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Tuesday, August 30, 2016

Popeye dixit: boas mulheres...e as "outras"



O  devorador de espinafres Popeye tinha, além do Brutus, uma inimiga ferrenha: a Bruxa do Mar.
O desafecto entre os dois nascera da mais velha causa do mundo: em tempos, o marinheiro tinha rejeitado os avanços da megera, apesar de ela se disfarçar da bela "Rosa do Mar"... e lá dizia o poeta, "não há fúria no inferno que se compare à de uma mulher rejeitada" ( ou antes, ressabiada).


De modo que a Bruxa passava o tempo a fazer a vida negra ao Popeye, quando não se vingava directamente na "rival" Olívia Palito.
Sempre cavalheiro e sem medo de ser acusado de sexista, pois quando foi desenhado ainda não se falava nisso, Popeye arranjava maneira de vencer a bruxa sem lhe pôr as mãos:  bruxa ou não, numa senhora não se toca nem com uma flor.
Já a Olívia nem sempre levava o caso à paciência, dando -lhe uns valentes safanões quando calhava...

Em suma, a Bruxa do Mar tantas partidas pregava ao pobre Popeye que ele suspirava "irra, é má como as cobras...mas também...  Se nao houvesse más mulheres neste mundo, não saberíamos apreciar as boas!".

E é verdade! No percurso de um homem pode haver bastantes episódios-  nem todos recomendáveis ou abonatórios já que o sexo forte, quando se trata de estroinice, é propenso ao disparate e à falta de critério- mas se essas "diversões" e "rapaziadas" que acabam em "amargos de boca" servem para alguma coisa, é para os ensinar a valorizar as boas mulheres - seja pela sua beleza física, pela seriedade, a bondade, a inteligência, a classe ou tudo isso junto.
Bruxas do Mar ou da Terra não faltam - já Olívias não há muitas, sejam mais magrinhas ou mais curvilíneas.
Talvez o segredo de tanta sensatez esteja nos espinafres, ou no facto de o Popeye ter viajado tanto e visto tanta coisa que já não se deixe enganar...

Monday, August 22, 2016

As "Cherie Blair" da vida.




Há dias, a propósito deste livro engraçadíssimo que tive a sorte de encontrar, lembrei-me da desgraça ambulante que era a ex "Primeira Dama" do Reino Unido, mulher de Tony Blair. Apesar de ser uma advogada de gabarito, com uma carreira de sucesso, bem casada, mãe de vários filhos e tida como uma mulher inteligente, uma intelectual...Cherie não demonstrou grande sabedoria nem senso comum.

Não prestou nenhum favor ao pobre do marido enquanto ele ocupou o cargo de Primeiro-Ministro (cargo com algumas situações bastante espinhosas a enfrentar, começando pela gestão da crise mediática que se seguiu à morte de Diana de Gales) e fez de si própria constante alvo de chacota.




Sem querer agora dar uma biografia detalhada da senhora nem entrar em detalhes sobre a sua "panelinha" com Hillary Clinton que tem andado nas bocas do povo (é caso para dizer: olha que duas se juntaram!), recorde-se: no seu dia a seguir às eleições (1997), Mrs. Blair cometeu a imprudência de vir à porta pela manhã, recolher um ramo de flores (convenientemente encomendado por um paparazzo) em chinelas, com uma camisa de dormir nada sedutora e toda descabelada. Foi um pratinho para os tablóides, que se deliciaram com a sua ausência de noção, realçada por  respostas do tipo "sabia lá eu!"...como se não se conhecesse o que é a imprensa inglesa! Mas até isto poderia ter sido usado a seu favor - o público adora uma ingénua - se a fiada de disparates, ora deliberados ora por pura falta de jeito, não se seguisse em catadupa.



Socialista e republicana ferrenha, recusou-se a usar saias e a fazer a "curtsey" (graciosa reverência tradicional) a Sua Majestade, como seria esperado dela. Era como se essa pequena cedência, esse elementar profissionalismo, o pedacinho de humildade e de conhecer o seu papel que é apanágio dos grandes, a matasse.

Isabel II , Rainha dos pés a cabeça como sempre, troçava dela com infinita condescendência: "os joelhos parecem endurecer-se-lhe assim que me vê", comentava jocosamente.


 Depois Mrs. Blair parecia fazer questão de usar exactamente o que a desfavorecia: a não ser que o dress code não deixasse qualquer lugar à imaginação, era uma tragédia pegada. De vestidos linha A ou de malha que só chamavam a atenção para as ancas largas e para os braços gorduchos a trajes casuais e preparos tão relaxados que roçavam o desmazelo, passando pelas cores menos lisonjeiras para si, Cherie nao acertava uma e  dir-se-ia que se comprazia com a sua "rebeldia" rematada por constantes trejeitos, gestos desabridos e caretas, o que levou a que a imprensa fizesse cruelmente troça da sua "bocarra de caixa de correio". E com isso algum trabalho meritório que realizava, nomeadamente de caridade, acabava por passar despercebido...



Mas o que há mais é "Cherie Blairs" por ai:  mulheres que acham que não precisam de se reger pelo mais elementar bom senso; que julgam dar uma imagem de muito "resolvidas" por desafiarem gratuitamente as mais inócuas directrizes de boa sociedade ou de bom gosto.  O mundo é que se deve ajustar a suas excelências, dar-lhes palmadinhas nas costas, acomodar-lhes as manias com um muito obrigada por cima - e não elas moverem-se de acordo com o mundo.

 As Cheries Blairs da vida (mais gordas ou mais magras, mais velhas ou mais novas, intelectuais ou rapariguinhas de shopping) sofrem do tal mal do bovarismo: acham-se demasiado cultas, espertinhas,  indomáveis ou rebeldes para ceder a quem quer que seja ou cumprir as regras de bom viver, mesmo no seu próprio interesse.

 Tudo lhes é devido, pensam as coitaditas - e por isso adoram mostrar um ar de desafio gratuito e ter um discurso provocador e irrealista, armadas em chicas espertas, desinibidas ou moderninhas (conforme o perfil, e há vários).

 Da desleixada que quer enfardar à vontade e vestir como bem entende mas fica toda melindrada por não encaixar nos "padrões de beleza", à Samatha Jones de trazer por casa que depois de uma divertida carreira de oferecida e doidivanas se queixa que ninguém a quer para relacionamento sério porque os homens são "uns cobardes, uns aproveitadores e uns bananas" passando pelas  *pseudo* intelectuais de serviço que adoram discutir política aos guinchos e berrar "não me subestime!", nunca lhes ocorre que o problema possa, afinal, estar nelas.



Em suma, as Cherie Blairs da vida não sabem o que é bom para si. Não aprenderam na adolescência que o mundo não se compadece de "rebeldias" fúteis, nem tem pachorra para ressabiamentos;  tão pouco perceberam que não há almoços grátis. E assim continuam a levar "calduços da vida" pela vida fora, passe o pleonasmo...





Sunday, August 21, 2016

Oh haja pachorra olímpica!!!

Tenho andado mortinha por comentar algumas peripécias dos Jogos Olímpicos que - como não podia deixar de ser, na era dos social media e dos memes - se tornaram virais e tem andado  por aí, na boca do povo. Hoje lá me arranjei para vir aqui tratar disso antes que a tocha se apague.

Ora, como sucede sempre nestes eventos houve momentos marcantes e inspiradores. Fiquei especialmente encantada com a forma como a ginasta Laurie Hernandez, de dezasseis aninhos,  enfrentou o júri e se lançou numa coreografia perfeita, ajudando a arrebatar a medalha de Ouro para os Estados Unidos e tornando-se numa superstar queridinha à escala global - alem de dar origem ao GIF mais popular do certame, vide:


A menina, que tem uns olhos enormes e bonitos, disse para os seus botões (salvo seja) "I got this" pôs-se em pose, piscou o olho aos jurados e vai de ginasticar como se o mundo fosse a sua ostra. O mantra (ou estado de espírito, se preferirem) " I got this" ou "está no papo", ou ainda "saiam da frente que isto é tudo meu, vou partir esta traquitana toda" é assim uma moldura mental difícil de invocar sempre que se quer, mas nunca falha. Por vezes é preciso até fingir que se está no modo "I got this", mas devia ser um exercício diário para todos nós. Linda!

Mas depois houve disparate com fartura, ou não vivêssemos a época terrível do politicamente correcto. Que os democratas esquerdóides de carteirinha quisessem dar a honra de transportar a bandeira americana a uma atleta estreante em tais andanças em vez de a confiar ao super-hiper-mega-destronador-de -recordes-da Grécia-Antiga Michael Phelps (só porque a rapariga, que até disse mal da América, é muçulmana e usa hijab) foi um deles.



Porém deixemos lá isso, que tudo acabou em modo "não querias mais nada?" e  Michael Phelps soube bem mostrar do que é feito um campeão; vejamos antes este caso de dois pesos e duas medidas: quando uma atleta gay foi pedida em casamento pela namorada, a imprensa achou lindo, progressivo, comovente e romântico. Mas quando o mesmo aconteceu a uma atleta chinesa, a quem o namorado fez a proposta em pleno pódio...aqui del Rei que o rapaz estava a constranger a menina, a roubar-lhe o seu momento de glória, a tirar o protagonismo à medalha de prata, a dizer ao mundo, de forma sexista e opressora, que apesar de alcançar glória olímpica, o triunfo mais importante da saltadora He Zi é tornar-se sua mulher. Ora, eu sou mais adepta de guardar estes momentos para a intimidade, seja lá o casal quem for, mas juntar no mesmo dia uma medalha de prata e um anel de noivado parece-me um feito impressionante. De mais a mais, ela não pareceu nada aborrecida, antes pelo contrário, e a interessada não é ninguém senão a noiva: e por fim, uma medalha fica no currículo, tudo muito lindo mas não é ela que vai fazer companhia à atleta na velhice.

Tenho para mim que as feminazis solteironas, maldispostas, mal amadas e azedas ainda toleram a instituição do casamento se for entre meninas - que uma mulher case com outra vá que não vá, enfim. Mas que aconteça a alguém, algo que dificilmente lhes acontecerá a "elas" - um homem dar-se à canseira de lhes comprar um anel e propor casório com os sininhos todos- isso já e intolerável. Afinal, a maioria é demasiado desagradável (de propósito, em muitos casos) e|ou chata e|ou promíscua e|ou malcriada para que algum diabo as carregue. Essa é que é a realidade, sorry girls.


E por fim o disparate mor, o pai deles todos, a medalha de Ouro da tonteria: a comediante Ellen Degeneres (que além de ser um amor e uma pessoa super positiva, tem tudo para que a ala anti-reaccionária e pró-justiça social que se ofende com tudo, jamais embirre com ela: lésbica, casada com outra mulher há muitos anos e toda modernaça)- ofendeu os ofendidos de serviço  ao publicar este meme muito engraçado, em que se pôs às cavalitas de Usain Bolt:

O próprio visado, que (além de ser o homem mais rápido à face da terra e de fazer de papa léguas com um sorriso de "não me apanhas" que até dá gosto ver) é uma alma bem formada, bem disposta, temente a Deus e com coisas mais importantes em que pensar (vulgo, medalhas e contratos milionários) achou imensa piada e partilhou a imagem nas suas contas de social média. 

End of story? Nããããão, porque o povo melindroso entendeu que Ellen, uma senhora "branca e rica" estava a ser racista por se atrever a brincar com tal coisa, por sugerir que se ia por às costas de um homem negro (ou preto, ou de cor, ou africano, ou sabe-se lá qual é a  forma menos ofensiva de uma pessoa se referir a outro ser humano hoje em dia).  Ora, eu acho que racista seria uma pessoa não se pôr às cavalitas de outra, seja por brincadeira ou necessidade, só por ela ser desta cor ou daquela.
As coisas estão a ficar descontroladas... daqui a nada nem as crianças podem saltar ao eixo nos recreios sem antes perguntar ao coleguinha se ele se melindra com isso. Ou, para garantir mesmo que não ocorre opressão de parte a parte, não há cá misturadas e zás, temos um apartheid horroroso com a única diferença das "boas intenções".


NOT HAPPY!

Então vejamos: aqui onde me encontro trabalha-se e convive-se diariamente com gente de todas cores do Arco Iris, de todas as nuances do Pantone, de todas as regiões do mapa e de quantos credos há. Desde que não me aborreçam, não me atrapalhem e criem bom ambiente, o mais certo é eu nem reparar se são brancos, cor de café, mogno, marfim, pérola, encarnados, amarelos ou cor de rosa às pintinhas.

 Pois bem, se -longe vá o agouro - eu torcer um tornozelo e o meu colega da Costa do Marfim que mais parece um gladiador, muito cavalheirescamente me carregar para um táxi, estou a fazer dele escravo? Mas se for o outro, que é italiano, já não há problema?
Ou quando a pausa para almoço ainda vem longe e  partilho bolachas ou chocolates com os membros da equipa que se esqueceram de trazer algo para trincar, se  tenho a lembrança de dar uma guloseima a um manager que é dos Camarões, ou a um cabeleireiro que calha ser da Zâmbia, estou a ser "paternalista"? E se uma rapariga de quem gosto bastante, nascida e criada no Quénia, me compuser o cabelo ou avisar a rapariga ao lado, uma "rosa inglesa" loura e de olhos azuis, está a fazer de mucama? E se for ao contrário - já que nestas andanças o cuidado com a imagem é de rigueur apesar da correria - estaremos a ser condescendente com o seu cabelo afro? Ora poupem-me. In ilo tempore as pessoas, fossem mais conscientes ou menos da cor de cada um, tivessem mais ou menos tacto, brincavam à vontade umas com as outras, andavam saudavelmente às turras se fosse preciso e acabava tudo bem.
Era o tempo dos vídeos fofos do Michael Jackson em que se resolvia tudo a dançar. Lembro-me bem desses dias felizes.  Hoje, nem o ouro olímpico serve para calar estas almas maldosas. Que fastio!





Saturday, August 13, 2016

As coisas que eu ouço: sede como as criancinhas



Esta foi mais vista do que ouvida: ontem ia eu toda atarefada a caminho dos meus afazeres quando, ao chegar à estação que tomo diariamente, noto os guinchinhos de alegria de duas ou  três crianças muito pequenas que se divertiam a girar sobre si próprias de braços abertos (quem nunca o fez em petiz, que se acuse...). Estava um lindo dia de sol e o quadro chamou-me a atenção pela sua inocência; bem se via que  não tinham nenhuma preocupação na Terra!

E do nada, reparo que um homem novo de fato e gravata se lhes juntou: abriu os braços e girou também, sem alterar a expressão do rosto, como se aquela brincadeira fosse a coisa mais séria deste mundo. Sorri enternecida para aquilo, julgando ser um jovem pai a brincar com os filhos.



Foi tudo tão rápido que mal deu tempo para perceber que não era o caso: ele rodou um par de vezes como um derviche com aquele ar grave de quem diz "virou que se faz tarde" (ou mais literalmente, como diria a Kylie Minogue, I'm spinning around, move out of my way) e, sem interromper o movimento nem mudar de cara, saiu da dança para apanhar o metro como se nada fosse.

 Isto diz muito da capacidade desta gente de viver a seu modo e de se estar nas tintas para o que o povo pensa, como já vimos, mas acima de tudo lembrou-me de como não se tomar demasiado a sério é condição sine qua non para a felicidade ou mesmo para o sucesso.

Se a uma pessoa crescida lhe apetece brincar ou  dançar o vira (ou outra coisa qualquer) out of the blue uma vez por outra, não está escrito em lado nenhum que seja proibido ou que precisa de ter horários e lugares específicos para tal - tão pouco se ganha automaticamente um carimbo de "figura de urso"  por causa disso, mas se ganhar, azar. E  até vos digo que só não me juntei a eles porque fiquei demasiado surpreendida e  não me queria atrasar, senão era limpinho. You can dance if you want to - and you can spin if you want to, era o que mais faltava.

Tuesday, August 9, 2016

Sissi esmiuça o estilo das londrinas (porque Londres andava muito sossegada).





O impacto das minhas primeiras voltas em Londres há uns aninhos valentes atrás, nunca se desvaneceu: viam-se aqui coisas que eu sonhava eventualmente usar (ou, se não faziam o meu estilo, pelo menos admirar de perto) mas que em Portugal eram raras ou mesmo impensáveis. Afinal, por muito que os portugueses quisessem armar em modernos, ainda se vivia uma certa sensaboria ou acanhamento em termos de estilo. Nunca me considerei uma trend setter nem a maior das early adopters, mas já na altura observava que qualquer tendência demorava bastante a instalar-se em solo luso.
 Muito ouvi "vais atravessar a cheia?" quando me atrevi a sair de corsários, apenas para os ver em cada esquina (e em versões baratas) dali a seis meses. Já em Londres, havia de tudo: lembro-me de tentar  não pasmar para uma rapariga japonesa de zori nos pés em pleno Inverno e com toda a parafernália de uma menina de Harajuku. 



A explosão da blogosfera e das redes sociais veio sem duvida atenuar muitíssimo essas diferenças. Hoje, Lisboa até tem uma comunidade de "lolitas" que se vestem "a la japonaise", e nem falemos das ridicularias que vemos em qualquer evento de moda...

De forma que quando se toma o pulso a uma das principais cidades na scene fashionista hoje em dia, as diferenças são mais subtis: afinal, existem sensivelmente os mesmos estilos dominantes seja em Londres, Nova Iorque, Paris ou Roma. Mas como em tudo... cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso.


Já sei que contam que fale no mau, e no muito mau em que algumas inglesas sao useiras e vezeiras, conforme nos mostram certos reality shows: não me vou alongar nisto pois  por sorte, tenho tropeçado em poucas "chavs" com os seus cabelos arrepiados e colados à cabeça com gel, grandes argolas e tatuagens medonhas. 


Quem se veste mal fá-lo como as serigaitas portuguesas, sendo que não faltam lojas especializadas nesse look, nomeadamente em bairros populares: gigantes armazéns de poliéster capazes de dar arrepios a uma pessoa!




 No entanto, já descobri aqui umas marcas francesas que a par com os mini vestidos, tem peças amorosas e fora do vulgar em algodão, nomeadamente calças coloridas, muito anos 70. 
Voltando ao look "bairro social" que é praga a escala planetária, a diferença de Londres está na nail art que, apesar de ser muitíssimo popular e comum - há um salao de nails a cada metro, benzam-se - é bastante mais discreta. Muita unhaca, muita garra medonha, mas quase sempre de uma cor apenas, nada de bonecadas...
Talvez por muitos "manicuros" serem homens! Homens chineses, frequentemente, e casados com a manicura sua sócia. Os "nails corners" sao amiúde negócios de família, e - digo eu, que mesmo assim me recuso a entrar num - talvez o paterfamilias não tolere grandes maluqueiras à clientela. 




 Mas será na maquilhagem que se vê o maior contraste comparando com as portuguesas, apesar de a "pintura para Instagram" se ter banalizado por este mundo de Deus. Aqui o caso e sério - tanto nos visuais menos decorosos e de gosto, como entre as fashionistas de serviço e profissionais de moda.
 Para já, as londrinas levam a makeup tão a peito que mandaram pela janela a velha regra da educação à inglesa, segundo a qual uma senhora JAMAIS se retocava em público (por oposição à tradição francesa, que permitia retocar ( apenas) o baton e o pó de arroz).



 Qual! Elas fazem TODA  a maquilhagem no metro, para quem quiser ver. Muitas fazem-no, vá. E estamos a falar de sombras elaboradas, contouring, eyeliner, you name it. Com uma destreza e uma chutzpah (leia-se lata ou descaramento) que me faz sorrir...embora mande a boa educação que se faca vista grossa a estas "operacões de beleza em público".

Depois, talvez pela influência de tanta muçulmana e árabe que cá mora (muitas, aliás, trabalham como brow stylists) o threading é um must (e baratissimo) e a palavra de ordem são as sobrancelhas de Instagram...pintadíssimas, enceradíssimas, algumas a beirar, quando não ultrapassam de largo, o exagero.
 O strobing também é uma febre - e só é pena que muitas meninas, que até trabalham na área da beleza, o usem em plena luz do dia,  ficando com a cara a brilhar com mais ar de facepainting espacial do que de maquilhagem bem feita...

No entanto, mandam as boas Casas de modas que as suas funcionárias, na maioria, se cinjam a uma discreta elegância: cabelos e unhas em tons naturais e maquilhagem ao estilo Chanel: baton nude ou encarnado, sombras neutras e rosto uniforme, cabelos soltos e brilhantes ou apanhados num rabo de cavalo ou chignon. Muito old school, bonito e bon chic bon genre.


 
Mas para apreciar o verdadeiro estilo inglês em todo o seu esplendor, para não ver roupa feia nem demasiado ousada por mais que se procure,  há que ir para o campo (hoje partilhei com uma rapariga que mora no countryside  um ode de amor às galochas, que como sabem aqui se tratam carinhosamente por Wellies) ou para a Chelsea, Fulham e por aí. E o preppy mais puro, o melhor look old money sem esforço que se pode.





 Elas com os seus Chelsea blow dry - o brushing solto tão admirado na Duquesa de Cambridge:




E eles muito janotas com a melhor alfaiataria inglesa predominando por ora os tons de Verao, como o azul escuro (ma non troppo). Toda a gente - casais, famílias com os seus adoráveis bebés louros ou ruivos, grupinhos de raparigas -  parece muito correcta, muito composta, uma perfeição. Há dias vi um clone de Kate Middleton sair de trás de um arbusto num parque - com os copos, a dizer palavrões, mas bem vestida e penteada que eu sei lá....

De mais a mais, a feminilidade esta em voga: abundam os skinny jeans subidos, sim, a par com os culottes - mas fazem grande sucesso os vestidos rodados e as saias plissadas sob o joelho em nude, preto ou burgundy, que se usam numa infinita variedade de combinacoes... 



Porém, se se quiser vir a Londres tirar alguma lição de estilo, que seja para aprender a dominar a arte de usar sapatos rasos com elegância. Apesar de aqui toda a gente, ou quase, ir de ténis ou calcado prático para o emprego (o que me faz sentir menos extraterrestre com a minha mania de trazer um dustbag com uma muda de sapatos) TODO o mundo em Londres tem o mesmo hábito (e já agora - descalçam-se à frente de quem estiver, sem problema algum: dizem os nativos que por estas bandas ninguém tem tempo para reparar na vida dos outros...) isso não quer dizer que se circule com qualquer coisa até mudar para uns Burberry, L.K. Bennett ou Jimmy Choo.
 Nada disso. As londrinas "bem", sejam baixinhas ou altas,  são exímias na arte das proporções e possuem uma invejável colecção de flats cuidadosamente escolhidos, o que lhes garante um porte tão distinto e uma  figura tão esbelta como se estivessem de saltos.

 E pronto, assim de rajada isto é o que me chama mais a atenção. Mas como vejo tanta coisa, decerto me hei-de inspirar para partilhar convosco mais algumas ideias...





 




Wednesday, July 27, 2016

Shakespeare dixit: palavras apaixonadas no metro



Como vos contei, por estes lados assinala-se o aniversario da morte de William Shakespeare e o seu universo está por toda a parte - o que inclui o metro, meio de comunicação londrino por excelência... lá avisa-se, anuncia-se, recorda-se, fazem-se opiniões, educa-se o povo. O que é bastante inteligente, diga-se de passagem, uma vez que as pessoas não têm outro remédio: como tomam esse transporte todos os dias que Deus deita ao mundo, alguma coisa lhes há-de entrar na cabeça. Não é a bem, é a mal. Acho muita graça como há cartazes a lembrar, por exemplo, as boas maneiras: de respeitar o espaço privado do próximo quando o comboio vai cheio, a dar o seu lugar às senhoras, por exemplo. E de facto, a esmagadora maioria das pessoas é cortês e bem educada (até os mendigos, assinale-se) o que me confirma que não há nada para manter uma ideia viva como falar nela o tempo todo. Dos trabalhadores das obras aos executivos, não há homem aqui que deixe de oferecer o seu lugar a uma menina, senhora ou pessoa de idade (ontem vi um rapaz de fato de macaco levantar-se três vezes para oferecer o assento a três senhoras diferentes!)  ou que vendo uma mãe aflita com o carrinho de bebé escada acima, não lhe deite logo a mão para o puxar...


 Há mesmo uma campanha para melhorar a imagem dos construtores civis, pelo que os pedreiros não mandam piropos: no máximo dos máximos, dão os bons dias e guardam a sua opinião lá consigo: mas de resto, aqui quase toda a gente se fala e se saúda, apesar de ser uma cidade grande...

Mas ontem - sabeis como gosto de Shakespeare - fiquei encantada por ver que na carruagem onde ia, tinham escolhido o soneto 116 do Bardo:

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O no; it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests, and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.
Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
   If this be error and upon me proved,
   I never writ, nor no man ever loved. 


 Haverá poucas descrições tão exactas do amor verdadeiro, de raiz, eterno: aquele que nunca se abala, apesar de presenciar as tempestades, nem se esbate com os meses e os anos, mas tudo suporta até no perigo, no desespero, no desalento: e quem acha o contrário não ama, nunca amou, só se entusiasmou...

Friday, July 22, 2016

Vem uma pessoa a Londres para levar com esta malcriadona!





Só a mim, só a mim, só a mim. Mal pus aqui os pés, eis que o metro estava pejado destes cartazes (acima) a anunciar a vinda de Amy Schumer a Londres. Sabem, Amy Schumer- uma daquelas comediantes armada em feminazi que acha que uma mulher, para ter graça, precisa de ser grosseira, promíscua, maria-rapaz, falar como um carroceiro, contar em sórdido detalhe os seus engates desesperados e auto proclamar-se galdéria de marca maior mas ofender-se toda se a chamam galdéria, tirar a roupa sempre que há a mais leve ocasião a ver se a elogiam, beber e praguejar como um marujo, e - last but not the least - defender que gordura é formosura mas ficar arreliadíssima se a emparelham, na capa de uma revista, com modelos plus size, fazendo o choradinho "eu não sou assim tão gorda" . Foi o que aconteceu, mais coisa menos coisa.

As outras convidadas (algumas das quais a metem num chinelo, diga-se) não gostaram, claro. Não se pode num dia advogar a "beleza real", ganhar popularidade às custas disso mas ficar danada se depois, tendo um rosto e um corpo banais, para dizer o mínimo, fazem de si porta estandarte da tal "beleza" real e da "body positivity". Hipocrisia ou falta de auto análise? Que isso de ser gorda é relativo. Amy não será gorda no verdadeiro sentido do termo, nada disso: é  uma rapariga "grande", rubicunda, rechonchuda e bochechuda (nada contra, vá) a vender saúde (fora o fígado, coitado, que não há-de estar la muito ortodoxo com tanto copofone). O seu problema nem estará no corpo, ou nas bochechas, mas na língua de trapos a precisar de sabão e na cabecinha armada em poderosa...


Mas o pior foi a forma boçal como a boa da Amy, sentindo-se lesada na sua formosura, se defendeu: atirou logo, de uma maneira que não me atrevo a reproduzir nem a traduzir aqui, com um palavrão bem directo e categórico, que arranja quantos homens quiser. Não no sentido "olhem que não me faltam pretendentes" mas no de " suas invejosas, basta-me por um pé na rua que já não passo a noite sozinha". See for yourselves aqui.

Se calhar não devia esconder-me de Ms. Schumer quando ela passar por cá. Devia encher-me de evangélica paciência e ter a caridade de ir ao espectáculo, sofrer aquilo tudo, bater-lhe a porta do camarim com um six pack de Guiness geladinha (suponho que ela deve gostar disso) sentá-la bem sentadinha e ter com ela a conversa que a mãe ou a avó dela não tiveram, ou até tiveram mas a menina estava demasiado entornada para perceber.




É que primeiro Amy, filha, essas coisas não se dizem, pelo menos nesses termos tão feios, ainda que sejam verdade. Segundo, minha rica, lamento o injusto e sexista double standard, mas há verdades sociais e biológicas que o feminismo não conseguirá mudar por mais soutiens que se queimem: e que, tenho pena de dizer isto, os homens, ou muitos deles, quando se trata de mulheres para a farra, não são exigentes por ai além. É triste, é repugnante, e horrível de reconhecer até porque a promiscuidade também cai mal ao sexo masculino (embora seja talvez menos socialmente condenável aos olhos do vulgo) mas é a verdade. Até entre os que são bonitos, a quem não falta por onde escolher, muitos, se tiverem pouco juízo, não se ralam de juntar ao seu carnet de conquistas umas quantas mulheres menos atraentes. Para diversão importa-lhes mais a quantidade e a facilidade, menos a qualidade. Depois, para relacionamento sério, já elevam mais a fasquia e sonham com uma beldade bem comportadinha que possam apresentar aos pais (que muitas vezes não arranjam o que é muito bem feito, já agora!).


 As excepções a isto são raras e esta é a razão de tantas mulheres que se comportam como a Amy terem dificuldade em estabilizar e andarem a choramingar que os homens são uns cobardes e uns aproveitadores  porque nunca mais lhes telefonaram - mas isso é assunto para outros carnavais.

O que importa, menina Amy, é que não há mérito algum para uma mulher em ter muitas one night stands, nem que seja com umas estampas de rapazes, porque para isso basta somente  não ser hedionda de todo, percebe? Ter muita procura nesse "mercado" (Credo!) não é um atestado de beleza, é um atestado de doidice e de uma má fama danada. De disponibilidade e muitas vezes, de carência. E em muitos casos, de incapacidade para "segurar" (salvo seja) um diabo que a carregue.  Mas era eu a dizer isto e a Amy a acusar-me de machista e opressora, porque a realidade dói sempre um bocadinho. Prefiro deixar-lhe as suas ilusões. Ela tem uma carreira de sucesso e é crescidinha, que se desembrulhe que eu não sou paga para substituir a palmatória que faltou às filhas dos outros, quanto mais ainda pagar bilhete para dar sermões a alguém. Passo.

Thursday, July 21, 2016

De volta (I think a change would do you good).





Antes de mais, e directa ao assunto porque vos escrevo de uma terra de gente sem rodeios (lá iremos noutro post...) gostaria de principiar por agradecer sensibilizada o vosso cuidado e carinho durante esta ausência que nunca imaginei tão longa - de novo, já la chegamos...


Segundo, desculpem qualquer coisinha mas terei de arranjar um teclado português por estas bandas onde a Rainha Boadicea se fartou de dar tareia nos romanos, ou não vão faltar gralhas nestes textos, ai não.
 Mas vamos a uma explicação breve, que como sabem não aprecio aqueles textos do tipo "eu, eu , eu" estilo frases inspiradoras, egocêntricas e facebookianas da Clarice Lispector: eu sou uma daquelas pessoas relativamente previsíveis. Talvez não o suficiente para me tornar horrivelmente maçadora (espero...) mas não sou grande fã de surpresas: gosto da minha rotina e de tudo direitinho,planeadinho, sem aventuras de maior. Chego a ter pesadelos em que viajo e me falta o passaporte e os cartões de multibanco, imaginem. Mas não se enganem: quando o jogo vira, vira mesmo, se o saco rebenta, vai tudo raso e nem eu sei bem de onde me saiu ímpeto para virar tudo do avesso, correr mundo e viver extraordinárias aventuras. Já não e a primeira vez.
é como se tivesse um Indiana Jones de saias cá dentro que só salta lá para fora em caso de forca maior, ou coisa que se pareça. Mas quando ele salta, esperem o inesperado, o impossível, o "nem parecem coisas tuas", etc. 


De modo que, cansada de algumas portuguesices e mesmices a vários níveis, precisada de arejar ideias e sem vontade alguma de tolerar o tórrido Verão português (que só e maravilhoso para estar num dolce far niente, mas não tão fantástico quando se tem outras coisas para fazer: lá dizia o Visconde Reinaldo "não há nada mais reles do que um bom clima!") eu andava cá a cozinhar passar uma temporada fora mais dia, menos dia. E vai não vai, vou não vou, e hoje e amanha, eis que decido ir passar dez dias a Londres (a par com Roma, uma das poucas grandes cidades onde acho tolerável viver) a ver *literalmente* em que param as modas, a beber inspiração numa cidade que, com os seus defeitos por certo, da para uma pessoa se afogar em beleza, a tirar ideias, a gozar o fresco, as lojas e os museus, a ver de perto a emoção do Brexit, dos 400 anos da morte do Bardo (vale a pena vir a Londres só para ver as montras do Selfridges inspiradas nas pecas de Shakespeare) e dos 90 anos de Sua Majestade (vim mesmo a tempo- só a mim sucedem tais coisas). E os dias foram-se estendendo, transformando-se em semanas a fio sem que eu (preparada que ia para voltar a correr para solo pátrio) tivesse levado uma engenhoca decente para escrever. O tablet da Apple e mesmo isso, uma engenhoca pretensiosa...




Mas dessas peripécias - sem querer transformar agora o Imperatrix numas "cartas de Inglaterra" - trataremos mais tarde, pois como imaginam tenho observado, admirado e embirrado bastante por aqui...

Um beijinho a todos, e considerem o  Salão reaberto com uma valente dose extra de chá, sandwiches e torradinhas. Jolly well!




Saturday, May 28, 2016

Que casaco usar sobre saias ou vestidos?

Apesar de a Primavera já ir avançada, as temperaturas ainda são instáveis e um agasalho é indispensável, principalmente à noite. Nesta altura começamos também a tirar partido dos cardigans, dos blazers frescos ou sport jackets, dos blusões e de outros casaquinhos de meia-estação.

No entanto, se é relativamente simples escolher um agasalho que fique a matar com jeans ou outras calças, quem usa saias e vestidos regularmente poderá notar que às vezes, o casaco parece deixar o conjunto um pouco sem graça. 

Isto porque acertar nas proporções para saias é um bocadinho mais complicado - se quisermos mesmo um resultado perfeito, que favoreça realmente a figura.

Mas sabendo um truque muito simples, é mais fácil acertar: não usar nada que corte a figura nem a saia a meio. É que isso pode funcionar...ou não. Para quê arriscar?



 Para não haver mesmo erros, o casaco deverá sempre ser sensivelmente igual ou mais longo do que a saia (no caso de sobretudos leves, gabardinas, kimono jackets...)....

Ou então, um pedaço mais curto; idealmente, um casaco curto para saias ou vestidos deve cair um pouquinho acima da linha da cintura (em blazer, blusões, casaquinhas...).   

Se vai usar um vestido de cocktail pelo joelho ou 3/4, por exemplo, um bolero fará com que a figura fique mais longa, além de criar curvas bonitas- ao contrário de um casaco que cubra totalmente a cintura.



Isto é especialmente válido para vestidos ou saias cingidos e com mais estrutura (sheath, linha A, corpete + saia de balão) e para as mulheres com uma anca feminina, pronunciada (ampulhetas, pêras...) sejam mais cheinhas ou magras, altas ou baixas.

Se quiser usar,um casaco médio e solto como um boyfriend blazer, por exemplo, ele resultará melhor sobre um vestido fluido, com menos forma - shift dress, por exemplo.




Trata-se de um pequeno detalhe que pede observação, mas faz uma diferença enorme na silhueta! Já tinham reparado?





Ghostbusters só com mulheres- será boa ideia?


Já o tenho dito, Hollywood e os média em geral andam apostados em me escangalhar a infância com remakes e versões modernaças de filmes, personagens e séries bem amados pela minha geração. 

Não sei se será o caso de Ghostbusters, mas o que temos visto até aqui não me deixa nada descansada. Raramente fazem justiça ao original, quanto mais inventar para melhor, isto quando não se põem com paranóias da inclusão e da igualdade. Agora há uma orfãzinha Annie afro-americana (nada contra, até estou curiosa para ver o filme, mas ser ruiva era o cartão de visita da personagem. É o equivalente a fazer A Cor Púrpura com mulheres louras de olhos azuis: até pode ser feito, mas não fica a mesma coisa). 

E se eu adorava os Caça-Fantasmas! Que serões com os primos à espera de nos assustarmos benevolamente com as assombrações! O meu preferido era o taxista-múmia que se virava de repente, no meio do caos armado em Nova Iorque. E a Estátua da Liberdade a caminhar? E o Titanic a chegar ao porto? E a música, que ainda ouço às vezes?

Duvido que seja a mesma coisa; que com os novos efeitos especiais por computador se consiga o mesmo impacto. Agora, que o elenco se componha exclusivamente de mulheres, não me agrada nem me desagrada. Só me aborrece por ser a visão imposta pela ditadura do politicamente correcto. 




Fazia mais sentido ser misto - haver entre os rapazes uma rapariga gira e uma senhora mais velha de língua afiada, daquelas que não aturam tretas, a mostrar que uma mulher é tão capaz de caçar almas penadas como um homem em vez de se limitar a ser a donzela em apuros ou a secretária namoradeira. Mas não. Tinham de fazer uma equipa exclusivamente feminina because you know, feminism. Soa forçado e é uma seca que nem a diversão mais inocente seja livre de cassete política. É o que temos e sou capaz de ver só para tirar teimas, embora sob protesto e a pensar que há aqui discriminação contra os homens e misandria, em modo " agora vingamo-nos, aqui menino não entra". Ah, grow up already.

Friday, May 27, 2016

Homens musculados são maus, diz a ciência?




Apareceu-me isto nos feeds e passo a citar com uns retoques devidos ao português:

"De acordo com um estudo realizado na University of Westminster, homens mais fortes tornam-se namorados horríveis. O estudo baseou-se em 327 homens heterossexuais, dos quais mais de um terço eram solteiros e descobriu que quanto mais musculado era o participante, mais provável era ter crenças sexistas e mais hostilidade contra as mulheres.

A correlação entre homens musculados e crenças sexistas está enraizada em papéis tradicionais de género. “Achamos que homens que mantém crenças opressivas sobre mulheres e igualdade de géneros são também mais passíveis de carregar estereótipos tradicionais de masculinidade, o que inclui o físico musculado. Frequentemente, homens que já são sexistas esforçam-se para ser musculados, porque isso carrega a sua ideia de como um “homem a sério” deve ser. Os investigadores afirmaram que em sociedades onde as estruturas patriarcais estão a ser desafiadas, os homens podem tentar provar a sua masculinidade melhorando os seus corpos. Basicamente, homens que estão rodeados de mulheres no poder tendem a sentir-se ameaçados e ultrapassam isso ganhando músculos".


A autora do texto aponta depois, com  razão, que de facto os "Carlões" de Jersey Shores e afins não são exemplo para ninguém. Já lá vamos. Mas a única ideia isenta e razoável presente em tal estudo (um estudo que traz o papão do patriarcado e o termo "crenças opressivas" à baila só pode ser tendencioso) é mesmo que o crescimento da febre da musculação pode ser uma resposta aos exageros do feminismo. Os pobres homens sentem tanta pressão para se efeminarem, o apelo à mulher dominadora por parte dos média e da sociedade (com as suas desagradáveis consequências) é de tal ordem, que alguns acabam por rebelar-se dessa maneira.

Ora, eu mais do que ninguém prego contra Carlões, Ricardões e bimbos de ginásio. É óbvio que não se espera grande coisa ou respeito pelas mulheres de um bruto que se diverte a ver a Casa dos Segredos, a dançar em antros e a relacionar-se casualmente com mulheres sem dignidade que alinham pela mesma bitola e parecem, por sua vez, saídas da Casa dos Segredos. E convenhamos que em muitos ginásios o ambiente não é dos melhores, não. Quem vive para trabalhar só o corpo e não cuida da mente...já se sabe o resultado.

Não obstante, um homem pode ter músculos e ser culto, saber estar, saber vestir, ser um cavalheiro. Tal como uma bela mulher, com um corpo imaculado, pode ter cérebro e ser uma Senhora.



Por outro lado, nem tenho necessariamente nada contra o tipo de homem magro e sonhador, intelectual, poeta ou artista - veja-se o Reid das Mentes Criminosas, que é um encanto. Ser varonil não requer necessariamente um físico impressionante, já que a hombridade é uma característica que vem de dentro.



Mas daí a relacionar músculos com mau carácter ou confundir misoginia ou chauvinismo com uma postura e figura masculina, viril, protectora, vai uma distância. Há um apelo ancestral na força, na imponência, num físico masculino forte e saudável - não necessariamente trabalhado músculo a músculo, mas que dê o ar de quem pode saltar em defesa da sua dama e da família em caso de necessidade. Para não falar no factor estético- ombros largos são mais atraentes do que uma postura corcovada a denotar preguiça, um tronco elegante veste melhor um fato, braços fortes oferecem outra segurança e por aí fora. O exemplo que vimos há dias, do Thor a fazer bolos para a filha, mostra bem que um grande tórax pode esconder um coração de manteiga. E não há nada mais querido do que um homem forte que possui auto domínio, que sabe fazer uso da força e é cuidadoso com os mais frágeis. O povo até avisa contra certos "lingrinhas" que compensam com maldade a falta de tamanho: homem pequenino é velhaco ou dançarino.

Dizerem que os homens atléticos são os maus da fita é uma desculpa tão boa para a preguiça ou a invejita como gritarem aos quatro ventos que as mulheres desleixadas são "belezas reais". Essa é que é essa.

Pasmem: atrevi-me a *tentar* ver "Comer, Orar, Amar".




Shame on me. Se há coisa que me aborrece é filmes de mulheres tipo Bridget Jones, que invariavelmente envolvem uma solteirona desesperada a fazer asneiras enquanto procura um diabo que a carregue, ou uma divorciada a tentar encontrar-se a si própria justificando com essa desculpa a sua fiada de asneiras. Que- estava eu farta de saber - é o caso de Comer, Orar, Amar, livro/filme autobiográfico que pôs muita alma tonta em modo rebanho a viajar para Itália, Índia e Indonésia (acho- não cheguei a essa parte) para aborrecer os nativos com os seus chiliques. 

Sobre o romance light, uma cronista do New York Post deu a melhor definição possível: "uma tolice narcisista e new age"



Adequado, portanto, ao mulherio oferecido que adora Chagas Freitas, tem montes de one night stands com homens que estão fora do seu alcance para uma relação séria, acha-se mais bonita e capaz do que na realidade é, porta-se mal mas reclama que nenhum homem presta, finalmente se tiver sorte lá casa com alguém mais a condizer consigo para não ficar para tia, corre mal e vai descarregando no Papa, nas boas energias, nos gurus e nas citações ressabiadas/sórdidas de Facebook. Típico. Não admira que fosse um best-seller à escala global. As coisas andam assim, pretas.

Mas primeiro, porque estava a passar na TV e eu não tinha sono, logo dava-me jeito assistir a algo que me maçasse de morte; segundo, porque queria ver a parte que se passa em Itália (pintada com os estereótipos da praxe e como se em Roma não houvesse águas correntes quentes e frias); terceiro porque enfim, não acho necessário conhecer a fundo as coisas  com que embirro mas sempre convém embirrar com algum conhecimento de causa; e quarto, porque não havia nada melhor, lá arrisquei.



Bom, o filme tem imagens bonitas, tem uma boa fotografia. Há umas nonnas e mammas italianas a levar as mãos à cabeça com as modernices da protagonista, que lhe dão uma pitada de bom senso obviamente descartada pela narradora.

Salva-se por aí. Mas o argumento, justos céus! Se já viram, como quase todo o mundo viu, não me quero alongar: mas a heroína (bem casada, com um bom emprego e uma vida estável) acorda um belo dia e diz ao marido "não quero estar casada". Assim, porque não lhe apetece. Como quem diz "não quero ir ao ginásio hoje". O pobre coitado, que parece um tipo decente, indigna-se todo e lembra que fizeram um juramento, que para ele foi a sério, que queria criancinhas e envelhecer juntos e todas essas puras alegrias. 



Mas não. A egoísta da menina (vejam aqui um texto excelente sobre o filme que se foca mesmo nisso) está super desinfeliz.

Desinfelicíssima. A morrer por dentro apesar de ter saúde, família e amigos, um marido que a ama,  bom aspecto, uma carreira de sucesso, meios para passar um ano sem trabalhar se lhe apetecer e uma casa confortável. Que tragédia.

  Como se qualquer casamento fosse só felicidade todos os dias, sem esforço nem sacrifícios - e divorcia-se mesmo. Depois a maluca leva palmadinhas nas costas dos amigos que deviam era dizer-lhe "cresça", aborrece toda a gente com as suas lamurias, envolve-se numa relação muito pior que a anterior só para não estar sozinha com uma espécie de Gustavo Santos mais novo e todo metido a espiritualmente superior, desses que são vegetarianos porque é bonito armar em social justice warrior, começa a adoptar os hábitos dele como se não tivesse nada na cabeça, corre mal, separa-se desse também e lá vai toda contente ver se se encontra a si própria. 



Ou a ver se encontra Deus a meditar num ashram cheio de mosquitos ou lá o que é (adormeci nessa parte- os mantras deviam ser mesmo bons).

E em Itália lá aprende o valor do hedonismo e do dolce far niente, mas como lhe falta a noção de bella figura das italianas, que comem e bebem sem engordar, enfarda como uma esfomeada, trata de arranjar um pneu e dizer que isso é liiindo. Claro que a autora não capiscou nadinha, nada, niente, da filosofia de vida italiana, que passa muito mais por isto. Prazer de viver, descontracção, mas força, espírito de sacrifício, amor à família, Fé, brio na imagem, feminilidade. Isso são conceitos que passam totalmente ao lado destas cabeças de alho chocho.




E foi isto. Não vi mais nem preciso. São estas ideias doidas, egocêntricas, superficiais e patetas que andam nos média a ser pregadas às mulheres como positivas, poderosas e CORAJOSAS. Porque ir laurear a pevide pelo mundo fora só porque nos dá na gana exige muiiita bravura.

Não que seja má ideia uma mulher, ou qualquer ser humano, tirar um ano sabático para pensar na vida e "encontrar-se", se quer e pode. Não que seja necessariamente errado uma pessoa ter uma epifania e agir como lhe der na telha, pensar em si própria, perceber o que realmente quer. Mas deixem-se de floreados e de colocar filosofias da treta nos caprichos, por favor. É muita lata.

Thursday, May 26, 2016

Por uma vez sem exemplo, estou de acordo com a Esquerda.


Mas a medida podia muito bem ter vindo da Direita. Só não virá por teimosia e peca por tardia, desculpem lá a rima.

Eu sou do tempo em que havia bons colégios e boas escolas públicas. Passei por ambos e tive muitos colegas que, tendo estudado sempre no privado, depois optavam por terminar o secundário num dos dois excelentes e super exigentes liceus que cá temos. Também havia o vice-versa para quem precisava de notas altas para entrar em Medicina ou coisa assim (dizia-se à boca pequena).

Bem entendido, nada contra certos colégios serem subsidiados de modo a suprirem  necessidades que a escola pública não cubra: em zonas remotas ou junto de alunos com necessidades especiais, por exemplo. Ou contra certas instituições ditas de "elite" terem uma quota de bolsas para alunos merecedores que não podem pagar as propinas. Isso é razoável e justo.

 Mas não tem sido o que se verifica, antes pelo contrário. Vemos colégios a recusar alunos com deficiência e, por sua vez, escolas públicas a lidar, sem recursos humanos nem logística adequada, com as necessidades dessas crianças. Vemos escolas públicas que pagamos do nosso bolso sem as devidas instalações ou material, outras que igualmente pagámos do nosso bolso com instalações criadas para esse bruxedo do Parque Escolar...ambas às moscas e com professores por colocar,  enquanto no quarteirão seguinte colégios supostamente privados são frequentados supostamente de graça por tutti quanti. Ou seja, andamos a pagar duas vezes. Ou três, caso matriculemos os pequenos num colégio que, a bem da qualidade e da sua reputação, recuse beneficiar de tais medidas. 

E isso é o que me confunde- chamem-me elitista à vontadinha que eu posso bem com isso, mas um colégio não perde a sua razão de ser ao tornar-se absolutamente gratuito para toda a gente, sem qualquer critério a não ser a proximidade geográfica, quando até há escolas ao lado? Não abre mão dos seus valores ao não estabelecer normas de admissão baseadas no mérito ou na excepção?

Colocar os filhos num colégio é uma decisão, a meu ver, tomada por motivos específicos: o rigor, a oferta educativa, ou algum diferencial, como a instrução ministrada por religiosos, militares, etc. Se alguém decide investir o seu dinheiro em algo que poderia obter gratuitamente na rede pública, é porque, como pagante, quer estar em posição de exigir mais; porque deseja alguma coisa que o ensino público não ofereça: condições superiores e eventualmente, alguma selecção e exigência na frequência, companhias e rigor que se encontram no dito colégio. 



E bom, falo por mim mas não matricularia familiares meus em alguns que conheço, que não só acolhem qualquer valdevinos como não procuram - talvez porque os valdevinos se tornaram a maioria lá dentro - moldar os malandros à filosofia inicial da casa; em vez disso, relaxam as normas para se adaptarem à tipologia dos alunos. Nada contra quem, ao chegar ao secundário, escolhe antes ir construir casas ou frequentar uma escola de estética (é trabalho honesto como qualquer outro) mas que esse perfil se tenha tornado dominante (ou quase) em alguns colégios diz algo do seu status quo e da disciplina lá dentro. Por exemplo, toda a favor dos colégios religiosos,desde que se mantenham religiosos e tenham a obrigatoriedade da Missa, do uniforme e das normas de conduta. Senão, onde está o sentido?

Como isto não deita por terra a reputação e brio daquilo que é suposto ser um colégio, beats me.

Por fim, vamos ao non sense da "igualdade de oportunidades" (se há escola pública acessível a toda a gente, não sei onde anda a desigualdade) e do "direito a escolher a escola dos nossos filhos". Toda a gente tem o direito a escolher, em tudo. Agora o "direito a escolher" bens ou serviços de luxo *e* de graça já é outra história. Eu tenho o direito a escolher só andar de Mercedes, Jaguar, Ferrari, BMW, eu sei lá, e a só vestir Chanel, Dior, Prada e assim por diante. Se tiver meios para isso, se me esforçar nesse sentido. Sem exigir que o Estado me ofereça essas coisas.  O capitalismo assim o dita, graças aos Céus. É esquisito que tenha sido a Esquerda a lembrar isto, mas adiante.

Este "direito a escolher" é tão estranho como seria quem beneficia de habitação social entender que devia mudar-se para um condomínio de luxo na zona mais inflaccionada da cidade, à borla, no questions asked, porque o sol quando nasce é para todos, apesar de estar bem servido de habitação no sítio onde mora. 

O básico está assegurado: o extraordinário é escolhido e pago directamente por cada um; não arrancado aos contribuintes como se as escolhas individuais dissessem respeito a toda a gente. O que seria um bocadinho comunista e só vem tornar a questão mais confusa. Palmatória, volta que estás perdoada.




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