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Saturday, October 11, 2014

No more Miss Nice Girl


Há dias analisou-se aqui que o excesso de delicadeza feminina conduz a muitas interpretações erradas e por conseguinte, a tentativas de abuso de confiança por parte de quem não conhece o seu lugar ou alimenta ilusões algo doentias.

 Gente assim, além de confiare no excesso de boa educação alheia para  lançar piropos indesejados, partilhar excesso de informação constrangedora, usar de linguagem menos moderada ou pior, tentar invadir o espaço físico alheio, também se apoia noutra coisa: na perspectiva moderna de que quem não tolera brejeirices é um puritano, um careta, um vidrinho, uma flor de estufa. É que agora convencionou-se que toda a gente tem de ser muito aberta, muito liberal, e o resultado é que se confunde tudo: gentileza com atrevimento, um sorriso com um convite, educação com ousadia. Já nem a modéstia no vestir salva, por vezes, as mulheres honestas (e muito provavelmente, os homens virtuosos) de serem alvo de confusão ou misturas.

  Chega-se mesmo a recear ser simpática com o porteiro, o empregado do café, o amigo-de-um-amigo ou um contacto profissional, não vá o diabo tecê-las.

O mais estranho é que, não contentes com terem sido ofensivos ou abusivos em primeiro lugar, estes palhacitos ainda se dão ao luxo de se zangar se alguém lhes dá a resposta torta que merecem, vulgo "agradeço que não tome tais confianças" ou " dispenso conversas dessas". 

O bom e velho volte-face "vejam lá, esta rapariga não aguenta um gracejo". Não aguenta nem tem nada de aguentar, e é isso que é preciso deixar bem claro.

  Recentemente, numa destas feirinhas de garagem que agora há por todo o lado e que juntam a vizinhança para uma alegre "reciclagem de tesouros", uma senhora minha amiga descompôs, alto e bom som, um palerma que se fez de engraçadinho. Quando outras pessoas se aproximaram, ela resumiu bem a problemática "lá porque me conhece de vista e o cumprimento num lugar que proporciona o convívio entre as pessoas, não quer dizer que tenha de aturar isto".

  Por vezes é triste, mas há quem não mereça boa educação. Esta semana mesmo, virei declaradamente as costas a um conhecido, deixando-o a falar sozinho antes mesmo de se aproximar do grupo onde eu conversava com outras senhoras, já com a graçola pronta.


Soube-me pela vida! Se há liberdade de expressão, que seja então para os dois lados: ninguém deve sentir-se culpado ou constrangido por cortar a conversa a quem não a sabe manter dentro dos limites.


 O mesmo vale para comentários nas redes sociais do estilo "mal a conheço, mas vou deixar um elogio pegajoso". Delete. Ou para colegas pouco profissionais. E assim por diante. Melindrou-se? Não tivesse melindrado em primeiro lugar. Regra de ouro: se provoca desconforto, arranque-se a erva daninha sem medos.

 E isto também funciona ao retardador, caso tenha sido apanhado (a) de surpresa e reagido como manda a cortesia quando não o devia ter feito: voltar atrás e cortar todo e qualquer contacto com a pessoa, ora acompanhando isso do devido raspanete ou do merecido desprezo, sem explicações. Nem sempre se tem reflexos rápidos, mas não há obrigação de fingir que se esqueceu o assunto.

 Quem não tem consciência, que a arranje...

  

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