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Tuesday, August 5, 2014

Isabel, uma Imperatriz portuguesa - e linda.

Retrato de Ticiano, pintado 9 anos após a morte da Imperatriz
Nestes tempos em que a História de Portugal não tem nos currículos escolares o peso que deveria, muita gente não recordará duas Imperatrizes portuguesas - e como a segunda, Isabel (1503-1539) foi uma belíssima, amada e ditosa Imperatriz.

 Eu própria, tendo um blog com este nome, já me devia ter lembrado de dizer alguma coisa sobre Dona Isabel de Portugal- especialmente considerando que ela era filha e neta de alguns dos meus monarcas preferidos: D. Manuel I de Portugal e os Reis Católicos.

                                                            Isabella Lusitana Imperatrix

Começando por aí, Isabel de Portugal, Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, não tinha  a quem sair feia e muito menos tola (bom, se pusermos de parte a sua tia Joana, a Louca, mas essa ensandeceu de ciúmes pelo lindíssimo marido que lhe coube em sorte; antes tudo indica que era uma moça sã e escorreita e além disso a "nossa" Isabel foi bem mais feliz ao amor, como veremos). 
  O seu pai, o Senhor D. Manuel I, foi um dos nossos mais formosos reis, e por via materna a beleza das mulheres daquela família era bem conhecida: Catarina de Aragão era uma bonequinha ruiva quando casou com Henrique VIII (além de muito culta) e Joana era uma beleza antes de perder o juízo. A mãe de Isabel, Maria de Aragão e Castela, foi a segunda filha dos Reis Católicos com quem El-Rei O Venturoso casou, e a história provaria que ele era muitíssimo sensível à beleza quando se tratava de escolher mulher...

 Mas voltemos a Isabel. Com 22 anos contraiu matrimónio, como fora decidido por El-Rei seu pai, com Carlos I, seu primo direito (e futuro Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico). Não só ele viria a ser o maior Senhor da Cristandade como era um belo cavalheiro de 25 anos, com tudo para agradar a uma jovem noiva.


A união foi felicíssima- o primo Carlos rejeitara a filha de Henrique VIII (e prima de Isabel) Maria, em prol de Isabel, e não deu por mal empregada a escolha: apaixonaram-se à primeira vista e a dizem que a Lua de Mel só acabou com a morte de Isabel, 14 anos depois. 

Embora os deveres do Imperador o afastassem amiúde dos braços da mulher, a paixão dos dois não diminuía e de cada vez que se reuniam, a Imperatriz ficava de esperanças: ao todo tiveram três filhos que vingaram. O primeiro selo de um casamento tão afortunado foi um primogénito varão, o que deixou o marido louco de alegria, como é de imaginar: o futuro Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) que receberia da mãe um grande amor à pátria Lusitana. (Diz-se que aquando do nascimento deste, a Imperatriz se recusou a mostrar dor durante o parto, dizendo estoicamente "morrerei mas não gritarei!").

Não só Dona Isabel era uma de uma beleza intemporal, como correspondia ao ideal da época, física - a "mais bela mulher daquele tempo"-  e intelectualmente. Tinha a pele clara, os traços finos e os cabelos acobreados tão à moda, mas fora também criada no esplendor de uma das cortes mais ricas e cultas da Europa, o que implicava  receber uma educação humanista esmerada, de preceptores portugueses e espanhóis. Possuía uma vasta biblioteca de livros piedosos e romances de cavalaria, além de falar muito bem latim. Logo, embora preferisse não se  ocupar de política, estando o marido ocupado em diversas campanhas militares e acções em defesa da Igreja Católica, ela agiu duas vezes como regente por longos períodos.

A sua morte, em consequência do último parto, precipitou o marido amantíssimo num luto profundo: tal como se isolara com ela nos primeiros tempos de casamento, fechava-se agora no Convento de S. Justo a contemplar o retrato da Imperatriz horas esquecidas.

  Diz a lenda que o Duque de Gandia, o futuro S. Francisco Borgia (bisneto de Alexandre VI, nem mais) e que fora casado com uma dama portuguesa,  ficou de tal forma abalado ao contemplar o cadáver de Dona Isabel e os estragos que a morte causara numa mulher tão deslumbrante que jurou nunca mais servir senhor que pudesse morrer, vindo mais tarde a tornar-se Santo.

 Louvada pelos seus contemporâneos pela beleza,honestidade, modéstia, inteligência e segundo Damião de Gois, por ser "muito elevada de pensamentos e isenta da sua condição", Gil Vicente eternizou-a, aquando do seu casamento, com a cantiga seguinte:


Par deos, bê andou Castela, 
pois tem Raynha tam bela. 
Muyto bem andou Castela 
& todos os Castelhanos, 
pois tem Raynha tam bela, 
Senhora delos Romanos. 
Par deos, bem andou Castela 
com toda sua Espanha, 
pois tem Rainha tão bela, 
emperatriz Dalemanha.”


Ave Isabella Imperatrix, diria eu. Com tão bons exemplos para as meninas portuguesas, é uma pena que não se fale nisto nos bancos da escola...









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