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Thursday, October 9, 2014

Conselho precioso do tempo das outras Senhoras.



"Para que o vestuário seja realmente elegante não basta que esteja na moda e muito menos que seja «o último grito da moda». É, pelo contrário, necessário (...) que esteja de harmonia com determinadas circunstâncias (...) o bom gosto é muitas vezes inimigo do luxo, sobretudo do falso luxo. (...) é mais elegante vestir numa festa um vestido simples ou uma saia e blusa graciosa, do que trazer um pretensioso vestido (...) no dia a dia".

                     (Manual de Economia Doméstica dos anos 60)

Este livro escapou por milagre de ir pela janela fora cá em casa, porque houve quem fosse obrigada a fazer formação feminina e não gostasse nem um bocadinho de entrar em modo "finishing school" numa época em que o mundo estava a mudar (e não necessariamente para melhor).
 Ainda bem que o manual foi poupado às fúrias da verdadeira geração rebelde, porque é uma preciosidade. De ideias como esta a receitas muito boas, passando por um capítulo inteiro sobre tecidos (a falta que aprender isso faz a muitas "fexionistas"  que por aí andam não tem medida nem conto) tem um bocadinho de tudo. Claro que também inclui partes menos divertidas como a química de cada detergente (e diz que as donas de casa eram tontas, hein?) e truques para limpar tudo e mais alguma coisa, mas o saber não ocupa lugar.

 É pena que tais coisas tenham perdido o seu lugar nas escolas portuguesas (os americanos continuam a ter a disciplina, e não é só para raparigas) porque entre a geração que nunca aprendeu tal coisa e a que desaprendeu o que sabia de bom, temos um panorama muito pouco agradável.
 Ainda há dias comentei convosco que reparei na carteira Marc Jacobs que uma rapariga trazia. Não estranhei porque lá na minha freguesia há bastante quem possa usufruir de algumas coisas bonitas, mas pensei com os meus botões "carteira gira, é pena ter a marca à vista".  Mas no dia seguinte, no mesmo local, notei várias raparigas e senhoras com a mesma carteira, o mesmo modelo, em várias cores diferentes. Bom, isso já era muita coincidência...

 Claro que no Sábado seguinte fui à feira semanal comprar verduras e ficou tudo esclarecido...tratava-se da última imitação (muito bem feita, devo dizer) trazida directamente da Tailândia.
 A noção que as pessoas têm do conceito de luxo e do estatuto que julgam vir associado a ele, é tão distorcida que podíamos escrever teses sobre o assunto.

 É muito mais luxuoso usar uma boa peça de marroquinaria, ainda que não de uma marca famosa, do que ostentar uma cópia barata que mal engana à primeira vista.

E muitas mulheres ganhariam mais em vestir uma simples t-shirt e jeans pretos, com um bom sapato e uma maquilhagem simples mas bem feita, do que em multiplicar os arrebiques, os apliques, os tecidos brilhentos e os frufrus comprados nas boutiques da esquina, muitas vezes nada baratas mas de qualidade igual à da lojinha do chinês...

  É vontade de complicar, só pode.

1 comment:

Pedro said...

Com tanta literatura escapou-te a Bovary ou a famosa sapataria que o Diabo inaugurou em Moscovo nos anos 40.

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