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Monday, April 14, 2014

Verdade do dia: clean.



 "To be always in style, you've got to give up being trendy"

Ontem, enquanto me maçava de morte no supermercado, reparei numa mulher (hesito um pouco em chamar-lhe "senhora" embora acredite que possa perfeitamente ser uma pessoa de respeito que ande mal orientada) que seria atraente se não tivesse...tanta tralha em cima. E lembrei-me da frase supracitada. 

 Era alta e bem constituída, facto realçado por uns pumps pretos, bastante simples mas com tacão de meio metro, que não pareciam nada confortáveis e lhe atrapalhavam o andar já travado por uma saia lápis de pele da mesma cor.

 Nada contra as saias de couro negro - são um dos meus básicos de eleição e dão um ar óptimo se forem de boa qualidade e bem conjugadas  - mas ali fiquei na dúvida se se tratava de couro ou de napa vulgar. Uma t-shirt de manga comprida, preta também, completava o conjunto. Com tudo isto, trazia uma carteira roxa de verniz, com alguns brilhantes, onde se lia "Guess" em letras garrafais.

 E dei comigo a comentar com quem estava ao meu lado "ora aí está a prova de que às vezes o preto compromete". Como é que uma toilette preta do mais básico que pode haver e composta daquilo que me pareceu, não sendo peças de marcas de luxo, pelo menos de qualidade razoável, pode dar mau ar alguém?

 A verdade é que pode. Nem mesmo o preto ( a mais segura das apostas seguras) e uma saia abaixo do joelho ( a mais democrática das bainhas) garantem nada contra tamanhos demasiado apertados, materiais duvidosos e mau styling - neste caso, sobretudo do cabelo e da maquilhagem.

 É que como se não bastasse ser uma mulher grande, o que já de si dá nas vistas, trazer uma carteira de gosto duvidoso e o resto, a pessoa tinha:

 - Unhas de gel;
- Um grande cabelão louro- palha pintado, ondulado, com ar seco de tanta espuma e solto pelas costas abaixo;
- Bronzeado artificial (ou base demasiado escura, não consegui distinguir).

 Para transformar aquele visual em algo mais aceitável bastava seguir o conselho de Coco Chanel: "antes de sair de casa, uma senhora deve olhar-se ao espelho e remover um acessório". E quem diz acessório diz cosmético, ou dar um jeito mais discreto ao cabelo, ou mudar a carteira para outra mais simples e de material nobre. Ter mais do que duas coisas chamativas no mesmo look é o melhor caminho para um aspecto barato.

 Actualmente as mulheres preocupam-se muito em comprar roupa nova, ir ao cabeleireiro, parecer sexy, parecer trendy - mas a mulher que impressiona, que faz todas as outras sentirem-se desleixadas e pouco compostas quando passa, que parece anunciar " dinheiro velho!" a quilómetros é sempre aquela cuja elegância não é chamativa, mas parece vir de dentro: do porte, da pele luminosa e bem tratada, do styling simples, do cabelo polido e brilhante, mas acima de tudo imaculadamente limpo, livre do excesso de produtos, das roupas e acessórios da melhor qualidade que a sua bolsa permite e adequadas à sua figura. Basta ver uma imagem de Grace Kelly ou Jackie Kennedy para perceber o valor das peças intemporais. A qualidade nota-se, e não precisa de estar escrita em letras gordas (nem deve) para impressionar.

  Menos é mais, elegância é recusa. A uma mulher de gosto convém ter o brilho discreto de uma pérola, e não a vista de uma gema de plástico. Além de tudo, a simplicidade dá menos trabalho.



  

1 comment:

Inês Sousa said...

Sissi este último parágrafo devia estar escrito em letras enormes em outdoors pelo país fora a ver se alguem se começava a ver ao espelho antes de sair de casa. Porque está dificil fazer perceber que menos é mais. Estou saturada de andar por essa net fora ou pela rua fora e só ver raparigas/mulheres "montra".

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