorazinha. Até porque só é excêntrico quem pode, e só os excêntricos  a sério têm audiência- os palhacitos com pretensões a ficam normalmente na obscuridade, e ninguém faz citações deles. Danke schön , Herr Lagerfeld.

      "Everything I say is a joke. I am a joke myself".

2 comments:

Ariana said...

Grazie mille, Imperatriz Sissi, por este post anti-disparates e anti-modismos! Praise the Lord que ainda vão existindo pessoas assim. Posso roubar a ideia do bunker com protecção anti-radioactividade e guardar lá este post para a posterioridade, posso? :D

Ariana said...

Grazie mille, Imperatriz Sissi, por este post anti-disparates e anti-modismos! Praise the Lord que ainda vão existindo pessoas assim. Posso roubar a ideia do bunker com protecção anti-radioactividade e guardar lá este post para a posterioridade, posso? :D

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