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Friday, April 7, 2017

Ó meninas com idade para ter juízo que adoram selfies!





Aprendam que eu não duro sempre, sou muito vossa amiga e quem é amiga avisa, porque a vida não vos vai ensinar com o mesmo carinho.

A longuíssima experiência de muitas destas meninas já as devia ter ensinado, mas nunca devemos desistir de salvar umas almas.



Nada contra a bela da selfie per se: é um mal necessário e um sinal dos tempos. 

Auto-retratos desses, todo o mundo tira: ou porque não há vivalma por perto para fazer o favor, ou porque se queres alguma coisa bem feita fá-la tu própria e ninguém acerta com a luz ou o ângulo exacto que se pretende para mostrar algum detalhe (acontece...) ou para captar um qualquer momento/ paisagem com piada. O selfie stick, admito-o, é ridículo de ver mas foi uma grande invenção: consegue-se tirar retratos com um que ninguém diz que são selfies.


Mas uma coisa é a ocasional selfie que fica perdida lá no instagram de cada uma entre outras imagens.

Outra coisa é uma mulher crescida dos seus vinte e muitos ou trinta e tais anos (quando não é mais), uma adulta vivida, uma balzaquiana com obrigação para ter aprendido com os calduços e os pares de patins... que não só abusa do beicinho + beijinho para a câmara, como posta trinta selfies todas iguais  dia sim dia não como se tivesse catorze anos e nenhum miolo. 




 E depois, a usá-las como retrato de perfil com uma boa visão do decote, trinta camadas de filtro, e - o detalhe que é o golpe de misericórdia- com uma citação melosa, frase filosófica pretensiosa sobre sorrisos, felicidade, vitórias, joelhos esfolados, beijinhos no ombro e beijos de luz.

 Ou pior ainda, com uma frase engatatona e "caliente" a acompanhar o disparate. Tudo para ver se desencalha, se sai dessa solidãaaao.

Primeiro, lá diz a internet que é uma coisa muito sábia: quem posta frases de amor em catadupa passa por assanhada(ou carente) mesmo que esteja só
numa má fase.




Segundo, lá dizem os homens que são uns brutos mas vão direitos ao assunto: cada like masculino que se ganha, é menos um cavalheiro interessado em relacionamento sério. 

E terceiro...se é para colocarem uma legenda na coisa, deixem-se de rodeios, de bater à volta do arbusto e de dourar a pílula com frases pretensiosas de correcção gramatical e sentido duvidosos.




 Mais vale serem sinceras, francas, honestas; a honestidade é sempre refrescante e ao menos destacam-se na multidão de solteironas desesperadas que publicam exactamente a mesma coisa.




Em vez de fazerem copy/paste do Pedro Chagas Freitas, das frases do Cifras, do Larga não sei quem ou de qualquer um desses portais manhosos com textos abrasileirados cheios de palavrões e de artigos deprimentes  do tipo "gosto tanto dele, mas ele só me quer para amiga colorida", poupem os vossos dedinhos e as vossas unhas de gel e escrevam logo "quem quer casar com a Carochinha, que está disponível, mortinha e aflitinha?".


Afinal, com a Carochinha funcionou: o sentido de humor ganha sempre pontos e na maioria das vezes, o marketing directo é o mais eficaz. Sempre às ordens, queridas serigaitas.

Tuesday, April 4, 2017

O complexo Fiona: auto aceitação ou desleixo?


Jennifer Lawrence (a faz- p*retes, campeã dos palavrões, maria rapaz, grosseirona, que- tira- retratos- a- fazer- dos- arbustos- retrete Jennifer Lawrence-) é novamente imagem da Dior. Da ultra elegante Dior. Da super aspiracional, luxuosa e - habitualmente - exclusiva Dior.

Porque será?

Porque Jennifer é, sabem, super relatable. Ser relatable vende. Está imenso na berra, já lá vamos aos motivos. E at the end of the day, mesmo as marcas que se querem mais inalcançáveis precisam de awareness, vulgo dar nas vistas.

Qual é a  tradução portuguesa de relatable? "Empatizável"?  De qualquer modo, aparentemente essa é a maior razão da popularidade da actriz: o público sente-se identificado com a sua linguagem bardajona, com as suas piadas escatológicas, com os seus modos arrapazados.




Obviamente a menina não aparece nos anúncios da Maison Dior a dizer asneiras nem a fazer gestos obscenos: disfarça, quem a visse diria que não parte um prato não fosse pela t-shirt com dizeres feministas (outro termo que vende que nem pãezinhos quentes até se lembrarem de outro qualquer). Mas todos sabemos o que por ali vai.




De igual modo (a Dior estará a tentar apelar à juventude "rebelde" do tipo Morangos com Açúcar?) no último spot do perfume Miss Dior, é a habitualmente bem comportada e mucho classy Natalie Portman que deixa o noivo no altar e foge de helicóptero com um gandim qualquer. Eu vi e pensei "que raio?" E o senhor meu marido, sem que tivéssemos falado no caso, quando pôs os olhos no anúncio a primeira vez, deitou as mãos à cabeça e perguntou se agora, para venderem perfume, era preciso agirem como taradinhas-canta-monos. Realmente!




Já aqui o disse em tempos: longe vai a época em que o público idolatrava celebridades dignas de admiração, que inspiravam pela aparente perfeição da sua figura, da sua beleza, da sua elegância e das suas atitudes, como Grace Kelly ou Audrey Hepburn. Pessoas que podiam não ser perfeitas, como ninguém é...mas tentavam.

Actualmente, a audiência é preguiçosa. Prefere identificar-se a ser inspirada; prefere o grupo de pertença ao grupo de referência. 




Afinal, é muito mais confortável ser fã das indiscrições de Kim Kardashian, das gordurinhas de Ashley Graham ( nada contra um certo protagonismo das modelos plus size, mas a glorificação da celulite cai no extremo oposto; a Ashley, porém, voltarei mais tarde) ou da má criação de Jennifer Lawrence. É muito mais fácil pensar assim do que era, antigamente, tentar imitar a sensualidade elegante de Sophia Loren, fazer por ter as curvas perfeitas de Cindy Crawford ou os modos impecáveis de Jackie Kennedy.




O sucesso de personagens desleixadas e trapalhonas como a Princesa Fiona, de Shrek, Lena Dunham em Girls ou Bridget Jones está aí para o provar. 

Fiona nem tinha culpa de ser uma ogresa- mas no final, acabava por achar mais divertido sê-lo, ter más maneiras à mesa, fazer barulhos desagradáveis, enfim- agir como lhe dava na *literalmente* Real Telha. Ser imperfeita, destemperada ou mesmo ter um discurso cheio de demasiada informação a falar de funções corporais, de intimidades e a tender para o repugnante, é feminista, "empoderador"...está na crista da onda!




 E basta uma rápida volta pelas redes sociais da vida ou pelo Pinterest para notar a quantidade de memes e frases feitas, tão do agrado do mulherio, com ditos do estilo "I give zero f***". Ou seja, "sou malcriada e gosto". 

A palavra de ordem é "tenho mau feitio, aturem-me" , "sou desmazelada, achem-me linda", "sou bêbeda e galdéria, onde está o meu príncipe encantado?" e assim por diante. Vivemos a época das palmadinhas nas costas, dos prémios de consolação, dos troféus de participação. Perdeu-se a noção da fronteira entre a auto-aceitação e o desleixo puro e simples.

Ninguém quer melhorar, ninguém quer ser disciplinada, ninguém quer ter trabalho...e os média, as marcas, cedem: está-se em modo Ad captandum vulgus: 
baixar o nível para agradar ao populacho.

Depois...uma pessoa pensa que, com todas as suas imperfeições, tudo faz para melhorar, para fazer boa figura neste mundo, e interroga-se se será assim uma espécie de exterminador implacável aos olhos da sociedade. Que raio de tendência- oremos para que passe...

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