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Monday, October 6, 2014

Lois P. Frankel dixit: meninas, cuidado com a delicadeza.





«As raparigas, mais do que os rapazes, são ensinadas a sorrir. Aliás, os pais são mais propensos a sorrir aos bebés do sexo feminino que aos do sexo masculino. Um homem que não sorri é levado a sério; em contrapartida, se uma mulher não sorrir, não faltará quem se interrogue "o que é que se passa?" Não surpreende, pois, que tenhamos tendência a sorrir por tudo e por nada, mesmo nas ocasiões menos apropriadas».

in Nice girls don´t get the corner office


E quem diz sorrir diz ser demasiado educada, demasiado gentil, não usar um vocabulário determinado, ser discreta, tentar não ferir os sentimentos alheios, matar-se a trabalhar, usar de rodeios, evitar o confronto e outros atributos tipicamente femininos. A Dra. Frankel, coach de algumas das maiores empresas do planeta, dedicou um livro a todos os erros que as mulheres cometem no mundo do trabalho -  e estes são apenas alguns deles. Não concordo com tudo o que ela diz (acho que há bastante poder em usar de algumas atitudes tradicionalmente femininas dentro e fora da esfera profissional, desde que com bom senso) mas estou 100% com ela quanto a isso de ser, mesmo sem intenção, demasiado delicada.

 É um daqueles aborrecimentos de viver num mundo de homens, um dos poucos "sexismos" reais que para aí andam e que não vão mudar porque gente atrevida é como a pobreza e as baratas, vai sempre existir, nada feito.

 Há seres de calças tão egocêntricos, tão carentes, tão cheios de si (ou porque se acham muito lindos, ou muito poderosos, ou coisa que o valha)  e com tanta falta de noção que tomam por receptividade o mais leve sorriso de cortesia (aqueles que supostamente se devem a quem está, por frete) a resposta mais formal e desinteressada ou um simples "bom dia, como está, obrigada, adeus".

E a muitos não importa se a mulher em causa está acompanhada, se é casada, se demonstra o mais absoluto desinteresse ou indica, pela linguagem verbal ou não verbal, que não quer proximidades. Falou-lhe educadamente? É quanto basta para se encher de ilusões e agir de acordo, mesmo que a seguir leve um balde de água gelada. Nem sempre é fácil dar imediatamente a pessoas abusadoras a resposta torta que merecem, porque tanto descaramento desarma e zás: salta a resposta cortês e automática que nos ensinaram de pequenas. Erro crasso.

Na dúvida - lesson learned- nunca responder logo; avaliar o que foi dito e retorquir só e SE quando bem nos parecer, pondo a pessoa no seu lugar. É que corrigir o equívoco pode ser uma complicação. 

 É como a estória do Capuchinho - a mais leve confiança que se concede ao lobo dá-lhe logo ideias. E depois é um aborrecimento porque por vezes, nem o silêncio, nem o confronto fazem tais pessoas perceber que ultrapassaram a fronteira do razoável. Depois do mal feito, só há dois remédios: ignorar ostensiva, gelada e rudemente as aproximações de tal alma ou se o caso for mesmo mau, confrontar e não ter medo de puxar da artilharia. O medo de ferir susceptibilidades deixa de se aplicar porque ninguém é obrigado (ou obrigada) a tolerar atenções não solicitadas ou inapropriadas.

Moral da história: por vezes, à mulher de César (ou à mulher que não tem César, mas que se dá ao respeito) não basta ser séria e parecer séria; é preciso fazer um upgrade à seriedade e ser extra fria, extra antipática, ou desagradável mesmo. 

 Não faltam por aí selvagens, e olhem que nem todos são trolhas em andaimes...



6 comments:

Sandra Marques de Paiva said...

Verdade, verdadinha..... já tive de descer dos saltos algumas vezes. Numa delas até perguntei se tinha aparência de prostituta, tal foi o abuso!!!! Os trolhas são do mais inofensivo que há :)

Imperatriz Sissi said...

É que dá vontade, Sandra...uma pessoa vestida com o ar mais normal deste mundo, muitas vezes acompanhada...é uma falta de respeito de ficar cega.

Ana Andrade said...

Dos trolhas em andaimes já sabemos o que esperar e ignorar é o melhor remédio, o problema reside naqueles que na sua altivez, com ar sério e distinto conseguem ser de uma grosseria desmedida e com esses é mais difícil responder à letra sobretudo quando se encontram numa posição de poder face a nós. ....

A Flor said...

Neste tipo de situações a "falha" não estará na delicadeza que as meninas foram ensinadas a ter, mas nos princípios que não foram ensinados aos senhores. Mas há que ser como a Scarlett e fazer limonada quando a vida nos dá limões - pessoas sem nível não merecem delicadezas.

Imperatriz Sissi said...

@Ana, totalmente. Seres desses alimentam-se do medo que acham que inspiram, ou pior: partem do princípio que todas as mulheres são umas ambiciosas sem um pingo de dignidade feminina. O melhor é não responder, porque qualquer resposta é uma forma de atenção para quem insiste sem ter sido incentivado a tal.

@Flor, concordo inteiramente. Temos de responder às pessoas na única linguagem que entendem. Seja o mais nítido desprezo ou um bom correctivo. Para eles, delicadeza é uma forma de convite. Um nojo!

Ana Andrade said...

Com pessoas assim acho que só a falta de delicadeza, logo o desprezo funciona, para mim é a única forma de lidar.....o velho ditado "quem cala consente" acho que não se aplica...é brutal ignorar, virar costas e deixa los a falarem sós.....

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