Recomenda-se:

Netscope

Sunday, October 5, 2014

Publicidade *honesta* de outros tempos (ou a guerra dos sexos de acordo com a dita cuja)


Talvez seja defeito de profissão, mas sempre gostei muito de coleccionar anúncios antigos. Não só pelas imagens - que são uma delícia - mas porque eram muito mais directos (e ingénuos): "o  produto X não tem comparação", etc, etc.
 Como é óbvio mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e a publicidade acompanha os valores e prioridades de cada época. Alguns reclames seriam inaceitáveis hoje por motivos justos - e porque são mesmo horrorosos -  outros que até tinham graça  seriam banidos actualmente porque, bem, nos nossos dias não se pode brincar com certas coisas, apesar de continuarem a fazer-se spots e vdeoclips bem mais objectificantes, pelo menos no que às mulheres diz respeito. Se calhar as pessoas até continuam a pensar exactamente na mesma, não se atrevem é a dizê-lo em voz alta para não soarem preconceituosas, sexistas, conservadoras ou caretas. Mas se formos 100% sinceros, nem que seja cá com os nossos botões, veremos que a guerra dos sexos não mudou assim tanto. E em boa verdade, no dia em que acabar, o mundo terá a mesma piada? Deixo ao vosso critério.

1- Ponham-se bonitas, or else...



A Palmolive não poupava as mulheres nem um bocadinho, e fazia-as ter vergonha de serem desleixadas. Afinal, a inteligência não se nota à primeira vista, isso é um facto por mais mimimi que haja. Acho isto mais sincero do que as campanhas "Beleza Real" que andam para aí. Se não se cuidar, minha querida, depois não se lamente. A vida não é justa, pois. Claro que no caso do anúncio número dois se podia argumentar que se um homem ganhasse barriguinha de cerveja, uma mulher estava no direito de lhe dar o cold shoulder...cada um com as suas obrigações.


2- As mulheres não sabem fazer isto e aquilo


                                         
Não vejo onde está a ofensa em admitir que um marmanjo tem mais força do que nós para abrir um frasco. Isso não faz dos homens uns génios e de nós umas inúteis nem implica que uma mulher que aprenda artes marciais não possa dar uma tareia monumental num atrevido (uma coisa é força, outras são jeito, agilidade e estratégia). Só faz uso de uma verdade biológica: regra geral eles têm mais força física. E podem ajudar a abrir os frascos se quiserem jantar. Big deal. De vez em quando as tampas tornam-se invioláveis não sei por obra de que santo e uma pessoa não vai dar cabo das mãos só para provar alguma coisa. Quanto à condução, é um bocadinho chato usarem uma rapariga para exemplificar, mas naquela época menos mulheres conduziam (a avó tentou tirar a carta e só desistiu porque sofria de umas vertigens terríveis) e embora haja para aí muita ás do volante,também existem muitas que não morrem de amores por isso (eu incluída). Then again, conheço vários cavalheiros que se recusam a conduzir. A aselhice não tem sexo, pode é suceder que as mulheres tenham coisas mais importantes em que pensar.

3- As mulheres são umas queridas e cozinham bem. Os rapazes são uns trapalhões de primeira.




É preciso ver o contexto: se na altura uma mulher não trabalhava fora de casa, era justo que tratasse das tarefas domésticas ou, caso tivesse em casa pessoal para cuidar disso, que dirigisse as operações. Também era o que faltava. Que hoje em dia soe sexista serem só senhoras a anunciar produtos de limpeza, aí já lhes dou uma certa razão porque ou bem que ambos têm carreiras ou bem que uma mulher escolhe estar em casa. Não se pode querer sol na eira e chuva no nabal. Mas, meninas super modernas e emancipadas com mães super modernas e emancipadas da geração de 70 que andaram a pregar a libertação feminina, quantas das vossas progenitoras não subscrevem as regras do antigamente? Encher a casa de comida e criar um ambiente acolhedor é coisa de mãe, pronto. Sejam honestas, a maioria foi ensinada a ter "paciência com os irmãos porque "os rapazes não sabem cuidar de si mesmos". A avó dizia sempre "uma mulher sozinha vive lindamente, um homem sozinho faz da casa um chiqueiro". Haverá excepções e rapazes super prendados, mas quem disser que é a regra não está a ser sincero. E francamente, cozinhar bem é ofensa? Na era do Masterchef e da Bimby, I think not.

4- E por falar em Bimby...


Eu que acho isso uma bimbalhice de todo o tamanho, não creio que a mentalidade das mulheres tenha mudado tanto como isso. Falam, falam, mas ou porque enfim, alguém há-de cozinhar lá em casa ou porque querem mostrar às amigas, continuam a achar graça a engenhocas domésticas. Ainda há dias um senhor me ajudou a descer a mala do comboio (haja cavalheirismo!) e comentou que tinha no saco dele a Bimby da mulher, que morria de desgosto se ele não lha levasse (o homem devia ser santo!).  Aliás, li recentemente que Portugal tem a maior taxa de vendas de Bimbies e Tupperwares, das de marca, da Europa. E o que é que isto faz das pessoas que chamam sexistas aos velhos anúncios? Faz delas pantomineiras. Pois.

5- Isto é um mundo de homens (e as mulheres dão o troco)






No tempo da outra senhora as mulheres deixavam à  metade oposta a bela ilusão de que eles dominavam o mundo e achavam maneira de dar a volta à situação com subtileza. E embora coubesse aos cavalheiros o papel de conquistadores, a "vingança" era muitas vezes aterrorizar os coitados que ficavam convencidos de que uma mulher faria isto ou aquilo para fisgar um bom marido. Hoje isso é muito mal visto e um homem tem de ser sensível e equalitário e fofinho, e depois elas queixam-se de que têm de vestir as calças porque o marido/namorado/noivo é um banana, devoram os 30 conselhos indecentes da Cosmopolitan para conquistar um homem  e vingam-se lendo as 50 Shades of Grey onde o protagonista é másculo, dominante e enche a heroína de tapona e bordoada.


Pantominice, much?











No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...