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Wednesday, August 2, 2017

Despacito, Shape of you...e por aí fora.


Acho que neste momento podemos dividir o planeta entre as pessoas que ouvem o Despacito e pensam "que raio- a canção nem é feia mas não tem nada de memorável,nem fica tanto no ouvido como isso; é uma espanholice igual a tantas outras. Por que carga de diabos é que faz um sucesso destes?"... e a malta dos estúdios de dança suspeitos que se derrete com a letra caliente e a coreografia toda Dirty Dancing, mais o ritmo estupendo para roçar fivelas com o engate da semana.


Não sei se isto é dança, se é luta livre, se é uma coisa que agora não digo...



 Deve ser uma rebaldaria por essas pistas de dança da província, deve - com o Despacito  e com a Bicicleta da Shakira (que dessa nem desgosto, mas só de imaginar o cenário escabroso perde a piada toda).

(Isto sem contar com os wannabe kizombeiros cá do Reino Unido, que nem percebem nada da letra mas acham piada por ser em espanhol, ter o Justin Bieber e cheirar a férias bem regadas em Ibiza ou em Albufeira).


Quanto à Shape of You, devo dizer que adorava a música, que faz realmente saltar o pé. Costumava pô-la a tocar cá por casa enquanto dava conta das minhas tarefas ou fazia exercício. A Lua de Mel acabou quando notei que uma alma que conheço de vista, que tem um ar do mais vulgar que pode haver, tratou de fazer uma dedicatória às "migas" com a cantiguinha, lembrando como arrasam em grupo a saracotear-se quando "Shape of You" passa nos bares.


 Pimba, ficou-me logo a música mal associada. Com aqueles versos atrevidotes também era de esperar, eu é que ainda caio na asneira de pensar "lá por uma música agradar a gregos e troianos, não quer dizer batatas".

Agora, querem apostar que com a nova do Calvin Harris se vai passar exactamente o mesmo?



 O moço decidiu arreliar a ex, Taylor Swift, convidando a sua frenemy Katy Perry (outra maluca) para dar voz ao novo hit em que ela e Pharrell Williams cantam sobre sedução . E acho a canção muito engraçada,  apesar de me irritar que encurtem "feelings" para "feels" (na cauda da modinha enervante que dita agora reduzir tudo: dizer "totes" em vez de "totally", ou a versão inglesa de chamar "môr" em vez de "amor" - ou seja, "bae" ou "boo" em vez de "baby", assim à ghetto mesmo).

Juntemos tudo: o ritmo contagiante, a letra do estilo dá cá um beijinho e as abreviaturas trendy, e está a receita pronta para o seigaitedo aderir em massa e estragar tudo. Vou ouvir enquanto essa tropa não dá por ela. Quando derem por isso, já me cansei. Às vezes gostava de não ser tão sensível, a sério.



Monday, July 31, 2017

Um ginásio politicamente correcto?



Eu não sou propriamente fã de ginásios, tenho-o dito mil vezes. Só lá vou se de todo não puder treinar em casa com os devidos tutoriais e maquinetas- diga-se em abono da verdade que para fazer pilates, corrida (running, jamais!) bicicleta, saltar à corda e levantar uns pesos moderados não é preciso grande ciência. E também já sabem que embirro tanto quanto é possível com os Carlões e as Priscillas Popozudas, bimbus ginasticus maximus que fazem dos health clubs deste planeta (uns piores do que outros) o seu habitat.

Mas tudo tem limites. E para todos os efeitos, apesar dos exageros e de certos atentados à decência e à elegância que se verificam em alguns destes lugares, é preferível haver uma cultura do fitness a uma cultura da relaxaria.


 Antes uma cultura do esforço, da estética, da saúde e da superação pessoal do que essas maluquices do "body positivity". É muito lindo que as pessoas gostem delas mesmas como são, que se aceitem, e que trabalhem para estarem no seu melhor dentro do tipo físico que Deus lhes deu e não se matem porque não podem ser uma Alessandra Ambrosio quando nasceram mais para Christina Hendricks.

Acho óptimo que haja diversidade porque a Natureza, muito sabiamente, criou belezas de vários tamanhos e feitios. Mas daí a promover-se "gordura é formosura" e a pregar o culto à preguiça, à gulodice e ao vitimismo vai um passo muito grande. E o que se tem passado é que quem não encaixa nos padrões quer por força que os padrões se encaixem em si. É o completo "venha a nós".

É o comuni...comun (cof, cof) comuni... (Credo, aqui vai!) comunismo da beleza. Nivelar tudo por baixo para que ninguém se sinta mal, mesmo quem esteja mal unicamente por má escolha (e lambarice e preguicite) sua. Adiante...



O Planet Fitness, uma cadeia americana de ginásios (que só por acaso patrocinou o concurso "Biggest Loser", onde os gordinhos iam para emagrecer) decidiu ocupar um nicho de mercado e criar um modelo mais inclusivo e amigável para quem quer ir ao ginásio, mas tem vergonha por não corresponder ao perfil habitual de um atleta -  ou seja, os rechonchudos, os avozinhos, os gorduchos, os molengões e os lingrinhas- e para quem se exercita ocasionalmente (vejam os anúncios abaixo, que explicam tudo).





Até aí, nada de mal no modelo...é preciso começar por algum lado e se um ambiente "seguro" é a peça que falta, força!

Assim, o franchising - que tem um enorme sucesso - abriu em cada esquina um health club com máquinas mais básicas, de modo a que esse público não se sinta julgado nem intimidado pelas proezas dos Schwarzeneggers de serviço.

Nada de nocivo nisso- uma empresa tem direito ao seu posicionamento e se isso lhe traz sucesso, óptimo.



O problema é que, embora limitar a capacidade dos pesos e o tipo de modalidades fosse suficiente para definir o público- alvo e afastar outros atletas (das modelos e desportistas de alta competição aos bodybuilders sem esquecer os Carlões e as Priscilas, todos eles necessitados de equipamento e acompanhamento mais complexo) o Planet Fitness decidiu que, para não ofender nem discriminar os ofendidos e discriminados do costume, tinha de ofender e discriminar os "bonitões e fortões" do costume.



Assim, criou uma política de retaliação: se alguém levanta uma quantidade de pesos mais impressionante, ou grunhe tipo Maria Sharapova quando faz força depois de um agachamento, ou pousa os pesos com força quando acaba, sei lá, uma série de supino, o ginásio faz soar uma sirene horrorosa, de deixar uma pessoa surda, a que chama (em tradução livre) o alarme anti Carlões.


Não contente com isso, é mesmo capaz de escoltar o autor da proeza para fora do ginásio e
cancelar-lhe a inscrição, envolvendo a polícia se for preciso. Uma frequentadora (que nada tinha de Sheila levantadeira de pesos, vide abaixo) foi mesmo convidada a sair porque o seu corpo "demasiado tonificado" estava a intimidar os outros clientes



Estarei maluquinha ou o objectivo de um ginásio é tonificar o corpo das pessoas, sejam bodybuilders ou gente comum?

De resto, o Planet Fitness tem andado nas bocas do mundo por aderir a todas as politiquices politicamente correctas estilo Social Justice Warrior: aqui há tempos expulsou uma senhora que se queixou por um homem vestido de mulher ter entrado no balneário feminino e incomodado quem lá estava a mudar de roupa. É que o homem, que era tanto transexual como eu fui ao fim do mundo, aproveitou as políticas de apoio aos transgéneros que têm dado muitas complicações (já que não se restringem a quem mudou mesmo de sexo e querem incluir quem é de "género fluido" ou seja, num dia identifica-se com um sexo, no outro com outro, o que além de ser confuso que chegue ainda atrai todo o tipo de farsantes que só querem espiar mulheres nuas). Se era para agradarem a todos podiam criar um terceiro balneário, digo eu, neutro. Mas parecem determinados a escandalizar e dar nas vistas.



Em resumo, querendo ser muito bonzinhos acabam por ser piores que os bullies do liceu. Tenho para mim que isto de body positivity, feminismo e ideias super liberais é tudo gente recalcada, que não superou os complexos de adolescência, que exige aprovação para tudo quanto é asneira e desleixo, que ambiciona nivelar tudo por baixo e ainda aproveita para se vingar das pessoas que secretamente inveja - ou não nascesse tudo isto de teorias socialistas...

 É um pensamento super mesquinho e que não devia ter lugar quando a ideia (que em teoria não é má) é promover uma sociedade em que todos se respeitem e deixem de ser cruéis uns com os outros. Pagar maldades com maldades é muito feio, foi o que sempre me ensinaram. Mas isso é uma máxima judaico-cristã que casa mal com essas "modernices progressistas".

Para eu saltar em defesa dos Carlões a coisa tem de estar MESMO preta.


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