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Monday, March 10, 2014

Uma Barbie "real"? A treta continua.

Eu já ventilei por aqui que estou cansadinha, enojada já, da brincadeira da "beleza real", do "ugly is the new pretty", do politicamente correcto, de dizerem que o plus size, o que quer que isso signifique, é que é um tamanho " real". Primeiro porque reais, minha gente, somos todos;  depois porque há coisas mais importantes para as mulheres se entreterem e porque não acho que raparigas bem formadas, com alguma coisa dentro da cabeça, sejam frágeis a ponto de se traumatizarem com ideais de beleza de bonecas, modelos ou actrizes. Ideais de beleza sempre os houve, e nunca ouvi falar de meninas a atirarem-se ao Tibre por não terem a figura de fada, a carinha de anjo e os cabelos de ouro da Simonetta Vespucci, por exemplo. Ou que as gregas cortassem os pulsos por não terem o corpaço de Frinéia. Pode ter escapado aos historiadores, mas não me parece. 

E depois de implicarem que as Princesas Disney  têm de ser inclusivas e condescendentes com as especificidades ou fraquezas de cada uma, agora também vão maçar as bonecas com o discurso dos complexados. Não me interpretem mal: sou a primeira a dizer que as Bratz e companhia são medonhas, mas tudo tem limites: uma coisa é não gostar de bonecas que põem meninas a brincar com meias de rede  - outra coisa é entrambolhar as bonecas para que as meninas não cresçam a pensar que são feias.

 A história não é nova: há uns anos atrás a pressão da opinião pública foi tanta que a Mattel teve de alterar a Barbie com o resultado na imagem acima, à esquerda: menos busto e cintura mais larga em relação ao molde dos anos 80/90 - como se as raparigas "reais" tivessem necessariamente esse formato e não houvesse incontáveis mulheres magras com cintura e peito por aí. Mas julgam que o público ficou satisfeito? Não. Puseram-se a fazer contas que mesmo assim a Barbie, a boneca de plástico, se fosse verdadeira ia ter problemas de saúde, e que para ser real, real, teria de ser malfeitona e de costas largas (como a boneca na mesma imagem, à direita).

 Mas como a Mattel fez orelhas moucas (também era o que faltava) houve um iluminado que decidiu ter uma ideia milionária, a pensar nas mães politicamente correctas (ou que eram patinhos feios e nunca se conformaram) que não querem que as filhas cresçam com "expectativas irrealistas". E esperto, está a arranjar donativos para pôr no mercado a... "boneca normal".

Com a missão sagrada de fazer as meninas crescerem "mais felizes, mais fortes, verdadeiramente confiantes e orgulhosas dos seus corpos" (snif, snif, não podia inventar algo menos batido?) a Lammily, assim se chama a boneca, é uma verdadeira totó com péssimo gosto para sapatos que adora desporto. Ó senhores, mais felizes? Bem se vê que o brinquedo foi inventado por um homem que não percebe nadinha do que as mulheres realmente querem.

 Infeliz ficava eu, se me tivessem dado uma boneca tão desengraçada para brincar, ou se me tivessem dito que o melhor na vida a que se podia aspirar era isto. 

Já agora porque não fazemos carrinhos telecomandados para meninos que conduzem mal, puzzles super rápidos para hiperactivos, bicicletas que andam sozinhas para preguiçosos? 

Se é para baixar padrões, não nos fiquemos pelo meio termo nem pelas bonecas.

Infeliz ficava eu se uma filha minha achasse normal que uma boneca com as proporções da Lammily usasse um vestido tão feio e tão ordinário, a mostrar a perninha curta, que a faz mais rechonchuda do que já é. Lammily, a alternadeira totó com vestidinho de feira e penteado de beata. Escuteira de dia, maluca de noite.
 Mal por mal antes aspirar à beleza porque a  infância é curta e na vida já há coisas feias que cheguem. Mas segurem-se, porque daqui a nada, para não ofender mesmo ninguém, temos a boneca trambolho. E aposto que ia ser um sucesso. Já nem sonhar se pode, nem a brincadeira é respeitada...






7 comments:

Inês de Almeida said...

Ah, Sissi! Já não é a primeira vez que concordo em absoluto contigo. É por isso que o teu blog já é uma paragem diária. Adoro que tenhas opiniões formadas e fundamentadas acerca dos mais variados assuntos. E também adoro que não caias no discurso do coitadinho e do "vamos agradar a toda a gente". Continua, por favor! Fazem falta mais pessoas como tu, com voz. Muitos parabéns. Já agora, passo a mostrar o comentário que fiz no meu facebook há uns dias sobre este mesmo assunto, que também me indigna sobremaneira.

Isto é ridículo. Hoje em dia tem de ser tudo pedagógico e politicamente correcto. Eu brinquei com imensas barbies com "figuras irreais" e não fiquei anoréctica por causa disso. Que exagero! As crianças também sabem pensar pela sua própria cabeça. Já não posso com esta conversa das mulheres verdadeiras e reais e o raio que o parta! Os brinquedos, os filmes, as séries, são muitas vezes uma evasão ao mundo real. Uma fantasia. Já agora acaba-se com tudo. Com o filme do Peter Pan, porque "os meninos se podem começar a atirar das janelas em barda", com os jogos violentos porque "os meninos podem decidir pegar numa arma e desatar ao tiro", com os Morangos com Açúcar porque "eles consomem drogas e são burros e usam cristas" (ok, aqui até estou de acordo). Para mim isto é tudo idiota e contra-producente. Tirem às crianças a capacidade de perceber o que é certo e errado pelas suas próprias cabeças e vão estar a criar adultos incapazes e dependentes. (desabafo do dia)

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Inês XD
Realmente, a mania/epidemia de agradar a todos é insuportável. Eu não consigo embarcar nisso e ainda bem que há quem me entenda. Beijinho.

Tamborim Zim said...

Bom, eu diria q viva a diversidade! E agrada-me genuinamente mais o corpo da boneca da direita, à exceção do pescoço, q poderia ser um pouco mais fino. (Gosto de Barbies, tenho umas 4)

Sandra Paiva said...

Txxxi, que boneca horrorosa. Eu não compraria uma boneca com ar tão ordinário a uma filha minha. Aliás sou fã confessa da Barbie, andei com ela pra trás e pra frente quando era criança e agora continuo a ter-lhe um carinho muito especial. Nunca quis ser parecia com ela pq até as crianças têm a noção que uma boneca é uma boneca, não passa disso. A mente podre dos adultos é que estraga tudo. Cresci a brincar com a Barbie e nunca tive problemas com o meu aspeto, só quando entrei pro secundário pq sofria de bullying pelos meus coleguinhas.... eu era magríssima e não tinha maminhas nem nada como as meninas populares na altura. Pois agora essas meninas já parecem senhoras idosas e eu até estou bem conservadinha. hahahahaha. Que se lixem lá com teorias de casa de banho. A Barbie é TOP ;)

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

Ai que medo, eu teria pesadelos com a Lammily. Apesar de não ter tido nenhuma barbie, tenho de reconhecer que as roupas da boneca eram e são simplesmente lindas que todo o mundo à volta da Barbie era de sonho e é isso de que se trata afinal a infância: do Sonho, da Fantasia, do Faz-de-conta. Mas que menina é que estará em interessada em bonecas com medidas supostamente reais, pergunto eu? Nenhuma. O problema está mente deturpada de preconceitos dos adultos deste novo século que por vezes parecem ter voltado à idade das cavernas.

Tania Argent said...

Ai o que me ri aí com umas passagens no texto!
Eu quando miúda era (e ainda sou) fã da Barbie...
Quando era pequena é certo que queria ser loura de cabelo aos caracóis, olhos azuis...(mas é natural todos nós já tivemos fases da vida que queríamos ser diferentes e nem era por causa da Barbie, porque eu na altura gostaria de me ter chamado Patícia) agora pinto várias vezes o cabelo de preto XD

Toda a gente fala da "beleza real" (tb já enjoa isso) e que a beleza real são as senhoras mais cheinhas...e as magrinhas? Não são reais? Eu até aos meus 15 era bem magrela, depois melhorou um pouco e só alarguei mais aos 18... na volta não sou real porque visto o S/M XD...

Já agora se o senhor quer ser realista, poderia criar a Lammily empregada doméstica, a Lammily desempregada, a Lammily trabalhadora do McDonals, isto para contrariar a fantasiosa Barbie Princesa e afins XD

www.dicasmakeuppt.com



Tania Argent said...

Ai o que me ri aí com umas passagens no texto!
Eu quando miúda era (e ainda sou) fã da Barbie...
Quando era pequena é certo que queria ser loura de cabelo aos caracóis, olhos azuis...(mas é natural todos nós já tivemos fases da vida que queríamos ser diferentes e nem era por causa da Barbie, porque eu na altura gostaria de me ter chamado Patícia) agora pinto várias vezes o cabelo de preto XD

Toda a gente fala da "beleza real" (tb já enjoa isso) e que a beleza real são as senhoras mais cheinhas...e as magrinhas? Não são reais? Eu até aos meus 15 era bem magrela, depois melhorou um pouco e só alarguei mais aos 18... na volta não sou real porque visto o S/M XD...

Já agora se o senhor quer ser realista, poderia criar a Lammily empregada doméstica, a Lammily desempregada, a Lammily trabalhadora do McDonals, isto para contrariar a fantasiosa Barbie Princesa e afins XD

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