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Thursday, August 10, 2017

As portuguesas serão sofisticadas?

Milu

Reparei que um inocente texto do DN acerca de uma marca brasileira de cosmética gerou acesa discussão no Facebook - tudo porque a representante da marca disse que considera as portuguesas sofisticadas. O seu comentário dá que pensar:

" É uma beleza talvez um pouco mais natural, mas não é por isso que não é beleza. Não é aquele hair brushing como as americanas têm ou aquela pele perfeita e maquilhada das europeias do norte, é uma beleza mais espontânea e tem muito chame. As mulheres aqui têm muito charme, eu fico babando. Porque é muito fluida a maneira de se vestirem. Discreta, mas com alguma coisa muito transparente, que nos encanta. É muito feminino e nós mulheres temos que assumir a nossa feminilidade. E a portuguesa, eu acho, consegue assumir a feminilidade de forma natural. Não é para seduzir alguém, porque a brasileira às vezes quer seduzir, está sempre nesse jogo de sedução. Eu acho que as mulheres mais sofisticadas, em termos de gosto, são portuguesas".


É curioso que Pierre Balmain, quando visitou o Estoril em 1959, teve acerca da mulher portuguesa uma opinião semelhante: gabou-lhe a figura esbelta, que mantinha mesmo depois de ser mãe, o apurado gosto, o perfeccionismo e a elegância discreta, sempre associados a um sentido da economia que não a deixava cair em extravagâncias. Também Beatriz Costa notava essa parcimónia, quando levava as suas amigas portuguesas às compras em Paris.


Laura Alves


Voltemos ao artigo do DN: claro que houve logo quem dissesse que sim senhor e quem apontasse o desleixo das mulheres lusas ou o seu desequilíbrio: tanto se desmazela e se deixa engordar como se enche de leggings, de tacões, de extensões...isto quando não faz as duas coisas ao mesmo tempo.

 Eu darei um pouco de razão a uns e a outros, até porque já apontei os vícios de estilo das portuguesas aqui.

A portuguesa não será a mais glamourosa, ou a mais cuidada das mulheres. Mesmo nestes tempos de maquilhagem excessiva "do Instagram para a rua" continuo a achar que a lusitana, para o bem e para o mal, se pinta menos do que a espanhola ou a inglesa. Das espanholas também lhe falta uma certa raça e salero e o gosto pelos acessórios. Não possui o chic sem esforço da francesa nem a obsessão pela bella figura da italiana ou a feminilidade voluptuosa das russas e afins. Depois, decerto não terá o "dengue", a feminilidade exacerbada da brasileira, que roça tantas vezes o vulgar.



Raquel Prates


De resto, quanto à sofisticação ou elegância, tenho acerca dos portugueses, independentemente do sexo e enquanto povo, a mesma opinião que tenho dos nossos irmãos brasileiros: não têm meio termo! Talvez isso se relacione com a velha ausência de uma classe média forte nos dois países, não sei. O certo é que portugueses e brasileiros, se são elegantes, requintados,  altivos e de belo porte, são-no muitíssimo! Mas quando são rústicos são uns brutamontes, e esses são infelizmente a maioria.


Natália Correia


E isso cai como uma luva nas mulheres: uma só socialite da velha guarda portuguesa ou brasileira (dessas com porte racé e todos os pergaminhos que pouco aparecem nas revistas) vale por uma data de it girls. Isto sem falar nas vedetas de antanho como Milu, Amália ou Laura Alves. A portuguesa, como a brasileira,  não tem área cinzenta: se é elegante, é elegantérrima.


Vicky Fernandes



Mas quando não é..

Daí a imagem da portuguesa descuidada ou da brasileira ordinareca.

Deixemos porém as brasileiras com os seus problemas, e voltemos à Pátria. A portuguesa elegante, aprumada,  possui realmente os atributos citados pelo DN e por Pierre Balmain. Não só consegue a proeza de caminhar na calçada de saltos altos sem se queixar (super poder que já abordei em detalhe aqui) como ainda mantém o atributo da singeleza e simplicidade, que é quase em si mesmo um sinónimo de elegância.



 É feminina, mas não faz por isso; mais do que tudo, é graciosa. E se possui beleza adicionada a essa elegância, melhor ainda (porque beleza e elegância nem sempre andam juntas). É certo que já ouvi portugueses e estrangeiros queixarem-se que as portuguesas andam cada vez mais ríspidas, que são antipáticas e que não fazem por agradar nem se esmeram na vaidade, mas as que não são assim, as mais tradicionais, mais sossegadas e que não dizem palavrões nem fazem o culto da mulher refilona "quem não gosta não olha", não ficam a dever nada às russas, consideradas o epíteto da feminilidade.

Num oceano de belezas artificiais, esforçando-se em demasia, ainda se vê na mulher portuguesa - ou em certas mulheres portuguesas-  uma ausência de afectação, uma transparência, uma recusa do excesso e da novidade, uma inocência e uma timidez (fruto da nossa herança Católica?) que são, sim, sofisticadas. Mesmo com ausência de arrebiques- ou talvez por isso mesmo...




Wednesday, August 9, 2017

Temos de falar sobre estes correctores e este blush. MESMO.


Como sabem eu costumo ter uma certa preguiça de falar em cosméticos, por isso só escrevo alguma coisa sobre isso quando descubro um produto milagreiro. Pois bem, desta feita são dois! Ou antes, três.

As nossas necessidades de maquilhagem evoluem connosco. Neste caso, eu nunca tinha dado grande importância ao corrector. Tive sempre vários correctores e iluminadores (líquidos, em stick e em creme, de marcas profissionais ou luxuosas e das mais acessíveis) mas era algo básico e elementar a que não dava aquela importância- e até era capaz de passar sem isso, principalmente quando usava uma base com maior cobertura.

A situação mudou quando comecei a ter horários estranhos (e.g., levantar às quatro da matina várias vezes por semana) e mais responsabilidades em casa. Mesmo tentando compensar o sono, às vezes fica-se com um ar cansado e não há cremes que valham. 

Foi então que comecei a demanda pelo corrector perfeito

Foi preciso testar muitos, investir nuns quantos (incluindo Chanel e Elizabeth Arden) mas a busca só terminou com duas maravilhas da Benefit: o Boi-ing e o Fake up!


Ambos fazem o truque de nos deixar com um ar fresquíssimo e relaxadíssimo, mas sobre o primeiro não me vou alongar: o Boi-ing é um corrector em creme com uma cobertura excelente ("industrial", diz a marca) e que se mantém o dia todo, além de ser confortável de usar. Tudo dito.



Já o Fake up! é um corrector em stick metade pigmento, metade creme de olhos carregadinho de Vitamina E, que é um prodígio. Apesar de ter uma cobertura *supostamente* leve, esconde tudo (olheiras, olhos papudos, manchinhas...) ilumina a zona e eu poderia jurar que não só disfarça os olhos cansados, mas trata mesmo a pele. 

De qualquer modo, é a coisa mais agradável que já experimentei no contorno dos olhos. Não repuxa, espalha-se lindamente sem precisar de grandes mexidelas nessa área tão sensível (e já vos contei como sou ultra cuidadosa com isso, porque acho O FIM ver mulheres com pés de galinha antes do tempo) e dá boa cara em dois segundos.

 Maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, chic a valer - vale cada cêntimo.



Devo dizer que foi uma surpresa para mim, porque tenho uma relação on/off com a Benefit- por vezes é um pouco overrated: alguns dos seus produtos valem pela inovação e pela embalagem bonitinha, mas não são assim tão extraordinários que justifiquem o preço.

 No entanto (também, isto acontece na maioria das marcas...) quando fazem um produto bom, é realmente bom.

Infelizmente, ao que parece em Portugal não está disponível em cada esquina, mas encontra-se na Sephora ou na Fapex...e prometo que vale a pena ir lá de propósito ou encomendar.


Agora, sobre o blush Sleek: não vou falar de um blush específico desta marca, porque tenho vários - e até já me desfiz de alguns com pena, porque não eram a cor certa para mim...mas AQUELA TEXTURA!!! 

Já por aqui comentei várias vezes que sou esquisita com o blush, mas os da Sleek nunca falham e, sendo uma marca bastante acessível, acho-os superiores a outros mais luxuosos, mesmo os célebres Nars. É que são o equilíbrio perfeito entre pigmentação e transparência e dão um ligeiríssimo brilho de maçãzinha rosada às faces que não encontro em nenhum outro, além de terem cores lindas.

 De resto, a Sleek tem vários produtos interessantes com óptima relação qualidade-preço,mas se tivesse de escolher o seu porta estandarte, seria o blush de certeza. Experimentem um num tom alaranjado ou rosa claro e digam-me.

E pronto, está a recomendação feita porque eu não gosto de guardar os achados só para mim. Happy shopping!

Wednesday, August 2, 2017

Despacito, Shape of you...e por aí fora.


Acho que neste momento podemos dividir o planeta entre as pessoas que ouvem o Despacito e pensam "que raio- a canção nem é feia mas não tem nada de memorável,nem fica tanto no ouvido como isso; é uma espanholice igual a tantas outras. Por que carga de diabos é que faz um sucesso destes?"... e a malta dos estúdios de dança suspeitos que se derrete com a letra caliente e a coreografia toda Dirty Dancing, mais o ritmo estupendo para roçar fivelas com o engate da semana.


Não sei se isto é dança, se é luta livre, se é uma coisa que agora não digo...



 Deve ser uma rebaldaria por essas pistas de dança da província, deve - com o Despacito  e com a Bicicleta da Shakira (que dessa nem desgosto, mas só de imaginar o cenário escabroso perde a piada toda).

(Isto sem contar com os wannabe kizombeiros cá do Reino Unido, que nem percebem nada da letra mas acham piada por ser em espanhol, ter o Justin Bieber e cheirar a férias bem regadas em Ibiza ou em Albufeira).


Quanto à Shape of You, devo dizer que adorava a música, que faz realmente saltar o pé. Costumava pô-la a tocar cá por casa enquanto dava conta das minhas tarefas ou fazia exercício. A Lua de Mel acabou quando notei que uma alma que conheço de vista, que tem um ar do mais vulgar que pode haver, tratou de fazer uma dedicatória às "migas" com a cantiguinha, lembrando como arrasam em grupo a saracotear-se quando "Shape of You" passa nos bares.


 Pimba, ficou-me logo a música mal associada. Com aqueles versos atrevidotes também era de esperar, eu é que ainda caio na asneira de pensar "lá por uma música agradar a gregos e troianos, não quer dizer batatas".

Agora, querem apostar que com a nova do Calvin Harris se vai passar exactamente o mesmo?



 O moço decidiu arreliar a ex, Taylor Swift, convidando a sua frenemy Katy Perry (outra maluca) para dar voz ao novo hit em que ela e Pharrell Williams cantam sobre sedução . E acho a canção muito engraçada,  apesar de me irritar que encurtem "feelings" para "feels" (na cauda da modinha enervante que dita agora reduzir tudo: dizer "totes" em vez de "totally", ou a versão inglesa de chamar "môr" em vez de "amor" - ou seja, "bae" ou "boo" em vez de "baby", assim à ghetto mesmo).

Juntemos tudo: o ritmo contagiante, a letra do estilo dá cá um beijinho e as abreviaturas trendy, e está a receita pronta para o seigaitedo aderir em massa e estragar tudo. Vou ouvir enquanto essa tropa não dá por ela. Quando derem por isso, já me cansei. Às vezes gostava de não ser tão sensível, a sério.



Monday, July 31, 2017

Um ginásio politicamente correcto?



Eu não sou propriamente fã de ginásios, tenho-o dito mil vezes. Só lá vou se de todo não puder treinar em casa com os devidos tutoriais e maquinetas- diga-se em abono da verdade que para fazer pilates, corrida (running, jamais!) bicicleta, saltar à corda e levantar uns pesos moderados não é preciso grande ciência. E também já sabem que embirro tanto quanto é possível com os Carlões e as Priscillas Popozudas, bimbus ginasticus maximus que fazem dos health clubs deste planeta (uns piores do que outros) o seu habitat.

Mas tudo tem limites. E para todos os efeitos, apesar dos exageros e de certos atentados à decência e à elegância que se verificam em alguns destes lugares, é preferível haver uma cultura do fitness a uma cultura da relaxaria.


 Antes uma cultura do esforço, da estética, da saúde e da superação pessoal do que essas maluquices do "body positivity". É muito lindo que as pessoas gostem delas mesmas como são, que se aceitem, e que trabalhem para estarem no seu melhor dentro do tipo físico que Deus lhes deu e não se matem porque não podem ser uma Alessandra Ambrosio quando nasceram mais para Christina Hendricks.

Acho óptimo que haja diversidade porque a Natureza, muito sabiamente, criou belezas de vários tamanhos e feitios. Mas daí a promover-se "gordura é formosura" e a pregar o culto à preguiça, à gulodice e ao vitimismo vai um passo muito grande. E o que se tem passado é que quem não encaixa nos padrões quer por força que os padrões se encaixem em si. É o completo "venha a nós".

É o comuni...comun (cof, cof) comuni... (Credo, aqui vai!) comunismo da beleza. Nivelar tudo por baixo para que ninguém se sinta mal, mesmo quem esteja mal unicamente por má escolha (e lambarice e preguicite) sua. Adiante...



O Planet Fitness, uma cadeia americana de ginásios (que só por acaso patrocinou o concurso "Biggest Loser", onde os gordinhos iam para emagrecer) decidiu ocupar um nicho de mercado e criar um modelo mais inclusivo e amigável para quem quer ir ao ginásio, mas tem vergonha por não corresponder ao perfil habitual de um atleta -  ou seja, os rechonchudos, os avozinhos, os gorduchos, os molengões e os lingrinhas- e para quem se exercita ocasionalmente (vejam os anúncios abaixo, que explicam tudo).





Até aí, nada de mal no modelo...é preciso começar por algum lado e se um ambiente "seguro" é a peça que falta, força!

Assim, o franchising - que tem um enorme sucesso - abriu em cada esquina um health club com máquinas mais básicas, de modo a que esse público não se sinta julgado nem intimidado pelas proezas dos Schwarzeneggers de serviço.

Nada de nocivo nisso- uma empresa tem direito ao seu posicionamento e se isso lhe traz sucesso, óptimo.



O problema é que, embora limitar a capacidade dos pesos e o tipo de modalidades fosse suficiente para definir o público- alvo e afastar outros atletas (das modelos e desportistas de alta competição aos bodybuilders sem esquecer os Carlões e as Priscilas, todos eles necessitados de equipamento e acompanhamento mais complexo) o Planet Fitness decidiu que, para não ofender nem discriminar os ofendidos e discriminados do costume, tinha de ofender e discriminar os "bonitões e fortões" do costume.



Assim, criou uma política de retaliação: se alguém levanta uma quantidade de pesos mais impressionante, ou grunhe tipo Maria Sharapova quando faz força depois de um agachamento, ou pousa os pesos com força quando acaba, sei lá, uma série de supino, o ginásio faz soar uma sirene horrorosa, de deixar uma pessoa surda, a que chama (em tradução livre) o alarme anti Carlões.


Não contente com isso, é mesmo capaz de escoltar o autor da proeza para fora do ginásio e
cancelar-lhe a inscrição, envolvendo a polícia se for preciso. Uma frequentadora (que nada tinha de Sheila levantadeira de pesos, vide abaixo) foi mesmo convidada a sair porque o seu corpo "demasiado tonificado" estava a intimidar os outros clientes



Estarei maluquinha ou o objectivo de um ginásio é tonificar o corpo das pessoas, sejam bodybuilders ou gente comum?

De resto, o Planet Fitness tem andado nas bocas do mundo por aderir a todas as politiquices politicamente correctas estilo Social Justice Warrior: aqui há tempos expulsou uma senhora que se queixou por um homem vestido de mulher ter entrado no balneário feminino e incomodado quem lá estava a mudar de roupa. É que o homem, que era tanto transexual como eu fui ao fim do mundo, aproveitou as políticas de apoio aos transgéneros que têm dado muitas complicações (já que não se restringem a quem mudou mesmo de sexo e querem incluir quem é de "género fluido" ou seja, num dia identifica-se com um sexo, no outro com outro, o que além de ser confuso que chegue ainda atrai todo o tipo de farsantes que só querem espiar mulheres nuas). Se era para agradarem a todos podiam criar um terceiro balneário, digo eu, neutro. Mas parecem determinados a escandalizar e dar nas vistas.



Em resumo, querendo ser muito bonzinhos acabam por ser piores que os bullies do liceu. Tenho para mim que isto de body positivity, feminismo e ideias super liberais é tudo gente recalcada, que não superou os complexos de adolescência, que exige aprovação para tudo quanto é asneira e desleixo, que ambiciona nivelar tudo por baixo e ainda aproveita para se vingar das pessoas que secretamente inveja - ou não nascesse tudo isto de teorias socialistas...

 É um pensamento super mesquinho e que não devia ter lugar quando a ideia (que em teoria não é má) é promover uma sociedade em que todos se respeitem e deixem de ser cruéis uns com os outros. Pagar maldades com maldades é muito feio, foi o que sempre me ensinaram. Mas isso é uma máxima judaico-cristã que casa mal com essas "modernices progressistas".

Para eu saltar em defesa dos Carlões a coisa tem de estar MESMO preta.


Friday, July 28, 2017

Bruxa má e bruxa boa: a magia do compromisso



Este fim de semana consegui finalmente acabar de ver o filme "O Grande e Poderoso Oz". É que sempre que passava na televisão, acontecia alguma coisa para me interromper. O filme já tem uns anos, mas vale a pena quanto mais não seja pelo ambiente da Belle Époque, pela maquilhagem/  figurino das três feiticeiras...e pela Rachel Weisz, que é das actrizes de que mais gosto e está lindíssima no papel da Bruxa Malvada do Leste, Evanora. Aquela esmeralda podia morar na minha caixa de jóias que eu não me ralava nada.



Mas o que me fez pensar foi a dinâmica entre o "Feiticeiro" Oz e as mulheres...

E como dizem que há uma Bruxa (boa ou má) em cada mulher, acho que todas podemos tirar ilações desta estória.

Vou resumir para quem não viu ou não reparou: ao aterrar na terra mágica, o feiticeiro conhece a linda Teodora (Mila Kunis) que é a futura Bruxa Má do Oeste (antes de se tornar verde, feia e malvada- já lá vamos).


É ela que lhe diz que ele encaixa na profecia lá do burgo  e que é o salvador esperado pelo povo.
A caminho do palácio conversam, parecem entender-se muito bem e a rapariga, que mesmo antes de ser uma bruxa má já é uma serigaita de todo o tamanho, não vai de modas: diz-lhe logo que são feitos um para o outro e quase o obriga a prometer que quando ele for rei, fará dela a sua rainha. O moço, que ainda está meio baralhado, sem perceber *literalmente* onde veio cair, fica lisonjeado e responde-lhe qualquer coisa do tipo "ok...se tu o dizes...".



Estão a ver a analogia? Ela nem esperou para o conhecer melhor ou para deixar que ele a conheça. Não sabe se interessam um ao outro, se são minimamente compatíveis, mas parte do princípio que quer um relacionamento com ele e força a barra. Toma toda a iniciativa sem que haja qualquer esforço ou mesmo grande interesse da parte dele. Dá tudo sem receber nada  em troca, sem que qualquer compromisso esteja fixado.


Pior ainda, investe emocionalmente não no homem em si, com as suas qualidades e defeitos (que de qualquer modo desconhece de todo, pois não houve tempo para nada disso) mas na ideia que tem do homem ideal. Não quer aquele homem, quer um homem a seu lado; e qualquer um serve desde que superficialmente encaixe nas suas preferências, física e socialmente falando. Não está apaixonada por aquele homem, mas pela ideia de romance, pela sensação de estar apaixonada e pela afirmação social de não estar sozinha. Põe-se a gostar dele (se é que isso é gostar) ou a achar que gosta, sem saber se ele lhe corresponde; e acha que lá por ela ter sentimentos por ele é suposto ele pagar-lhe na mesma moeda.

Enfim, não tem grande dignidade nem amor próprio.




No mundo real, quantas raparigas "fáceis", apressadinhas e carentes procedem assim?

Estas são as mulheres que ouvem "não quero uma relação neste momento, só me quero divertir" (traduzido para bom português: não gosto de ti, mas tudo o que vem à rede é peixe) e em vez de aceitarem o aviso, em vez de dizerem "alto lá! Quem pensa ele que é? Se não sou digna de ser namorada dele, também não sirvo para outras coisas... era o que me faltava!" avançam pensando que farão o rapaz mudar de ideias. E depois ficam a chorar porque ele desaparece por magia no dia seguinte, ou porque só telefona quando lhe dá jeito mas nunca assume um relacionamento.



 É que um homem sabe nos primeiros 3 minutos se tem perante si uma mulher para uma noite só, para namoriscar ou para a vida inteira. E todos eles são muito liberais...com as mulheres dos outros! Dificilmente querem algo sério com uma tonta que se presta a esses papelões. Na sua cabeça, pensam: e se tivesse uma filha com esta mulher? Credo, ela ia ensiná-la que não tem mal  ter casos de uma noite só ou ser a amiga colorida de alguém...Deus me livre!

Voltemos ao conto: dali a nada o "Feiticeiro" parte na sua missão. Nesta aventura conhece a enigmática Glinda, a Bruxa Boa do Sul, e fica encantado.


 E quando Teodora se apercebe de que foi trocada (salvo seja, pois Oz nunca lhe dera realmente troco...) revela a sua alma egoísta, cheia de sense of entitlement, e torna-se na Bruxa Má do Oeste com pele verde, narigão e tudo.



Esta é outra metáfora que se aplica a muitas mulheres:  vão com muita sede ao pote, atiram-se de cabeça achando-se tão maravilhosas que o príncipe encantado lhes vai cair aos pés por muito mal que se portem...e quando corre mal (o que acontece quase sempre) ficam revoltadas contra os homens e com a sua sorte.



 A longo prazo, se  o "filme" se repete muitas vezes (o que é frequente, uma vez que este tipo de pessoas tende a não aprender com os erros e deitar as culpas aos outros) tornam-se ressabiadas e desagradáveis. Muitas juntam a isso hábitos pouco saudáveis, como andar sempre "na night" a ver se a sua sina muda, o que não ajuda nada à beleza....e sempre zangadas, sempre ansiosas, com a auto estima de rastos, ei-las que só lhes falta ficarem verdes no sentido literal do termo.



 Quanto a Glinda...essa  não parte de qualquer princípio; não  idealiza Oz
 nem espera vir a ter uma relação com ele. Conhecem-se muito naturalmente, como amigos e aliados, conversam como dois seres humanos pensantes e normais (salvo seja) a ligação flui espontaneamente
e ela analisa muito bem o carácter dele antes de se afeiçoar.



 Aliás, Glinda diz-lhe mesmo que vê muito bem o que ele é: um malandro com coração de ouro. É ele que fica caidinho, que se declara e que avança para um compromisso sério. E como é óbvio, por essa altura já sabem o suficiente um do outro para haver um relacionamento com bases sólidas. O mágico casalinho livra-se das bruxas e fica com o reino, os tesouros e o resto, vivendo feliz para sempre. O mesmo acontece na realidade: o amor, quando é verdadeiro, não dá trabalho para acontecer (na vida a dois já é preciso trabalho mútuo, mas isso vem mais tarde). Não são precisos joguinhos, nem manipulações, nem ansiedades.


Podemos ver Glinda como o arquétipo da "rapariga para casar": ela é ponderada, sensata, meiga, serena, cheia de dignidade. É uma versão mágica da Lizzie de Jane Austen.
 Não se deixa inflamar por ideais românticos ; observa as pessoas antes de se  envolver e quando finalmente o faz, é aceitando o homem em causa com as suas virtudes, as suas falhas, o seu passado e as ferramentas que ele tem para construir um futuro. Sem romancear o seu pretendente, ela vê o potencial dele e influencia-o para o bem, para se tornar no homem que ele está destinado a ser.

É também uma mulher com a sua própria vida (no caso, um povo que precisa dela) e que embora deixe espaço para um homem entrar nela, não está desesperadamente à procura dele, logo não cria expectativas com o primeiro que aparece caído do céu. Ela preserva-se, em todos os sentidos,
 e deixa-se conquistar aos poucos. E "eles" adoram um desafio. Precisam dele.




Teodora é a rapariga com quem um homem se diverte...e boas noites! Ainda que consiga um relacionamento mais estável (quase sempre, com recurso a muitas manhas para "dar a volta" ao alvo) isso costuma ser de pouca dura, porque quem é imatura no início é-o sempre.
E nenhuma relação se alimenta de fantasias nem pode florescer se não partir de uma base de respeito.
As Teodoras da vida não só são um ímane para maus rapazes que as
enganam (ou rapazes em fase de maluqueira que nem se dão ao trabalho de as enganar) como tornam impossível que os bons rapazes as levem a sério.

Glinda é a rapariga que um cavalheiro tem orgulho em apresentar
 à família e com quem pode construir o seu próprio lar: com classe, inteligente, independente mas doce e discreta - e acima de tudo sensata, com o equilíbrio emocional que um homem deseja numa companheira para a vida.

Há muitas coisas na vida que uma mulher não controla, mas a sua atitude não é uma delas. Abrir mão do seu poder, tornando-se um brinquedo, ou ser respeitada e admirada é algo que depende unicamente das escolhas que se fazem, da conduta que se escolhe. Está na mão de cada uma ser uma Teodora ou uma Glinda e fazer da sua vida sentimental um encanto ou um bruxedo...








Tuesday, July 25, 2017

Foi promovida? Maximize o seu guarda roupa !

E não, não estou a dizer para ir espatifar o seu aumento de ordenado em roupa nova todos os meses.


Mas por vezes recebo mensagens de amigas e leitoras que dizem mais ou menos o seguinte:

Fui promovida/arranjei o emprego dos meus sonhos e preciso de dar um upgrade ao meu armário. Agora até tenho mais dinheiro disponível para investir em roupa de trabalho e para sair, mas....





Ora, essa é a situação perfeita para construir um "enxoval" invejável sem muita canseira e sobretudo, sem esbanjar os novos recursos que tanto lhe custaram a conseguir.

A receita é muito simples: use o seu guarda roupa profissional como ponto de partida.

Afinal, dizem que uma mulher deve vestir-se não tanto para o cargo que ocupa, mas para o cargo que ambiciona. E agora que já tem o cargo que ambicionava, tem de trajar de acordo, sempre de olho em voos ainda maiores.




Ora vejamos: vou partir do princípio que o seu emprego tem um dress code que se enquadra algures entre o smart business e o business casual. Seja um dress code quase de uniforme (que determine certas cores ou directrizes como por exemplo, saia abaixo do joelho e saltos 5 cm ou mais) ou um dress code mais geral, que define um estilo mas permite variações, nomeadamente nas cores (bancárias, advogadas, professoras, etc).  




Em ambos os casos, ter linhas de orientação dá imenso jeito, porque elas definem quais as silhuetas que poderá usar.

Isso resume-se habitualmente a:


- Camisas ou blusas 
- Peças de alfaiataria em cores sóbrias (preto, azul marinho, etc): blazers bem cortados (curtos e cintados para usar com vestidos, mais longos, estreitos e de corte masculino para calças); saias lápis; alguns sheath dresses pelo/sob o joelho - incluindo um ou mais pretos que possa facilmente adaptar para usar à noite; calças lápis ou cigarrette (agora as curtinhas, pelo tornozelo, com cintura subida e um por vezes, cinto de laçada estão muito na moda e dão um ar elegantíssimo) coletes para quem gosta...etc, etc. 

-Opcionalmente, um vestido "envelope", shift ou camiseiro, liso ou com um estampado discreto.

- Um "jumpsuit" preto, de bainhas curtas: pode facilmente ser usado no escritório, com um blazer por cima, mas ser adaptado para a noite ou para o dia a dia mudando o calçado e o casaco.

- Preste atenção aos pequenos vestidos pretos versáteis, de fazenda opaca, alguns com detalhes (como uma lista branca, rendas discretas, etc...) que os podem transformar em multi usos.





 Recentemente encontrei um vestido sob o joelho, com um grande decote nas costas e um laçarote branco atrás. Apaixonei-me por ele e uso-o para trabalhar, sob um blazer, mas se quiser um vestido giro para cocktail é só tirar o casaco e calçar uns stilettos.




No calçado, o visual profissional pede saltos finos ou de bloco- court shoes ou pumps e eventualmente, uns d ´orsay ou slingbacks (pretos para roupa escura, nude para fatiotas de tons claros). As biqueiras alongadas e ligeiramente pontiagudas são sempre mais lisonjeiras para as pernas. A altura do salto dependerá do cargo e do tempo que passa de pé, mas convém que não seja exagerada.


Stuart Weitzman


Convém ainda ter um cinto preto, de boa qualidade, de largura média para calças ou saias e um largo para vestido;  duas carteiras boas, neutras: uma grande (uma tote da Givenchy, a Ultra, da Dior, ou qualquer modelo shopper Yves Saint Laurent são bons exemplos do modelo certo) e uma pequena (como uma flap ou Wallet on Chain, que é super versátil).


Yves Saint Laurent

Uma gabardina preta ou cor de mel sob o joelho também dá muito jeito.

Daí, tem logo uma boa base.  Das peças atrás citadas, há que escolher várias de cada nas cores permitidas que favoreçam a sua figura. 


Pode, por exemplo, ter uma saia lápis minimalista e outra de padrão ou com aplicações. Se necessário, irá mandá-las à costureira para que assentem na perfeição. Depois há que fazer combinações: diferentes blusas com saia ou calças. O mesmo vestido, mas com um cinto (costumo usar um obi belt, estilo gueixa, em cabedal que fica o máximo sobre vestidos simples)...e assim por diante.




Isto será o seu "enxoval" para trabalhar. 

Resta-lhe comprar peças casuais e de festa para completar o ramalhete. Ideias:

Um vestido leve e sem muita estrutura, estilo sundress; uns jeans skinny escuros que lhe assentem como uma luva; um par de calças boca de sino de cintura subida; umas quantas t-shirts de manga curta ou comprida e alguns tops (os de estilo hippie, com mangas tufadas e ombros descobertos, estão muito em voga...); camisas oxford;  umas calças skinny de cabedal, se gostar, e uma saia lápis no mesmo material; algumas sandálias e botas ou botins, que podem ter cores mais vivas e saltos de plataforma, e dois pares de calçado para festa; um par de bailarinas e uns ténis...em suma, peças nas cores e formatos que não cabem no dress code de trabalho. 

Um blusão perfecto de pele é também uma boa ideia.  Esse é ainda o momento de investir em peças -tendência, num cinto nude ou castanho e numa carteira ou saco descontraído (a Neverfull da Louis Vuitton é um bom exemplo para todos os dias).


Uma flap bag clássica Chanel e a Neverfull Louis Vuitton:
 dois modelos de carteira que se levam facilmente do escritório para a rua, e vice versa


Depois é só montar toilettes que juntem os seus básicos elegantes de trabalho com as peças mais descontraídas. E desde que todas as peças tenham sido bem escolhidas, de modo a assentarem na perfeição, isso será muito fácil.

Exemplos:

- Saia lápis básica + t-shirt estampada+ "nudist sandals" = para sair com os seus amigos.



Office skirt with a twist



MadeWorn white crew neck t shirt
£105 - jades24.com

Ribbed pencil skirt
£430 - 1stdibs.com

Stuart Weitzman black open toe shoes
£325 - neimanmarcus.com

Chanel quilted chain purse
£4,615 - modalist.com



- Vestido preto + stilettos de cor = para traje social. 



Office dress no more



Dolce Gabbana formal wear dress
£360 - currentboutique.com

Pointed toe shoes
£530 - casadei.com

Chanel woven purse
£4,615 - modalist.com

Lydell NYC lobster clasp charm
£19 - lastcall.com

-  Calças boca de sino + camisa branca por dentro + shopper bag+ sandálias ou botas compensadas: para uma tarde de folga


Office shirt?Not quite



River Island white 3 4 sleeve shirt
£46 - riverisland.com

Leather wedge shoes
£730 - usa.hermes.com

Louis Vuitton monogrammed handbag
£830 - portero.com

- Blusa de seda +skinny jeans + botas + carteira tote = para assistir ao lançamento de um livro 


Office blouse ...maybe



Button up shirt
£15 - amazon.com

Sergio Rossi leather booties
£535 - stylebop.com

Givenchy man bag
forwardbyelysewalker.com

-Calças cigarrette curtas + bailarinas + top preto + wallet on chain = para um giro pelas lojas com a sua mãe


Office trousers not quite



Flower crop top
£6.89 - amazon.com

Chanel chain bag
£1,475 - rebelle.com

- Vestido envelope + botas + shopping bag =  sair direita do escritório para um encontro romântico


Straight from the office



Zimmermann black over-the-knee boots
£785 - zimmermannwear.com

Yves Saint Laurent man bag
forwardbyelysewalker.com

Hermès silk scarve
£455 - 1stdibs.com

- Blazer+ sundress + pumps/scarpins = para lanchar na esplanada com a sua melhor amiga


Ladies who lunch



Cotton dress
£190 - 1stdibs.com

Patrizia Pepe blue blazer
£240 - bluefly.com

Le Lis Blanc Scarpin de couro
£110 - farfetch.com

- Calças cigarrette de cintura subida + blusa + slingbacks + perfecto de cabedal = do gabinete para conhecer aquele bar de que toda a gente fala.


Look what I did to my office attire



Lanvin v neck shirt
£1,295 - modalist.com

Balenciaga jacket
£1,370 - mytheresa.com

Topshop high waisted trousers
£29 - topshop.com

Manolo Blahnik black and white pumps
£290 - vestiairecollective.com

Chanel bag
£2,890 - vestiairecollective.com


-Shift dress+ sandálias ou mules+ cardigan =para um brunch de Domingo em família


Sunday brunch



Lands End 3 4 length sleeve dress
£34 - landsend.com

Bonpoint lurex top
£115 - ladida.com

Louis Vuitton pre owned handbag
£670 - vestiairecollective.com

Yellow gold diamond necklace
£7,355 - 1stdibs.com



E assim por diante.

Viram? Simples, sempre impecável e super fácil de manter organizado, o que dá imenso jeito para a correria diária.




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