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Saturday, May 21, 2016

O ridículo da decadência.




Há uma altura da vida em que das duas, uma: ou uma pessoa cresce, ou torna-se ridícula. E isto não é uma opção.

Já por diversas vezes se falou aqui do complexo Peter Pan e de certos hábitos que convém largar por volta dos 30, bem como das formas de se adaptar aos tempos em termos de estilo sem perder a identidade.

O tempo passa e a vida transforma-se, por muito que uma pessoa tente bater o pé a isso. Por muito que se conserve um espírito e uma aparência jovem, por muito elixir da eterna juventude que se beba, por mais que se esteja melhor forma aos 30 ou 40 do que se estava aos 20 anos, por mais que se cultive uma saudável rebeldia e que se seja capaz de levantar 100kg ou correr maratonas. Não se é só "mais velho (a)". É-se um upgrade do (a) jovem que se foi. É-se crescido (a), adulto (a), uma versão mais sofisticada e sábia do antigo eu. E quem não é, devia - sob pena de se tornar uma caricatura de si mesmo (a), uma sombra fanada e decadente dos seus dias dourados.




Quem aos 30, ou perto disso, não se tornou mais compassivo, menos irreflectido, mais corajoso, mais responsável, mais confiante mas também mais humilde, com prioridades mais definidas e um melhor conhecimento e domínio de si próprio (a), está bem arranjado (a) na vida: é aquela pessoa que recebe todos os olhares de desconto, vulgo "que se há-de fazer? aquele (a) parou no tempo!".

Quem aos 30, ou perto disso, ainda se expressa e veste/penteia/maquilha exactamente, sem tirar nem pôr, como na adolescência ou nos early 20s, envelhece e pesa o visual e a linguagem, mesmo que não tenha engordado nem perdido cabelo. Um adulto vestido como um adolescente a falar como um adolescente não é bué da fixe e bué da jovem: mesmo que tenha boa cara, é sempre um adulto vestido como um adolescente a dizer "bué" e "miga" como um adolescente. Até porque há coisas que passam num teenager, mas soam ridículas, de mau gosto ou mesmo suspeitas num homem feito ou numa mulher feita. Nem os vampiros deixam de acompanhar o passar das eras. Não querem ser confundidos com mascarados (ou não quereriam se existissem, vá).


Quem aos 30, ou perto disso, ou depois disso, continua a ser o eterno rufia, a eterna namoradeira à espera do príncipe encantado, o eterno sonhador ou sonhadora à espera da fama, o idealista que só aceita empregos de sonho, a eterna rapariga fácil, o eterno playboy ou o eterno menino mimado que não se responsabiliza, vê a vida passar como quem vê navios no Alto de Santa Catarina: à sua volta os amigos de sempre constroem vidas, carreiras, famílias, experimentam a alegria das realizações e as lições das perdas, tornam-se pessoas mais fortes- se calhar melhores, se calhar piores, mas sempre actualizadas.



 Mas quem não cresce fica para trás, datado (a), patético como um sistema operativo obsoleto ou um logótipo que já não bate certo com as tendências do mercado, mas que ainda não tem idade nem estatuto para ser considerado um clássico. Não percebe que crescer não significa vulgarizar-se, tornar-se pequeno burguês, deprimente ou conformista. Há maneiras de evoluir em termos, sem se transformar num estranho ou num cliché da vida adulta.

 Quem não vê isso continua a levar com rolares de olhos e encolheres de ombros toda a vida. A ser o palhacito da festa, o primo tolo, a amiga desmiolada, o maluco que nenhuma mulher nem nenhuma empresa leva a sério, o ex-atleta, a rock star que ficou pelo caminho, o party boy que já não aguenta a bebida como antes, a doidivanas que não é para casar, o irresponsável que não vale a pena promover, o one-hit-wonder que só passa nas festas de nostalgia, o ex de fulana e beltrana que não tem emenda, o cubo de Rubik de todos os grupos, a relíquia cheia de mofo, a tralha do sótão.

E isso tem piada nas reuniões de faculdade ou de liceu...mas também é extremamente triste. E estranho.


À passadeira encarnada o que é da passadeira encarnada.


"Há lugares, trajes e ocasiões para tudo (ou quase tudo, vá) nesta vida". Esta é capaz de ser das frases que mais se repetem aqui pelo Imperatrix, embora haja sempre quem ache que não, ou até concorde mas fique muito surpreendido quando calha criticar-se algo que remotamente lhe diga respeito.

Ora, há dias falámos na patetice de Jennifer Lawrence e das suas "intervenções políticas". Eu sou da opinião de que os artistas - e em especial os actores - devem manter alguma discrição acerca de assuntos sérios. Não só a bem de uma certa neutralidade que lhes permite chegar a uma audiência mais alargada, não apenas porque é raro terem posições sensatas (veja-se o disparate de Jodie Foster a dizer que os ricos são o demo quando ela própria vale muitos milhões) mas também porque detesto ver eventos como os óscares transformados em manifestos baratos. Não sei o que fizeram da velha máxima "numa festa não se discute futebol, religião nem política" mas ela faz muita falta. Cada macaco no seu galho.



Se os famosos querem intervir em causas, podem fazê-lo brilhantemente apenas por serem famosos: usando a sua imagem para chamar a atenção para problemas que os média ignoram (como Audrey Hepburn e mais recentemente, Angelina Jolie, que goste-se ou não dela tem sabido ajudar sem dizer tolices) passando grandes cheques para caridade como fazia a saudosa Elizabeth Taylor (seja às ocultas seja em público para que haja mais gente a querer fazer o mesmo) organizando eventos de solidariedade cheios de caras conhecidas, ou gravando singles do tipo We are the World, como Michael Jackson e companhia. E finalmente há as entrevistas e os social media, onde podem dizer da sua justiça para os seus muitos seguidores, nem que seja para debitar as piores fiadas de asneiras.


O campo de acção é vasto, mas às ocasiões festivas há que deixar a devida leveza. Atravessar a passadeira encarnada é um momento leve, superficial mesmo - e convém que assim seja.

 Pessoalmente não tenho paciência para acompanhar os ditos das celebridades que pisam o red carpet a caminho de qualquer entrega de prémios (vejo o que vestiram nas publicações da especialidade, e mesmo assim...) mas já se sabe que é puro trolaró.

 O que dizem é pouco relevante e é bom que assim se mantenha. Por muito importantes que se achem, actores e cantores recebem os balúrdios que recebem para ENTRETER as plateias. Deles espera-se material para descontracção e diversão e com sorte, algum bom exemplo. Ninguém lhes paga para questionar os grandes enigmas da humanidade: para isso há filósofos, cientistas e estrategas.

Por isso, quando a comediante toda pró-liberal e pró-feminismo progressivo Amy Poehler vem desafiar os jornalistas a fazer "perguntas inteligentes" às mulheres na passadeira encarnada, porque falar só de roupas é sexista e redutor- diz ela- não é que haja mal no caso; é só disparatado.


 Eis mais um exemplo de chica esperta a querer por força provar que é inteligente. E já se sabe, uma rapariga inteligente e poderosa não precisa de o demonstrar por força, tal como uma senhora não tem de provar que é uma senhora. De resto, trate-se de homens ou mulheres, não estou para que me macem com as suas teorias na passadeira encarnada. Quero saber que trapos vestiram, um ou outro plano de carreira e já é muita conversa. Não é que todas as perguntas sugeridas por Amy e seguidoras (até Hillary Clinton, cruzes) sejam totalmente descabidas; mas arrelia-me a constante necessidade de afirmação feminina, tanto como a constante necessidade de afirmação da gente de Hollywood. Não podem concentrar-se no seu trabalho e deixá-lo falar por si? 

Ninguém tem de provar nada a ninguém, há ocasiões para tudo e cada caranguejo no seu buraco, etc. Pior que ser cabeça de vento, só fazer questão de partilhar isso com o mundo...


Friday, May 20, 2016

As coisas que eu ouço: sem medo e com pouca vergonha




Uma pessoa das minhas relações que está a representar a organização onde trabalha num exótico e distante país, ganhou simpatia por um dos moços que limpa o condomínio- jovem emigrante alegre e prestável, vindo lá do Bangladesh, do Paquistão ou coisa que o valha.

Pois há umas semanas o meu amigo estranhou que o rapaz, sempre tão bem disposto, andasse com cara de Sexta-feira Santa, triste que dava dó, como se carregasse o peso do mundo nos ombros. Ao início não quis parecer intrometido, mas como os dias passassem e ele continuasse acabrunhado, perguntou-lhe o que tinha e se o podia ajudar em alguma coisa, etc.

Pobrezito! Vendo que alguém se interessava pelas suas arrelias, não aguentou mais e rompeu a chorar, contando o infortúnio que o moía por dentro e sacando de umas imagens comprometedoras que lhe tinham enviado anonimamente. 

Era portanto o caso mais velho e sórdido do mundo: o desgraçado a mourejar de sol a sol para dar uma vida melhor à família (mulher e um filho pequeno) e a flausina lá na terra, de sari para o ar...e de arranjinho com outro. 


Todo sufocado com o desgosto, ainda teve a presença de espírito de dizer que só queria ir a casa quanto antes tratar discretamente do divórcio e da custódia do pequeno, sem revelar as razões do desquite nem à própria família, nem à família da adúltera, senão cunhados e irmãos ainda se juntavam para algum medonho crime de honra daqueles que são tristemente costumeiros por essas bandas, e ele - com a nobreza de um S. José  - não queria, apesar de tudo, nenhum mal à mãe do filho, nem fazer dele órfão. E lá foi para a terra encerrar o assunto.

Qualquer infidelidade é sempre horrível: mas quando à traição se soma a ingratidão, pior se torna. E depois, está provado que más mulheres, como maus homens, há em toda a parte e que quando se querem portar mal, não são os rígidos costumes, nem a vigilância, nem trancas ou a ameaça de consequências tremendas que impedem o que quer que seja. Que a mulher faltasse aos seus deveres, já era mau; que não receasse pela própria pele, sabendo os bárbaros usos com que por lá se afligem até as mulheres inocentes, quanto mais as culpadas... é muita lata e muita loucura.

O que reforça a minha ideia de que quem leva uma vida desregrada e/ou é capaz de apunhalar friamente a cara metade não está muito bem, mentalmente falando. O descaso pelo risco, pelo embaraço e pelos sentimentos alheios só pode querer dizer que se está num modo um bocadinho psicopata. Não sei se isso existe, mas explicava muita coisa.

De nobre e de louco, todo o amor verdadeiro tem um pouco


Este meme apareceu-me nos feeds e fez-me lembrar um artigo que li há tempos: quatro comportamentos doentios que os media nos pintam como românticos. Goste-se ou não, é um facto que as grandes canções, poemas, livros e filmes raramente se debruçam sobre histórias de amor que correm bem

Pensemos na lírica trovadoresca, embora não faltem exemplos mais antigos: nas cantigas de amor a mulher adorada é sempre distante e inacessível; nas cantigas de amigo, a donzela apaixonada debate-se invariavelmente com saudades, ânsias e cuidados, desabafando para os pinheiros, a mãe ou as amigas. E se saltarmos rapidamente para o sec. XX, até o clássico Fools rush in, (uma canção que descreve o processo de enamoramento) avisa que só os tolos se arriscam, no melhor modo "quem se aventura a amar, aventura-se a sofrer".


A arte celebra quase sempre o amor que ainda não foi consumado (o processo de conquista, quando tudo é ilusão e ansiedade) o amor atormentado, excessivo e conflituoso do tipo  byroniano e por fim, o amor perdido ou atraiçoado (Taylor Swift, mestra nesses folhetins, é um exemplo pop e bastante actual).

O lado bom, feliz e sereno do amor raramente é pintado, escrito ou cantado. 




 Seja porque nessas alturas de bonança as pessoas andam demasiado entretidas para se lembrarem de produzir alguma coisa, seja porque as emoções mais brandas não são tão fáceis de descrever ou porque - hipótese mais provável- há quem confunda um amor saudável com outra coisa. Com aquela coisa deprimente que é um arrumar-se com quem está à mão à falta de melhor, com um arranjinho para não estar sozinho, com um "amor" de ocasião e de papelão. Resumindo, com os "amores" vulgares, para inglês ver, daqueles que têm um ou outro  "amo-te" dito da boca para fora como um herege a dizer o Credo; relações ligeiras, destituídas de paixão, que só diferem das amizade coloridas por terem a decência do compromisso e da monogamia. 



A ideia "paixão é boa mas acaba mal, amor verdadeiro é morno mas acaba bem" ou "a paixão é egoísta e violenta, o amor verdadeiro é mansinho e altruísta" é uma grande falácia responsável por dois males: por manter as pessoas presas a paixões disfuncionais, achando que num relacionamento saudável nunca sentirão emoções fortes, e por empurrar outras para relações tíbias e sem profundidade, pensando que só assim estarão livres de sofrimento e de surpresas.

paixão é um ingrediente quotidiano do amor que aumenta a tensão e intensidade das emoções, apenas para encontrar alívio temporário e recomeçar o ciclo. É uma montanha russa sem a qual qualquer ligação se torna uma maçada insuportável.

É verdade que um casal que viva só da paixão anda tão mal como alguém que não consuma fruta, legumes, nem proteínas e se alimente exclusivamente de condimentos, molhos e gulodices; ou seja, falta-lhe substância. É um amor de faca e alguidar que nunca estabiliza. 



Mas um casal que viva só do oposto - do companheirismo, da conversa estimulante, da compatibilidade, do facto de serem muito amiguinhos e de terem bastante em comum...esse é como um asceta que só se alimenta de raízes e legumes, sem sal nem açúcar. Falta-lhe vigor, força, ímpeto; falta-lhe a beleza, a intensidade e o romance, tudo estímulos que por si não fazem uma relação firme mas que são imprescindíveis para lançar raízes profundas e para fomentar o necessário espírito de sacrifício que é inerente ao amor verdadeiro. 

Para amar bem, para  relativizar os defeitos, para se entregar sem reservas e ter aquela devoção que torna as pessoas capazes de dar a vida pelo outro, é preciso estar cego (a) de amor. E sem paixão isso é impossível.

 Não se pode cometer o egoísmo de gostar de alguém pela metade, por simples desejo de segurança, até porque isso falha quase sempre para ambos. Afinal até a pessoa mais pacata, mais inofensiva, de quem se gosta só assim assim (ou seja, pouco o suficiente para nunca perder o controlo das emoções) tem defeitos e comete erros. Suportar os senãos de quem se adora já tem as suas complicações...que fará o resto. Como dizia o outro, "não se dá nada enquanto não se dá tudo".




Um grande amor, um amor verdadeiro e duradouro, tem portanto todas as coisas boas, nobres e elevadas: o respeito, o carinho, a admiração, o deslumbramento, o companheirismo, a paciência, a diversão, a entreajuda, a delicadeza, o estimular das melhores qualidades um do outro, a estabilidade, a fidelidade, o simplificar do que costuma ser complicado, a amizade, a certeza, a honestidade, a adoração, o pacto para toda a vida, o arrimo na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza. 

Mas também é  por natureza, e convém que seja  -  na intensidade, na tensão e na intimidade- avassalador, obscuro e despótico; terá a paixão, terá o seu bocado de ciúme, que leva ao desejo de posse e de exclusividade; conta com os seus momentos de exagero, de doidice, de desabafo, de conflito, de pieguice. É o extremo do  "se não ficarmos juntos, morro" que determina quem é "a tal" ou "o tal" de cada um. É o acertar de agulhas, o mostrar do lado negro, o medo de perder o outro, que mostra quem é ou não importante e o que é ou não suportável.

Nem só trevas, montanhas russas e loucuras, nem só racionalidade, florzinhas e unicórnios: um grande amor vive tanto da aventura como da paz. Senão, não é a sério...







Thursday, May 19, 2016

Kim Kardashian: como transformar diamantes em "brilhos de serigaita"


Sabem aquele filme em que uma data de modelos acabam envolvidas com uns mafiosos russos que para traficarem diamantes sem dar nas vistas, mandam aplicar as pedras à laia de lantejoulas nuns vestidos medonhos? A cena deu origem a uma frase que acho impecável: I can't die here. This place is full of ugly dresses.

Lá está- nem tudo o que parece é...ou vice-versa, que foi o caso esta semana. O material mais belo, raro e luxuoso pode passar por uma coisa vulgar se mal utilizado. É mais difícil criar uma peça que pareça barata usando boas matérias-primas, mas não é impossível (lembram-se do desgosto que foi o Ralph Lauren de Kate Winslet, que parecia vindo da lojinha do chinês?).

Ora, Kim Kardashian pode vestir Givenchy e Balmain actualmente (e até acertar uma vez por outra, embora devesse dizer a Kanye West que cale aquela bocarra pois por muito que marido/empresário tenha gostos mais caros, apesar de tudo ela sabe melhor do que ele o que favorece a sua silhueta). 

Pode estar na primeira fila dos maiores desfiles, ter sido mãe duas vezes, fazer capas da Vogue e ter entrada franca em quase todo o lado - não porque as pessoas sofram de amnésia mas porque ser mercenário está na moda. Money talks e onde a Kim vai, há publicidade de certeza e protagonismo nos social media vale ouro (por muito que isso desvirtue a ideia de verdadeiro luxo). 




Porém, faça o que fizer, vista o que vestir, ou mesmo tendo fama de não ser má pessoa, Kim Kardashian é uma serigaita. Uma serigaitae pavonis por dentro e por forado tipo mais vistoso, com derrièrre avantajado, cabelo preto-graxa, montes de base escura na cara, quilos de lápis preto nos olhos, um grande currículo de proezas de alcova incluindo divórcios, escandaleiras na internet...e brilhos, brilhinhos e brilhantes. Qualquer serigaita adora BRILHAR, usar brilhinhos em tudo e Kim Kardashian não renega as origens.

Pode-se tirar a serigaita da barraca, mas nunca se tira a barraca da serigaita. Ela própria admite com orgulho que há-de tirar naked selfies até morrer, logo não lhe estou a fazer nenhum enxovalho ao dizer isto. 

E como boa representante da espécie, Mrs. Kardashian-West quis chegar a Cannes (sic) em grande brilho.




 E pronto: já que usar strass barato parecia mal e o Kanye não deixava porque adora mostrar que subiu na vida, deve ter-lhe dito "dama, se queres brilhar como um pirilampo força, mas tem de ser com diamantes verdadeiros para mostrar que não somos nenhuns pelintras".


Zás, tratou-se do assunto com uma marca de joalharia, elaborou-se um vestido de 36 milhões, arranjou-se um penteado arrepiado de efeito molhado à moda do bairro perigoso daqueles que fazem um carão de bolacha a quase toda a gente, e lá foi a Kim toda contente e pimpona, pronta a arrasar.


Ai que carão de melão...melão, melão, melão...

Que vá, usar um vestido de diamantes é uma ostentação, uma extravagância, mas nem seria tão disparatado uma vez que foi para promover uma casa de jóias. Se o modelo a favorecesse e o styling fosse diferente, mais serigaitice menos serigaitice, perdida por um, perdida por mil.

O problema é que, vá-se lá saber porquê, Kim que até é engraçada dentro do seu tipo, insiste em usar tudo o que lhe esconde os melhores atributos (menos o "dito cujo", claro) e tudo o que a torna mais baixa e mais gorda do que na realidade é. 



Tem um cabelo bonito (quando opta pelo seu castanho-preto natural) mas cola-o à cabeça com gel; tem uma figura de ampulheta bem feita, mas aumenta de volume com tecidos elásticos demais e esconde o colo com decotes afogados feitos para modelos esquálidas, que a fazem parecer uma cabaça e "engordam"; tem o rosto oval e traços regulares, mas pinta-se e penteia-se de forma a parecer que tem cara de melão; e usa quase sempre comprimentos que a atarracam. Em suma, o vestido não é feio e funcionaria num tipo físico diferente. Para resultar nela, era modificar aquele decote, tirar as transparências de lado que aumentam a anca e encurtar a barra da saia, lavar-lhe a cabeça com sabão azul e fazer um penteado que favorecesse o rosto. Simples.

Posto isto, o melhor que Kim faria era cortar um pedaço à vestimenta e dá-la como pagamento a qualquer stylist com credenciais. Continuava a ir coberta de diamantes, se é o que gosta, mas o efeito era outro.

A "panelinha" não tem nada a ver com o testo.




Diz o povo (eu farto-me de citar o povo, porque temos um povo super sábio) "quando se faz uma panela, faz-se o testo para ela". Logo, cada um passa a vida à procura do seu "testo" ou seja, da sua outra metade que lhe cai na perfeição como a tampa de origem de uma panela ou tacho. Quem cozinha sabe que há testos que saem do lugar e são uma maçada quando a fervura levanta.


 Até encontrar o seu "testo" -  que por sua vez anda igualmente por aí algures, em busca de recipiente que lhe sirva -  toda a gente é uma panela sem cobertura. Ou mal tapada. Incompleta. Desemparelhada. O testo da sua panela é uma expressão menos lamechas do que dizer "a alma gémea" ou "a metade da laranja". Nunca ouvi namorados a  referirem-se uns aos outros como "minha panelinha mais linda" ou "meu testinho fofo que nunca salta" mas é capaz de resultar.

Porém, o povo faz outra alegoria com panelas: diz-se que duas pessoas muito cúmplices e muito unidas, cheias de cochichos (seja para bem ou para mal) estão "de panelinha". 


Ora, quando duas amigas, ou dois amigos, ou duas pessoas da mesma família têm grande união, partilham tudo, conspiram constantemente, são unha com carne ou seja, quando "estão de panelinha", pode acontecer que uma delas se ressinta se a outra encontrar "o testo para a sua panela". De repente, o melhor amigo ou amiga, a irmã, prima inseparável ou a prole apaixona-se, decide juntar os trapinhos e - pelo menos numa primeira fase - começa a estar menos disponível. Não é que tenha segredos ou deixe de lado as outras pessoas que fazem parte da sua vida, mas o amor - e o planear de uma vida em comum - é por natureza bastante absorvente.


 E se por acaso o "testo" escolhido não for do inteiro agrado de quem se ressente, pior um pouco - sendo que, a partir do momento em que ocupa plenamente o seu lugar e começa a tomar muitas atenções à "panela", há muito poucas hipóteses de vir a agradar por mais que se esforce.

  Zás, está o caldo entornado:  a "panelinha" desfaz-se, ou quase, por ciúmes do testo e da panela. Por sua vez, a "panela" deixa de se sentir à vontade para fazer "panelinha" ou partilhar confidências porque não está para ouvir constantes reparos, críticas, cobranças e recriminações. É um a dizer "tu  não ligas a ninguém desde que tens par " e o outro a responder, já a ferver pelo fogão fora "mas que bicho te mordeu? devias estar feliz por mim, pois sabes que não fácil encontrar testo que me servisse". É a panela feliz a contar "o meu testo é tão querido" e a ex-panelinha, de ressabiada, a ser mordaz "vê lá se o testo é de barro...".



Mas a verdade é que nada disto tem ponta por onde se lhe pegue: o facto de o testo e a panela estarem finalmente juntos não tira, porque nunca poderá tirar, o lugar das "panelinhas". Há coisas que cabem à cara-metade, há outras em que os amigos e a família são insubstituíveis. Em última análise, qual é a piada de uma pessoa se apaixonar se não pode partilhá-lo com cúmplices, dar detalhes, contar minúcias, pedir conselhos, em suma, "fazer panelinha"?

 De resto, quem se quer bem tem de pôr a felicidade do outro em primeiro lugar: a panela que encontrou o testo, não deixando de valorizar o resto do seu clã (ou neste caso, trem de cozinha); e a "panelinha" ajudando no que puder o casal sem "meter a colher", oferecendo o seu apoio para o que der e vier sem pragas do estilo "depois não venha cá chorar quando correr mal", dando o desconto a quem anda entusiasmado (pois é muito cruel ser desmancha prazeres) e pensando construtivamente que não está a perder uma pessoa, mas a ganhar mais uma. Afinal, para fazer um banquete (ou uma grande família) são precisas panelas e testos, panelinhas, faianças, talheres, pratarias....


Wednesday, May 18, 2016

Jennifer Lawrence, cabecinha de alho chocho por excelência.


Eu não simpatizo com a persona de Jennifer Lawrence. Nada contra o seu trabalho como actriz, mas enquanto figura pública e role model deixa muito a desejar. Tudo nela me soa a tonteria desbragada, ou a falsidade para captar simpatias: das gaffes (propositadas?) às tiradas escatológicas do género Maria Rapaz armada em engraçadinha passando pelo excesso de partilha de intimidades no melhor espírito hipocritazito "eu não sou uma estrela, sou uma pessoa igual às outras!", e pela sua atitude politicamente correcta de santa padroeira da "beleza real", sem esquecer a lamuria e a histeria quando retratos privados seus vieram a público (por amor da Santa - ninguém merece uma vergonhaça assim, mas para que raio vai uma celebridade adorada por nerds e hackers arriscar retratar-se sem roupa e colocar as imagens na nuvem? É uma necessidade? What the hell were you thinking??? E ainda se vitimiza?).


Decididamente, não é o tipo de "famosa" que eu acho que mereça admiração, mas o público parece adorá-la porque afinal, é mais fácil identificar-se com comportamentos que nivelam por baixo do que inspirar-se em quem se rege pela elegância no discurso. Sinais dos tempos, mas eu continuo a preferir estrelas de classe como antigamente e daqui não me tiro.

E esta última peripécia veio confirmar a minha opinião: Jennifer é uma liberal de primeira como a maior parte dos artistas, alinhando por todas as modernices- e apoia os Democratas apesar de ter sido criada como Republicana (cá para mim, nem ela sabe de que lado há-de estar, mas adiante). De modo que embirrando com Donald Trump, como meio mundo embirra, e tendo-se cruzado com o homem numa festa, não foi de modas: corajosa como ninguém, tratou de pôr a sua equipa de seguranças à procura dele, com o firme propósito de lhe dizer "F**** you!" na cara.
Ficou-se pelas intenções pois Trump, por mero acaso, ou porque estava de saída, ou porque nem ele tem pachorra, escapou à justiceira de Hunger Games; mas ainda assim a menina tratou de contar a toda a gente. Boa. Que heroína, hein? Classy.

Que a mim a briga dá-me igual: tinha alguma admiração por Trump enquanto homem de negócios capaz de se reerguer depois de ter perdido tudo; fiquei surpreendida por o ver em tais aventuras mas de resto, em relação à política americana estou em modo God Bless America.

Porém, se o discurso Trump é às vezes adoidado e desagradável, mandá-lo a uma certa parte em público (e rodeada de seguranças) não me parece ser uma atitude muito melhor. Se a actriz não concorda com o senhor pode sempre dizer isso no Twitter para os seus milhões de seguidores, apoiar a campanha adversária, eu sei lá. Mas não. Reagir como uma fedelha desmiolada e malcriada é que é.

Poupe-me, Jennifer: a mim não me engana. Ainda há escolas de boas maneiras na Suiça para quem não levou a lição estudada de casa; talvez devesse passar por lá em vez de dizer asneiras. Que enjoo!





Dos protestos contra os saltos altos (e do bom senso)



Há dias comentei no facebook que acho um disparate a birra contra o uso de saltos em Cannes. Pelos motivos que detalhei aqui no ano passado e sobretudo, porque as celebridades cabeças-ocas em causa perdem a razão quando atiram com o argumento "não me podem exigir algo que não exijam a um homem; eles não têm de usar saltos" (também era o que faltava, os cavalheiros aparecerem lá como este; then again, já andámos mais longe). Ora, por amor de Deus! Também não se vai lembrar às senhoras que venham barbeadas e usem gravata, pois não? Não faria sentido.



Uma passadeira encarnada é uma coisa: quem não quer cumprir o dress code entra pela porta dos fundos e caso arrumado, se bem que não faltam saltos razoáveis e confortáveis que cumprem o figurino sem matar os pés. E para o resto, há rasos festivos. Não fica tão bem, mas não é impossível caso se tenha um entorse ou assim. Sem mencionar o velho truque de levar umas bailarinas escondidas para calçar nas pausas sem ninguém ver (fiz isso dezenas de vezes e recomendo imenso o truque para casórios e outros eventos). Ou que os sapatos realmente bons ( a que desculpem lá, as celebridades têm franco acesso) não magoam quase nada. Qualquer pessoa que já tenha calçado uns Jimmy Choos ou equivalente sabe que não têm comparação em conforto com uns saltos baratinhos. Hipocrisia much?

Esta "caridadezinha para inglês ver" torna-se mais disparatada ainda quando se trata de comparar ir calçada com Casadei ou Gucci para um par de horas num evento glamouroso onde quem quer pode sentar-se,  com uma jornada de trabalho em saltos altos de qualidade duvidosa - situação a que as estrelas de cinema pretendem igualar-se andando de pés nus.

Algumas das actrizes que assim "protestaram" deram a entender que foram descalças em solidariedade com a empregada de mesa canadiana que feriu muito os pés por ser obrigada a usar scarpins um dia inteiro (a imagem é chocante e não sei se me arrepiam mais os pés magoados ou o sapato que parece mesmo sintético, rijo e desconfortável; pobre pequena). Oh, b*** please: já me doeram os pés em festas do croquete, mas todos sabemos que não tem paralelo possível com estar 8 horas em cima de tacões.


O que me leva ao essencial: quem me lê sabe que não defendo saltos disparatados no dia a dia. Stilettos e afins, só em ocasiões especiais -até porque é de mau gosto andar por aí em preparos demasiado festivos. No quotidiano, costumo  cingir-me a saltos largos de 5 cm, mais ou menos.

Mas algumas organizações (e muitas dirigidas por homens que não agem tanto por "machismo" mas por faltinha de noção, quanto mais não seja noção de estilo) precisavam de contratar stylists para não fazerem disparates com as suas funcionárias. Certa vez, estava a representar a empresa onde trabalhava numa convenção (ia de sheath dress e com uns scarpins de salto médio italianos fofinhos e muito macios, já a contar com umas valentes horas de um lado para o outro a falar com pessoas). E do nada, deparo-me com duas raparigas muito novas que vinham em nome de uma start up. Coitadas, nem queria creditar quando me disseram que não eram hospedeiras contratadas para promover um produto maluco qualquer, mas marketeers. Imaginem: vinham com uns vestidos curtos que pareciam saídos do Star Trek e de sandálias (nota bene: sapato aberto num evento de negócios) brancas, altíssimas, compensadas, com tiras nos tornozelos, enfim...calçado de stripper.



Fiquei abismada e cheia de pena por me confirmarem que estavam aflitas dos pés e que tinham vindo assim calçadas (já não falo do resto) por ideia do chefe. Say what??? Sem me querer contradizer - e sabem como sou avessa a ver sexismo em todo o lado - mas aquilo foi muito chauvinista, além de pindérico e de mau gosto. No melhor modo "mandamos para lá estas duas bonecas de feira que tanto faz terem um diploma na área como não; assim como assim só lhes vão olhar para as pernas". Duvido que tenham feito alguma apresentação de jeito, doridas como estavam. Ou que alguém lhes desse ouvidos.

Lá está, tudo tem o seu lugar. Ir descalça para Cannes ou qualquer festa formal é inapropriado, desnecessário e ridículo. Usar saltos assassinos no dia a dia  é inapropriado, desnecessário e ridículo, além de doloroso. Mas anunciar "o fim desse tipo de sapato" por ser uma agressão às mulheres é o fim do mundo. Não prescindo deles nem que chovam canivetes, mas como qualquer arma, é preciso sacar deles só em momentos-chave. Custa assim tanto distinguir esta nuances?




Tuesday, May 17, 2016

Eu embirro com...estas maçadas de Primavera



Não quero soar ingrata: depois de um Inverno que parecia nunca acabar e de chuva, chuva e mais chuva, que nunca usei tanto carapuço na minha vida, eu ansiava pela Primavera como qualquer mortal.

Mas como o ser humano é insatisfeito por natureza e verdades são verdades doa a quem doer, não posso deixar de embirrar com estas coisas primaveris altamente embirráveis:

1- Centopeias (e outros bichos, mas a mim só me ralam as centopeias)

Morar no campo tem destas coisas e todos os anos me queixo desta minha némesis de muitas patas. Este ano tardaram e estava com esperança que o Criador tivesse reconsiderado, pensado sei lá, que o bicho pode ser um prodígio de engenharia mas não tem utilidade nenhuma, e dizimado a espécie. Enganei-me, já tropecei em duas. Mafu JÁ.

2- Bichos dos pinheiros e outros flagelos altamente causadores de alergias

Um passeiozinho no bosque e zás, uma pessoa fica uma chaga. Valeriana JÁ (é um óptimo substituto natural para anti-histamínicos e excelente para a urticária, caso não saibam; funciona e uma pessoa sempre anda menos taralhoca e ensonada).

3- Tempo Temperamental

De manhã está bom, à tarde passa um ventinho, as noites estão mais quentes mas podem gelar de um momento para o outro. Resultado: saímos de casa de sapatos e blazer mas anda-se com uma gabardina forrada, cachecol e umas botas no carro, just in case. Isto se não contarmos com a chuva, que ainda há dois dias caiu que Deus a dava.

4- O inferno de fazer malas

Nunca é fácil planear uma viagem, mas na Primavera? As partes de cima vá que não vá (camisas e tops de algodão prestam-se a tudo) e calças, jeans e saias também não oferecem grande problema, mas o calçado e os agasalhos são um quebra-cabeças.  Leva-se só trench coats e casacos leves ou é melhor encafifar um anorak na bagagem, pelo sim, pelo não? E calçado? Botas, botins, sapatos abertos? É horrível molhar ou gelar os pés, mas assá-los num passeio é tortura. E - oh contradição danada- se fica muito, muito bom tempo? Não será melhor incluir um fato de banho, à cautela?

Sempre preferi o Verão porque ao menos não é dissimulado, nem instável, nem imprevisível. Se calhar chamam-lhe "prima Vera" por ter o feitio complicado que *injustamente* se atribui às mulheres. Só pode.


Jennifer Lopez tem uma certa razão!




Ando um bocadinho viciada no novo single de Jennifer Lopez, Ain´t your Mama.



É que, fora a mensagem feminista mais fanada que os as barbas de D. Fuas Roupinho no início do videoclip ( estou cheia de pena da J-Lo magnata e cheia de sucesso a exigir "equal pay"; olhem para mim comiseradíssima) e pondo que uma mulher não morre por mimar um pouco os homens lá de casa (fazer uma sanduíche ao pai, irmão ou marido é uma gentileza, não um gesto de criada para todo o serviço) a menina tem um bocadinho de razão.




Afinal, quase todas já se cruzaram com/ têm uma amiga que apanhou, um bebezão imaturo deste género, um preguiçoso que não é homem que sirva para coisa nenhuma e ainda toma a cara-metade por garantida. Isto para não falar de casos piores, dos  marmanjos para quem a "igualdade" veio dar muito jeito porque a dignidade masculina não lhes assiste; são daqueles que deixam a mulher carregar os sacos e se lhes derem asas, nem se ralam nada de serem sustentados por ela, e ainda muito obrigada por cima! *arrepio de repugnância*. E de resto, a cantiguinha cai como uma luva a qualquer homem que se acomoda com a mulher de quem gosta a sério e que acaba em modo Lambada (com ou sem estalo) "chorando se foi/ao lembrar de um amor/quem um dia não soube cuidaaaaaaaaaaaar".



Then again, estará Ms. Lopez a falar por experiência própria, já que arranjou um boy toy namorado muitíssimo mais novo que ela, aproveitador e malcriado como tudo, sem fortuna nem predicados que o recomendem (e que aqui entre nós que ninguém nos ouve, ainda por cima não deve nada à beleza) e que tem mesmo cara de fazer o que ela canta, ou seja, de passar o dia sentado no dito cujo a jogar videogames?

Oh Jennifer, a menina é too good for that, too good for that!


Não quero soar preconceituosa: Jennifer Lopez fez-se uma mulher lindíssima (aquela cinturinha! Aquelas maçãs do rosto! Tudo cinzeladinho e modeladinho, a provar que no pain, no gain). Não envelhece nem por nada. 





Quando começou a aparecer eu achava-a uma morenita igual a tantas latinas cheiinhas mas desabrochou, sofisticou e mais retoque menos retoque, está uma beldade. Se não fosse o penúltimo hit escabroso em que tentou competir com as novas "rainhas do derrièrre" teria a maior admiração por ela. Quanto mais não fosse por gratidão pelas vezes em que dancei ao som disto e pasmava para o vídeo, que era um encanto:




Voltemos a 2016 (fico sempre tonta com estes flashbacks) e à Jennifer: qualquer homem seria um sortudo por estar ao seu lado, mais velho ou mais novo. Mas a estatística não recomenda tais namoros porque "eles" já são, por natureza, mais imaturos e ainda por cima acham (repito: acham) que têm a natureza do lado deles, como se não existissem calvície, andropausa e essas maleitas masculinas todas. Ainda há dias tivemos um caso por cá, e caso bem disparatado...cada uma sabe de si, cada situação é uma situação, há pessoas decentes e há crápulas em todas as idades, mas é de desconfiar.



 E quando uma mulher é bonita e rica e o namorado-fedelho nem por isso, há que desconfiar o triplo das suas boas intenções. Jennifer tem um filho para criar, não precisa de outro. Esperta era se arranjasse um homem à séria que tomasse conta dela, não que Lopez precise mas sabe sempre bem. Simbólica e emocionalmente, pelo menos. Lá diz o ditado "uma mulher a sério basta-se a si mesma, mas um homem a sério não a deixa fazer tudo sozinha".  Não vejo onde está o charme dos imberbes... to each their own, fazer o quê.



Em todo o caso, a canção é bem orelhuda e o vídeo cheio de referências vintage é muito engraçado (e bom para ouvir enquanto se faz exercício, fica a dica). Já me pôs a cantar e a dançar I ain´t your mamma cá por casa, que pelo andar da carruagem ainda pensam que me passei para o lado negro da força e internam-me porque no dia em que desatar a queimar soutiens, é sinal que pirei de vez. Mas nunca fiando: como diz a Jenny from the block, nunca convém deixar que o "inimigo" fique demasiado confortável. Uma coisa é ser tradicional e feminina, outra é ser tapete. Não se confundam.

Monday, May 16, 2016

Duas portuguesas, dois vestidos.


Foi-me sugerido (e eu gosto muito de receber dicas; keep them coming!) que apreciasse a toilette de Rita Pereira para uma festa privada (de um lançamento dos gelados Magnum) em Cannes. Fora as postagens no Facebook sobre Blake Lively e Julia Roberts, ainda me debrucei muito pouco sobre a edição deste ano daquele que é um dos derradeiros eventos do género a merecer verdadeira atenção como montra de modas & elegâncias, mas aqui vai.

Primeiro, acho que temos ido tão bem representados por beldades nacionais como outro país qualquer, mas no quesito das vestimentas andamos a desperdiçar oportunidades de causar impacto (até porque eu embirro com a moda portuguesa em muita coisa, mas no que toca a vestidos de gala temos pessoas bastante competentes).

Segundo, creio que as minhas queridas amigas contem que eu diga algo contra o facto de Rita Pereira ter escolhido um naked dress (ou quase) no *eventual* propósito de captar atenções ( que outro motivo há para alguém de optar por um vestido transparente?). 




  Fair enough, mas não vou por aí porque 1) os naked dresses são mais que as mães ultimamente e mais um menos um é como  outro, 2) as portuguesas têm tanto "direito" a destaparem-se como outras quaisquer com mais poder de escolha e maior impacto à escala mundial, 3) que me recorde apesar de eu não acompanhar muito as idas e vindas das celebridades lusas não é a primeira vez que Rita Pereira se descobre além da conta num evento internacional e 4) assim como assim Cannes tanto dá para a extrema sofisticação como para um exibicionismo danado desde os primórdios.

O que me faz espécie, portanto, não é tanto o naked dress com um body por baixo, que peca sobretudo por não ser novidade: a estrela de novelas está em óptima forma e quanto ao resto, tudo dito. O que tenho a comentar é outra coisa: o modelo e fitting do vestido, que não estando mal, não faz maravilhas por ela. Em trabalho tive ocasião de privar mais do que uma vez com Rita Pereira e aprecie-se ou não o seu tipo de beleza (há quem adore, há quem embirre com ela) há duas coisas que são inegáveis: Rita é cuidadosíssima com a silhueta, mas se não fosse não vinha daí mal ao mundo porque é uma daquelas mulheres realmente bem feitas, que mais quilo menos quilo, mais gordurinha menos gordurinha, têm sempre uma bella figura.  Facto, e olhem que eu sou coca-bichinhos nestas coisas. Segundo, com o seu tom dourado natural (goste-se ou não de um look bronzeado) suporta bem algumas aberturas.



 Mas por isso mesmo, um slip dress com pouco pano e nada estruturado, caindo simplesmente ao longo do corpo, é um desperdício nela. Ou antes, ela está desperdiçada no vestido. Uma pena, já que o tom metalizado lhe vai muito bem. 

Não que o tecido a "engorde" ou coisa assim, pelo contrário- mas Rita Pereira tem uma figura de ampulheta com cintura vincada, rins bonitos, ombros bem modelados e uma bela estrutura óssea, que pede outra coisa. Um vestido fluido e coleante, com halter neck a estreitar-lhe o peito de mais a mais, não lhe dá a espectacularidade que se conseguiria facilmente com um modelo mais estruturado, elaborado sartorialmente falando, com maior apoio aos seus pontos fortes - que podia ser igualmente revelador, se a intenção é essa. A História está cheia de exemplos de vestidos bem escandalosos que eram prodígios de alta costura.



Depois, nos Globos de Ouro portugueses tivemos, como sempre, uma Raquel Prates elegantíssima num Carolina Herrera que não só eleva as aberturas estratégicas a outro nível, como prova que com bom fitting e optando por uma base distinta, um pouco de ousadia cai bem. As frestas em direcção às ancas sugerem sem mostrar nada e o mistério é sempre mais interessante. Foi considerado o vestido da noite, mas vindo de quem vem não se esperaria outra coisa, nem é novidade. Mais do que procurar criatividade ou chamar a si os olhares, não ceder um palmo naquilo que resulta, fazendo pequenos upgrades, é receita certa para não falhar. E Raquel knows.



Boys will be boys... e às vezes uma rapariga tem de ser um pouco "one of the boys"


A plataforma  Just Not Sports publicou um curioso vídeo que se tornou viral. Nele, foi pedido  a vários homens anónimos que lessem os tweets maldosos que duas jornalistas desportivas, Sarah Spain e Julie DiCaro, costumam receber dos internautas masculinos.




 E como podem calcular, porque as pessoas ADORAM ser parvas na internet e os ânimos se acendem quando se trata de desporto, havia chistes muito mauzinhos. Dos banais "incompetente, tu não pescas nada disto", a coisas realmente misóginas, do tipo "é por isto que só se deviam contratar mulheres para favores indecentes ou para limpar a casa" ou cruéis, como a alusão ao abuso sexual sofrido por uma das jornalistas no passado (por outro lado, não compreendo a necessidade de figuras públicas tornarem públicos os seus traumas privados, sabendo como o mundo está cheio de gente desalmada). Sem contar com ofensas de rameira, galdéria e por aí (tinha de ser; esta gente não tem criatividade nenhuma para insultos).

E o resultado, como era de prever, foi os cavalheiros convidados pedirem desculpa pelos trogloditas e ficarem todos emocionados.




Até aí, temos factos. Mas não deixa de haver aqui um certo exagero - ou se quisermos, vitimismo, ofendedismo, etc - ao classificar tais actos como meramente "sexistas". Eu já explico a minha ideia.


Vamos lá, nenhuma mulher - nenhum ser humano, de resto- devia ter de ler comentários tão estúpidos, sujos, maldosos e malcriados. Se os homens se lembrassem de ser cavalheiros em todas as circunstâncias (ou seja, tratando as mulheres como gostariam que tratassem as mães e irmãs deles) outro galo cantaria. Then again, a impunidade e anonimato da internet possibilitam igualmente que as mulheres escrevam coisas escabrosas e que magoam umas sobre as outras (lembram-se de falarmos nas megeras que comentavam a apoiar as supostas traições de Ronaldo a Irina?) ou sobre homens. A má educação e a falta de empatia não têm sexo.




No entanto, vejamos duas coisas: primeiro, alguns ditos são idiotas, certo; todavia,
 nota-se perfeitamente o tom jocoso da coisa. Dizer, como Eça de Queiroz dizia, "esta mulher merecia bordoada" não quer dizer que seja a sério. Tal como não é a sério quando se diz a/de um homem "a sua mulher devia pô-lo na ordem com o rolo da massa" ou coisa que o valha. 
Além da força de expressão (se toda a gente  pagasse multa por cada vez que diz "esta pessoa precisava era de uma boa tareia" só como quem diz, sem qualquer intenção de a ver sovada, estava meio mundo falido) muita gente fala "para o ar", sem pensar, quando se refere a figuras públicas na internet. É uma parvoíce, mas é o prato do dia. Acredito que a maioria seria incapaz de o dizer - ou pensar, sequer - se estivesse cara a cara com a visada. Ainda há dias tivemos um grande burburinho por causa de umas bofetadas virtuais e ainda me custa a crer como se fez caso de tal patetice. 

Segundo, parte de ser uma mulher num meio masculino exige algum arcabouço e costas largas. E o mundo do desporto é capaz de ser o mais agressivo de todos, pior trinta vezes que uma caserna. Eu tive uma amostra levíssima, como vos contei ontem, e juro que não me queria ver em tais assados. Uma mulher que adore escrever sobre desporto  terá de suar as estopinhas para provar que não é uma maria-chuteira (se for bonita) ou uma maria-rapaz sem nada melhor para fazer.  Porém, a César o que é de César: sou toda pela diferença de papéis, mas se há área onde uma mulher pode (e às vezes deve) ser mais dura e assertiva, é no aspecto profissional (ao contrário do campo amoroso, onde convém que paute pela feminilidade) .



Não só porque há gente abestalhada em toda a parte , mas porque se "eles" são por tradição brutos uns com os outros (bem diz o povo, embora rudemente "brincadeira de homem é coice de burro") não se pode esperar que quem vem trabalhar de igual para igual num clube onde até há pouco tempo "menina não entrava" seja tratada com paninhos quentes.Afinal, se assim fosse, a entrada de mulheres ia estragar-lhes a festa e as rapaziadas.

 Nisso há uma eterna imaturidade: boys will be boys e uma rapariga entre eles terá de ser um pouco one of the boys; não fazendo o mesmo, mas dando o desconto e respondendo com competência e profissionalismo às as suas barbaridades. 

 Entre si, eles tratam-se de gordos, feios, mariquinhas e chifrudos para baixo, sem esquecer mútuos insultos à mãe de cada um. Ora pela lógica, se calha terem uma mulher entre si, no mesmo barco, há que esperar que ataquem igualmente pelo óbvio: de versões ordinárias de "mal amada" e de especulações do tipo "o marido dela só pode ser um banana, para ela ser uma bruxa tão grande" (confesso que em certos casos concordo um bocadinho com esta)  a rodas de histérica, passando por piadinhas brejeiras envolvendo a silhueta ou conduta íntima da mulher em causa. 





Ou há moralidade, ou sobra para toda a gente. Isto nada tem de sexista, é do mais equalitário que pode haver: homem, mulher, é tudo corrido a bocas foleiras. É desagradável? É. Devia haver mais educação? Sem dúvida. Mas faz parte do jogo. Santa Joana D´Arc conseguia que as tropas a seguissem sem dizer palavrões nem cometer ordinarices, mas bom, ela era santa para começo de conversa; depois, em tudo o resto enturmava-se, já que fazia questão de lá estar; e por fim, não acredito que se tivesse Twitter na altura, se viesse queixar em público "ai que os rapazes são muito maus para mim, snif snif". Era mais dura que eles e sovava-os se fosse preciso, impondo respeito. Que remédio há, senão entrar em modo "palavras de burro não chegam ao céu" ou mudar de emprego? 

Se vamos desistir de tudo porque há gente rude no local de trabalho - sejam homens ou mulheres - nunca chegamos a lado nenhum. Next!

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