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Tuesday, April 4, 2017

O complexo Fiona: auto aceitação ou desleixo?


Jennifer Lawrence (a faz- p*retes, campeã dos palavrões, maria rapaz, grosseirona, que- tira- retratos- a- fazer- dos- arbustos- retrete Jennifer Lawrence-) é novamente imagem da Dior. Da ultra elegante Dior. Da super aspiracional, luxuosa e - habitualmente - exclusiva Dior.

Porque será?

Porque Jennifer é, sabem, super relatable. Ser relatable vende. Está imenso na berra, já lá vamos aos motivos. E at the end of the day, mesmo as marcas que se querem mais inalcançáveis precisam de awareness, vulgo dar nas vistas.

Qual é a  tradução portuguesa de relatable? "Empatizável"?  De qualquer modo, aparentemente essa é a maior razão da popularidade da actriz: o público sente-se identificado com a sua linguagem bardajona, com as suas piadas escatológicas, com os seus modos arrapazados.




Obviamente a menina não aparece nos anúncios da Maison Dior a dizer asneiras nem a fazer gestos obscenos: disfarça, quem a visse diria que não parte um prato não fosse pela t-shirt com dizeres feministas (outro termo que vende que nem pãezinhos quentes até se lembrarem de outro qualquer). Mas todos sabemos o que por ali vai.




De igual modo (a Dior estará a tentar apelar à juventude "rebelde" do tipo Morangos com Açúcar?) no último spot do perfume Miss Dior, é a habitualmente bem comportada e mucho classy Natalie Portman que deixa o noivo no altar e foge de helicóptero com um gandim qualquer. Eu vi e pensei "que raio?" E o senhor meu marido, sem que tivéssemos falado no caso, quando pôs os olhos no anúncio a primeira vez, deitou as mãos à cabeça e perguntou se agora, para venderem perfume, era preciso agirem como taradinhas-canta-monos. Realmente!




Já aqui o disse em tempos: longe vai a época em que o público idolatrava celebridades dignas de admiração, que inspiravam pela aparente perfeição da sua figura, da sua beleza, da sua elegância e das suas atitudes, como Grace Kelly ou Audrey Hepburn. Pessoas que podiam não ser perfeitas, como ninguém é...mas tentavam.

Actualmente, a audiência é preguiçosa. Prefere identificar-se a ser inspirada; prefere o grupo de pertença ao grupo de referência. 




Afinal, é muito mais confortável ser fã das indiscrições de Kim Kardashian, das gordurinhas de Ashley Graham ( nada contra um certo protagonismo das modelos plus size, mas a glorificação da celulite cai no extremo oposto; a Ashley, porém, voltarei mais tarde) ou da má criação de Jennifer Lawrence. É muito mais fácil pensar assim do que era, antigamente, tentar imitar a sensualidade elegante de Sophia Loren, fazer por ter as curvas perfeitas de Cindy Crawford ou os modos impecáveis de Jackie Kennedy.




O sucesso de personagens desleixadas e trapalhonas como a Princesa Fiona, de Shrek, Lena Dunham em Girls ou Bridget Jones está aí para o provar. 

Fiona nem tinha culpa de ser uma ogresa- mas no final, acabava por achar mais divertido sê-lo, ter más maneiras à mesa, fazer barulhos desagradáveis, enfim- agir como lhe dava na *literalmente* Real Telha. Ser imperfeita, destemperada ou mesmo ter um discurso cheio de demasiada informação a falar de funções corporais, de intimidades e a tender para o repugnante, é feminista, "empoderador"...está na crista da onda!




 E basta uma rápida volta pelas redes sociais da vida ou pelo Pinterest para notar a quantidade de memes e frases feitas, tão do agrado do mulherio, com ditos do estilo "I give zero f***". Ou seja, "sou malcriada e gosto". 

A palavra de ordem é "tenho mau feitio, aturem-me" , "sou desmazelada, achem-me linda", "sou bêbeda e galdéria, onde está o meu príncipe encantado?" e assim por diante. Vivemos a época das palmadinhas nas costas, dos prémios de consolação, dos troféus de participação. Perdeu-se a noção da fronteira entre a auto-aceitação e o desleixo puro e simples.

Ninguém quer melhorar, ninguém quer ser disciplinada, ninguém quer ter trabalho...e os média, as marcas, cedem: está-se em modo Ad captandum vulgus: 
baixar o nível para agradar ao populacho.

Depois...uma pessoa pensa que, com todas as suas imperfeições, tudo faz para melhorar, para fazer boa figura neste mundo, e interroga-se se será assim uma espécie de exterminador implacável aos olhos da sociedade. Que raio de tendência- oremos para que passe...

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