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Saturday, September 21, 2013

A justiça divina é implacável.

                                                          

Ontem  mostraram-me este curioso programa no Canal Odisseia, que relata de forma cómica as mortes mais parvas que se possa imaginar (provando que para ir desta para melhor, basta estar vivo e não ser lá muito esperto). Os casos são supostamente reais e não sei até que ponto estão "maquilhados" para terem um ar de justiça poética, mas na sua maioria, as "vítimas" eram pessoas maldosas que tiveram um castigo do piorzinho.
 A exemplo, um velhote maldisposto caiu fatalmente das escadas quando se empoleirava para matar o cão da vizinha; um marido queria empurrar a mulher de uma ribanceira abaixo para ficar com o seguro e fugir com a amante, mas foi tão trapalhão que quem caiu foi ele; um ex-namorado ressabiado foi assistir ao casamento da mulher da sua vida com outro e para se vingar dela, subornou o empregado de mesa para encher a bebida da pobre noiva de laxante. O rapaz, apesar de aceitar o dinheiro, teve um rebate de consciência e decidiu trocar o copo envenenado, virando o feitiço contra o feiticeiro. Mal sentiu a barriga às voltas, o malfeitor correu para a retrete mais próxima; mas como esta estava ocupada, teve de fugir para a rua e resolver o problema sentando-se numa lata de lixo. Quando tentava levantar-se sem ninguém dar por nada, notou que ficou preso; ao lutar para se libertar, fez a lata rebolar por uma estrada abaixo, aos tombos, acabando por morrer de vários traumatismos, além de dar um sentido literal à frase "afogar-se na própria porcaria". Ou melhor ainda, "quem mal quer fazer, mal lhe acontece". 
 Já tenho dito que não sou grande adepta do conceito de karma, mas gosto muitíssimo das ideias de "justiça divina" ou "justiça poética". 
  E se estes casos e montes de outros são mesmo verídicos, só me resta perguntar quem será o santo de devoção, o talismã super protector ou o banho de descarrego usado pelas pessoas a quem os azarados tentavam fazer mal. Palavra que aderia à receita. 

É dos maus rapazes que elas gostam mais?

Anthony Kiedis
                                             
Há uns anos, passou na televisão um anúncio a certo iogurte ligh que aludia à metáfora dos bons rapazes versus maus rapazes. Rezava qualquer coisa deste género: "há homens que são como o leite condensado: irresistíveis, mas pouco saudáveis. Depois, há aqueles que a nossa mãe aprova, que são como a salada de frutas: recomendáveis, mas um bocadinho sem graça". O dito iogurte, de sabor a salada de fruta com leite condensado, prometia o melhor dos dois mundos sem danos para a linha.
 Comprei-o, por simples curiosidade, e saiu uma grande porcaria que não sabia a coisa nenhuma (nunca percebi a utilidade dos iogurtes light, já que é sabido que a percentagem de gordura em qualquer iogurte é baixíssima): prova provada de que dificilmente se pode ter tudo. Mas haverá alguma verdade na alegoria do iogurte?

 Sempre ouvi os "bons" rapazes queixarem-se de que as mulheres não gostam deles. 
 Que o bom moço que não faz charme, telefona quando está combinado, expressa os seus sentimentos, oferece estabilidade, é fiel, carinhoso e compra flores, não tem sorte nenhuma e muitas vezes nunca passa a fronteira da temida friend zone. Segundo os rapazes azarados, elas apreciam os brutos, os fanfarrões, que fazem uma mulher andar em sobressaltos e o sangue correr-lhe mais depressa nas veias, em modo "quanto mais me bates, mais gosto de ti". Que se passa com as mulheres, afinal? 
    A equação não é tão complicada como parece. Deixemos de parte as más raparigas (há mulheres realmente tontas que só têm o que merecem, e com essas não vale a pena perder tempo) e analise-se duma assentada a psicologia feminina, que não tem muito que saber.

É verdade que as mulheres querem os telefonemas à hora marcada, a fidelidade, a integridade, a honra, a estabilidade, o abraço firme, a gentileza, o carinho, a sinceridade, os mimos, alguém que as faça sentir seguras e especiais, que não tenha o mau gosto de flirtar com outras (quanto mais o resto) que tenha atenções (flores, e por aí fora).

Não querem os sustos, os sobressaltos desnecessários, as situações pouco dignas, 
 mas gostam de um homem que não tenha medo de expressar o que sente - e mais importante, os seus desejos. Que vá atrás daquilo que quer, um valente sem medos.   Sobretudo, precisam  de uma presença masculina e decidida, algo marialva no bom sentido, que lhes diga de vez em quando "mulher, é assim" e que não ature birras, tretas ou faltas de respeito. Inconscientemente, elas sabem que um homem que deixa que uma rapariga faça pouco dele não será capaz de se defender em sociedade.
Por mais "modernas" que digam que são, por muito que tomem a iniciativa de forma algo anti natural - ou porque se habituaram assim ou porque não têm outro remédio -  todas desejam ser conquistadas: mas por um cavaleiro de capa e espada que as arrebate, e não por um pateta. Aqui é que a questão se complica um bocadinho: por todos os santos, façam o favor de dar os primeiros passos (de homens emasculados e mulheres desmioladas já basta o que basta) mas não façam de patetas, a olhar para elas como uns parvinhos, a sonhar com uma rapariga que não vos dá troco e a ficar revoltados pelos cantos, que isso é pouco varonil. Abram a boca, digam da vossa justiça e ou a donzela quer ou não quer. Um "não" nunca matou ninguém, digo eu.

Sendo seres emocionais, sensíveis, as mulheres precisam de um companheiro racional e despachado, com capacidade de liderança, que imponha respeito. As mulheres são humanas, e em certos aspectos não diferem tanto dos homens: ninguém acha graça a uma pessoa que se deixa pisar, que faz de tapete, que está sempre disponível, que fica a sonhar com o dia em que a beijará em vez de se atrever a tornar o desejo realidade de uma vez por todas. Em suma, pretendem um homem que não tenha medo de levar um estalo, porque quem não arrisca não petisca. Alguém que possam admirar e respeitar, que lhes dê a sensação "este é homem para me proteger se for preciso, não tolera abusos de ninguém". É algo genético, que por vezes nem se manifesta de forma consciente.
 Acontece que os maus rapazes aparentam de forma mais evidente (e por vezes falsa) estas características de macho alfa. E é daí que vem a confusão. Podem ser uns cobardes, mas têm a fanfarronice toda. Um bocadinho de carisma faz o resto, e depois de uma relação estar estabelecida, uma rapariga tem dificuldade em distinguir o trigo do joio. 
 Ser o bom rapaz que faz uma rapariga perder o fôlego é portanto, uma simples questão de equilíbrio.
 E se esse equilíbrio é difícil de conseguir num iogurte, light ainda por cima, num ser humano (sempre dotado de tantas nuances) a história é outra. 

Um iogurte não pensa, não raciocina, não muda (a não ser que esteja fora do prazo) mas um homem sim.

Quer-se o bom rapaz, mas não o rapaz banana; e quer-se o rapaz alfa, mas não um idiota.
 Eis um daqueles casos em que a virtude se encontra realmente no meio....

Friday, September 20, 2013

Madame de Maintenon: virtude (pouco) fácil

                      ´                 

"Não há nada mais inteligente do que uma conduta irrepreensível."

Há algum tempo que nenhuma maîtresse en titre (ou it girl histórica) nos dava a honra da sua galante presença aqui no Imperatrix e confesso que já tinha saudades. Mas estas coloridas superstars de outros tempos são assaz exigentes para se escrever decentemente e bom...para o bem e para o mal eu não tenho a vida delas. Trabalho e esse tipo de coisas, que não me permitem debruçar sobre sedas, espartilhos e alfarrábios. Sinais dos tempos. 

  Tendo falado sobre a amorosa (mas algo vulgar, como todas as Cinderelas) Madame du Barry, sobre Diane de Poitiers (a minha preferida)  sobre os caprichos de um jovem Rei Sol e abordado outros vultos femininos ainda, era uma grande falta não fazer uma homenagem a Madame de Maintenon. Afinal, ela já tem sido citada por aqui, graças à sua sabia frase "mais vale passar por circunspecta do que por tola".

A última paixão de Luís XIV (e sua mulher, embora o casamento morganático nunca fosse confirmado nem desmentido) era uma mulher singular no seu género. Culta, sensata, inteligente, capaz, serena, razoavelmente bem nascida - ao contrário de Madame du Barry, por exemplo) e de uma beleza deslumbrante, que resistiu ao passar dos anos. 

 O nascimento da bela Françoise D´Aubigné continua envolto em mistério. O pai, rebelde e vira casacas que oscilava entre causas católicas e protestantes, foi sucessivamente deserdado e aprisionado por ordem de Richelieu. Casou com a filha do seu carcereiro e tendo a jovem Françoise nascido dessa união, o boato de que viera ao mundo numa cela  ecoaria pelos séculos. 

Por morte do Cardeal, o fidalgo foi libertado e levou a família para a Martinica, onde exercia o cargo de governador. A jovem recebeu o baptismo católico...mas uma rígida educação protestante. Regressada a França com o desaparecimento do seu empobrecido progenitor seria, por ordem dos padrinhos de baptismo (a Condessa de Neuillant e o Duque de la Rochefoucald) educada num convento. 

Lá dedicou-se profundamente às boas Irmãs: o desenvolvimento espiritual que encontrou dentro daqueles muros acompanha-la-ia para sempre.

Mais tarde, a mãe da condessa leva-la-ia para Paris, para a apresentar à sociedade. Mas apesar dos seus dotes naturais, Françoise continuava na frágil posição de fidalga pobre, dependente da caridade da parentela. 

Havia pois, a necessidade de um casamento estratégico: a escolha recaiu sobre o célebre poeta e romancista Paul Scarron: inválido, 25 anos mais velho, mas bem relacionado, abastado (proveniente da "nobreza de toga") e um génio capaz de polir uma rapariga inteligente que nada sabia do mundo. Fascinado, Scarron ofereceu-se para lhe pagar o dote caso quisesse professar num convento, ou para casar com ela. Françoise aceitou a última oferta e por nove anos foi sua enfermeira, companheira e o mais belo adorno do seu salão. Por morte do marido, Madame Scarron conseguiu manter uma situação confortável durante alguns anos. Preparava-se para acompanhar a futura Rainha de Portugal, Maria Francisca de Sabóia, a Lisboa, quando o destino interveio da forma mais curiosa: a (então secreta) amante do Rei, a espampanante Madame de Montespan, ganhou-lhe amizade e rogou-lhe que ficasse, restabelecendo-lhe as pensões que tinham sido cortadas pela bolsa Real. 

Um dia Montespan  havia de lamentar esta decisão...tarde demais!

Mais tarde, o casal pediu-lhe que tomasse a cargo, regiamente paga, a educação dos filhos ilegítimos que iam nascendo. Madame Scarron aceitou, depois de ter ponderado largamente. Dividida entre o escrúpulo de favorecer uma relação ilícita que a sua consciência desaprovava e o dever de servir o seu soberano, acabou por desempenhar o papel brilhantemente. Modesta, não se escusava sequer a executar trabalhos domésticos  apesar de dispor de vasta criadagem.  Fê-lo tão bem, de facto, que a própria Rainha lhe acabaria por dizer "ah, Madame Scarron! Quem me dera que fósseis vós a cuidar da educação dos meus filhos!". 

 Mas o cenário perfeito não duraria muito: o Rei, que inicialmente não simpatizava com Françoise, começou a passar cada vez mais tempo junto da preceptora dos filhos bastardos. Estava cansado do temperamento instável e da língua afiada de Madame de Montespan - que na sua soberba ousava mesmo insultar a sua mulher legítima, a Rainha Maria Teresa. A beleza tranquila e o espírito de Francoise, com quem podia discutir política, religião e economia, eram um bálsamo para o seu espírito atribulado. Agradecido, o monarca cobria-a de presentes: mas quando lhe concedeu a propriedade de Maintenon e o título de Marquesa, a guerra estalou entre as duas mulheres. Às cenas de ciúmes da favorita, o Soberano terá respondido: "Madame de Maintenon sabe o que é amar - seria maravilhoso ser amado por ela!".

Supostamente, Madame de Maintenon (ou por cálculo, ou por questões de moral) teria retirado o Rei da sua relação indecorosa com a Montespan, ao mesmo tempo que ela própria recusava os seus avanços.

Apesar de já não ser uma rapariga (aproximava-se dos cinquenta anos) Françoise não perdera um único traço da sua luminosa beleza. Linda, inteligente e difícil de conquistar - uma combinação fatal para o Rei-Sol, três anos mais novo do que ela mas já cansado de tantas beldades fáceis.
 Não se sabe ao certo quando a ligação terá começado, mas pouco tempo depois, Madame de Montespan era afastada da corte, e Françoise tomava um lugar de honra junto da Delfina - uma posição encapotada para poder ver o Rei sempre que ele o desejasse. Durante este tempo - de acordo com as complicadas relações da época - provou ser uma boa influência para Luís XIV, mantendo mesmo a amizade da Rainha, que a elogiava em público.
 Por morte desta, casou com o Rei numa cerimónia privada, em 1684. Manteve uma posição reservada, como convinha a uma consorte da sua condição, embora lhe fosse atribuída considerável influência política. Não se sabe se alguma vez terá desejado ser reconhecida como Rainha - mas considerando o seu carácter, atrevo-me a duvidar. Uma mulher que preferia passar por circunspecta do que por tola, que pregava os benefícios de uma conduta irrepreensível, dificilmente se prestaria a dar a impressão de não conhecer o seu lugar. Discreta até ao fim - foi assim que passou à História.






Quero este bicho de estimação, se faz favor.

                       
Já se sabe que as redes sociais estão de tal maneira pejadas de imagens  de animais fofinhos a fazer o diabo a sete que já ninguém repara, mas esta chamou-me a atenção. Vi-a hoje na única revista leve que me dou ao trabalho de comprar: segundo o fotógrafo, a rãzinha viu que estava a chover, pegou na primeira coisa que estava *literalmente* à mão e fez um guarda-chuva à sua medida. Orientou o seu "chapéu" para se proteger ao máximo do aguaceiro e assim ficou durante mais de meia hora, com ar de pessoa muito importante. 
Agora imaginem os truques que eu não poderia ensinar a esta coisinha tão cuti cuti e civilizada. Acho que a podia levar comigo para toda a parte, até para sítios de cerimónia, que ia portar-se lindamente e ainda me fazia uns recados. E se for venenosa e der alergia a pessoas chatas, melhor! 

Thursday, September 19, 2013

"The great love that cannot bear fruit", ou o comodismo deles

                             
File:Frederic William Burton - Hellelil and Hildebrand or The Meeting on the Turret Stairs.jpgJá o disse por aqui - detesto histórias de amor que acabam mal. É claro que todos os dias há namoros e casamentos que terminam (c´est la vie) mas nem todos são verdadeiras histórias de amor, daquelas capazes de inspirar artistas, de marcar uma pessoa para a vida, daquelas que valem a pena. 

Curiosamente, muitas vezes são as "verdadeiras histórias de amor", aquelas que marcam, que não vão a lado nenhum; afinal, é muito mais fácil manejar emoções mornas e ser civilizado em relações sem graça que não provocam grande emoção. 

Em circunstâncias dessas, todos somos capazes de nos portar bem, pois como dizia Mae West, quem está verdadeiramente apaixonado não consegue ser razoável; e se o casal é capaz de ser extremamente frio, lógico e razoável, é porque a paixão não é muita.

Não há nada mais triste do que "The great love that cannot bear fruit", o grande amor desperdiçado, amaldiçoado pelo destino. É uma ideia romântica, mas acontece muito: ou por circunstâncias externas ( a noção de "star crossed lovers", vulgo Romeu e Julieta) ou por estupidez dos envolvidos.

E uma das formas de estupidez mais comuns é a mania masculina do "não te rales". Atenção, não estou a  dizer que nós, mulheres, não fazemos asneiras (fazemos, e muitas). Mas sendo mulher, detecto mais facilmente os disparates do sexo oposto, os leitores de calças que me perdoem.

O comodismo, o "não te rales" masculino manifesta-se de várias maneiras:  não é apanágio dos homens preguiçosos. Já o vi em cavalheiros muito dinâmicos, cheios de iniciativa e boas intenções. Mas juro-vos, porque tenho visto mais exemplos do que gostaria, que o "deixa andar", o "não te rales", é um "aparta amor" de primeira ordem.

O homem é um animalzinho de hábitos. Gosta das coisas à sua maneira e tem uma dificuldade tremenda em sair da sua zona de conforto, mesmo no seu melhor interesse. Por isso, é-lhe muito difícil mudar, por mais apaixonado que esteja, por mais que veja a casa vir abaixo.

Já vi relações fantásticas acabarem porque o cavalheiro era demasiado preguiçoso para lutar pela vida. Mandrião o suficiente para se desleixar com a sua aparência, com as suas contas, com a sua carreira, apesar dos muitos avisos. E as mulheres são apaixonadas, não são santas. Azar.

Também sei de casos em que o homem opta por uma atitude tofu, de chove não molha - ou por timidez, ou porque não sabe o que quer, ou porque julga que o amor é suficiente e está tudo garantido. Depois fica muito indignado quando vê que a mulher da sua vida lhe escorregou por entre os dedos com alguém mais decidido. Love takes time, but won´t wait forever, lá dizia a cantiga.

E há ainda os que insistem na mesma tecla, over and over. Explicam-lhes preto no branco que certas atitudes não são aceitáveis, que assim não é possível, que os limites são aqueles; são avisados centos de vezes; mas por menos que lhes convenha perder a pessoa de quem gostam, custa-lhes muito mais prescindir dos disparates do costume, afinal, old habits die hard. E depois ficam muito admirados, e a achar que as mulheres são cruéis e complicadas. O velho "NO MEANS NO" não entra no cérebro masculino, nada feito.

E por mais que as paredes abanem, que o sinal de alarme toque, estes senhores não se mexem do sítio, não se esforçam um bocadinho. A preguiça é má em toda a parte, mas nestes casos é mesmo pouca vontade de evoluir. Não é suposto o amor tornar-nos pessoas melhores, ajudar-nos a crescer, puxar pelas nossas maiores qualidades e essa demagogia toda? Ia jurar que já li isso algures...

Pode dizer-se que estou a contar os dias...

Neste tempo sim, as coisas tinham graça.
...para o fim das autárquicas (ou "autárticas" como já vi escrito num desses cartazes ultra deprimentes que correm as redes sociais).
 Isto é de murchar a noção dos deveres cívicos de cada um. Receio bem que seja desta que eu, portuguesa que queria um Rei mas vota sempre porque é a sua obrigação,  em Roma sê romano, faço gazeta às urnas. É que é tudo muito mau.
É certo que há sempre algum panem et circenses na política, sempre assim foi; mas o descontentamento geral, associado aos 15 minutos de fama que os Facebooks e Youtubes da vida concedem a qualquer comum mortal por mais disparates que diga , fizeram com que desta vez metade dos filhos de Deus que constam da lista telefónica na minha cidade faça parte de uma lista qualquer. Nunca vi um entusiasmo assim: passou-se de deixar a política nas mãos de quem calha, de ninguém se ralar minimamente, para o modo "povo ao poder".  Literalmente.

E francamente, não sei se este extremo é positivo. Há demasiada dispersão e demasiada tonteria. Embora eu seja defensora do exercício da consciência política, acho que há intervenção e intervenção. Ou, como dizia o outro... "leave politics to the men who have the breeding for it". 

Seria mais sensato uma população consciente apoiar candidatos capazes, em vez de se aventurar num amadorismo que...bem, diverte o povo, mas pouco mais.

Os cartazes parolinhos, os candidatos bem...pindéricos, não arranjo outro termo, os altifalantes com música épica, roufenha e tristonha a atormentar as almas em horário de trabalho, as mútuas bofetadas, as causas disparatadas,  os cidadãos indignados que se juntam para o velho "dar a volta a isto" (o que me faz pensar que as pessoas adoram ter poder, mesmo que seja um poder pequenino perdido numa qualquer gabinete bolorento e sem ar condicionado) que já sabemos como vai acabar, a estafada discussão de votar sempre nos mesmos, a corrida ao odiado/ambicionado tacho, a imprensa a fingir que aquilo é tudo muito sério. Desculpem o cinismo mas é tudo foleiro demais para as minhas capacidades. É triste, mas por cá o poder local (e se calhar, o outro poder) não é coisa que se recomende, que dê lustre à reputação de alguém. Por muito pantomineiros que os políticos americanos sejam, fazem as coisas com cachet. Os fatos são super bem engomados, os cartazes são sóbrios, há o God Bless America que fica sempre lindo e até têm Senadores, como os romanos, e dinastias deles. Há uma certa elegância e fantasia na forma como as coisas são feitas, sem a aura remediada, pelintra e a fazer gala disso, que por aqui se vê. Porque queiramos ou não, a política tem sempre o seu quê de espectáculo: e eu nunca gostei de amadorismos, nem de desenrascanços. Nisso, sou muito pouco portuguesa. Gosto das coisas bem feitas. De um circo bonito, vá, em vez de saltimbancos itinerantes. É pedir muito? I think not.

Wednesday, September 18, 2013

Das belezas que impressionam.

Double act: Julianne Moore brought daughter Liv along to watch the Reed Krakoff show as part of New York Fashion Week on Wednesday

Julianne Moore e a sua filha Liv, de onze anos, na semana de moda de Nova Iorque.

Esta é uma daquelas mulheres que me arranca sempre um suspiro de admiração. Tem um estilo tão perfeito, tão sure and simple, tem tanta classe, uma pele luminosa, o cabelo flamejante de uma musa pré-rafaelita, está sempre impecável...uma verdadeira beldade e com ar de Senhora, coisa cada vez mais rara. Tudo nela grita distinção, qualidade e elegância. Não consigo imaginar Julianne Moore com um aspecto desleixado e baratuxo: acho que até com roupa de andar por casa deve parecer uma dama, porque essas coisas vêm de dentro para fora.
E ainda por cima tem uma filha que é a sua miniatura. Há mulheres que até nas crianças que colocam no mundo são um caso à parte. Andam por aí, a inspirar as almas. Ainda bem!


Miniature fashionista: The 11-year-old has clearly already developed her own style and an interest in the industry

Isto sim, é uma mulher forte.



A Irmã Angelique Namaika foi distinguida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados com o prémio Nansen, uma das mais elevadas distinções concedidas àqueles que lutam pelos direitos humanos. Esta frágil religiosa arrisca-se diariamente no Nordeste da República Democrática do Congo para ajudar jovens mulheres vítimas de violência sexual e de género a reconstruir as suas vidas. Pelo seu Centro de Reintegração e Desenvolvimento já passaram cerca de duas mil meninas que ali encontraram um lar depois de terem sido submetidas a horrores indescritíveis, de terem sido deslocadas das suas casas e muitas vezes, repudiadas pelas próprias famílias.
 A freira congolesa será recebida por Sua Santidade o Papa no dia 2 de Outubro. 
 A Irmã Angelique é inspiradora. Pela sua coragem e pelo carinho que coloca na missão que escolheu. Não é que seja novidade uma religiosa dar mostras de grande valentia e resistência - sempre houve exemplos. 
Mas eleva a alma, na época que atravessamos, ver alguém assim incansável, atento ao seu semelhante. E o seu sorriso sereno, a beleza que irradia na sua simplicidade, na sua humildade. Pessoas assim fazem-me sentir tão pequenina, tão insignificante, palavra de honra. É como se a perfeição do seu espírito se transmutasse num poder sobrenatural que lhes permite fazer todas estas obras. 
 É verdade que está escrito (para quem acredita) que o Espírito Santo dá forças para tudo. Mas alguns serão decerto melhores "recipientes" do que outros. 
Valha-nos o exemplo: isto sim, é uma mulher forte. Extraordinária. A fazer a diferença sem cara feia, poses poderosas, arrogância, escândalos nem slogans acerca de uma "liberdade" que a maioria de nós nem compreende muito bem o que representa.

Tuesday, September 17, 2013

Nicole tried to be like Grace Kelly...




Gosto muito de Nicole Kidman, palavra. É glamourosa, ruiva, pálida,  tem impacto e a sua escolha de papéis  leva-me muitas vezes a ver os seus filmes. Fez de cortesã da Belle Époque e de feiticeira - seria complicado que eu não gostasse. É certo que já viu melhores dias, mas continua a ser uma figura que me atrai ao cinema. No entanto, embora eu perceba pouco de interpretação, tenho alguma dificuldade em imaginá-la como Grace Kelly. No trailer, continuo a ver Nicole Kidman vestida (não "caracterizada", porque a caracterização
 parece-me muito pouca) de Grace Kelly: 


Não sei se isso tem a ver com as suas capacidades como actriz (nisso não sou muito exigente, basta-me que haja naturalidade suficiente para eu acreditar na história) ou com o facto de ser demasiado famosa para que eu me abstraia e acredite que é a Princesa Grace que ali está. Isso, e demasiado alta, longa, esguia. Grace Kelly, O Cisne, não era exactamente baixinha, mas a sua altura não era uma característica que desse nas vistas. Duas mulheres lindas, mas com uma elegância diferente.

 Claro que seria muito complicado encontrar quem preenchesse os sapatos da Princesa do Mónaco, mas não me é fácil acreditar no conto (outro tanto me acontece com Naomi Watts como Diana de Gales, e juro que não tem nada a ver com as péssimas críticas que o filme recebeu na antestreia).  Mesmo assim, estou curiosa: pelo figurino, pelo ambiente e enfim por se tratar, por menos maravilhoso que o filme seja, de um retrato daquela que foi uma grande senhora, uma princesa da cabeça aos pés, por dentro e por fora.
 E em nota de curiosidade, a película contará com a participação de uma verdadeira (e lindíssima) princesinha: a encantadora Maria Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, filha de S.A.R Princesa Camilla e  Príncipe Carlo, Duques de Castro, que fará uma breve aparição ao lado de Nicole Kidman.

                      

Do you know what it feels like for a girl?



A boneca acima é a famosa Day-to-Night Barbie. Não só foi a minha primeira Barbie, como é considerada uma das mais marcantes lançadas pela Mattel até hoje. E porquê? Porque apesar de a boneca ter assumido várias profissões em décadas anteriores - até editora de moda, nos anos 60 -  a Day-to-Night foi uma das versões mais cool da sua faceta "executiva glamourosa". Executiva, não secretária, nota bene. Mais do que isso,  pretendia demonstrar que as mulheres podem ter tudo: carreira e feminilidade. Em simultâneo. Com um pequeno truque à la Clark Kent. 

O anúncio "We girls can do EVERYTHING" marcou as rapariguinhas americanas (por cá, não me recordo se passou).

O claim da Day to Night apregoava algo como "Barbie passa um produtivo dia no escritório e à noite, muda a fatiota (blazer salta fora,  a saia lápis vira-se do avesso para se tornar uma full skirt de tule sobre um body de brilhantes, solta-se o cabelo et voilá) para um encontro romântico na cidade com o Ken".

De forma consciente ou inconsciente, creio que os meus pais não escolheram esta Barbie para mim por acaso (até porque já tinha sido lançada há uns anos).

Primo, porque tendo crescido nos anos 70, os autores dos meus dias acreditavam firmemente que uma rapariga pode alcançar tudo - contra a opinião mais tradicional da avó, que achava que o supra sumo para uma senhora era "estar em casa" - ideia que só mais tarde comecei a compreender. 

Secondo, porque muito pequena, a carreira de "executiva", da qual tinha uma vaga ideia, já me fascinava. Uma bela mulher, com elegantes tailleurs e saltos altos, a tomar decisões pela sua cabeça. Com o Ken ao lado para as ocasiões - e o retrato dele na secretária do gabinete -  mas sem ser um fim em si.

Como milhares de raparigas da minha geração, venderam-me esse conceito: "We girls can do EVERYTHING". Everything...menos fazer escolhas tradicionais, claro. Estudos, Independência, carreira, para não depender de um marido chato que ponha e disponha - quanto mais obedecer-lhe (nem sequer fingir que se obedecia, como noutros tempos, era considerado aceitável...).

E isso de família e filhos etc, só mais tarde, nos nossos próprios termos. 

 Perdi a conta às vezes em que fiz de Day to Night Barbie: sair do office cansada, mudar de roupa a correr e ir muito bem acompanhada, muito bem arranjada, a um local bonito.

Tive vestidos que superavam os da Barbie. E no quesito "Ken" também não me posso queixar...

Um sonho realizado...ser como a Barbie, lá dizia o anúncio!

Sim, nós conseguimos fazer tudo. Cansadas, mas conseguimos.

O mais curioso é que a mesma sociedade que nos vende a ideia de conseguir tudo e deixar a natureza (casamento, filhos, etc) para mais tarde, acha muito estranho se esse "mais tarde" demora um bocadinho. Ou seja, se somos selectivas ou se, simplesmente não nos apetece tolerar namorados/pretendentes/noivos chatos, temperamentais ou pouco cumpridores no firme propósito de os transformar em maridos, ou se queremos viver a vida, e gozar a independência que custou tanto a ganhar, por mais uns tempos. 
Então, o anúncio passa a ser outro: o do JÁ É TEMPO, e quando te casas, e ai que lindos que são os bebés, quando é que dás um neto aos teus pais, etc, e lá vai o "feminismo" para as urtigas.
Há que conseguir uma carreira e casar em tempo recorde - afinal, nós conseguimos tudo. Mesmo que seja (Deus nos livre) com uma hipoteca horrorosa, um estilo de vida duvidoso e todo um ambiente que não se parece em nada com o da Barbie. E é então que o "conseguimos fazer tudo" se revela um bocadinho mais pesado.

Mas esperem: as mesmas vozes que...

- defenderam o feminismo, fazendo-nos gastar tempo a estudar e a construir um percurso profissional, deixando a natureza para mais tarde;

- nos chateiam logo a seguir para casar, nem que seja um casamento algo mal arranjado;

e

- acham que as mulheres devem ser livres para fazer TUDO o que lhes apetece, até parvoíces, sem dar cavaco a ninguém...

...ficam passadas, completamente passadas, se uma mulher decidir optar pela liberdade de ficar em casa, a cuidar do tal marido e filhos que é suposto termos depois desta correria toda. É que ter o direito à escolha de ser dona de casa é ser dondoca, sacrilégio, do tempo da outra senhora. E aí o feminismo já fala alto outra vez.

Palavra que ser mulher continua a ser muito difícil. Até dizia "quem me dera ter nascido rapaz"...mas gosto demasiado de ser rapariga. Pelo Ken, pelas roupas, pela maquilhagem. Senão...

Monday, September 16, 2013

Momentos em que sabemos que temos a melhor família do mundo.

                                             

1- Sentadinhos a ver o Dexter. A detective Morgan, irmã do protagonista, descobre que o seu maninho santinho é um serial killer justiceiro nas horas vagas.
Viro-me para o meu irmão e pergunto: "que farias perante um imbróglio destes?". E ele muito sério, sem hesitar: não te denunciava!
 Pouco ético, se calhar. Mas há lá prova de lealdade mais fofa, mais cuti cuti? Bem , cuti cuti não será a palavra certa. Porém... a intenção é tudo.

2 - A mãe, muito cautelosa, como quem pisa ovos: Sissi...não te mexas. Tens um besouro nas costas! E eu (que tinha sentido qualquer coisa, mas não fiz caso) : está bem, tira-o daí...
Não sou coca bichinhos com bichos, passe o pleonasmo. Bom, a não ser que os bichos sejam....CENTOPEIAS. Já vos disse que odeio, abomino, tenho fanicos, fico fora de mim com esse animalejo horroroso. É uma das pouquíssimas coisas à face da terra capazes de me meter medo.
Adiante: lá se tirou o "besouro" e vejo a autora dos meus dias a pisar o chão furiosamente. Estranho, muito estranho, já que cá em casa a política zen para com insectos é atirá-los para a rua...a não ser que se trate, claro, de CENTOPEIAS.
Só depois da ameaça morta e bem morta é que ela, toda assustada, coitadinha, me disse a verdade. Tinha MESMO uma centopeia nas costas. É bem certo que o que mais tememos tende a materializar-se, mas misericórdia! Saltar-me para as costas é estar a pedi-las! Convidar o extermínio! É muita lata, muito descaramento, provocar o inimigo, a Némesis. 
Mas admirável  foi que a senhora minha mãe, que fica tão horrorizada como eu com estes pequenos mostrengos, mantivesse a calma para meu bem. É certo que eu ia entrar em pânico (vá: em histeria completa) desatar aos saltinhos e fazer pior. Nem me atreveria a tirar a t-shirt com medo que aquela coisa me tocasse no rosto.
O amor dá coragem para tudo...



Definitivamente, não vou vestir ISTO.

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Gosto tanto de aprender novos truques de styling como qualquer aficionada da matéria, mas há ideias que não compro. 
 Uma delas é usar um vestido formal durante o dia, com umas botifarras e /ou um blazer descontraído ou blusão de pele por cima. Não é que até não se consigam efeitos engraçados: é que...não faz sentido.

Primeiro: uma das coisas que me desgosta na época em que vivemos é (quase) ninguém cumprir os dress codes em lado nenhum. Criatividade, liberdade de expressão, é tudo lindo, mas chateia-me ir a um evento onde é suposto usar-se fato escuro e vestido de noite...e ver tutti quanti de jeans.
 A julgar pelas meninas que tenho visto pela rua nestes preparos, aposto que vamos ter um "momento do contra": ou seja, quando é realmente preciso não se apresentam como devem, mas para dar nas vistas durante o dia já está tudo bem. Certo...

Segundo:não é confortável (tudo bem que a definição de "vestido de noite" para algumas marcas é um saco de poliéster para enfiar pelas orelhas e já está, mas pronto) nem prático. Tecidos delicados, bordados ou com aplicações não têm a resistência das roupas comuns. E estar sentada numa cadeira de escritório com lantejoulas a magoar a pele, ou ter o sol a brilhar sobre cristais swarovski não é a minha ideia de dia perfeito, não.


Terceiro tenho defendido por aqui que respeitar os códigos tradicionais de vestuário (roupas claras para o dia, brilhos para a noite, and the like) é uma forma inteligente de tirar partido do nosso guarda roupa, já que actualmente, quase toda a gente tem mais peças do que consegue vestir e a baralhada é tanta que alguma organização à moda antiga não pode fazer mal.

Tanta ocasião para usar vestidos, meninas!
 Lá diz o povo, quem dos dias faz iguais, das casas faz...já não sei  quê, mas era uma coisa do campo onde se abrigam animaizinhos de presépio.

Para quem gosta mesmo deste visual (ou quer aproveitar ao máximo algumas peças que raramente usa) a versão sensata será um vestido versátil,  day-to-night. Um cocktail dress minimalista preto ou cinza, rendas claras sem aplicações pesadas (que têm estado presentes em todas as colecções) ou seda estampada fazem o truque sem cair em disparates.

Já vos contei que sou especialista...

                             

...na complicada arte do bocejo interior, de bocejar para dentro ou, se preferirem, do bocejo invisível?
    Anos  de obrigações profissionais e sociais mortalmente chatas deram-me um traquejo gigantesco para parecer uma ouvinte interessada quando na realidade estou para ali a cair de sono. 
 Para quem não sabe como se faz, é só cerrar os lábios num meio sorriso e suspirar, com o ar mais interessado deste mundo (olhos semicerrados e costas direitas) quando o bocejo parece inevitável. Passear por aí habitualmente com um ar blasé, meio enigmático e enjoado - vulgo cara número 3 -  também dá jeito para que não percebam quando estamos realmente cansados ou aborrecidos. Lá dizia a minha avozinha, só não são permitidas duas caras: a de desgraçadinha, porque ninguém tem de saber da nossa vida, ou a cara de hiena, a rir às gargalhadas por tudo e por nada, que é feio. A neutralidade, o tédio moderado e a expressão circunspecta de quem prefere ouvir duas vezes e falar só uma nunca comprometem.
 Está certo que o ideal é sorrir com os olhos, aparentar (e sentir) uma autoconfiança à prova de bala e parecer a pessoa mais cativante deste mundo: mas quando isso não é possível, nada dá tanto jeito como o aspecto impenetrável. 
Se não fosse guardar estes artifícios para as ocasiões, diria que sou uma profissional do frete - ou do esconder do frete. 
 Felizmente, sempre me ensinaram que a sinceridade cai bem em todo  lado e que as pessoas bem educadas podem mandar as regras às malvas quando é preciso - por isso não me acanho de demonstrar o meu aborrecimento/cansaço se o caso não é realmente importante. A vida é demasiado preciosa para ser gasta em maçadas a que podemos esquivar-nos.

Sunday, September 15, 2013

Michelle Jenneke: pois, ser feminina é sexy. Pois.

                    


O video da atleta - muito natural, muito feliz, muito brincalhona- a fazer um aquecimento com saltinhos (sorriso aberto, cabelo esvoaçante) tornou-se viral. Pessoalmente, não vejo ali nada de provocante, mas o efeito avassalador que causou diz tudo. A pouca roupa faz parte do métier (lá está, há um local e uma ocasião para tudo; inclusive para as lycras e os calções mínimos: pista de corridas) e os gestos não tiveram nada de ordinário. Michelle estava apenas a ser descontraída, feminina e fofa. Claro que isso é irresistível. Take that, ó adeptas da pinderiquice que é ser "sensual" com carinhas, boquinhas e rebolar de ancas. As ninfas nas grandes obras de arte também não abanavam o derrièrre, nem faziam caras parvas. Eram espontâneas, alegres e à vontade. Mas é bem verdade que quem tem o que é necessário não precisa de fingir...

Quase famosos. Quase, graças a Deus!

                                

Diz o meu melhor amigo que esta semana teve um terrível pesadelo: íamos nós e mais umas quantas pessoas amigas pelas bandas de Cascais, a caminho de uma discoteca da moda qualquer (nota-se mesmo que estava a sonhar, porque dificilmente me caçariam numa "discoteca da moda") e montes, magotes de paparazzi a correr atrás de nós. Numa daquelas reviravoltas bem vindas que os sonhos têm, saltámos para um providencial carro de vidros escuros e blindados (nota bene: não uma limusina, porque eu nem em sonhos entraria  de boa vontade numa coisa tão pirosa; só o fiz uma vez, porque o contrato a isso obrigava, e....bem, percebem a ideia) e lá conseguimos escapar, com os predadores de instantâneos embaraçosos no encalço. Antes de fechar o vidro, fizemos aos fotógrafos parasitas uns sinais muito feios que eu não tenho por hábito fazer (mais uma vez, foi um sonho...) e lá escapámos.
Ri-me bastante com a ideia, e dei por mim a pensar como é bom ficar longe da celebridade. Deixemos de lado a discussão acerca de os famosos (principalmente os nossos supostos famosos, já que nesta terra de brandos costumes poucos papparazzi há, e muito menos gente que valha a pena "paparazzar") se colocarem ou não a jeito para estas situações chatas. 
 Para quem gosta de seleccionar as fotografias que lhe tiram, imaginem o que não é ser retratado nos piores ângulos possíveis, e ver tais imagens publicadas, com uns retoques para parecerem piores. Não admira que os famosos acabem maluquinhos, em reabilitação, e se encham de plásticas na tentativa de parecer apresentáveis de todos os lados - o que é tarefa difícil; poucos mortais ficam bem em TODOS os retratos, e mesmo esses hão-de fechar os olhos  ou fazer caretas de quando em vez.
 Não sei quanto a vós, mas isso era o suficiente para me pôr doida, já nem falo de ter estranhos à porta ou gente a saltar-me pelos muros. Ia ficar conhecida sim, pela brutalidade dos seguranças israelitas cujo ordenado me ia consumir boa parte dos rendimentos mensais, era limpinho...
Sou da opinião que "fama" e notoriedade, só mesmo a estritamente necessária para certas ocupações cujo sucesso depende disso (ser cantor, actor ou escritor de best sellers no anonimato é capaz de ser complicado). E mesmo assim...

As coisas que eu ouço: Sexta Feira 13, parte II. Ou "momento Twilight Zone" do fim de semana.

                                        
Não sou de facto supersticiosa com a data, mas não é a primeira vez que neste dia me acontecem situações cósmicas e improváveis.  Desta feita, depois de (numa daquelas "operações Mulher Maravilha" que às vezes sou obrigada a fazer para cumprir a agenda a que me proponho) foi necessário fazer 300 km para estar num sítio depois de um dia de trabalho. Tudo calculado ao milímetro para dar tempo, chegar, check in, makeover supersónica. Até aqui, nada de novo. Excepto que, numa pouca sorte nunca vista, o hotel do costume fez confusão com a minha reserva. Num dia de lotação esgotada. Lindo. Eu à beira de um fanico (noutra noite qualquer levaria o estranho caso à paciência, mas com menos de 20 minutos para estar pronta NÃO achei boa ideia) e o recepcionista nas calmas a tentar arranjar as soluções mais parvas à face da terra. Finalmente lá me mandaram para outro hotel, bastante simpático por acaso, e os minutos a contar. 
 Pronta para sair em tempo relógio, chamam-me um taxi...e o motorista parecia um afro americano gigante saído de um filme. Muito aprumado, muito profissional, com ar de jogador de basquete que decidiu mudar de vida ( tendo a imaginar um guião para a vida das pessoas, não é de propósito) ou de líder de culto voodoo disfarçado de taxista. Não faço ideia de onde saiu o senhor, mas ou porque me achou com cara de turista ou porque era novo na profissão e não atinava com a morada que eu lhe estava a dar, correu Seca e Meca  antes de me deixar no lugar que eu lhe tinha dito, que é dos sítios mais óbvios à face daquela terra.  Ao início não disse nada porque a rua tem um sentido estranho e para lá chegar de carro são precisas de facto algumas voltas.
 Mas perante tanta corrida à senhora da asneira, lá lhe expliquei se podia despachar-se porque estava a ter um dia que não lembrava a ninguém e já bem bastava a peripécia do hotel.

- Não se preocupe, menina - disse assim com uma voz sábia do outro mundo, muito calmo, muito não-te -rales, cheio das certezas todas ... enfim, com ar de profeta mesmo, como se vê nos filmes quando está para acontecer uma revelação importante. Só faltava a música de fundo, tiri-riri, tiri, riri....

- Se não ficou naquele hotel, é porque era melhor não ficar; e se ainda não chegou ao sítio marcado, é porque estava destinado que era melhor assim.


À saída, desejou-me boa sorte e afastou-se tão silencioso como tinha chegado. Ultimamente, a minha vida é só contos assombrosos. Receio que a continuar assim, este blog tenha uma viragem à Stephen King. Com o Halloween à porta, tem tudo a ver, eu acho...




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